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sábado, 13 de junho de 2026

Football Manager


Nome: Football Manager
Editora: Addictive Games
Autor: Kevin J.M. Toms
Género: Gestão desportiva
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Aqui

Se há jogo do qual tenho gratas memórias, esse jogo é Football Manager, tendo sido aquele que me abriu as portas para o mundo do ZX Spectrum em 1983. 

E tudo começou quando o meu tio e o meu primo trouxeram um ZX Spectrum para a casa dos nossos avós, onde passávamos parte das férias de Verão. Até chegar o computador, a maior parte do tempo era passado na praia, mas tudo mudou quando naquele Verão de 1983, tive oportunidade de pela primeira vez experimentar o computador que se estava a tornar famoso no meu país. 

O jogo que estava quase sempre carregado era o Football Manager, na altura uma versão pirata do original de Kevin Toms (não a célebre versão traduzida para Português a que deram o nome de Treinador de Futebol e era vendida à descarada nas lojas),e ficava maravilhado só de ver o meu tio a gerir as equipas de futebol Britânicas. Apesar da minha tenra idade e quase só me limitar a ver jogar Football Manager, desde logo fiquei apaixonado por este jogo. Esta paixão ficou para a vida toda, pois não só continuo a jogar Football Manager, como sou fervoroso adepto deste género de jogos. Mas vamos então ver como Football Manager resiste à passagem do tempo, quando se aproxima do seu quadragésimo quinto aniversário (ou ainda mais, se considerarmos que o jogo surgiu originalmente para o ZX801/ZX81).

Assim, quando se fala de simuladores de gestão futebolística, é inevitável pensar em títulos modernos e altamente complexos, como os franchise Championship Manager, que dominou entre 1992 e 2016, ou Football Manager, que existe desde 2004. Mas este Football Manager, de Kevin Toms, é o percussor de todo um género que singrou, e de que maneira, no mercado dos videojogos. Afinal de contas, todos temos a costela de “treinador de sofá”, e este jogo permite-nos fazer isso mesmo: dirigir uma equipa de futebol, começando na quarta divisão Inglesa e levá-la ao título da primeira divisão.

Football Manager é inteiramente desenvolvido em BASIC. Isso nota-se na lentidão do processamento dos cálculos que são efectuados, assim que um jogo termina (na altura, o tempo até aparecer a tabela classificativa parecia infindável), mas também porque podemos facilmente fazer break ao jogo, entrando no código, e mudando os parâmetros para tornar a tarefa mais fácil. Ou então para causas menos nobres, como a tradução do jogo e venda pelas lojas de Portugal, como se fosse um produto nacional.

Outra das consequências da linguagem com que foi criado, é que as opções disponíveis em Football Manager são muito simples. Não é preciso um manual com 100 páginas para se conseguir dirigir a equipa, nem perder horas a fio até se avançar para a partida de futebol, porque antes temos que gerir 1.000 coisas antes de se poder chegar à parte que interessa. Mas, acima de tudo, e a razão pela qual Football Manager ganha a quase toda a concorrência (talvez apenas Football Director o supere), é a sua grande intuitividade. As opções ao dispor do treinador são rapidamente selecionadas e, mesmo a escolha dos jogadores para a partida, é de uma simplicidade tal, que ainda hoje permanece como a referência nos jogos do género. Em menos de um minuto escolhemos a equipa e isso favorece bastante a experiência do jogador. Também ajuda a termos toda a informação necessária num único ecrã, nomeadamente os jogadores, o seu nível, a sua energia, o seu valor e se estão ou não lesionados. 

Além de escolhermos a equipa, também temos a possibilidade de adquirir novos jogadores (após cada partida, aparecem aleatoriamente os jogadores disponíveis no mercado), ou vender, pois existe um limite de jogadores na equipa, além de que também temos que gerir uma outra parte muito importante, que é o dinheiro. Os fundos são limitados e é necessário fazer-se uma gestão cuidada das compras de jogadores e respectivos salários, para não se levar o clube à falência.

Depois de todas as decisões tomadas, e antes de se avançar para a partida, é mostrado um quadro com os parâmetros principais da nossa equipa e do adversário, nomeadamente energia, moral, defesa, meio campo e ataque. É este tableau du bord que temos que monitorizar se queremos depois que o resultado da partida seja satisfatório. 

Finalmente, a parte porque todos esperamos: a partida de futebol. Nessa altura é mostrado uma parte do campo, com uma equipa a atacar e outra a defender, e vão sendo mostradas as jogadas de ataque de uma e outra equipa. Periodicamente os golos vão aparecendo, com um gráfico a mostrar que houve golo com grande pompa e circunstância, pelo menos para a altura em que o jogo foi lançado. É assim acrescentada uma dimensão visual rara para a época, quando a maioria dos jogos de gestão apenas continham texto.


Naturalmente que a parte visual é bastante minimalista, tal como o som (apenas surge quando a bola é chutada ou acontece o golo), sendo apenas uns beeps. Mas por mais simples que fosse, era um delírio sempre que ouvíamos o som correspondente ao golo (a menos que não fosse marcado pela nossa equipa). 

Acabando a temporada, depois de fazermos todos os jogos do campeonato e da Taça de Inglaterra, é-nos dada a possibilidade de continuar para uma nova época. Nesse caso, teremos que gravar o jogo na sua totalidade, para o podermos continuar mais tarde.

Acima de tudo, e no meio desta simplicidade, e, porque não, arcaísmo, ressalta a sua profundidade, uma grande jogabilidade, e uma capacidade viciante como apenas existia nos jogos lançados no início de vida do ZX Spectrum (longe estavam ainda os tempos dos grandes carregamentos e sistemas multiload). Quando começávamos a jogar, não descansávamos enquanto não terminássemos a temporada, mesmo que isso implicasse o cancelamento da ida à praia.

Football Manager deu depois origem a Football Manager 2 (1988), Football Manager 2 Expansion Kit (1989), Football Manager: World Cup Edition (1990), Footbal Manager 3 (1991), este da responsabilidade de outro programador que não Kevin Toms, e, muito recentemente, Football Manager Revisited: International Edition (2026), novamente com a mentoria de Kevin Toms e a programação de Glen Anderson, que desde 2012 tem mantido viva a chama de Football Manager, com edições anuais actualizadas e melhoradas, alicerçadas no jogo original de 1982, não faltando sequer o campeonato Português.

Football Manager é então um clássico absoluto do ZX Spectrum. Pode, hoje em dia, não impressionar tecnicamente, mas a sua importância histórica e o seu design pioneiro colocam-no num patamar muito especial e que qualquer entusiasta do ZX Spectrum conhece. É um daqueles títulos que devem ser jogados não apenas pelo que são, mas pelo que representam. Além disso, temos hoje connosco no museu LOAD ZX, em Cantanhede, o próprio Kevin Toms, portanto, nada melhor do que analisar este jogo.

4 comentários:

  1. João Machado13/6/26 11:50

    Um dos clássicos emblemáticos da era inicial do Spectrum, não há dúvida. Muitas horas passadas a jogar...

    Aproveito para fazer uma pequena confissão após mais de quarenta anos - eu fui um dos vilões que além de jogar, também passou algumas horas a mexer no código BASIC deste jogo, para traduzir para Português mas também para fazer pequenas alterações e brincadeiras (apenas para uso privado). Na verdade, foi com isso que comecei a aprender a programar e a interessar-me pela componente mais técnica da Informática.

    Obrigado, Mr. Toms. E as minhas desculpas pela transgressão. :)

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    1. Testemunho fantástico, daqui a pouco vamos falar com ele

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