sábado, 7 de novembro de 2026

Operation Greenup


Nome: Operation Greenup
Editora: Molisoft
Autor: osé María Molina
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura de texto
Teclas: NA
Joystick: NA
Número de jogadores: 1
Memória:  128K
Link para descarga: Aqui

Há jogos que nos conquistam nos primeiros minutos. Outros vão-nos envolvendo lentamente, até percebermos que estamos perante algo verdadeiramente especial. E depois há Operation Greenup, uma aventura que consegue reunir as duas coisas: impressiona logo na introdução, graças a um grafismo e a uma apresentação de fazer inveja a muitos jogos com um budget muito superior, e acaba por nos prender durante horas (dias), graças a uma história absorvente e a um conjunto de pormenores que demonstram o enorme cuidado colocado pelo seu autor no desenvolvimento desta magnífica aventura.

José María Molina já nos tinha surpreendido com Beltalowda, em 2025, um jogo galardoado no GOTY. Regressa agora ao ZX Spectrum com uma aventura de texto que, na nossa opinião, representa um salto qualitativo assinalável e que merece um lugar de destaque entre os melhores jogos recentes para o ZX Spectrum. Não estamos a exagerar. Operation Greenup foi o Jogo do Mês de Outubro e, depois de o termos jogado até ao fim, podemos afirmar sem grandes hesitações que estamos perante uma das melhores aventuras de texto que alguma vez tivemos oportunidade de experimentar no ZX Spectrum. E, atente-se, sem IA...

A primeira surpresa chega ainda antes de começarmos verdadeiramente a jogar, com uma introdução que nos deixa de boca aberta. É difícil não ficar impressionado com a introdução de Operation Greenup. Estamos habituados a que as aventuras de texto para o Spectrum nos apresentem um ecrã de título, eventualmente acompanhado por uma pequena melodia, antes de começarmos o jogo, propriamente dito. Aqui, o autor decidiu ir bastante mais longe, pois a sequência inicial é simplesmente fabulosa. O grafismo e a música, uma adaptação de "Where Eagles Dare", criam imediatamente o ambiente adequado à missão que nos espera. Há uma preocupação cinematográfica na forma como tudo é apresentado, culminando num momento particularmente conseguido: ver o avião desaparecer, acompanhado por uma melodia algo perturbadora.

A componente gráfica merece, aliás, um destaque especial ao longo de toda a aventura. Não estamos perante um daqueles jogos em que os gráficos parecem ter sido acrescentados apenas para acompanhar o texto. Pelo contrário, existe uma identidade visual consistente, com imagens cuidadas e muito pormenorizadas, e que contribuem decisivamente para a atmosfera. Os cenários ajudam-nos assim a entrar no ambiente da época, transmitindo a sensação de estarmos efectivamente a percorrer uma pequena localidade Austríaca durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial. 

Mas se pensam que o cuidado colocado na apresentação termina na introdução, desenganem-se. Uma das coisas que mais nos agradou foi o manual que acompanha o jogo. São dez páginas de documentação, mas chamar-lhe simplesmente manual é quase redutor. Estamos perante um documento concebido, mais uma vez, com um grafismo de enorme qualidade, que parece ter saído directamente de um dossier confidencial dos serviços secretos norte-americanos. A temática da operação está presente em todos os pormenores: documentos classificados, mapas, fotografias, anotações, informações operacionais e uma composição gráfica que nos transporta imediatamente para o ambiente de espionagem da década de 1940. Além disso, não se limita a ser bonito. Contém informação importante para percebermos o funcionamento da aventura, os comandos disponíveis, a utilização do inventário e as particularidades da missão. Nem sequer falta o mapa da região. Estamos curiosos para ver uma edição física de luxo com este material...

Mas passemos então à aventura propriamente dita. Estamos assim em Fevereiro de 1945. A Alemanha Nazi está a desmoronar-se, com os Aliados a avançarem pelo Ocidente e as tropas Soviéticas a aproximarem-se pelo Oriente. Contudo, existe a possibilidade de o comando alemão preparar uma última resistência nos Alpes, numa suposta fortaleza inexpugnável conhecida como Alpenfestung, ou Reduto Alpino.

É neste contexto que entra em cena o OSS (Office of Strategic Services), antecessor da actual CIA, que recruta três homens para uma operação de infiltração no Tirol austríaco. São eles Fred Mayer, um Judeu Alemão, Hans Wijnberg, de origem Neerlandesa, e Franz Weber, um desertor da Wehrmacht. A missão consiste em infiltrar-se na localidade de Oberperfuss e descobrir o que realmente se passa com o alegado Reduto Alpino.

A inspiração para esta aventura vem de uma operação militar real da Segunda Guerra Mundial, embora o autor tenha optado por ficcionar uma parte substancial dos acontecimentos. Esta opção resulta particularmente bem, pois permite construir uma narrativa que combina factos históricos, espionagem, intriga e elementos de ficção.

E é precisamente a história que acaba por ser um dos grandes trunfos de Operation Greenup. Não estamos perante uma simples sucessão de quebra-cabeças para resolver, ligados por uma história meramente decorativa. Existe uma narrativa que nos envolve, que nos desperta curiosidade e que nos leva a querer descobrir o que está por detrás de cada acontecimento.

Os diálogos são então absorventes e estão muito bem integrados na progressão da aventura. Não servem apenas para transmitir informações ou dar pistas sobre o próximo passo. Ajudam a construir personagens, a desenvolver a intriga e a criar aquela sensação de que estamos efectivamente envolvidos numa operação de espionagem. É assim um prazer acompanhar as conversas, descobrir novas informações e perceber como cada diálogo pode alterar a nossa compreensão dos acontecimentos. Aliás, há momentos em que damos por nós a ler atentamente cada frase, não querendo perder qualquer detalhe que possa vir a revelar-se importante mais adiante.

