quinta-feira, 7 de maio de 2020

Trashman: Crisis Time


Nome: Trashman: Crisis Time
Editora: PCNONOgames
Autor: Antonio Román, Sergio thEpOpE
Ano de lançamento: 2020
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Depois da semi-desilusão que tinha sido Paintball 2048, um jogo com imenso potencial, mas que de alguma forma não tinha sido do nosso agrado, eis que nos reconciliamos com a PCNONOgames. Trashman: Crisis Time não será um verdadeiro remake de Trashman, clássico de 1984, uma vez que a perspectiva é completamente diferente. Chamemos-lhe antes uma homenagem ao jogo que glorificava a profissão de lixeiro, que tal como os "Almeidas", não tinham o reconhecimento devido. Agora, com a pandemia, temos a certeza que as pessoas olharão para essas profissões com outros olhos, sendo a classe definitivamente dignificada.

Houve também nos anos 80 uma época em que estes jogos puros de arcada eram campeões de vendas. Trashman vendeu como pãozinhos quentes, a sua sequela, Travel With Trashman idem, idem, aspas, aspas, e outros do mesmo género igualmente (caso mais visível o de Paperboy, por exemplo). Curiosamente chegou a estar anunciado um terceiro episódio da saga, Trashman Goes Moonlighting, mas a New Generation Software já estava a entrar no ocaso, nessa altura.

Assim, Andrés (não confundir com André, por favor), é um experiente lixeiro, assalariado da função pública, para quem trabalha há muitos anos. No entanto o país sofreu uma terrível crise económica e a autarquia privatizou o serviço de limpeza. Isto tem como consequência uma mudança drástica nas condições de trabalho, a começar com a diminuição do salário. E como Andrés é um consumidor nato (talvez coleccione computadores antigos), as despesas aumentaram, não tendo agora dinheiro para fazer face aos seus gastos. Necessita assim de um trabalho extra para fazer face aos seus caprichos.


A nossa tarefa é então ajudar Andrés a executar as suas tarefas e cedo iremos perceber que a vida de lixeiro não é para meninos. Do trabalho diário faz parte a recolha dos caixotes do lixo, depositando-os na traseira do camião, e voltando a colocá-los no mesmo sítio depois de despejados. Mas existe uma ordem específica para o fazer, estando os caixotes devidamente numerados. Lembrem-se também que dissemos que Andrés teria que executar trabalho extra para fazer face às despesas, e isso passa por encontrar gatos e carteiras perdidas, ou até outras tarefas menos agradáveis, como apanhar poias de ruminantes. É um trabalho árduo, mas quem nos manda sermos gastadores?

Se as tarefas já não eram assim muito agradáveis, pior fica quando a estrada que temos que atravessar mais parece Lisboa em hora de ponta, e os condutores não têm qualquer pejo em passar-nos a ferro. Os próprios pedestres e animais domésticos também se atravessam à nossa frente, e de cada vez que tocamos num, perdemos uma vida. E depois o principal inimigo: o tempo. Temos 99 segundos para completar cada nível, e ainda por cima, se pisamos a relva das áreas residenciais, o relógio dispara (um dos poucos aspectos que não gostámos no jogo, mas já lá vamos).

Felizmente que os vizinhos estão sensíveis à nossa situação, e de vezes em quando convidam-nos a entrar em sua casa para os ajudar em algumas tarefas domésticas. Assinale-se o sentido de humor do programador, que pegou em personagens bem conhecidas da cena Spectrum (Arnau Jess, Javi Ortiz, e outros), e se os auxiliarmos (a jogar Dead Zone, por exemplo), o tempo disponível para cumprir o nível recomeça. É assim fundamental estar atento às necessidades da vizinhança...


Devemos ter ainda em conta que o nosso salário é de apenas 1.000 $, mas que as despesas são de 1.140 $. Quer isso dizer que para conseguirmos ser bem sucedidos, não é suficiente chegar ao final do jogo, isto é, recolher todos os caixotes. Temos também que cumprir com todos os trabalhos extra, pois são esses que concedem o dinheiro que falta para fazer face às despesas. Assim, se deixarmos alguma tarefa por cumprir, poderemos chegar ao final, mas sem dinheiro suficiente, que é como quem diz, falhámos na missão.

Já aqui dissemos, a tarefa é difícil. Os primeiros níveis são relativamente fáceis de serem ultrapassados, não só porque existem menos caixotes do lixo ou estes estão localizados de forma relativamente imediata, mas porque o trânsito e os obstáculos, quer na estrada, quer nos jardins são poucos. Mas aos poucos os cenários tornam-se mais complicados e deparamo-nos então com a principal irritação: o sistema de colisão poderia estar mais bem afinado, pois é uma tortura tentar atravessar os jardins ou chegar às casas sem pisar terreno proibido e o tempo esgotar-se num ápice.

Não fosse essa pequena contrariedade e este lixeiro poderia tornar-se épico. Os cenários são interessantes, com gráficos muito coloridos, e um ecrã de carregamento fora-de-série, obra do suspeito do costume, Andy Green. E a música também é do melhor que se viu para o Spectrum, ou não tivesse sido criada pelo prestigiado Mr. Rancio.

Trashamn: Crisis Time tem tudo para agradar a todos aqueles que gostam de um puro jogo de arcada. Deixamos então a sugestão para o próximo desafio: Paperboy 3.

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