Nome: Operation Greenup
Editora: Molisoft
Autor: osé María Molina
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura de texto
Teclas: NA
Joystick: NA
Número de jogadores: 1
Memória: 128K
Link para descarga: Aqui
Há jogos que nos conquistam nos primeiros minutos. Outros vão-nos envolvendo lentamente, até percebermos que estamos perante algo verdadeiramente especial. E depois há Operation Greenup, uma aventura que consegue reunir as duas coisas: impressiona logo na introdução, graças a um grafismo e a uma apresentação de fazer inveja a muitos jogos com um budget muito superior, e acaba por nos prender durante horas (dias), graças a uma história absorvente e a um conjunto de pormenores que demonstram o enorme cuidado colocado pelo seu autor no desenvolvimento desta magnífica aventura.
José María Molina já nos tinha surpreendido com Beltalowda, em 2025, um jogo galardoado no GOTY. Regressa agora ao ZX Spectrum com uma aventura de texto que, na nossa opinião, representa um salto qualitativo assinalável e que merece um lugar de destaque entre os melhores jogos recentes para o ZX Spectrum. Não estamos a exagerar. Operation Greenup foi o Jogo do Mês de Outubro e, depois de o termos jogado até ao fim, podemos afirmar sem grandes hesitações que estamos perante uma das melhores aventuras de texto que alguma vez tivemos oportunidade de experimentar no ZX Spectrum. E, atente-se, sem IA...
A primeira surpresa chega ainda antes de começarmos verdadeiramente a jogar, com uma introdução que nos deixa de boca aberta. É difícil não ficar impressionado com a introdução de Operation Greenup. Estamos habituados a que as aventuras de texto para o Spectrum nos apresentem um ecrã de título, eventualmente acompanhado por uma pequena melodia, antes de começarmos o jogo, propriamente dito. Aqui, o autor decidiu ir bastante mais longe, pois a sequência inicial é simplesmente fabulosa. O grafismo e a música, uma adaptação de "Where Eagles Dare", criam imediatamente o ambiente adequado à missão que nos espera. Há uma preocupação cinematográfica na forma como tudo é apresentado, culminando num momento particularmente conseguido: ver o avião desaparecer, acompanhado por uma melodia algo perturbadora.
A componente gráfica merece, aliás, um destaque especial ao longo de toda a aventura. Não estamos perante um daqueles jogos em que os gráficos parecem ter sido acrescentados apenas para acompanhar o texto. Pelo contrário, existe uma identidade visual consistente, com imagens cuidadas e muito pormenorizadas, e que contribuem decisivamente para a atmosfera. Os cenários ajudam-nos assim a entrar no ambiente da época, transmitindo a sensação de estarmos efectivamente a percorrer uma pequena localidade Austríaca durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial.
Mas se pensam que o cuidado colocado na apresentação termina na introdução, desenganem-se. Uma das coisas que mais nos agradou foi o manual que acompanha o jogo. São dez páginas de documentação, mas chamar-lhe simplesmente manual é quase redutor. Estamos perante um documento concebido, mais uma vez, com um grafismo de enorme qualidade, que parece ter saído directamente de um dossier confidencial dos serviços secretos norte-americanos. A temática da operação está presente em todos os pormenores: documentos classificados, mapas, fotografias, anotações, informações operacionais e uma composição gráfica que nos transporta imediatamente para o ambiente de espionagem da década de 1940. Além disso, não se limita a ser bonito. Contém informação importante para percebermos o funcionamento da aventura, os comandos disponíveis, a utilização do inventário e as particularidades da missão. Nem sequer falta o mapa da região. Estamos curiosos para ver uma edição física de luxo com este material...
Mas passemos então à aventura propriamente dita. Estamos assim em Fevereiro de 1945. A Alemanha Nazi está a desmoronar-se, com os Aliados a avançarem pelo Ocidente e as tropas Soviéticas a aproximarem-se pelo Oriente. Contudo, existe a possibilidade de o comando alemão preparar uma última resistência nos Alpes, numa suposta fortaleza inexpugnável conhecida como Alpenfestung, ou Reduto Alpino.
É neste contexto que entra em cena o OSS (Office of Strategic Services), antecessor da actual CIA, que recruta três homens para uma operação de infiltração no Tirol austríaco. São eles Fred Mayer, um Judeu Alemão, Hans Wijnberg, de origem Neerlandesa, e Franz Weber, um desertor da Wehrmacht. A missão consiste em infiltrar-se na localidade de Oberperfuss e descobrir o que realmente se passa com o alegado Reduto Alpino.