À primeira vista, Operation Greenup poderá parecer uma aventura de texto relativamente convencional. Temos descrições dos locais, objectos para recolher, personagens com quem interagir, quebra-cabeças para resolver e os habituais comandos neste tipo de aventuras. Mas basta avançar um pouco para percebermos que o autor preparou algumas surpresas. Desde logo, temos duas personagens jogáveis, com perspectivas e competências próprias, que partilham um único mapa. Isto significa que não basta explorar os cenários com uma delas e esperar que tudo se resolva. É necessário alternar as acções entre ambas, tirar partido dos respectivos conhecimentos e perceber de que forma as suas acções se podem complementar. Os seus percursos cruzam-se e existem puzzles que exigem uma intervenção individual, enquanto outros só podem ser ultrapassados através de uma acção coordenada.

Depois, não estamos a falar de meia dúzia de ecrãs. São mais de 60 localizações para explorar, ao longo de três partes, acessíveis através de uma password, o que dá uma boa ideia da dimensão do jogo.

Há ainda outro pormenor que merece ser destacado: apesar de estarmos perante uma aventura de texto, o jogo não se limita ao tradicional sistema de introdução de comandos. Em determinados momentos surgem opções de escolha, ao estilo "make your own adventure", permitindo-nos seleccionar directamente a acção que pretendemos executar. E a parte final do jogo é particularmente inovadora, que, a quem lá conseguir chegar, irá comprovar (não vamos ser "spoilers").

Outro dos aspectos que nos agradou particularmente foi o sistema de inventário. Estamos habituados a que, nas aventuras de texto, o inventário seja apresentado através de uma simples lista de objectos acessível através do comando "invent", ou semelhante. Mas em Operation Greenup temos uma componente gráfica, permitindo visualizar os objectos que transportamos. Pode parecer um pormenor, mas faz toda a diferença. Além de tornar a interface mais agradável, facilita rapidamente a identificação dos itens disponíveis sem a necessidade de a toda a hora termos que andar a digitar comandos. Além disso, inclui ainda um indicador das saídas disponíveis em cada localização, outra funcionalidade muito útil, sobretudo numa aventura com tantas áreas para explorar.

A componente sonora também não foi esquecida. Para além da magnífica introdução musical, existe ainda um momento na aventura em que a música volta a marcar presença, contribuindo para reforçar o ambiente e a intensidade da situação. Ainda por cima, numa ocasião muito especial...

Operation Greenup consegue assim reunir praticamente tudo aquilo que procuramos numa grande aventura de texto: uma história interessante, personagens bem enquadradas, a utilização de duas personagens que partilham o mesmo mapa, diálogos absorventes, puzzles desafiantes, uma grande quantidade de localizações, todas magnificamente ilustradas, um sistema de inventário bastante funcional e uma interface gráfica que está muito acima do habitual.

José María Molina merece, por isso, os nossos mais sinceros parabéns. E ficamos desde já com grande expectativa pelo seu próximo trabalho. Entretanto, seguramente que o iremos encontrar pelo GOTY 2026...

ZX Spin v2


Acabámos de receber excelentes novidades. Assim, depois de muitos anos praticamente sem dar notícias, o emulador ZX Spin, obra de Paul Dunn (Dunny, para os amigos), com a contribuição de Mark Woodmass, está de regresso, agora na versão 2. Uma surpresa muito agradável, sobretudo para quem, como nós, continua a considerar este emulador uma das melhores opções disponíveis para desfrutar ZX Spectrum no PC. 

Gratuito é sem dúvida o melhor, apenas superado pelo Spectaculator, que continua a ser uma referência, mas tem a particularidade de ser pago. O ZX Spin sempre se destacou pela simplicidade de utilização e pela qualidade da emulação, e esta nova versão vem dar-lhe uma nova vida, depois de um longo período sem actualizações.

Mas há outra razão para saudarmos particularmente esta edição: o suporte para o Sinclair QL. Uma excelente surpresa, que alarga a o seu público-alvo, ainda mais quando não era fácil funcionar com os emuladores actualmente existentes no mercado. É, sem dúvida, uma mais-valia... Além disso, também emula o Spectrum Next, se bem que seja necessário efectuar alguns passos.

Mas atenção, o ZX Spin v2 ainda se encontra em fase de testes e existem algumas opções que estão a ser acrescentadas, bem como algumas arestas a limar. Um dos exemplos é o carregamento de jogos com diferentes velocidades, que ainda necessita de melhorias. Pelo menos por aqui, não funcionou. Mas isso não retira mérito ao regresso de um emulador que julgávamos praticamente adormecido. 

Vamos assim acompanhando a sua evolução e aguardar pela versão final. Entretanto, podem já aqui descarregar a versão Beta.

Nota: que jogo será aquele no primeiro ecrã? Será MIA? Será type-in? Mais novidades em breve...

Mais jogos...

Flunkyretro pegou na infame Cassette 50, da Cascade, e colocou um menu que permite carregar qualquer dos jogos. Além disso, mudou as teclas a alguns desses jogos. Podem aqui descarregar Cassette 50 – 50 Games on One Load. Só falta o relógio...

Continuam a aparecer clones de Arkanoid aos pontapés, num fenómeno apenas semelhante ao Tetris e a Pac-Man. O mais recente vem de Juan Eguía, foi criado com o Boriel, tem o nome de Arka-Jon e pode aqui ser descarregado. Além disso é IA free...

