Nome: Kizuna: la Promesa del Cerezo
Editora: NA
Autor: Xeif
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Número de jogadores: 1
Memória: 128K
Link para descarga: Aqui
Depois de Roshi Milk Course, Xeif regressa com Kizuna, uma nova aventura que, em alguns aspectos, faz lembrar o seu anterior trabalho. Desde logo, na componente gráfica, mesmo sendo este jogo a preto e branco, mas também em algumas das mecânicas utilizadas. Ainda assim, Xeif não se limita a repetir a receita, introduzindo novas ideias e situações que dão bastante personalidade a esta produção. Mas comecemos pela história...
Em Kizuna: la Promesa del Cerezo, temos como protagonista Hanzo, um ninja que recebe a missão de proteger a pequena Hana e conduzi-la até um lugar seguro. Pelo caminho, como seria de esperar, não faltam inimigos, obstáculos e armadilhas. Além disso, existe uma nunace muito original: Hanzo carrega às costas Hana para se poder movimentar entre ecrãs, e quando esta está nele encavalitada, Hanzo não tem possibilidade de usar a sua espada ou os shurikens (estes últimos apenas na segunda parte do jogo). Além disso, é preciso muito cuidado no manejo da espada, pois se por acaso Hana é atingida inadvertidamente, o jogo imediatamente acaba. Aliás, Hanzo tem que proteger Hana a todo o custo, pois se esta de alguma forma morre, o jogo termina. No final do jogo, se lá chegarem, irão perceber a razão.
A aventura encontra-se então dividida em duas partes, sendo a primeira relativamente acessível, permitindo-nos familiarizar com as mecânicas do jogo. A segunda, porém, é bastante mais exigente, até pelos quebra-cabeças que contempla e que não vamos aqui descrever, para não estragar o prazer da descoberta. Hana, quando não encavalitada em Hanzo, encontra-se constantemente em movimento e nem sempre toma as melhores decisões, chegando mesmo a encaminhar-se para situações fatais, o que acontece amiúde vezes. E como basta um único golpe para a perdermos, há que ter muito cuidado.
A jogabilidade é um dos aspectos mais conseguidos. Hanzo responde muito bem aos nossos comandos e movimenta-se com grande fluidez. No entanto, não basta avançar e eliminar tudo o que aparece pela frente. Enquanto transporta Hana às costas, tal como já referimos, o ninja não pode atacar, pelo que teremos de encontrar locais seguros onde possamos deixar Hana, antes de enfrentar os adversários. isto confere um certo elemento de estratégia a este jogo.
Hanzo pode suportar até cinco golpes, ao contrário de Hana, e em pontos estratégicos existe comida que lhe permite recuperar os níveis energéticos. Mas estes são limitados, pelo que convém guardá-los para as situações mais complicadas. Se, apesar de tudo, ficarmos completamente encravados, existe ainda uma solução bastante radical: Hanzo pode fazer seppuku, ou seja, suicidar-se. Não deixa de ser uma curiosidade interessante.
Graficamente, Kizuna é muito agradável. Xeif volta a apostar numa apresentação monocromática, mas consegue tirar excelente partido desta opção. Os cenários são ricos em pormenores, têm uma composição muito cuidada e apresentam ambientes bastante originais. O resultado faz lembrar algumas das produções de Amaweks e mesmo Hallowed Knight, pela forma como conseguem transformar as limitações gráficas do Spectrum num verdadeiro quadro, ou, talvez, numa tira de banda desenhada de grade qualidade. A ausência de cor não faz, portanto, qualquer falta. Pelo contrário, contribui decisivamente para a identidade visual da aventura.
Outro dos pontos altos é a inclusão de fabulosas tiras de banda desenhada no próprio jogo. Além de nos dar a conhecer o enquadramento da história e a relação entre as personagens, vai fornecendo pistas sobre a forma de ultrapassar algumas das situações (dica: muita atenção a tudo o que vos é dito). Está muito bem integrada na aventura e acaba por ser mais um daqueles pormenores que demonstram o cuidado colocado por Xeif nesta aventura.
A segunda parte é particularmente interessante, não apenas pelo aumento da dificuldade, mas também pela variedade de situações e puzzles que apresenta. Há momentos verdadeiramente surpreendentes, como a possibilidade de andar de barco, que acrescentam novas dinâmicas e mostram que o autor não se limitou a repetir as ideias e mecânicas da primeira parte. É precisamente esta diversidade que mantém o interesse e nos leva a querer descobrir o que vem a seguir. Não existindo ecrãs em demasia, estes são q.b. para conferir grande profundidade à aventura. Não se pense que se termina o jogo em 15 minutos. Nem sequer uma das partes, quanto mais...
Em suma, Kizuna é mais uma excelente proposta de Xeif. A jogabilidade está muito bem conseguida, os gráficos têm uma personalidade própria e a aventura oferece variedade suficiente para nos manter agarrados ao teclado. A relação entre Hanzo e Hana também dá um propósito especial à missão, que não se resume a eliminar inimigos e ultrapassar obstáculos. E há ainda uma boa notícia para quem prefere a língua Portuguesa: o jogo também se encontra em Português, incluindo a BD.
Depois de Roshi Milk Course, Xeif volta a demonstrar que tem ideias e talento para continuar a surpreender a comunidade. É um jogo altamente recomendado. para isso só têm que o vir aqui descarregar e dar uma justa contribuição ao seu autor. Além disso, como já é habitual, tem honras de apresentação no directo do nosso amigo Javi Ortiz, podendo aqui ser visto.


















































