domingo, 22 de novembro de 2020

Mire Mare


Nome: Mire Mare
Editora: NA
Autor: Luca Bordoni
Ano de lançamento: 2014 / 2020
Género: Labirinto
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Assim que carregamos Mire Mare, somos presenteados com um menu e uma bonita melodia a fazer-nos imediatamente lembrar os jogos da Ultimate Play the Game. Não é por acaso, pois como já perceberam, Mire Mare é uma homenagem a esta mítica editora, para muitos a melhor que alguma vez apareceu para o Spectrum. Não é a nossa opinião, e por uma razão muito simples: os seus programadores tinham a tendência enervante para pré-definir teclas pavorosas e nada funcionais, sem concederem a possibilidade de serem redefinidas, retirando todo o prazer que pudéssemos ter com alguns dos jogos, que de outra forma seriam brilhantes. Felizmente que não é isso que acontece neste jogo criado por Luca Bardoni, que permite a redefinição das teclas. 

Mire Mare é também a versão melhorada de um jogo desenvolvido por Bardoni em 2014, Land of Mire Mare. Na altura ainda estava a dar os primeiros passos no Arcade Game Designer e, na sua opinião, o jogo continha algumas lacunas e pontos que poderiam ser melhorados, não obstante ter sido incluído na campanha de The Story of ZX Spectrum in Pixels, de Chris Wilkins. Desde já uma vénia ao autor, que consciente das suas limitações na altura, achou por bem mimar-nos com uma nova versão. E muito boa, por sinal, como iremos ver, pois além da inclusão de novas rotinas em código máquina, que melhoram substancialmente a mecânica do jogo, inclui um mapa mais amplo e até uma nova história, baseada no mapa Land of Ultimatum, além dos próprios gráficos, agora mais bem definidos. Foi de facto uma evolução espantosa.

Quem está familiarizado com os jogos da Ultimate também desde logo vai identificar o nosso personagem, nada menos, nada mais, que o bem conhecido de outras andanças, Sabreman. Este tem que encontrar três jóias que se encontram escondidas nas bolsas mágicas e levá-las, uma a uma, para o vulcão. As bolsas apenas podem ser abertas com uma determinada arma, que se encontra escondida algures pelo terreno de jogo (temos agora 52 ecrãs para explorar, enquanto que em Land of Mire Mare apenas tínhamos 36). Depois de se atirar as três jóias para o vulcão (e atenção que para lá entrarem necessitam de um determinado objecto - é fundamental ler-se as intstruções que o programador juntou no pacote), tem que se entrar na boca do lobo (literalmente). Só assim se pode salvar a terra, parando a maldição que sobre ela recaiu.

Sabreman tem que ter muita atenção à sede (semelhante a energia). No topo do ecrã encontra-se uma barra de água que diminui sempre que se toca num inimigo, mas que também que vai diminuindo à medida que o tempo avança (como acontecia em Atic Atac, por exemplo). No fundo é uma forma do programador nos dizer que temos que dar corda aos sapatos e que não podemos ficar parados no mesmo sítio muito tempo.

Outra das barras visíveis é a do mal. Esta diminui sempre que Sabreman encontra uma jóia e também quando a atira para o vulcão. Quando tivermos encontrado todas as jóias e estivermos prontos para ir para a toca do lobo, a barra do mal terá desaparecido. Está dado o sinla de que estamos muito perto de terminar a aventura.

O que também desde logo se nota é a imensa jogabilidade que Mire Mare agora tem. Sabreman desloca-se com uma graciosidade imensa, e é caso para dizer: onde andava este Luca Bardoni, que traz aqui uma nova dimensão ao seu trabalho (agora ficámos com muita curiosidade por experimentar Ray's Reprisal de 2015, jogo que encomendámos muito recentemente)? Já antes o tínhamos dito, Bardoni perdia-se em conversões de antigos jogos medíocres do Atari, condenados a não fazerem história, quando tinha potencial para muito mais. Mire Mare é a prova viva disso...

Mire Mare recria também quase na perfeição o espírito dos jogos da Ultimate. E dizemos quase por uma simples razão. Essa editora era conhecida pela extrema dificuldade de alguns dos seus jogos a partir de certa fase (Knight Lore, Alien 8, Pentagram). E se algum defeito temos a apontar a esta obra de Luca Bordoni é o grau de dificuldade. De facto, este não é grande, tanto que conseguimos terminar a aventura logo na primeira tentativa e, ao contrário do que é habitual, não fomos gravando a sessão. Tês vidas concedidas inicialmente é talvez um pouco demasiado, até porque devido à mecânica do surgimento dos inimigos (respawn), que vão reaparecendo apenas uns segundos depois de entrarmos no ecrã, consegue-se passar pela maior parte dos locais sem ter encontros indesejados, bastando ziguezaguear entre eles. A excepção será a cratera do vulcão, onde realmente é necessário alguma arte para se conseguir fazer o caminho sem tocar nos inimigos. Talvez a solução fosse os inimigos roubarem um pouco mais de energia de cada vez que nos tocam, aumentando o grau de dificuldade.

De qualquer forma, Mire Mare é delicioso, sem qualquer dúvida o melhor jogo que Bordoni já desenvolveu, abrindo o apetite para as próximas aventuras, e fosse um pouco mais longa e teria o estatuto de Mega Jogo. Quem sabe venha a obter numa futura e muito desejada sequela de Mire Mare...

Uma nota final para o ecrã de carregamento, obra de Jarrod Bentley: que maravilha!!!! 

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