AlColella lançou Prisma, um jogo a trazer à memória Mário, Gianna Sisters, e outros que tais. São 24 níveis de plataformas e pode aqui ser descarregado.

Quando se pensava que já se tinham esgotado os clones de Boulder Dash, eis que chega mais um. RockSideDown foi criado pela IA, com a ajuda de de Visges6128. A questão é: precisávamos de mais um? De qualquer forma, se ainda não se fartaram deste tema, podem aqui descarregá-lo.

Grimhaven é o novo jogo de Tonsomo Entertainment. Esta aventura, do género role play, tem um custo de 1 USD e pode aqui ser descarregada. Nesta fase, com tantos jogos a aparecerem, não estamos compradores, pelo que não tivemos oportunidade de o ver.

ZX Civ é o novo jogo de Gabriel Cuesta. Adivinharam, é inspirado em Civilization e pode aqui ser descarregado. Daquilo que vimos, é uma versão muito simples de Civilization, mas este é um jogo que tem sempre muitos fãs, nos quais nos incluímos...

O mesmo Gabriel Cuesta traz-nos uma aventura isométrica. Refúgio Nuclear parece ser interessante e supostamente não é usada IA. E quem somos nós para dizer o contrário? Podem aqui descarregá-lo.

Alstepan lançou Tome of the Dead, uma aventura passada numa masmorra e que pode aqui ser descarregada. Não nos convenceu, tudo demasiado IA, sem alma, sem grandes motivos de interesse. Por alguma razão, os jogos sem IA são sempre melhores...

Kirby2000 continua a converter jogos do Game Boy para o ZX Spectrum. Super Mario Land está actualmente a ser desenvolvido, estando a versão Beta mais recente aqui. O jogo até tem bom aspecto, mas as teclas escolhidas são verdadeiramente aterradoras. 

Kirby2000 lançou mais uma conversão de um jogo do Game Boy, desta vez Balloon Kid. O jogo pode aqui ser descarregado.

Void Strike é mais um shoot'em'up igual a tantos outros, desenvolvido por Belmarduk. Não tem nada que nos faça agarrar por mais do que cinco minutos. Mais um jogo sem ponta de alma, que pode aqui ser descarregado.

The Goonies é mais um AI slop (mais um) lançado por Fava. Infelizmente, essas conversões não têm um mínimo de jogabilidade e, sinceramente, não se percebe a razão pela qual estão tantas a aparecer, a não ser que se pretenda bater um qualquer recorde. De qualquer forma, quem quiser arriscar, pode aqui vir descarregar.

H.E.R.O. foi também convertido por FAVA. Um grafismo extremamente confuso arruína o prazer de se jogar este clássico. Pode aqui ser descarregado.

Por agora é tudo. Como podem ver, excluindo um ou outro, e como tem acontecido nas últimas semanas, uma grande quantidade é AI Slop destinado a cair no esquecimento passado cinco minutos... Não é assim que se vai cativar a comunidade para a a cena do ZX Spectrum...

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Cryptmorrow


Cryptmorrow é uma proposta que procura ir um pouco mais longe do que aquilo a que estamos habituados a encontrar no ZX Spectrum. Não se trata apenas de um jogo, mas de um projecto que junta a componente lúdica a um livro, proporcionando uma experiência mais completa e dando maior profundidade ao universo que pretende apresentar. A fazer lembrar a colecção de livros de Ian Livingstone e O Feiticeiro da Montanha de Fogo.

Quanto ao livro, este não não se limita a explicar o funcionamento do jogo. É, na realidade, um guia de programação em Assembly Z80, que ensina, passo a passo, a construir Cryptmorrow de raiz. Ao longo de 247 páginas e 17 capítulos, acompanhamos todo o processo, desde a criação dos cenários e personagens até à movimentação, combate, inimigos, efeitos sonoros e música.

Quanto ao jogo propriamente dito, coloca-nos perante uma aventura de exploração de masmorras, composta por 16 salas, onde teremos de encontrar chaves, abrir portas, recolher tesouros e poções e enfrentar esqueletos e morcegos. O objectivo passa por conseguir os três selos necessários para abrir o portal de Moss Gate. Conta ainda com música AY para os modelos de 128K, efeitos sonoros no beeper e suporte para Kempston, Sinclair e teclado.

Esta é uma iniciativa bastante original, que acaba por ter interesse em duas vertentes: para quem gosta de jogar, temos uma nova aventura para explorar; para quem gosta de programar, temos a oportunidade de perceber como foi construída, podendo inclusivamente experimentar e modificar o código. E o melhor é que o jogo e todo o código-fonte estão disponíveis gratuitamente.

Podem aqui vir ver este projecto. Parece-nos que o livro será uma boa aquisição.

Nintendo Game & Watch on ZX Spectrum 48K - Sharp SM510 Emulator

Há projectos que parecem nascer de uma daquelas ideias mirabolantes, mas que acabam por se transformar em algo verdadeiramente surpreendente. É precisamente o que acontece com Nintendo Game & Watch on ZX Spectrum 48K, uma criação de Supratim Sanyal (Tuklusan), que resolveu juntar duas máquinas que marcaram profundamente os anos 80: o ZX Spectrum e as pequenas consolas Game & Watch da Nintendo.

Este projecto não se ficou por uma simples recriação dos jogos no ecrã do Spectrum. Nada disso! O autor foi bastante mais longe e desenvolveu um emulador do microprocessador Sharp SM510, inteiramente em código máquina Z80. Na prática, isto significa que o Spectrum consegue executar os programas originais das Game & Watch, reproduzindo a sua lógica de funcionamento, temporizações, animações LCD e até os sons. 

