Mostrar mensagens com a etiqueta Investronica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Investronica. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de abril de 2026

Sir Fred


Nome: Sir Fred
Editora: Made in Spain
Autor: Carlos Granados Martinez, Paco Menendez, Fernando Rada Briega, Camilo Cela Elizagarate
Ano de lançamento: 1986
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 48K
Descarga: Aqui

Passaram-se dois anos após o estrondoso sucesso de Fred, e os seus autores decidiram que impunha-se uma sequela. Eis então que a recém-formada Made in Spain, mais tarde renomeada Zigurat Software, lança em 1986 a tão ansiada continuação de Fred. No entanto, a história é agora completamente diferente, passando do período do antigo Egipto, para a era medieval. 

Já lá iremos à história de Sir Fred, mas gostaríamos antes de dizer que se com Fred, as nossas (boas) memórias permaneceram inalteradas, não tendo o jogo envelhecido nem um bocadinho (e foi alvo de uma versão Deluxe muito recente), também as não tão boas memórias de Sir Fred foram confirmadas, quando 40 anos após o termos jogado pela primeira vez, lhe voltámos a pegar. Pouco mais conseguimos avançar do que na altura, mesmo com o apoio de um mapa detalhado e de gravarmos frequentemente a posição nos emuladores. A sua fraca jogabilidade e nível de dificuldade excessivo notam-se, talvez agora, mais do que nunca...

Vamos então à prometedora e (talvez demasiado) ambiciosa história de Sir Fred. Assim, numa época pacífica e tranquila, coisa rara nos tempos medievais (e também nos mais recentes), vivia no reino um bondoso Rei mais a sua filha, devidamente acompanhados de leais cavaleiros. No entanto, a formosa donzela foi raptada e aprisionada por um senhor malvado, de seu nome Sir Hugh D'unnyt. Infelizmente, os bravos cavaleiros do reino andavam todos por outras paragens, cabendo a sorte de tentar resgatar a donzela, não a um nobre cavaleiro, mas a um muito trapalhão, por sinal o único disponível. Enfim, o Rei teve que se socorrer daquilo que tinha à mão, cabendo a nós o papel de sermos os salvadores da pátria, mesmo que as chances não joguem a nosso favor.

Sir Fred começa nos terrenos circundantes do castelo e o primeiro problema é encontrar a forma de lá entrar. Já se sabe que os castelos, norma geral, são rodeados por um fosso anti-intrusos, e este tem a particularidade de ter piranhas. Não sabemos onde as foram buscar, mas o facto é que elas estão lá e temos que as conseguir evitar (já que acertar com uma pedrada numa piranha não será coisa fácil - se apanharmos as pedras que se encontram em determinado ponto do castelo, podem ser utilizadas para eliminar inimigos, activar alavancas, etc.).

Começam aqui os problemas... Nadar é tudo menos fácil, ainda por cima para um ligeiramente obeso e exageradamente trapalhão cavaleiro. A maior parte das vezes ficamos encalhados, sem conseguir avançar, tendo como consequência os nossos calcanhares serem mordidos pela piranha. 

Outra das coisas que é difícil de dominar e á utilização das cordas. Sir Fred não é certamente nenhum Tarzan, e conseguir dar o impulso necessário à corda para se saltar para o ponto desejado, não só é extremamente difícil, como se torna um exercício frustrante passado muito pouco tempo. Ao final de várias tentativas, que tem geralmente como consequência uma queda e a respectiva perda de energia, o nosso cavaleiro fina devido a exaustão. Infelizmente, esta vertente mais técnica, em vez de contribuir para tornar a aventura mais rica, apenas a torna mais frustrante.

Além disso, temos também que contar com a inércia. Pressionando a tecla de caminhar, ao fim de alguns passos, Sir Fred desata a correr desenfreadamente. E é mesmo desenfreadamente, pois não trava imediatamente (temos que contar com a inércia, é natural), e geralmente vai contra alguma peça do cenário, levando a que se perca mais alguma energia.

Como se não fosse pouco, Sir Fred tem ainda que contar com inúmeros inimigos, cujo toque é geralmente fatal. Claro que sempre pode usar as pedras ou outro tipo de armas que encontre pelo caminho, como o arco e flechas ou a espada (atenção que cada arma é destinada a um inimigo específico), no entanto, é parca ajuda para todas as dificuldades que vai encontrar. Isto tudo para dizer, então, que Sir Fred é tão ou mais difícil (e frustrante) que Abu Simbel Profanation, por exemplo.

