Nome: RoboCop
Editora: Ocean Software
Autor: Mike Lamb, Dawn Drake, Jonathan Dunn, Bill Harbison
Ano de lançamento: 1988
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 / 128 K
Descarga: Aqui
Se RoboCop não tiver sido o jogo mais vendido de sempre para o ZX Spectrum, batendo mesmo Ghostbusters ou Football Manager (não existem métricas 100% fidedignas ou oficiais), pelo menos foi aquele que mais tempo ando nos tops. Mesmo dois anos depois do seu lançamento, continuava a aparecer nas tabelas dos mais vendidos, num sucesso sem precedentes.
RoboCop tem também outra característica. Terá sido um dos primeiros jogos a trazer vários estilos ou mecânicas, normalmente entre os níveis mais "core" do jogo, algo que a partir daqui se tornou prática habitual nos blockbusters. A Ocean especializou-se mesmo neste tipo de jogos (RoboCop, Untouchables, Platoon, etc.), quase sempre muito bem referenciados pela critica especializada. Mas confessamos, nunca foi tanto do nosso agrado, não só porque usava e abusava do multiloading, obrigando o jogador a passar mais tempo a carregar os jogos do que propriamente a jogá-los, mas também porque os níveis eram geralmente muito curtos e com pouca profundidade, o que de facto acontece em RoboCop. O facto é que esta tentativa de agradar a Gregos e Troianos, contemplando vários géneros no mesmo jogo, tinha muitos fãs.
O jogo RoboCop foi também beneficiado pelo enorme sucesso do filme, um trabalho mediano (para não dizer medíocre, algo habitual na carreira do cineasta Paul Verhoeven). A acção passa-se em Detroit, numa época distópica que já esteve mais longe de ser realidade, e narra a história de Alex Murphy, um polícia brutalmente assassinado por criminosos. A corporação OCP transforma então o que resta do seu corpo num ciborgue (RoboCop) para combater o crime. E reconheçamos, o jogo encontra-se bastante fiel ao filme, pelo menos daquilo que nos lembramos dele (vimo há quase 40 anos e nunca tivemos vontade de o rever).
O início é logo prometedor, pelo menos para quem carrega a versão 128K. Assim, numa voz perfeita sintetizada, ouve-se as quatro prerrogativas de RoboCop: Servir ao público ("Serve the public trust"), Proteger os inocentes ("Protect the innocent"), Defender a lei (Uphold the law) e Classificado (Classified), sendo esta última uma diretriz secreta oculta pela OCP que o impede de agir contra executivos da corporação. Essas diretrizes norteiam o comportamento de Alex Murphy como RoboCop, embora a quarta diretriz crie um conflito ético central no filme, visível também num dos níveis mais avançados do jogo.
Os diversos níveis abarcam diferentes géneros, sofrendo todos do síndroma que afecta este género de jogos, conforme dissemos logo ao início, pois são todos muito curtos. Assim, nos níveis 1, 3, 5, 7 e 8, percorremos as ruas de Detroit (sempre a direito) ou edifícios e fábricas (com vários patamares), sendo o objectivo o de eliminar o máximo de meliantes e chegar ao final do caminho, dentro do tempo limite. Nada que não se tenha visto antes em Renegade, por exemplo, se bem que agora tenhamos diversas armas ao nosso dispor (apenas usamos os punhos quando as munições acabam). E já que falamos das armas, há de quatro tipos diferentes, umas mais letais que as outras, mas para que funcionem, é necessário apanharmos as munições que ficaram esquecidas pelo chão (também é possível apanhar energia extra).
O nível 6 não é muito diferente dos anteriores (é aqui que surge o tal dilema relacionado com a directriz 4), no entanto, o objectivo primordial é eliminar um outro robô que defende a Corporação, ED 209. Tudo se resumo a conseguir chegar ao pé dele, evitando os seus tiros, e esmurrá-lo. Puro exercício de reflexos, pouco adianta aos restantes níveis.
Nos níveis 2 e 9, o último de todos, o objectivo é eliminar o criminoso, que se esconde atrás de um inocente refém, mais uma vez num determinado tempo limite. Para isso surge um alvo no ecrã e temos que prever os movimentos do criminoso, e disparar sem que se atinja o refém. O nível 9 é um pouco mais difícil, pois o criminoso também tem uma arma pronta a disparar.
Finalmente, no nível 4, talvez o mais interessante de todos, em vez de usarmos a arma, temos que usar a cabeça e a capacidade de observação. No lado esquerdo do ecrã surge a figura de um criminoso. Temos agora que conseguir encontrar a correspondência exacta com a figura da direita, para isso manipulando as várias partes faciais. Quando se obtiver uma correspondência 100% fiel, o criminoso é identificado e passamos ao nível seguinte.
Os níveis, apesar de curtos, são todos muito limpinhos, bem implementados e com boa jogabilidade. De facto, o único defeito que lhes encontramos é mesmo esse: termina tudo demasiado rápido, deixando-nos com a sensação de saber a pouco. Fossem os níveis passados na rua ou dentro dos edifícios um pouco mais largos, e certamente que a nossa nota seria outra. Também não admira assim que de cada vez que perdemos uma vida, se tenha que recomeçar o nível.
Limpinho são também os gráficos e cenários. Sem grandes rasgos, mas cumprem o que deles se pede, permitindo ver tudo com muita clareza, em especial o mais importante: as balas. Quanto ao som, aqui já a música é outra, pois entramos no patamar da excelência.
Concluindo, RoboCop é um bom jogo. Não atinge, no enato, o nível de Mega Jogo pelas razões antes referidas, e concordamos plenamente com tudo aquilo que a Your Sinclair disse na altura sobre ele. Também por isso, a nossa nota é igual...














































