Nome: Football Manager
Editora: Addictive Games
Autor: Kevin J.M. Toms
Género: Gestão desportiva
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Aqui
Se há jogo do qual tenho gratas memórias, esse jogo é Football Manager, tendo sido aquele que me abriu as portas para o mundo do ZX Spectrum em 1983.
E tudo começou quando o meu tio e o meu primo trouxeram um ZX Spectrum para a casa dos nossos avós, onde passávamos parte das férias de Verão. Até chegar o computador, a maior parte do tempo era passado na praia, mas tudo mudou quando naquele Verão de 1983, tive oportunidade de pela primeira vez experimentar o computador que se estava a tornar famoso no meu país.
O jogo que estava quase sempre carregado era o Football Manager, na altura uma versão pirata do original de Kevin Toms (não a célebre versão traduzida para Português a que deram o nome de Treinador de Futebol e era vendida à descarada nas lojas),e ficava maravilhado só de ver o meu tio a gerir as equipas de futebol Britânicas. Apesar da minha tenra idade e quase só me limitar a ver jogar Football Manager, desde logo fiquei apaixonado por este jogo. Esta paixão ficou para a vida toda, pois não só continuo a jogar Football Manager, como sou fervoroso adepto deste género de jogos. Mas vamos então ver como Football Manager resiste à passagem do tempo, quando se aproxima do seu quadragésimo quinto aniversário (ou ainda mais, se considerarmos que o jogo surgiu originalmente para o ZX801/ZX81).
Assim, quando se fala de simuladores de gestão futebolística, é inevitável pensar em títulos modernos e altamente complexos, como os franchise Championship Manager, que dominou entre 1992 e 2016, ou Football Manager, que existe desde 2004. Mas este Football Manager, de Kevin Toms, é o percussor de todo um género que singrou, e de que maneira, no mercado dos videojogos. Afinal de contas, todos temos a costela de “treinador de sofá”, e este jogo permite-nos fazer isso mesmo: dirigir uma equipa de futebol, começando na quarta divisão Inglesa e levá-la ao título da primeira divisão.
Football Manager é inteiramente desenvolvido em BASIC. Isso nota-se na lentidão do processamento dos cálculos que são efectuados, assim que um jogo termina (na altura, o tempo até aparecer a tabela classificativa parecia infindável), mas também porque podemos facilmente fazer break ao jogo, entrando no código, e mudando os parâmetros para tornar a tarefa mais fácil. Ou então para causas menos nobres, como a tradução do jogo e venda pelas lojas de Portugal, como se fosse um produto nacional.
Outra das consequências da linguagem com que foi criado, é que as opções disponíveis em Football Manager são muito simples. Não é preciso um manual com 100 páginas para se conseguir dirigir a equipa, nem perder horas a fio até se avançar para a partida de futebol, porque antes temos que gerir 1.000 coisas antes de se poder chegar à parte que interessa. Mas, acima de tudo, e a razão pela qual Football Manager ganha a quase toda a concorrência (talvez apenas Football Director o supere), é a sua grande intuitividade. As opções ao dispor do treinador são rapidamente selecionadas e, mesmo a escolha dos jogadores para a partida, é de uma simplicidade tal, que ainda hoje permanece como a referência nos jogos do género. Em menos de um minuto escolhemos a equipa e isso favorece bastante a experiência do jogador. Também ajuda a termos toda a informação necessária num único ecrã, nomeadamente os jogadores, o seu nível, a sua energia, o seu valor e se estão ou não lesionados.
Além de escolhermos a equipa, também temos a possibilidade de adquirir novos jogadores (após cada partida, aparecem aleatoriamente os jogadores disponíveis no mercado), ou vender, pois existe um limite de jogadores na equipa, além de que também temos que gerir uma outra parte muito importante, que é o dinheiro. Os fundos são limitados e é necessário fazer-se uma gestão cuidada das compras de jogadores e respectivos salários, para não se levar o clube à falência.
Depois de todas as decisões tomadas, e antes de se avançar para a partida, é mostrado um quadro com os parâmetros principais da nossa equipa e do adversário, nomeadamente energia, moral, defesa, meio campo e ataque. É este tableau du bord que temos que monitorizar se queremos depois que o resultado da partida seja satisfatório.
Finalmente, a parte porque todos esperamos: a partida de futebol. Nessa altura é mostrado uma parte do campo, com uma equipa a atacar e outra a defender, e vão sendo mostradas as jogadas de ataque de uma e outra equipa. Periodicamente os golos vão aparecendo, com um gráfico a mostrar que houve golo com grande pompa e circunstância, pelo menos para a altura em que o jogo foi lançado. É assim acrescentada uma dimensão visual rara para a época, quando a maioria dos jogos de gestão apenas continham texto.





Um dos clássicos emblemáticos da era inicial do Spectrum, não há dúvida. Muitas horas passadas a jogar...
ResponderEliminarAproveito para fazer uma pequena confissão após mais de quarenta anos - eu fui um dos vilões que além de jogar, também passou algumas horas a mexer no código BASIC deste jogo, para traduzir para Português mas também para fazer pequenas alterações e brincadeiras (apenas para uso privado). Na verdade, foi com isso que comecei a aprender a programar e a interessar-me pela componente mais técnica da Informática.
Obrigado, Mr. Toms. E as minhas desculpas pela transgressão. :)
Testemunho fantástico, daqui a pouco vamos falar com ele
Eliminarlongevidade 10 😉
ResponderEliminarEheh, yes, more like 😀
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