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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Che-Man


Nome: Che-Man
Editora: The Mojon Twins
Autor: Na_th_an, Anjuel e Davidian
Ano de lançamento: 2019
Género: Plataformas
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Já há bastante tempo que os The Mojon Twins não nos agraciavam com um jogo e confessamos que alguns dos últimos até nos tinham deixado com alguns amargos de boca, nomeadamente Fase Bonus. Mas chegou agora um novo, com direito a edição física. Será que é desta que vamos mudar de opinião respeitante à generalidade dos jogos criados com o motor La Churrera? A ver vamos, mas comecemos pela mirabolante história...

Cheman está chateado, pois nesta noite dão um concerto os "Deuses do Metal" e além de querer marcar presença no concerto, quer também conseguir uns autógrafos da banda. No entanto tudo conspira contra ele, fazendo até lembrar a personagem Ernie da BD da Your Sinclair. Então não é que um grupo de biodanza de Badajoz organizou um festival de batucada no bairro, impedindo o acesso à sala de concertos? Temos agora que apanhar os medalhões do Poder e acabar com os batuques.

Como já perceberam controlamos o personagem Cheman nesta missão, tendo apenas dois níveis, embora se presuma que possa vir a ter mais no futuro, isso porque quando os acabamos, em vez de aparecer a habitual mensagem a congratular-nos por termos terminado o jogo, surge um ecrã anunciando o terceiro nível, acompanhado de uma música de fundo, e fica-se por ai. Intencional ou bug, parece-nos que há aqui qualquer coisa que escapou aos programadores.

Os dois níveis são também substancialmente diferentes em termos de cenários, notando-se as diferenças até no grau de dificuldade associado a cada, embora os objectivos sejam semelhantes. Em cada um deles teremos que eliminar as batuqueiras, saltando três vezes por cima delas (nem sempre é fácil temporizar o momento e local de salto), e apanhar todos os medalhões. De cada vez que se recolhe um medalhão, teremos que o levar para um dos totem existentes, muitas vezes repetindo-se o caminho, pois esses não abundam. Sabendo-se que uma das desvantagens dos motores para criação de jogos é a memória que "come" e que deixa livre para o programador, não restam grandes alternativas para se conseguir aumentar a longevidade dos jogos senão arranjar soluções artificiais, sendo a mais recorrente e óbvia o obrigar a repetir os caminhos anteriormente percorridos. Percebe-se que não exista outra solução, mas não deixa de tornar os jogos criados com o La Churrera um pouco entediantes.


Os cenários são repletos de inimigos e outros artefactos, por vezes não se percebendo muito bem aquilo que se deve apanhar ou evitar. Ainda por cima em alguns locais, devidamente assinalados com um pequeno símbolo, erguem-se espigões, com as consequências esperadas. Os ecrãs fazem lembrar um pouco a saga Rade Blunner, que por sua vez já fazia lembrar os anteriores jogos dos The Mojon Twins criados com o La Churrera. Não é de estranhar, pois a ferramenta não é tão versátil como o Arcade game Designer, por exemplo, embora tenha outras vantagens. De qualquer forma, após dois ou três jogos começa-se a perceber melhor o que se tem que fazer e por onde se deve andar, podendo-se até dizer que os gráficos e sprites são bastante atractivos e com profusão de cores. Claro está que o colour clash é inevitável, mas isso até dá algum carisma ao jogo.

De cada vez que se toca num inimigo perde-se uma vida, podendo-se recuperar algumas apanhando objectos como os diamantes, no segundo nível. Mas por vezes os inimigos até são bastante úteis, pois ajudam-nos a alcançar alguns pontos do cenário, para isso sendo necessário pular em cima deles (se lhes tocarmos por cima, não se perde a vida, embora nem sempre seja um movimento fácil ou isento de falhas mortais). Até se torna engraçado andar aos saltos por cima de um dos outros seres e vê-los a descerem ao nosso ritmo, num dos efeitos mais bem conseguidos do jogo.


Apesar de alguns reparos que fizemos, não se pense que estamos aqui perante um mau desafio. Nada disso, simplesmente achamos que existem certos aspectos que requeriam uma melhor definição, como a limpeza de alguns bugs, ou uma maior variedade de acções, em especial no segundo nível, no qual temos que repetir os caminhos e os obstáculos inúmeras vezes.

Aqueles que estão habituados e gostam dos típicos jogos à La Churrera, terão aqui os habituais motivos para encontrarem divertimento garantido por umas boas horas. A história é surreal e hilariante, os cenários são imaginativos, o som o habitual nesse motor, a jogabilidade é interessante, com um nível de dificuldade ajustado e com uma curva de experiência adequada, apresentando um primeiro nível bastante fácil, mas um segundo onde apenas os melhores conseguirão ser bem-sucedidos. Consegue assim atrair rapidamente o jogador ("instant appeal"), embora se duvide que a ele se volte com frequência ("lastability").

