quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Rescaldo do Lisboa Games Week 2019


No fim de semana passado, pude participar em mais uma edição do Lisboa Games Week, desta vez já com uma nova organização e algumas mudanças no evento. Como já referenciámos e explicámos o sucedido no nosso último post acerca do XL Games World (ver aqui), vamos então passar a analisar mais directamente as diferenças que encontrei neste evento.

Para começar, vimos que ao contrário do Moche XL, que pretende estar centrado quase exclusivamente em videojogos, o LGW pretende alcançar um público maior, parecendo estar lentamente a transformar-se num evento comparável à Comic Con. Desta vez, reparei na existência de uma série de novas áreas, como a dedicada ao cosplay, outra onde artistas podem entrar em contacto com o público, exposições e testes de drones e robots, uma área para youtubers onde eram dados workshops de introdução à criação/edição de vídeo para o youtube, etc.


Não vamos adiantar mais as diferenças entre os eventos, até porque as novidades do Lisboa Games Week estão relacionadas com áreas que estão totalmente afastadas do âmbito deste blog e só as referenciámos para dar uma ideia de como os eventos se estão a afastar a nível de direcção e também do público-alvo que pretendem captar.

Quanto à área retro, neste evento foi gerida pelo museu Nostalgica que retornou ao evento após um afastamento de dois anos, pois foi substituído em 2017 pela Retroshop. Apesar de o LGW ter uma área consideravelmente maior ao dispor que o evento concorrente (dois pavilhões da FIL), foi com alguma desilusão que vimos o espaço reduzido utilizado para a zona retro. Desta vez tivemos já algumas máquinas arcade do museu e vários flippers, aliados a uma pequena secção de consolas e microcomputadores.


Algo um pouco diferente que vimos desta vez, foi uma tentativa de tornar o espaço mais museológico, utilizando vitrines com alguns jogos e consolas, que infelizmente não continham quaisquer descrições que nos pudessem ajudar a contextualizar o que estávamos a ver. Na parede do fundo, tínhamos também jogos, consolas portáteis e fixas, juntamente com alguns computadores fixados à parede, esses sim, com uma pequena descrição ao seu lado, todos separados por décadas.


Aplaudimos a iniciativa de tentar contar um pouco da história e tentar trazer o museu até ao público, mas a nível pessoal fiquei um pouco desagradado com o modo como foram expostas as revistas de época. Por exemplo, falando mais do Spectrum, vimos dois suplementos da Capital pendurados por molas de orelha e algo ainda pior que isso, um manual do Spectrum/Basic criado por uma loja do Seixal, um documento que desconhecíamos completamente que existisse (e que queríamos ver preservado aqui no Planeta Sinclair) a ser afixado com um pionés à parede, ficando permanentemente danificado (só esperamos que seja uma fotocópia e não o original...).


Como vimos em primeiro lugar o sucesso do espaço Retroshop, não pudemos deixar de fazer uma comparação qualitativa. A nível de variedade de consolas e computadores, o espaço Nostalgica peca por defeito, vimos poucas máquinas ao dispor, assentes em estreitos pilares a alguma distância uns dos outros, o que deu uma aparência fria e pouco convidativa ao usufruto do espaço. Por outro lado, compreendemos o receio da organização, mas ver todas as consolas fechadas em caixas, comandos atados com fios de segurança e comparando isso à liberdade de utilização que tivemos no espaço Retroshop em que não havia este "controlo apertado", acabamos por ficar mais a favor do primeiro espaço que visitámos.


Outra coisa que apontaria é que as consolas e computadores ao dispor do público são modelos mais comuns e vulgares. Se por um lado devemos ir em busca do que poderá ser mais apelativo ao público, também achamos que um museu tem uma missão educativa, devendo mostrar sistemas e jogos menos comuns. Aplaudimos neste caso a iniciativa do espaço Retroshop em ter ao dispor consolas mais raras como a Neo Geo CD ou a Atari Jaguar, entre outras. No espaço Nostalgica, o único sistema menos comum que vimos era uma Wonderswan Color, mas tendo em conta a iluminação do espaço, também não considero que tenha sido uma consola ideal para mostrar no evento.


A afluência do público foi relativamente grande para a zona arcade e um pouco menos para a área das consolas/computadores, havendo sempre alguma bancada livre, coisa que muito raramente vimos no espaço Retroshop, mesmo tendo em conta que a oferta disponível era maior.

Para concluir, achámos que a gestão do espaço ficou um pouco aquém das expectativas. Se fossem tomadas algumas medidas para criar uma área mais acolhedora, com mais sistemas, com uma organização e decoração diferentes, teríamos um ambiente muito mais agradável. No entanto, devemos dizer que gostámos de ver a coleção ser apresentada também numa perspectiva mais museológica, apesar do modo como foi organizada essa área não ter sido o melhor. Em comparação, objetivamente acabamos por optar pelo salão de jogos e espaço Retroshop, pelo ambiente muito mais agradável e acolhedor, diversidade de máquinas ao dispor e até pelo modo como fomos recebidos pelo organizador.


Tentámos então chegar à fala com Mário Tavares, responsável pelo Nostálgica, para trocar algumas palavras. Ao contrário do que aconteceu no Moche XL em que vimos o responsável presente até ao encerramento de cada dia, não conseguimos encontrar o organizador no espaço, estando apenas voluntários a tomar conta do mesmo sempre que o visitámos.


Para o primeiro ano deste evento com uma nova administração, reconhecemos que ainda tem muito a melhorar e como já vimos alguns dos que visitaram ambos os eventos comentar, pareceu-nos que o Moche XL é o verdadeiro herdeiro do antigo Lisboa Games Week. Esperamos que no próximo ano sejam colmatadas as várias falhas e que cada evento se consiga destacar em áreas diferenciadas.

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