A inspiração para esta aventura vem de uma operação militar real da Segunda Guerra Mundial, embora o autor tenha optado por ficcionar uma parte substancial dos acontecimentos. Esta opção resulta particularmente bem, pois permite construir uma narrativa que combina factos históricos, espionagem, intriga e elementos de ficção.
E é precisamente a história que acaba por ser um dos grandes trunfos de Operation Greenup. Não estamos perante uma simples sucessão de quebra-cabeças para resolver, ligados por uma história meramente decorativa. Existe uma narrativa que nos envolve, que nos desperta curiosidade e que nos leva a querer descobrir o que está por detrás de cada acontecimento.
Os diálogos são então absorventes e estão muito bem integrados na progressão da aventura. Não servem apenas para transmitir informações ou dar pistas sobre o próximo passo. Ajudam a construir personagens, a desenvolver a intriga e a criar aquela sensação de que estamos efectivamente envolvidos numa operação de espionagem. É assim um prazer acompanhar as conversas, descobrir novas informações e perceber como cada diálogo pode alterar a nossa compreensão dos acontecimentos. Aliás, há momentos em que damos por nós a ler atentamente cada frase, não querendo perder qualquer detalhe que possa vir a revelar-se importante mais adiante.
À primeira vista, Operation Greenup poderá parecer uma aventura de texto relativamente convencional. Temos descrições dos locais, objectos para recolher, personagens com quem interagir, quebra-cabeças para resolver e os habituais comandos neste tipo de aventuras. Mas basta avançar um pouco para percebermos que o autor preparou algumas surpresas. Desde logo, temos duas personagens jogáveis, com perspectivas e competências próprias, que partilham um único mapa. Isto significa que não basta explorar os cenários com uma delas e esperar que tudo se resolva. É necessário alternar as acções entre ambas, tirar partido dos respectivos conhecimentos e perceber de que forma as suas acções se podem complementar. Os seus percursos cruzam-se e existem puzzles que exigem uma intervenção individual, enquanto outros só podem ser ultrapassados através de uma acção coordenada.
Depois, não estamos a falar de meia dúzia de ecrãs. São mais de 60 localizações para explorar, ao longo de três partes, acessíveis através de uma password, o que dá uma boa ideia da dimensão do jogo.
Há ainda outro pormenor que merece ser destacado: apesar de estarmos perante uma aventura de texto, o jogo não se limita ao tradicional sistema de introdução de comandos. Em determinados momentos surgem opções de escolha, ao estilo "make your own adventure", permitindo-nos seleccionar directamente a acção que pretendemos executar. E a parte final do jogo é particularmente inovadora, que, a quem lá conseguir chegar, irá comprovar (não vamos ser "spoilers").
Outro dos aspectos que nos agradou particularmente foi o sistema de inventário. Estamos habituados a que, nas aventuras de texto, o inventário seja apresentado através de uma simples lista de objectos acessível através do comando "invent", ou semelhante. Mas em Operation Greenup temos uma componente gráfica, permitindo visualizar os objectos que transportamos. Pode parecer um pormenor, mas faz toda a diferença. Além de tornar a interface mais agradável, facilita rapidamente a identificação dos itens disponíveis sem a necessidade de a toda a hora termos que andar a digitar comandos. Além disso, inclui ainda um indicador das saídas disponíveis em cada localização, outra funcionalidade muito útil, sobretudo numa aventura com tantas áreas para explorar.
A componente sonora também não foi esquecida. Para além da magnífica introdução musical, existe ainda um momento na aventura em que a música volta a marcar presença, contribuindo para reforçar o ambiente e a intensidade da situação. Ainda por cima, numa ocasião muito especial...
Operation Greenup consegue assim reunir praticamente tudo aquilo que procuramos numa grande aventura de texto: uma história interessante, personagens bem enquadradas, a utilização de duas personagens que partilham o mesmo mapa, diálogos absorventes, puzzles desafiantes, uma grande quantidade de localizações, todas magnificamente ilustradas, um sistema de inventário bastante funcional e uma interface gráfica que está muito acima do habitual.
José María Molina merece, por isso, os nossos mais sinceros parabéns. E ficamos desde já com grande expectativa pelo seu próximo trabalho. Entretanto, seguramente que o iremos encontrar pelo GOTY 2026...









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