A colecção conta já com 18 títulos, onde encontramos alguns verdadeiros clássicos, como Donkey Kong, Mario Bros., Oil Panic, Manhole, Snoopy Tennis, Green House, Turtle Bridge e Donkey Kong Jr., entre outros. E há ainda espaço para uma surpresa: Munchy, um jogo original inspirado em Pac-Man, que também inclui relógio, alarme, efeitos sonoros e dois níveis de dificuldade.

Claro que não vale a pena esperar grandes efeitos gráficos. Afinal, estamos a falar de jogos originalmente concebidos para pequenos ecrãs LCD, com os seus bonecos de posições fixas e animações muito próprias. Mas é precisamente aí que reside boa parte da piada. Quem teve uma Game & Watch nos anos 80 (tivemos a concorrente Gakken, mas tínhamos em casa com muita frequência as G&W), vai certamente reconhecer aquele ambiente tão característico e recordar as boas horas passadas a tentar bater o próprio recorde.

Outro aspecto interessante é que o projecto foi preparado para funcionar num ZX Spectrum 48K verdadeiro, através de ficheiros TZX. Sim, podemos carregar os jogos num ZX Spectrum original, sem necessidade de recorrer a emuladores modernos. Há, contudo, um pequeno pormenor a ter em conta: os 18 jogos da Nintendo necessitam das respectivas ROMs originais, que não acompanham o lançamento. Já o Munchy e a demonstração incluída podem ser experimentados sem qualquer ficheiro adicional.

Estamos, assim, perante mais uma daquelas experiências que mostram bem a criatividade e o engenho da comunidade do ZX Spectrum. Pegar num Z80 e fazê-lo emular um processador de quatro bits, reproduzindo o comportamento das pequenas consolas da Nintendo, não é propriamente uma tarefa banal. 

Querem saber mais sobre este projecto? Basta aqui virem...

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Sniper


O nosso colega Domingues da Silva está imparável, e não usa IA. Temos assim o seu novo jogo, desta vez um pouco diferente daquilo que nele é habitual: temos um jogo mais de arcade.

O objectivo é conseguir acertar o máximo de alvos, no mínimo tempo possível, até porque se demoramos muito, as vidas começam a esgotar-se. No final, temos o hall of fame...

Podem aqui descarregar o jogo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

El Driver TLD (MIA)


Nas cassetes do José Miguel encontrámos os drivers para possivelmente uma impressora. No entanto. não conseguimos identificar a que se destina. Se alguém souber mais sobre este material, por favor, informe-nos.

Poderão aqui descarregar os drivers.

A Capital de 25 de Fevereiro de 1983


Eurico da Fonseca tem um artigo muito interessante sobre as máquinas stand-alone, ou seja, já têm incorporado tudo o que é necessário para se poder jogar, incluindo o joystick e o ecrã de TV. Super Cobra é um bom exemplo.

Fala ainda sobre um computador caseiro que permite ajudar na dieta e, talvez, aquela que é a primeira experiência de um homebanking... 

Caso tenham interesse em algum tema específico, podem consultar o suplemento no Museu LOAD ZX, ou então pedirem a digitalização à Hemeroteca de Lisboa.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Jogos, jogos e mais jogos...

Já nos começa a faltar o título das notícias para assinalar tantos jogos novos. aqui está a nova remessa...

Como todos sabem, Nemesis, o jogo lançado pela Konami, na versão para o ZX Spectrum era, para dizer curto e grosso, uma boa trampa. Loccy fez a conversão do MSX, e pelo menos ficou mais jogável. Podem aqui descarregar o jogo.

SplinterGU pega num jogo original, neste caso Ms. Pacman, mete-lhe uns power-ups, muda-lhe o nome para Ms. Pac-Man DX, e coloca o jogo à venda aqui por 1 USD. Terá sido pedido autorização aos autores do jogo original? Isto assim parece a selva...

Killer Sudoku é isso mesmo, um Sudoku, que apesar de já não estar na moda, continua a ter adeptos. Pode aqui ser descarregado. É mais um jogo de Frogotten Games.

E Frogotten Games deve estar em competição com Fava, para ver quem lança mais jogos por semana. Snowplough 1&2 até é pago, podendo aqui ser descarregado.

Já o tínhamos previsto, muitos programadores esperaram pelo último dia do Concurso Aventura 2026 para lançar os seus trabalhos. Temos assim Batallas y bellezones, de RubenRetro, La fuga de Alcalente, de Mariano Chiaverano e Area 21 – El expediente X-51, de Nunusoft. Podem todos ser aqui descarregados. O nosso favorito continua a ser Operation Greenup.

SirClive colocou os sete jogos que fazem parte do lançamento de 1984, Spy Games, num único carregamento, a que chamou Computer Spy Games 2026. Pode aqui ser descarregado. Fez também a mesma coisa para Creepy Computer Games 2026, podendo aqui ser descarregado.

Flunkyretro continua a fazer melhorias a jogos originais do ZX Spectrum, um pouco à semelhança do que Stuart Campbell tem feito. E o mais recente é Mugsy 128K DX, que recebeu uma versão em castelhano (além da versão em InglÊs), os ecrãs a aparecerem imediatamente, música, correcção de bugs, e outras benfeitorias. Pode aqui ser descarregado.

O mesmo autor colocou teclas decentes em Jumping Jack, um novo Jack, som, transfigurando o jogo, que pode aqui ser descarregado.