Mas Sir Fred, apesar da fraca jogabilidade, maioritariamente pelas razões acima descritas, também tem pontos positivos. Assim, o castelo é quase um "open world", no qual podemos ir explorando livremente todas as salas, geralmente com várias formas de acesso. Aliás, para se entrar no castelo existem também várias formas, dependendo dos objectos que consigamos apanhar. Estes vão variando de local, tal como o local onde a princesa se encontra encarcerada. Para se ter uma noção, existem 58 combinações diferentes de locais dos objectos e a princesa poderá estar em sete diferentes salas, sendo que muito dificilmente encontramos dois jogos iguais. Mas isso também quer dizer que o próprio nível de dificuldade do jogo, por norma já muito elevado, pode torná-lo praticamente impossível, consoante a combinação inicial. Por outro lado, se a fortuna nos sorrir, até é possível terminar o jogo de forma bastante rápida, sem sequer se ter que passar pela maior parte das salas do castelo, apesar das instruções referirem que se tem que resolver a aventura toda para se conseguir ter sucesso. Será algum bug?

Convém também explorar tudo muito bem. Existem passagens secretas (nos armários, por exemplo), e por vezes, determinadas acções têm consequências que não se imaginariam inicialmente, como por exemplo, tentar subir pelos cortinados. Ah, e convém também ir apanhando as chaves de acesso a determinadas salas, mas tendo sempre em conta que apenas podemos carregar quatro objectos em simultâneo, e que não se deve descurar ter armas à mão. Decisões, decisões...

No final de tudo, a sensação que fica de Sir Fred é de alguma frustração. Entendemos que algumas pessoas não concordem com a nossa opinião, que adorem o jogo, e que o terminem ao pé coxinho, no entanto, temos o pressentimento que a maioria não achará a tarefa assim tão simples e motivadora. É, portanto, um jogo que não gera muito consenso (aliás, basta ver a pontuação na Spectrum Computing), e que, no nosso entender, se perdeu uma oportunidade de estar perante um clássico. Tivessem os seus autores um pouco mais de cuidado com certos pormenores e tornassem a tarefa um tudo nada menos impossível, e talvez Sir Fred atingisse outros vôos.

Logicamente a pontuação de Sir Fred é influenciada pela sua fraca jogabilidade. No entanto, algo nos diz que o cavaleiro trapalhão vai acertar o passo no terceiro episódio da série, que deverá estar prestes por aí a rebentar.

sábado, 28 de março de 2026

Fred

Nome: Fred
Editora: Investronica
Autor: Carlos Granados Martinez, Paco Menendez, Fernando Rada Briega, Juan Delcan
Ano de lançamento: 1984
Género: Labirinto
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 48K
Descarga: Aqui

Quando pensamos nos primeiros jogos desenvolvidos pelos nossos vizinhos Espanhóis, dois nomes vêm à memória: La Pulga e Fred. Confessamos que o primeiro nunca nos encantou, talvez tenhamos que o voltar a experimentar, provavelmente mais de 40 anos depois de o termos jogado pela última vez, mas o segundo traz-nos gratas memórias e é um jogo que amiúde carregamos. É que apesar da sua simplicidade, Fred é cativante. E completamente viciante...

A história, tal como o jogo, é extremamente simples. Assumimos o papel de um explorador que se encontra na base de uma labiríntica pirâmide (quadrada) de 32 de altura, por 32 de largura  (na prática é 30 X 30, devido às paredes), e temos que conseguir encontrar a saída, levando connosco o máximo de tesouros possíveis que encontramos. A saída encontra-se no topo da pirâmide. No entanto, encontrar o caminho que leva até à escapatória, não é fácil, pois existem imensos becos sem saída. Se imaginarem aqueles quebra-cabeças que se encontravam nas páginas dos jornais nos anos 80 e 90, com um labirinto no qual tínhamos que ir traçando o caminho até se chegar à saída, estão muito perto do conceito de Fred, que transporta o labirinto horizontal, para um labirinto em altura. E repleto de inimigos... 

Para ajudar na nossa missão, temos uma pistola carregada com seis balas, que permite eliminar alguns (mas nem todos) inimigos. As balas esgotam-se rapidamente, tal a quantidade de inimigos existentes a partir do nível dois, existindo assim várias recargas nas pirâmides.

Por outro lado, o contacto com os inimigos retira uma porção de energia. Começamos com 15 porções, e embora pareça muito, rapidamente as verão desaparecer. Felizmente que existem algumas poções que permitem recuperar, cada uma delas, duas porções de energia.