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Computer Spiele Museum's: Museum Guide


Nome: Computer Spiele Museum's: Museum Guide
Editora: NA
Autor: The Mojon Twins
Género: Acção
Ano de lançamento: 2017
Teclas: Não redefiníveis
Joystick:  Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Há dois dias apresentámos a review de Clicky Click's Dungeon, na qual entrávamos dentro de uma galeria de arte e através de um mini-jogo íamos vendo as esculturas. E esta obra dos The Mojon Twins, que já saiu há uns meses valentes (passou-nos completamente despercebido), tem um conceito semelhante, embora a vertente lúdica seja aqui bastante mais forte. apenas por isso o avaliemos tal e qual como se de um jogo "vulgar" se tratasse.

Assim, em primeiro lugar deveremos referir que este jogo foi criado para servir de guia ao Computer Spiele Museum, situado em Berlin, e que tal como o nome o dá a entender, é de um museu de computadores e tecnologia que se trata. E o que se pretende aqui é fazer uma visita guiada a esse museu, tendo até um pormenor interessante e não-sexista: podemos escolher uma personagem feminina ou masculina.

A ideia é a longo de dezassete ecrãs encontramos seis suportes de informação, perdidos ao longo do museu, e colocá-los nos dispositivos correctos. Podemos assim encontrar um CD, cartuchos e cartridges, e até uma cassete. Estes são facilmente identificáveis, mas caso não os reconheçamos, na imagem ao lado encontram as dicas necessárias para os colocar no local correcto.


Para dificultar um pouco a missão, encontram-se alguns guardas, robôs e até cães, que têm que ser evitados, pois se tocam na nossa personagem, roubam-nos uma vida. Alguns apenas fazem um percurso pré-definido, mas outros andam aleatoriamente pelo ecrã, sendo mais difícil de serem evitados (mas não muito).

Como já perceberam, o jogo, tendo apenas pouco mais de uma dúzia de ecrãs, cinco vidas e cerca de uma dezena de inimigos para negociar, é demasiado fácil. basta dizer que o terminámos em cinco minutos, logo na primeira vez em que o experimentámos. Mas o intuito principal não é o jogo em si, mas a ideia que lhe está subjacente, sendo por isso avaliado como tal.


O jogo foi criado, como é habitual nos The Mojon Twins, através do motor La Churrera (concebido por estes), Mas contém outros pormenores interessantes. Assim, em primeiro lugar, podem jogar directamente através da página do museu. Depois, nessa página existe até a opção de gravarem a sequência de som que será posteriormente lida nos emuladores (ou num computador real, se o pretenderem). Nota máxima para o aspecto inovador da coisa, a fazer lembrar os tempos em que gravávamos programas do Spectrum da rádio (convertia-se a frequência de rádio em videojogos). Além disso, se conseguirem encontrar as três chaves, poderão ganhar um brinde especial do próprio museu. Mas isso não vamos aqui contar do que se trata...

Assim, como jogo não esperem grande profundidade, no entanto, nem que seja pela ideia, merece que se lhe dê uma espreitadela.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Fase Bonus - The Game


Nome: Fase Bonus - The Game
Editora: The Mojon Twins
Autor: Na_th_an, Anjuel
Ano de lançamento: 2017
Género: Plataformas
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Número de jogadores: 1

The Mojon Twins é já uma instituição, tantos os jogos que já colocaram no mercado após a (primeira) época dourada do Spectrum, alguns deles bastante competentes, até. Mas não é o caso de Fase Bonus, que repete a fórmula da maior parte dos jogos criados por esta equipa, com alguns agravantes que iremos indicar.

Mas comecemos pela história. Reza esta que as fitas do programa número 200 de Phase Bonus perderam-se na cidade. E entramos agora na pele de Ignacio, o sexy apresentador do melhor podcast ligado à cena retro (Phase Bonus, pois claro). Devemos então procurar as fitas e entregá-las ao nosso amigo Albert para as editar. Ao longo do caminho vamos encontrará perigosos robôs, que no entanto poderão ser eliminados com o nosso chicote.


A história até parece prometedora, mas o jogo enferma de alguns dos problemas característicos do motor com que foi criado, o MK2 (La Churrera). O principal, o controlo do nosso personagem, demasiado sensível e com os saltos característicos (irreais) dessa aplicação. E isso repercute-se numa má jogabilidade.

Outro dos grandes problemas de Fase Bonus é a sua repetitividade. De cada vez que encontramos um cassete, temos que percorrer todo o caminho de volta para a entregar a Alberto, e depois voltar a fazer o mesmo caminho para procurar por novas cassetes. Já sem contar nas inúmeras vezes em que entramos em novos ecrãs e somos de imediato abalroados por um inimigo, perdendo uma vida e sem termos tempo sequer de reagir. Não faz o mínimo sentido e a páginas tantas fartamo-nos do jogo e não lhe voltamos a tocar.


Por fim, um último pormenor, e sem querer entrarmos em puritanismos, escapa-nos o sentido dos palavrões nos diálogos de abertura. Sendo este um jogo indicado para todas as idades, parece-nos perfeitamente desnecessário.

E no meio de uma ideia que até parecia ser prometedora, e de gráficos e cenários que até são atractivos, se desperdiça aquilo que poderia ser um bom jogo, e que nem o facto de ser gratuito impede de lhe demos uma má classificação.

Fase Bonus pode aqui ser obtido, mas desde já alertamos para não criarem grandes expectativas.