ICARUS: Only The Brave Defy Zeus. V 1.2

O prolifico Miguel Cruz decidiu dar uma roupagem nova, num dos seus mais recentes trabalhos, o Icarus, tendo lançado, no passado dia 1, a nova versão para este jogo.

A versão 1.2 é uma atualização bastante significativa, com novos gráficos, música, progressão no jogo e várias correções, que passamos a destacar:

  •  Novo grafismo do ecrã de carregamento e artwork;
  • Novos Sprites de 48×40 pixéis para Zeus, Cronos e Medusa;
  • Nova música AY: tema principal, temas dos bosses, ecrã de título e game over;
  • Novos efeitos gráficos: Asas animadas, estrelas com efeito de paralaxe, nuvens, sol nascente e cera derretida;
  • Possibilidade de continuar a jogar para além do nível 7, com multiplicadores de pontuação e bosses mais difíceis;
  • Melhor suporte para joystick Kempston, tanto durante o jogo como nos menus;
  • Numerosas correções na jogabilidade, som, interface e estabilidade


Podem descarregar este jogo, bastante divertido, diretamente da página do autor. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Rewind: the Music Memory Quiz


O Miguel Cruz mostra-nos a sua cultura musical, com um jogo que permite testar os nosso conhecimentos, num desafio bem original.

Ao longo de dois questionários, com 25 ou 50 músicas, dá-nos a ouvir os acordes de uma música. Temos depois quatro opções à escolha. Se acertarmos, tudo bem. Se erramos, também, pois o computador indica-nos depois a opção certa, apenas não adiciona pontos ao nosso score.

As categorias dos trechos musicais são bastante abrangentes, com 10 diferentes, desde bandas dos anos 80 (algumas ainda no activo), a filmes, e até jogos para o ZX Spectrum. São 50 as músicas disponíveis, e apraz-nos ver algumas bandas góticas / post punk pelo, meio, como os Joy Division, Siouxsie Sioux (com os Banshees, e com e sem Robert Smith), Echo & the Bunnymen, The Sisters of Mercy, entre alguns outros. Ou mesmo o synth pop de Kraftwerk e Depeche Mode. Em sentido contrário, rock FM e pop rock manhoso, não entra aqui em casa. Europe, Van Hallen, Metallica, etc., vão directamente para a cesta secção (para os estrangeiros, queremos dizer lixo)...

O jogo está bastante interessante e é com um sorriso no lábio que se tenta fazer a melhor pontuação possível. 

Rewind: the Music Memory Quiz pode aqui ser descarregado. Em breve mais novidades vindas do Miguel.

domingo, 1 de novembro de 2026

Kizuna: la Promesa del Cerezo


Nome: Kizuna: la Promesa del Cerezo
Editora: NA
Autor: Xeif
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Número de jogadores: 1
Memória:  128K
Link para descarga: Aqui

Depois de Roshi Milk Course, Xeif regressa com Kizuna, uma nova aventura que, em alguns aspectos, faz lembrar o seu anterior trabalho. Desde logo, na componente gráfica, mesmo sendo este jogo a preto e branco, mas também em algumas das mecânicas utilizadas. Ainda assim, Xeif não se limita a repetir a receita, introduzindo novas ideias e situações que dão bastante personalidade a esta produção. Mas comecemos pela história...

Em Kizuna: la Promesa del Cerezo, temos como protagonista Hanzo, um ninja que recebe a missão de proteger a pequena Hana e conduzi-la até um lugar seguro. Pelo caminho, como seria de esperar, não faltam inimigos, obstáculos e armadilhas. Além disso, existe uma nunace muito original: Hanzo carrega às costas Hana para se poder movimentar entre ecrãs, e quando esta está nele encavalitada, Hanzo não tem possibilidade de usar a sua espada ou os shurikens (estes últimos apenas na segunda parte do jogo). Além disso, é preciso muito cuidado no manejo da espada, pois se por acaso Hana é atingida inadvertidamente, o jogo imediatamente acaba. Aliás, Hanzo tem que proteger Hana a todo o custo, pois se esta de alguma forma morre, o jogo termina. No final do jogo, se lá chegarem, irão perceber a razão.

 A aventura encontra-se então dividida em duas partes, sendo a primeira relativamente acessível, permitindo-nos familiarizar com as mecânicas do jogo. A segunda, porém, é bastante mais exigente, até pelos quebra-cabeças que contempla e que não vamos aqui descrever, para não estragar o prazer da descoberta. Hana, quando não encavalitada em Hanzo, encontra-se constantemente em movimento e nem sempre toma as melhores decisões, chegando mesmo a encaminhar-se para situações fatais, o que acontece amiúde vezes. E como basta um único golpe para a perdermos, há que ter muito cuidado.

A jogabilidade é um dos aspectos mais conseguidos. Hanzo responde muito bem aos nossos comandos e movimenta-se com grande fluidez. No entanto, não basta avançar e eliminar tudo o que aparece pela frente. Enquanto transporta Hana às costas, tal como já referimos, o ninja não pode atacar, pelo que teremos de encontrar locais seguros onde possamos deixar Hana, antes de enfrentar os adversários. isto confere um certo elemento de estratégia a este jogo. 

Hanzo pode suportar até cinco golpes, ao contrário de Hana, e em pontos estratégicos existe comida que lhe permite recuperar os níveis energéticos. Mas estes são limitados, pelo que convém guardá-los para as situações mais complicadas. Se, apesar de tudo, ficarmos completamente encravados, existe ainda uma solução bastante radical: Hanzo pode fazer seppuku, ou seja, suicidar-se. Não deixa de ser uma curiosidade interessante.

