Nome: Dan Dare III: The Escape
Editora: Virgin Games
Autor: David Perry, Nick Bruty, Simon Butler
Ano de lançamento: 1990
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48K
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Aqui
As aventuras de Dan Dare, um herói pouco conhecido por estas bandas, pelo menos até ao lançamento dos jogos para o ZX Spectrum baseado nesse personagem, terminaram com o terceiro episódio, denominado The Escape. E se no segundo episódio, apesar da excelência técnica na programação, a aventura enfermava de alguns (muitos) problemas ao nível da jogabilidade, estes foram resolvidos nesta terceira parte. No entanto, surgiram outros problemas a que leva a que, por muito pouco, Dan Dare III não atinja o estatuto de Mega Jogo em Planeta Sinclair. Aliás, foi também essa a opinião na review da revista Your Sinclair, tendo-lhe sido atribuído a classificação de 89%, a mero 1% do galardão "Megagame", mas cuja análise descreve na perfeição as principais lacunas deste jogo.
Vamos à primeira dessas lacunas. Assim, todo o ambiente a envolver esta aventura, se bem que apresentando cenários magníficos, profusamente coloridos, pouco tem a ver com a saga de Dan Dare, e que foi recriado de forma perfeita nos episódios anteriores. A isso não é alheio o facto de este jogo até se chamar originalmente Crazy Jet Racer e nada ter a ver com o universo de Dan Dare, tendo sido depois transformado o personagem principal nesse herói. Não é assim de estranhar que os inimigos também nada tenham a ver com os inimigos habituais nas aventuras de Dan Dare, tendo depois sido criada uma história à volta dessas mudanças. Podem achar que é um pequeno pormenor, mas pensem na polémica que foi criada quando Renegade III saiu, com uma ambiência que nada tinha a ver com os dois episódios anteriores. Entendem agora porque chamamos a atenção para este pormenor?
Uma segunda lacuna, e que para nós é talvez o principal ponto negativo em Dan Dare III tem a ver com a sua dimensão. Não dos personagens, que por sinal até são bem apreciáveis (oo-er), mas da aventura em si. E se Dan Dare II era demasiado difícil, este novo episódio é demasiado fácil, levando a que se termine em pouco mais de um quarto de hora. Apostamos também que muita gente o terá terminado logo no dia em que o adquiriu. Tendo em conta o preço original do jogo em 1990, quase 10 libras, convenhamos que o rácio custo / benefício não era muito elevado.
Por fim, uma terceira lacuna será a sua falta de originalidade. Mais uma vez, não tanto da história do jogo. Esta falta de originalidade reside essencialmente nas semelhanças entre Dan Dare II e Tintin on the Moon, um jogo que saiu sensivelmente pela mesma altura (um mês antes), criado pela mesma equipa (excluindo Simon Butler), e que de alguma forma levou a que o efeito novidade se tenha dissipado aquando do lançamento de Dan Dare III. Não falta sequer a sequência de vôo de Dan Dare quando viaja de nível para nível, muito semelhante à que se encontra em Tintin.
Visto os pontos menos favoráveis, e não querendo nós que fiquem com a sensação que não gostámos de Dan Dare III, vamos então ao que se encontra de positivo neste jogo.
Assim, para começar, a elevada jogabilidade, sendo uma melhoria imensa em relação ao episódio anterior. Dan Dare desloca-se agora, isto é, voa, com recurso a um jetpack, à boa maneira de Jet Pac, o clássico da Ultimate. O movimento é muito gracioso, as tecla são altamente responsivas, e é um prazer comandar este nosso herói. O disparo também é muito fácil e certeiro, ao contrário do que acontecia no episódio anterior, que devido à falta de manobrabilidade da maquineta que Dan Dare comandava, os tiros por vezes iam parar onde não queríamos, levando até a um fim prematuro.
Se Dan Dare e Dan Dare II impressionavam pelos gráficos, este novo episódio não lhes fica atrás. Embora tendo um aspecto cartoonesco mais moderno e menos anos 50, o enorme colorido, sem ponta de mistura de atributos, e especialmente as explosões, debitando cores por todos os lados, num efeito apenas semelhante a alguns dos outros jogos da dupla Perry e Bruty (Savage, Extreme, Captain Planet) e, talvez, Exolon, contribuem para uma verdadeira êxtase dos sentidos, mesmo tendo em conta a parca dimensão dos níveis. Mas como os olhos também comem, como diz o ditado, o jogo ganha aqui importantes créditos.
O sistema usado para power-ups também é feliz. É fácil aceder aos vários extras (basta carregar para baixo), podendo estes serem adquiridos num interface que se encontra no primeiro nível, no local onde se encontra a projecção de Mekon. Os power-ups podem e devem ser utilizados ao longo do jogo, residindo neste ponto a maior ou menor facilidade em se completar a aventura. Por um lado, é fácil perder-se energia no contacto que vamos ter com os muitos inimigos ou até no vôo entre níveis. No entanto, facilmente se adquire vidas e mais e melhor armamento, permitindo avançar bastante e com relativa facilidade na aventura. Talvez fosse aconselhável uma menor facilidade na aquisição destes extras, iria seguramente elevar o nível de dificuldade e aumentar a longevidade.
Mas no fim, o que conta, é o divertimento que se tira do jogo. E este é elevado, com uma capacidade viciante bastante boa, pelo menos até se terminar a aventura. Tivesse o jogo níveis maiores ou até mais níveis e atingiria facilmente o estatuto máximo. Talvez se tivessem pensado Dan Dare III para o 128K, e não apenas para o 48K...




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