domingo, 12 de abril de 2020

ZX Connection


Nome: ZX Connection
Editora: NA
Autor: Antonio Silva
Ano de lançamento: 2020
Género: Plataformas
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

ZX Connection tem uma história curiosa, iniciada já no distante ano de 1986 ou 1987, segundo Antonio Silva. Estava o programador a aprender Assembler no curso de Código Máquina da MicroHobby, e começou a desenhar um jogo de plataformas com automóveis. Nunca o chegou a terminar e acabou mesmo por perder a cassete que tinha o código. Mais recentemente, há uns meses, enquanto ia vendo o fórum El Mundo del Spectrum, encontrou o registo de um jogo com o nome de "coche" (carro, ou viatura, como preferirem), e eis que entro eu em cena, dizendo que tinha muitas semelhanças com City Connection. Escusado será dizer que já nem me lembrava dessa história, mas Antonio Silva não a esqueceu, e fez-se luz de onde vinha a ideia original do jogo que tinha começado. Inclusive encontrou um caderno onde tinha o esboço inicial de ZX Connection. E agora, graças ao curso de Basic de AsteroideZX, conseguiu terminar o seu projecto iniciado há mais de 30 anos. Esta interessante história encontra-se documentada, incluindo os esboços, nos documentos anexos a este lançamento, que concorre à competição BASIC 2020.

Juntamente com a demais documentação e o ficheiro do jogo, encontram-se também as instruções e a sua história. Ficamos assim a saber que somos colocados ao volante de um Citroen ZX (que outro carro poderia ser?), e que é finalmente sexta-feira e saímos do trabalho. Estamos em ânsias para passar o fim-de-semana fora, mas para isso temos que nos fazermos a uma estrada cheia de perigos: condutores imprudentes que não hesitam em abalroar-nos, e até gatos que insistem em colocar-se à nossa frente. O objectivo é então, ao longo de seis níveis, percorrer todos os caminhos possíveis, só então sendo possível terminar a jornada, para logo a seguir voltar ao primeiro nível, agora com dificuldades acrescidas.


Para quem conhece o original das máquinas de arcada, de 1985, verá que não existem grandes diferenças ao nível das regras e da mecânica de jogo. Assim, é possível ao longo das estradas ir recolhendo latas de óleo, que depois poderemos atirar contra os outros carros, permitindo dar-lhes um empurrão e colocá-los fora de acção.

Outra das ajudas concedidas, e esta bastante útil, são os balões. Estes vão aparecendo pontualmente no ecrã, e será uma boa ideia tentar recolhê-los. De cada vez que apanhamos três balões, somos imediatamente transportados para o nível seguinte. Aliás, uma forma de "aldrabar" a máquina, será permanecermos na plataforma superior, sempre mais desimpedida de trânsito (não surgem viaturas de cima), rodando para a esquerda e para a direita, palmilhando quilómetros, e esperando que os balões surjam. Essa será a forma mais fácil de se avançar de nível, mas também poderemos fazer da forma mais tradicional, que será percorrendo todas as estradas, preenchendo-as, até se atingir o nível seguinte. Convenhamos que esta última forma, se bem que mais difícil, é bastante mais divertida e motivadora, até porque Zx Connection tem três níveis de dificuldade, ajustando o desafio à habilidade de cada um.

Existem também dois modos de salto, em altura, ou em comprimento, permitindo passar para as plataformas superiores, ou alcançar plataformas distantes ao mesmo nível. Ao longo das várias horas em que jogámos ZX Connection, optámos por utilizar apenas um dos saltos, precisamente aquele que permite ir mais alto. Pareceu-nos mais eficaz e sempre é menos uma tecla a ter em conta. Além disso, em pleno ar, é-nos permitido mudar de direcção, artimanha que permite evitar a maior parte das viaturas adversárias. Dominar o modo de salto é factor fulcral para se conseguir ir avançando no jogo (não se deixem abater pela aparente dificuldade inicial).


A jogabilidade é interessante, no entanto, derivado da linguagem com que ZX Connection foi criado, em Basic, mesmo sendo compilado, traz desde logo problemas acrescidos para um programa do género. Em primeiro lugar o sistema de colisão, por vezes muito pouco certeiro. Chegamos a estar em cima de uma viatura adversária e o computador não a detectar, sendo necessários alguns momentos até surgir a inevitável mensagem de uma vida perdida.

Outro dos problemas é a resposta nem sempre eficaz aos comandos. Mais visível quando tentamos fazer um salto rápido, ou mesmo disparar. E por vezes o disparo passa pela viatura adversária, não lhe fazendo qualquer mossa (mais uma vez o sistema de colisão a não funcionar convenientemente).

E finalmente, uma outra lacuna, que neste caso até joga a nosso favor: movendo a nossa viatura para a esquerda ou direita, e fazendo o scroll avançar e depois voltarmos atrás, é possível irmos evitando uma boa parte dos adversários, pois o programa não memoriza o local dos objectos.

Mas mesmo com todos estes pormenores menos bem conseguidos, com os gráficos e som possíveis dentro da linguagem com que o jogo foi criado, tem uma boa capacidade de entretenimento e, acima de tudo, é viciante. O tempo passa e nem damos por isso, tendo a capacidade de nos fazer sempre tentar mais uma vez. É assim uma estreia interessante, esperemos que Antonio silva lhe tenha ganho o gosto e se aventure em mais jogos.

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