Graficamente, Kizuna é muito agradável. Xeif volta a apostar numa apresentação monocromática, mas consegue tirar excelente partido desta opção. Os cenários são ricos em pormenores, têm uma composição muito cuidada e apresentam ambientes bastante originais. O resultado faz lembrar algumas das produções de Amaweks e mesmo Hallowed Knight, pela forma como conseguem transformar as limitações gráficas do Spectrum num verdadeiro quadro, ou, talvez, numa tira de banda desenhada de grade qualidade. A ausência de cor não faz, portanto, qualquer falta. Pelo contrário, contribui decisivamente para a identidade visual da aventura.

Outro dos pontos altos é a inclusão de fabulosas tiras de banda desenhada no próprio jogo. Além de nos dar a conhecer o enquadramento da história e a relação entre as personagens, vai fornecendo pistas sobre a forma de ultrapassar algumas das situações (dica: muita atenção a tudo o que vos é dito). Está muito bem integrada na aventura e acaba por ser mais um daqueles pormenores que demonstram o cuidado colocado por Xeif nesta aventura.

A segunda parte é particularmente interessante, não apenas pelo aumento da dificuldade, mas também pela variedade de situações e puzzles que apresenta. Há momentos verdadeiramente surpreendentes, como a possibilidade de andar de barco, que acrescentam novas dinâmicas e mostram que o autor não se limitou a repetir as ideias e mecânicas da primeira parte. É precisamente esta diversidade que mantém o interesse e nos leva a querer descobrir o que vem a seguir. Não existindo ecrãs em demasia, estes são q.b. para conferir grande profundidade à aventura. Não se pense que se termina o jogo em 15 minutos. Nem sequer uma das partes, quanto mais...

Em suma, Kizuna é mais uma excelente proposta de Xeif. A jogabilidade está muito bem conseguida, os gráficos têm uma personalidade própria e a aventura oferece variedade suficiente para nos manter agarrados ao teclado. A relação entre Hanzo e Hana também dá um propósito especial à missão, que não se resume a eliminar inimigos e ultrapassar obstáculos. E há ainda uma boa notícia para quem prefere a língua Portuguesa: o jogo também se encontra em Português, incluindo a BD. 

Depois de Roshi Milk Course, Xeif volta a demonstrar que tem ideias e talento para continuar a surpreender a comunidade. É um jogo altamente recomendado. para isso só têm que o vir aqui descarregar e dar uma justa contribuição ao seu autor. Além disso, como já é habitual, tem honras de apresentação no directo do nosso amigo Javi Ortiz, podendo aqui ser visto.

Som & Imagem de 25 de Fevereiro de 1984


O suplemento Som & Imagem de 25 de Fevereiro de 1984 tem uma página dedicada aos microcomputadores e mais uma, que não estando directamente relacionada, acaba por tocar no tema, pois apresenta um artigo sobre cassetes piratas (que tanto podem ser de áudio, como de dados).

 A página dos microcomputadores continua com a rubrica do Dicionário da informática, e mais um artigo de Couto Ribeiro sobre a forma como os computadores comunicam connosco.

Caso tenham interesse em algum tema específico, podem consultar o suplemento no Museu LOAD ZX, ou então pedirem a digitalização à Hemeroteca de Lisboa.

Jogos para o Halloween

Tal como prevíamos, o Halloween trouxe-nos mais uma enchente de novos jogos. Infelizmente estamos fora durante uns dias, e não vamos ter possibilidade de os ver, e talvez nem nos próximos tempos os consigamos experimentar (as nossas desculpas, são demasiados jogos para conseguirmos ver em tempo útil, se acharem que algum tem qualidade suficiente para fazer parte do GOTY, deixem-nos uma nota e tentaremos ver, embora sem promessas). Mas deixamos à mesma a nota dos seus lançamentos, nem que seja para incluir no ZXDB.

Darkside, com a colaboração de Furillo Productions (ainda ontem deixámos uma análise detalhada a um jogo novo desta equipa), lançou uma "make your own adventure", Linaje. Deverá valer a pena, pois os jogos destes dois criadores primam sempre pela excelência. Poderá aqui ser descarregado, o jogo tem duas partes.

Kirby2000, mesmo lançando um enorme número de jogos por semana, destaca-se pelo cuidado que coloca nos seus lançamentos. Desta vez pegou em Robocop e deu-lhe um toque mais "arcade". Experimentem para ver. Para já ainda é apenas uma versão Beta, mas deverá haver versão final em breve, que pode aqui ser descarregada.

El Castillo de la Oscuridad é mais um concorrente ao Concurso Aventura 2026 que terminou ontem. É uma aventura de texto criada por Fjchphoenix, que ainda recentemente tinha trazido Prototipo. O jogo pode aqui ser descarregado.

Las Sombras de Tharion é uma aventura isométrica lançada por Quatrogames com 31 ecrãs e um enorme número de teclas, demasiado, na nossa opinião, para se tornar confortável. Mas que o jogo tem bom aspecto, é uma realidade. Pode aqui ser descarregado. 

The Nightmare of Pepe the Hippie-Punk é um jogo de plataformas lançado por Mansoft, que já tem outros trabalhos no seu portfolio e também não usa IA. Quem gosta do género, poderá aqui encontrar alguma diversão. Podem aqui descarregar o jogo.

Halloween 2026 é uma pequena aventura de texto muito apropriada para a época, lançada por Petr Kain e pode aqui ser descarregada. Não usa IA e não é para as almas mais sensíveis, segundo o seu autor. Mas nesta época também ninguém leva a mal...

