sábado, 19 de dezembro de 2020

Marsmare: Alienation


Nome: Marsmare: Alienation
Editora: NA
Autor: Drunken Fly
Ano de lançamento: 2020
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 128 K
Número de jogadores: 1

Estávamos em pleno mês de Julho quando uma estrela cadente fez a sua aparição. Ou pelo menos assim pensávamos. Na realidade era uma nave alienígena, repleta de estranhos seres, e veio com o intuito de raptar um espécime humano e levá-lo para o seu planeta, para ser estudado. A primeira parte correu bem, pois era de noite e apanharam o humano a dormir. A segunda parte já não correu tão bem, pois o humano acordou notoriamente zangado, rebentou com a maquineta onde o fecharam, e deu logo uma coça no primeiro alienígena que lhe apareceu à frente...

É esta a história que nos é apresentada numa bonita introdução, a condizer com um não menos espectacular ecrã de carregamento. No ecrã pode-se ver que a equipa programadora foi a Drunken Fly, mas desconfiamos muito dos elementos que fazem parte da equipa, a avaliar pela mecânica do jogo, que faz lembrar Castlevania e Aliens: Neoplasma. Será mera coincidência? Adiante...

O humano que aqui falamos é, tal como seria de esperar, o personagem que vamos assumir nesta aventura. Ele não acreditava na existência de vida em Marte, mas agora que foi levado para esse planeta, vai ter que lutar contra os marcianos e encontrar forma de regressar a casa. Para isso tem que encontrar a nave que se encontra na superfície marciana, abastecê-la com 25 galões de combustível, encontrar 20 cristais de energia, e pelo meio dar cabo de 130 inimigos de oito diferentes tipos. Pffff, tarefa para meninos, como se pode ver.


Acordamos então no laboratório de uma imensa base subterrânea com 90 ecrã. Essa zona da base, para já tem poucos inimigos, como seria de esperar, o que até é conveniente, pois encontramo-nos desarmados. O primeiro passo é explorar as imediações e rapidamente encontramos uma arma que por lá andava esquecida. Esta é muito útil para dar cabo dos inimigos, mas é preciso algum cuidado, pois tem munições limitadas. Vá lá que os marcianos são descuidados e foram deixando munições pelo caminho, assim como pílulas energéticas. O nosso personagem é duro, mas não é de aço, e nos contactos com os inimigos vai perdendo energia. Poderemos ver o seu nível no canto superior esquerdo, à medida que vai diminuindo, o nosso retrato vai ficando avermelhado (não é por acaso, ou não fosse Marte conhecido como o planeta vermelho).

Depois de darmos cabo dos inimigos que por ali andam, encontramos uma câmara de descompressão que permite sair para o exterior. Se o tentarmos fazer, uma mensagem avisa-nos que não o podemos, pois ainda não temos o fato de astronauta. Ok, já está aqui assinalado um objectivo imediato, encontrar o fato. E este até está bem visível, o problema é que não conseguimos ir (para já) até ele. Continuamos a exploração e vemos então células junto às condutas. Disparamos e estas esfrangalham-se. Será que está de alguma forma relacionado com as portas que se encontram bloqueadas por um laser amarelo, e que por acaso têm ligação a essas condutas? Aparentemente essas células controlam os lasers, e quando as destruímos, desbloqueamos então as portas, sendo permitido o acesso a outros pontos da base.


Resolvidos os primeiros problemas, isto é, como abrir as portas e encontrar o fato de astronauta, estamos então em condições de sair para o exterior. Após passarmos a câmara de descompressão e deixarmos o laboratório e a fábrica para trás, entramos no mundo das cavernas. Estas contemplam novos perigos, na forma de plantas mortais, seres viscosos, mas também robôs que patrulham alguns pontos. O nível de dificuldade aumenta um pouco, mas podemos socorrer-nos dos vários pontos de controlo (os computadores), que vão guardando a nossa posição, no caso de ficarmos sem energia (que de resto se encontra em variados pontos da base). O processo é em tudo semelhante ao de Aliens: Neoplasma. Por um lado retira a sensação de perigo iminente, tornando-nos mais descuidados. Por outro, e sabendo que a maior parte das pessoas utilizam os jogos nos emuladores e que podem a qualquer momento gravar a sua posição, parece-nos que esta opção faz todo o sentido.

Vamos então explorando todo o complexo, e a certa altura vemos algumas saídas em locais altos aos quais não conseguimos aceder. É óbvio que haverá mais alguma coisa a descobrir. Como temos a opção (muito útil) de puxar a qualquer momento o mapa com o caminho já percorrido (e que também mostra o número de inimigos eliminados e objectos obtidos, e os que estão em falta para completar a missão), percebemos que a solução passa por encontrar algum objecto que possibilite a subida a esses locais. Ora nem mais, o que estava em falta era um jetpac, que se encontra num dos locais mais perigosos da base (não iremos dizer qual). Depois de o apanharmos, podemos então alcançar aqueles pontos que nos pareciam vedados, e chegamos então a duas outra zonas, a superfície planetária, e o espaçoporto. Nestes locais encontramos um novo tipo de inimigos, a fazer lembrar os de Dan Dare II. Aliás, a saga Dan Dare é uma das fontes de inspiração de Marsmare, tendo também algumas semelhanças com Rex e o mais recente Harbinger, nomeadamente ao nível dos cenários.

Convém nesta fase referir que, apesar da base subterrânea dar origem a um mapa enorme, não é labiríntica, pois vamos progredindo à medida que vamos desbloqueando as portas, sendo quase sempre o acesso bastante directo, e mesmo nos pontos em que não o é, as salas estão de alguma forma ligadas.  


Apesar da imensidão de salas, Marsmare não é tão difícil como se poderia pensar. Os inimigos são relativamente fáceis de serem ultrapassados, depois de lhes apanharmos as manhas, isto é, percebermos a forma como se movimentam, e mesmo aqueles que ripostam, um pouco de agilidade nos dedos dá conta do recado. Os obstáculos também são ultrapassáveis de forma mais ou menos imediata (alguns a fazer lembrar Power Blade, que se espera que saia muito em breve - mais uma coincidência?). Acima de tudo, o grau de dificuldade vai aumentando à medida que vamos avançando, constituindo um desafio muito satisfatório, mesmo para aqueles menos habilidosos, que têm assim alguma sensação de progressão.
   
Dos cenários nem são precisas palavras. Basta olhar para os ecrãs que fomos deixando ao longo da nossa análise, para se perceber que estamos perante trabalho de excepção. Cores fabulosas, sprites magníficos, uma tal fluidez nos movimentos, que custa a perceber como conseguiram encaixar isto tudo em apenas 128K. É caso para nos questionarmos: "what sorcery is this"? Apenas o scroll não será do gosto de todos, quem jogou Castlevania ou Aliens: Neoplasma, sabe o que queremos dizer. E finalmente, a música não poderia destoar, estando ao mesmo nível de tudo o resto.

Assim, Marsmare: Alienation não é só um forte candidato a vencer a competição Battle Games, é um forte candidato a jogo do ano. Já apareceram muitos boas propostas este ano, e se tudo correr bem, ainda vamos ter mais uma ou duas até dia 31. Vai ser renhido e temos pena de quem tiver que avaliar a qualidade destes jogos e escolher o melhor (como é o nosso caso).

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