terça-feira, 28 de abril de 2020

Spider Mami


Nome: Spider Mami
Editora: NA
Autor: Rafa Vico
Ano de lançamento: 2020
Género: Plataformas
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 /128  K
Número de jogadores: 1

Rafa Vico trouxe um dos jogos mais originais dos últimos tempos, mesmo tendo sido criado com o motor Arcade Game Designer, que como se sabe, tem imensas vantagens, mas também algumas limitações, não só em termos de memória disponível, mas também na estandardização dos jogos, regra geral de plataformas. A "arte" do programador está assim em contornar essas limitações e apresentar trabalhos originais e inovadores. E Rafa esteve a muito bom nível.

Em Spider Mami assumimos o papel de uma pequena e simpática aranha. Mas esta tem uma verdadeira vida de cão, pois todos os dias tem que sair para o trabalho, por forma a conseguir trazer para casa pão para alimentar a prole. E quando se tem 100 filhos, a tarefa é tudo menos fácil. Felizmente que o mundo está cheio de suculentos mosquitos.

O jogo desenrola-se por fases, ou níveis como lhe queiramos chamar. São 20, e o objectivo não é só conseguir chegar ao final, mas também fazer a maior pontuação possível, e essa vai depender de diversos factores, todas relacionadas com a captura dos insectos. Podemos apanhá-los em pleno vôo, pular sobre eles ou atirar-lhes uma rede (teia de aranha), cada um das forma conferindo uma pontuação diferente. São os pontos de caçador, rapidez, lançador, e no fim ainda existe um bónus pela precisão nas capturas.


No entanto o mundo não é um mar de rosas, e a vida real encerra múltiplos perigos para uma aranha que apenas quer ganhar a vida honestamente a caçar mosquitos e a trazer o sustento para os seus rebentos. Em primeiro lugar porque em cada fase apenas surgem 10 mosquitos e existem 5 crias para alimentar, querendo isso dizer que pelo menos metade dos insectos têm que ser capturados, doutra forma deixamos um filhote à míngua e perdemos uma vida.

O controlo da aranha também é particularmente difícil, e enquanto não nos habituamos, o mais certo é irmos cair nas muitas armadilhas dispostas nos cenários. Por vezes desloca-se aos saltos, outras vezes acelera de forma descontrolada (o terreno onde se movimenta influencia o modo de locomoção), além de que existem inúmeras plataformas e obstáculos. E armadilhas mortais, semelhantes a espigões, bem como outros bicharocos que no mínimo têm que ser evitados.

Como a comida, isto é, os mosquitos, se movimentam de forma aleatória (e brilhante, diga-se), nem sempre é fácil capturá-los. Além disso, existe um certo tipo de plantas e até vespas que matam os mosquitos, e se 6 deles morrerem doutra forma que não nas teias da nossa aranha, então perde-se uma vida.


Como se pode ver, há muito em cada cenário para reter a nossa atenção. Temos que estar constantemente de olho nos mosquitos, mas também nos inimigos, por forma a planear as capturas. No entanto a cor escolhida para os cenários é uma dificuldade adicional, pois o vermelho, em conjunção com o amarelo, acaba por cansar a vista, trazendo também alguma monotonia. Além disso, dificulta muito a detecção das armadilhas, nomeadamente dos espigões, fazendo com que muitas vezes a aranha morra sem sequer se perceber a causa.

Assim, apesar de uma grande originalidade, parece-nos que o modo de controlo da aranha irá fazer com que muito jogador desista após as primeiras tentativas, o que é pena, pois o desafio merece ser levado até ao fim. Talvez Rafa Vico esteja disposto a lançar uma sequela, limando estas pequenas arestas e criando uma nova saga para o Spectrum. Potencial não lhe falta.

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