segunda-feira, 20 de abril de 2020

Danterrifik


Nome: Danterrifik
Editora: Toku Soft
Autor: David Gracia
Ano de lançamento: 2020
Género: Plataformas
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 /128  K
Número de jogadores: 1

Fica já o aviso: Danterrifik não é para todos. É talvez dos jogos mais difíceis que alguma vez vimos, metendo Abu Simbel Profanation na gaveta, e nem mesmo as 50 vidas com que se inicia o desafio permitem chegar a meio. O que é uma pena, pois isso irá afastar uma boa parte das pessoas, que não conseguirão chegar a ver algumas das boas ideias que o seu autor apresenta nos últimos níveis. Quem sabe David Gracia reconsidere, e torne o desafio um pouco mais fácil na sequela, que já está prometida. Dito isso, vamos então à história de Danterrifik, que tal como o nome indica, é dantesca e terrorífica...

O nosso protagonista é Dan Terkai e acorda estranhamente enterrado num antigo cemitério. Consegue no entanto chegar à superfície e nova surpresa, mais uma vez muito pouco agradável, pois transformou-se num saco de ossos, não sendo mais que um esqueleto imundo. Além disso a pedra tumular tem uma mensagem escrita com sangue, com os seguintes dizeres:

Estás destinado a saber o que te aconteceu; só tens uma opção se quiseres recuperar a tua Alma, Corpo e Identidade. Terás que enfrentar o teu grande medo: o Inferno. Vais descer ao purgatório até o alcançares. Lá irás ter a resposta para a tua morte.


A missão de Dante, ou melhor, de Dan, começa no nível 25, e vai decrescendo até chegarmos ao nível das profundezas, isto é, o Inferno. No canto inferior direito, vai sendo feita a contagem, num pormenor interessante. E no canto inferior esquerdo, o número de vidas que faltam até morremos definitivamente, mais uma vez relevando o sentido de humor do programador. Mas questionamos: não estávamos já mortos e (meio) enterrados? Ou pretendem-nos voltar a enterrar, como na música dos góticos Alien Sex Fiend (Dead and Re-Buried), que também têm o gore como temática principal? Aliás, as semelhanças de Dan com Mr. Fiend são mais que muitas. Terá sido essa a fonte de inspiração para o jogo?

Já que falamos de fontes de inspiração, existe uma outra que é óbvia. Na realidade duas, embora ambos os jogos sejam do mesmo autor, Ariel Endaraues. Assim, são nítidas as semelhanças gráficas com Pumpkin Po e Vampire Vengeance, o que é perfeitamente normal, dado que Ariel deu apoio nessa área a David Gracia. E já que falamos nisso, os gráficos e os cenários criados são fantástico, sendo precisamente o que mais gostámos em Danterrifik. As cores são fortíssimas, por vezes até demasiado, quando se carrega no vermelho, mas perfeitamente desculpável, tendo em conta que se pretende simular o Inferno. Seguramente que se fossem utilizadas cores claras, ou o verde, o efeito perder-se-ia.

Para que Dan consiga passar de nível terá que em primeiro lugar recolher os frascos de sangue, ficando nessa altura visível um coração. O passo seguinte será alcançá-lo, dando-se então mais um passo rumo ao Inferno. Como o nosso personagem morto-vivo não tem qualquer arma ao seu dispor, a única alternativa é evitar os muitos inimigos que povoam as profundezas. Se a isso juntarmos muitos obstáculos, e o facto de cada vez que Dan toca em algo indesejável, estar um pouco mais perto de morrer definitivamente e ter que recomeçar o nível do início, facilmente se percebe que estamos perante uma missão infernal.


Voltemos ao início: Danterrifik é um jogo demasiado difícil para se tornar confortável para uma boa parte das pessoas. É certo que são concedidas 50 vidas inicialmente, mas a mecânica do "pixel perfect", na maioria das vezes, torna o exercício frustrante, não chegando sequer a utilizar-se tantas vidas. Na nossa opinião, seria preferível termos menos vidas, mas também menos adversários. E é uma pena que isso aconteça, pois o programador incorporou alguma ideias excelentes nos níveis mais avançados, e que só quem preservar irá conseguir ver este jogo em toda a sua amplitude.

Por exemplo, num dos níveis existem dois personagens, estando um sósia preso num aquário. Quando movimentamos Dan, o sócio movimenta-se exactamente da mesma forma. O problema é que o próprio aquário tem armadilhas, sendo assim exigida uma sincronização perfeita entre os dois personagens. Num outro nível ainda mais adiantado, o sócia encontra-se preso numa gaiola, e apenas é libertado quando Dan chega ao sangue. Nessa altura tem que se levar o sócia até ao coração. A concepção é assim inovadora, trazendo uma clara mais-valia ao que habitualmente se faz com o Arcade Game Designer.

A nota de Danterrifik é então penalizada pelo seu grau de dificuldade, que poderia vir a ser um Mega Jogo. Temos a certeza que os jogadores mais habilidosos e com maior paciência irão adorar o jogo (afinal de contas, não existe quem adore a extrema dificuldade de Manic Miner?). No entanto, o nosso receio é que a maioria das pessoas desistam após os primeiros níveis, o que é uma pena. Vamos aguardar agora pela continuação, tendo a esperança que as nossas preces sejam atendidas e seja um pouco mais fácil atingir-se o Inferno na sequela. Doutra forma, lá teremos que vender a alma ao Diabo...

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