Pinball Action é o novo jogo de Namco/Nexgen. Quem gosta de flippers, poderá achar-lhe piada, até porque tem quatro mesas diferentes. Pode aqui ser descarregado.

Fava continua no seu objectivo de ser o programador que mais jogos lança num curto espaço de tempo, e tem Demon Attack praticamente pronto. Esperemos que desta vez tenha mais cuidado na testagem dos seus jogos e que venham livre de bugs e seja minimamente jogável. Senão, para quê tanto "slop"? Pode ser aqui descarregado, assim que seja lançado.

The Final Exam é uma homenagem ao clássico Skool Daze, 42 anos depois do lançamento original. O seu autor é Brujabit, e para quem gosta do género, poderá valer a pena espreitar. Será que é desta que Eric se vai graduar? Poderá aqui ser descarregado.

Vista esta nova avalanche de jogos, parece-nos que a qualidade subiu um pouco. Veremos se é apenas devido à época ou se nos próximos dias voltamos ao registo de dezenas de jogos fracos lançados diariamente. Para acompanhar...

Entretanto, embora estejamos fora em pleno concerto dos The Chameleons, logo à noite vai sair um novo jogo. E esse poderemos garantir que vale a pena. Stay tuned... 

sábado, 31 de outubro de 2026

Jogo do Mês: Operation Greenup

Le Llamaban El Pollito: The Legend of the Little Chicken


Nome: Le Llamaban El Pollito: The Legend of the Little Chicken
Editora: Furillo Productions
Autor: IADVD, Molomazo
Ano de lançamento: 2026
Género: Shoot'em'up
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Sinclair
Número de jogadores: 1
Memória:  128 K
Link para descarga: Aqui

Furillo voltou a atacar! E, como já vem sendo hábito, trouxe-nos uma prenda de Halloween, depois de há precisamente um ano nos ter brindado com o Sangue de Dracula (Blood of Dracula), um jogo de plataformas muito bem conseguido.

Desta vez, esta dupla de programadores, leva-nos até ao Oeste Selvagem, com The Legend of the Little Chicken, cujo título original é Le Llamaban El Pollito. Mas a grande surpresa não está nos pistoleiros nem nos bandidos que teremos de enfrentar. Está na forma como o jogo foi construído, com a equipa a conseguir integrar o SEUD e o MK1 no mesmo jogo. Não é coisa pouca, sobretudo tendo em conta as limitações destes motores, em particular do primeiro. Furillo tem o condão de nos surpreender mesmo quando julgamos que já não há muito mais a fazer com estas ferramentas. Como o fez, isso já não sabemos, mas não nos admirava que houvesse para ai magia, o que é muito apropriado para esta época do ano.

A história é simples. Rosita, a professora da aldeia e o grande amor de El Pollito, foi raptada por um bando de malfeitores. Cabe-nos, naturalmente, resgatá-la, enfrentando todos os que se atravessarem no nosso caminho. Só assim poderemos dar o nó com a setôra. Mas como diz o ditado, de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento, pelo que a tarefa vai ser árdua.

A aventura está dividida em cinco fases, cada uma com três partes distintas. Na primeira, percorremos cenários vistos de cima, procurando os inimigos e tentando localizar o chefe da quadrilha. A energia vai diminuindo com o tempo, pelo que não convém andar a passear sem rumo. Felizmente, há objectos espalhados pelo cenário que nos podem valer uma ajuda preciosa: a ampulheta recupera a energia e o revólver dá-nos alguns segundos de invulnerabilidade. Mas há um pormenor importante: convém recolher tudo o que aparece no cenário, pois isso aumenta o nosso poder de fogo no confronto seguinte. E bem vamos precisar dele.

Encontrado o chefe, começa o tiroteio a sério. Temos de enfrentar o vilão e os seus sete capangas (até meretrizes "disparam" contra nós) em cinco diferentes cenários, enquanto tentamos sobreviver com um revólver que leva apenas seis balas. É preciso recarregar, apontar e disparar, sem dar grandes oportunidades aos adversários. Esta fase é muito semelhante a outra que já havíamos visto em S1NCLA1R C1TY.

No final de cada fase, ainda há tempo para uma visita ao tio Cletus e à sua destilaria clandestina. Aqui, a tarefa é esmagar o maior número possível de moedas, seguindo o ritmo, e tentar apanhar a garrafa especial que nos oferece uma vida extra. É um daqueles momentos inesperados que ajudam a dar personalidade ao jogo e quebram a acção de forma bastante divertida. E já agora, experimentem a esmagar a serpente ou a poia, para verem o que acontece.

Jogámos The Legend of the Little Chicken até ao fim e a experiência foi bastante agradável. A alternância entre as diversas fases dá-lhe uma variedade que não seria de esperar de um jogo criado com estes motores. É precisamente aqui que Furillo volta a demonstrar toda a sua criatividade: em vez de se limitar às fórmulas habituais, aproveita a integração dos dois motores, para construir uma aventura com diferentes ritmos e situações, quebrando assim qualquer monotonia que pudesse aparecer. Pelo caminho, encontramos também pormenores que nos fazem recordar outros jogos do autor, nomeadamente o já referido S1NCLA1R C1TY. São pequenas familiaridades que os seguidores do trabalho de Furillo certamente reconhecerão.

