terça-feira, 1 de setembro de 2020

Restless André


Nome: Restless André
Editora: Espectro
Autor: Jaime Grilo
Ano de lançamento: 2020
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 / 128 K
Número de jogadores: 1

A história de Restless André já tem quase dois anos. Assim, em 2018 encetei contactos com o Jaime sabendo se este estaria interessado em colaborar com a revista Espectro, oferecendo um mini-jogo para fazer parte de uma futura cover tape. A resposta foi rápida, e não só o Jaime se prontificou a fazer um jogo para nós, como eu iria ser a personagem principal. Honra maior não podia ter, e apesar de ter ficado de boca aberta, claro que aceitei.

O jogo foi crescendo (o resultado final é muito mais que uma mini-aventura), a temática baseando-se em algo que gosto muito: viajar. Aliás, é esta a razão dos ecrãs serem tão variados, de alguma forma representando locais ou situações por mim vividas. Um dos episódios mais hilariantes neste processo todo foi a escolha da figura que me representa. Entre as várias propostas feita pelo Jaime, escolhi a de um careca de óculos escuros, com aspecto meio punk, e que achei que se adequava à minha figura.

Enquanto o Jaime ia trabalhando o jogo, pedi aos meus colegas da Espectroteam e também da revista Espectro, para avançarem com outras partes. Para o ecrã de carregamento fui vasculhar algumas fotos antigas das minhas viagens, e peguei numa que gosto particularmente, e que posteriormente até a tornei como foto de perfil do Facebook: um salto para a água em Zanzibar. O Filipe Veiga pegou nela e transformou-a num espectacular ecrã de carregamento.


Quanto às músicas, são da responsabilidade do Pedro Pimenta. Quando as criou ainda estava no começo da sua carreira, mas desde logo adorei o resultado final. Não poderia deixar de destacar a música do menu inicial, um grande êxito com quase 40 anos e que ouvia muito nos meus tempos de criança (e ainda hoje tenho um carinho muito especial por esta música). Conseguem adivinhar qual é?

Mas vamos então à história de Restless André. Desafiaram o irrequieto André para recolher várias moedas e pedras preciosas espalhadas por vinte cenários, e este, claro, não recusou o desafio. Em cada nível, o André tem que recolher todas as moedas e só então se abre o portal de acesso ao nível seguinte. Pode ainda apanhar as pedras preciosas, pois estas dão pontos e ficam sempre bem em qualquer colecção. Como o André é um amante dos desportos radicais, os cenários desenrolam-se no mar, terra, ar e até no espaço sideral. Não é assim de estranhar vê-lo a nadar a grande velocidade, conduzir um buggy, pilotar um avião e até uma pequena nave espacial. Mas cuidado com os muitos inimigos que o tentam impedir, desde peixes, carros, aviões e até uma nave espacial que o tenta atingir com os seus lasers.

Como podem ver, emoção é o que não falta a quem tentar meter-se na minha pele. O Jaime conseguiu recriar num jogo do Spectrum as sensações que vou tendo ao longo das minhas aventuras. Nem sempre tão radicais como neste jogo, pelo menos não me recordo de pilotar uma nave espacial, mas tudo o resto, de uma forma ou doutra, já o fiz.


O primeiro nível, na realidade, é apenas uma introdução para apresentar a irrequieta personagem e dar um gostinho dos 19 níveis seguintes. E irrequieta é a palavra certa, pois o André não pára quieto (dizem que na vida real ele é igual). Se estiver a nadar, continua a nadar até que se lhe mude a direcção. Quase que seria capaz de estar horas seguidas a nadar sem se cansar (quem me dera), mas isto traz um elemento novo ao jogo: não dá para estar muito tempo descansado, teremos que estar sempre de olho nos inimigos e tentar antecipar os seus movimentos, pois apenas temos hipóteses de os evitar (como seria de esperar, o André não anda armado). Só depois de todos os objectos recolhidos, poderemos ir à base final, e carregando na tecla de disparo, passar para o ecrã seguinte.

Restless André foi criado com recurso ao Arcade Game Designer, ferramenta na qual o Jaime Grilo se especializou. Obviamente que não poderei dar nota a um jogo "encomendado" por nós, cuja personagem principal sou eu, mas a sensação final é que o jogo está muito bem conseguido, e aquilo que começou por ser uma pequena brincadeira, transformou-se num jogo completo e excelente por mérito próprio. Os nossos parabéns, Jaime, e o meu agradecimento especial por me teres tornado uma personagem do Spectrum.

O jogo poderá aqui ser descarregado na versão portuguesa, ou aqui na versão inglesa, mas também é possível obter-se a versão física que acompanha a revista Espectro número 4, e que sairá muito em breve.

9 comentários:

  1. Normally you give a rating out of ten?

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    1. Yes, but I can't give on this situation. I am restless André, I helped testing the game, choosing the graphics, etc.. I would be acuused of being biased. But I really enjoyed the final result :)

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    2. Ah yes you do actually make that very point in the review which I missed! I'll rate it a very solid 8+/10 on first play.

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    3. I´m really glad you enjoyed the game,as much as I did testing it :)

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  2. Assisti no YT o gameplay. Estou baixando pra jogar logo mais.:)
    Ficou sensacional!

    Nada de pula-pula manjado. Um estilo antigo de jogo remetendo aos arcades clássicos dos anos 80. Porem, repaginado de forma deveras competente, cheio de personalidade. Ideia fantástica em não só variar os cenários, mas também em trocar de personagens (nadador, carro, avião, nave).

    Só tenho que parabenizar a todos os envolvidos.
    A mais grata surpresa do ano na cena ZX até agora.

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