Mas falemos dos inimigos. O mais vulgar é o rato, animal rasteiro, impossível de ser eliminado com a pistola, apenas sendo possível de evitar, saltando quando ele se aproxima, num exercício de precisão e timing. Os fantasmas são temíveis, pois sendo entidades incorpóreas, atravessam as paredes. Nunca se sabe para onde vão, e também não se pode matar algo que já se encontra morto, não é? Os camaleões descem e sobem as paredes. Por vezes vão trocando de parede de um lado para o outro, sendo necessário alguma sorte para os conseguir evitar (geralmente passando para o outro lado da parede e esperando que ele se mantenha no seu caminho). As múmias têm o irritante hábito de caírem pelos buracos, sendo praticamente impossível evitá-la quando estamos no processo de subida ou descida nas cordas, embora essas possam ser eliminados com a pistola quando não estamos agarrados às cordas.  Os restantes, múmias, morcegos e esqueletos, têm graus de inteligência diferente e podem ser eliminados com um tiro. 

É também possível encontrar-se um mapa, mas este, além de difícil visualização, só mostra uma pequena parte do labirinto. Além disso, se perdemos muito tempo a olhar para o mapa, o mais provável e sermos abalroado por algum inimigo. É de pouca ajuda, portanto...

Sabemos que os Espanhóis sempre fizeram os seus jogos extremamente difíceis. E Fred, à semelhança de muitos outros com essa origem, faz-lhes jus, e ainda por cima tem situações injustas durante o jogo, como quando somos encurralados por inimigos, sem possibilidade de escapatória, ou quando chegamos ao topo da pirâmide e não existe saída. Mas também tem aquele toque de génio que faz com que de cada vez que perdemos, tentamos novamente, na ténue esperança de conseguir ir um pouco mais longe.

Existem seis níveis, correspondendo a seis diferentes pirâmides e cujos determinados parâmetros vão mudando ao longo dos jogos (não só a posição dos inimigos, mas também a porta de saída). Temos assim a sensação que os cenários são aleatórios, embora isso não seja inteiramente verdade. E se conseguirmos encontrar a saída do último nível, o sexto, em vez de termos uma mensagem congratulatória, temos a possibilidade de continuar, definindo o número de inimigos, obstáculos e balas que queremos para o nível seguinte.

Fred cria também uma tensão constante no jogador. Quando estamos a usar as cordas, não se pode disparar contra os inimigos que as utilizam. Isto confere também um elemento estratégico ao jogo, pois temos que escolher o momento mais adequado para se utilizar as cordas. No entanto, quando estamos rodeados de inimigos, temos que tomar as decisões em micro segundos, criando sobressaltos constantes no jogador, mas de forma alguma frustrando-o. Muito pelo contrário, mesmo quando morremos, imediatamente queremos voltar a explorar a pirâmide.

Finalmente, a nível gráfico e sonoro, sendo o jogo de 1984, obviamente que não se pode pedir grandes milagres. O som é minimalista, mas os gráficos são interessantes, com sprites claros e de boas dimensões, resultando numa diminuição da área visível disponível da pirâmide, mas mais uma vez contribuindo para o clima de tensão constante no jogador.

Assim, embora Fred não seja considerado como um clássico para todo o universo do Spectrum, a sua reputação é merecidamente muito alta em Espanha e também em Portugal, sendo considerado um dos melhores jogos da época para o ZX Spectrum. Além disso, é daqueles jogos que não envelhece com o tempo, e mantém actualmente toda a atractividade que tinha em meados da década de 80. Se não conhecem o jogo (como é possível???), aconselhamos a experimentá-lo. Façam-no é por vossa conta e risco, pois é um autêntico vício.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Fred Deluxe


Não nos vamos esticar muito a fazer uma análise detalhada de Fred, até porque vão encontrá-la no próximo Sábado em Planeta Sinclair (na realidade já estava agendada há algum tempo). Mas surgiu agora uma versão melhorada de Fred, a que chamaram Fred Deluxe.

Se o jogo original já era muito bom, esta nova versão, desenvolvida por um programador Húngaro, promete trazer novos fãs para um dos primeiros jogos criados pelos nossos vizinhos Espanhóis. Contem agora com velocidade a triplicar, energia e munições a duplicar, mais vidas, e muito, muito mais divertimento. 

Venham aqui experimentar esta nova versão.