Existem também dois níveis de dificuldade, sendo que no mais difícil, não nos é concedido vidas extra. Para quem quiser chegar ao fim sem grandes sobressaltos, será preferível começar pela opção mais acessível, tal como fizemos. Já os pistoleiros mais experientes podem experimentar a versão difícil, onde qualquer erro pode deitar tudo a perder. Seja qual for a escolha, há que explorar bem os cenários, aprender os movimentos e ciclos dos inimigos, e recolher todos os objectos.

Furillo volta, assim, a trazer-nos um jogo muito divertido, com os habituais gráficos e cenários esplendorosos, sendo uma excelente prenda de Halloween. Assim, como resultado, temos uma aventura variada, repleta de momentos de humor e com bons motivos para se continuar a jogar até ao fim. É caso para dizer que mais uma vez acertaram no alvo...

A estreia e lançamento do jogo acontece, como é habitual, no canal de Javi Ortiz, el Spectrumero. Infelizmente estamos neste momento numa outra festa de Halloween e não vamos poder assistir em primeira mão, mas fica aqui o link para o directo. Além disso, podem também aqui descarregar Le Llamaban El Pollito: The Legend of the Little Chicken (o nome é impagável).

Neon Impact


Vamos ter um Halloween grandioso. E não, não nos referimos à quantidade de jogos exclusivamente criados com IA que deverão inundar o mercado nas próximas horas. Referimo-nos a jogos a sério, onde os criadores colocam "alma", que é aquilo que falta à maior parte dos jogos criados com IA, salvo raras excepções.

Assim, do Leste chega mais um clone de Arkanoid. Neon Impact, desenvolvido por Dmitry Migachev sem a muleta da IA, apesar de ser um pouco básico, tem o seu encanto. Será assim uma boa forma de passar a noite de Halloween, com um jogo simples, mas divertido.

Podem vir aqui descarregar o jogo e saber mais sobre Neon Impact e o seu autor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Enchente de novos jogos

 

Um verdadeiro dilúvio de jogos novos, a maioria francamente desinteressantes e que rapidamente ficarão esquecidos. Claro que há sempre um ou outro que valerá a pena, mas no meio de tanta coisa, acabam por não serem notados, inclusive por nós, que temos muito pouco tempo para experimentar estas dezenas, senão centenas, de jogos novos.

De acordo com a enchente referida no título, Frogotten Games lançou British Weather Simulator, um jogo de plataformas no qual o clima muda a todo o instante. Esperemos que depois da tempestade, venha a bonança... Pode aqui ser descarregado.

O mesmo Frogotten Games lançou Air Traffic Controller, um jogo que nos coloca como oficial de tráfego aéreo. O jogo tem uma versão básica, que pode aqui ser descarregada, e uma versão estendida, paga.

Revive8bit lançou Let's Go for Vrouves. Gráficos extremamente confusos, tornam o jogo desinteressante. Aliás, o que aqui está, já foi feito sem ser à pressa, sem IA, e muito melhor, em Full Spectrum Defence. De qualquer forma, podem aqui descarregar o jogo. Foi pena, o potencial estava lá.

Gabriel Cuesta lançou Bloqtrix, um Tetris diferente, para quem gosta de puzzles. Podem aqui descarregá-lo, muda a perspectiva de Tetris, mas não temos a certeza que seja inteiramente do nosso agrado. No entanto, segundo o autor não usa IA, pelo que ganha alguns pontos.

Do Concurso Aventura 2026, de Bytemaniacos, chega La Multinacional, a nova aventura de texto  de  Juanma2K. Teremos que ver noutras núpcias, o tempo é escasso e estando a aventura em Castelhano, consome-nos um pouco mais de tempo, que por agora não temos.

Escape RC é mais uma variante dos jogos de labirintos, de Juan Eguía, podendo aqui ser descarregado. Fica a questão: quantos jogos do género surgiram nos últimos tempos? A grande vantagem é que este, segundo o seu autor, foi desenvolvido sem recurso a IA, e nem que fosse apenas por isso, valeria a pena dar uma espreitadela.

Fava, que parece estar numa competição para ver quem cria mais jogos com IA para o ZX Spectrum num curto espaço de tempo, independentemente da qualidade ou dos bugs que existam, tem o seu novo jogo pronto, Pitfall. Pode aqui ser descarregado. 

E se um Pitfall já era demais, dois Pitfalls então... Anthonello Phallani lançou Pitfall II. Pode aqui ser descarregado.

The Holdout é um jogo em BASIC criado por Pterid a fazer lembrar os tempos da famosa cassete de 50 jogos da Cascade. Nada de errado com isso, o jogo pode aqui ser descarregado.

Zikitrake tem estado a fazer alterações a jogos como Exolon ou Solomon's Key, tentando melhorar a jogabilidade e longevidade. No caso do segundo, foi aumentado o número de níveis, passando de 17 para 41. Podem aqui ver os seus jogos.

Mintee Golf, de Boingball, traz o mini golfe para  ZX Spectrum, muitos anos depois de Mini Putt, que até era bastante jogável e divertido e isento de bugs. Ao contrário deste, que pode aqui ser descarregado.

Ghost's Revenge, traz de volta o tema de Pac-Man. Mas desta vez somos um dos fantasmas, que tenta capturar Pac-Man. Pelo menos a dinâmica muda. Podem descarregar aqui este jogo de Gabriel Cuesta.

Deixamos ainda um repto aos programadores: que tal testarem os jogos antes? Imaginam o aspecto que dá, saírem dezenas de jogos por semana, uma boa parte deles incompletos, com partes roubadas de outros criadores, cheios de bugs, etc.? É que isto não é uma competição para ver quem lança mais jogos por semana... 

Por agora é tudo, prevemos chuvas diluvianas para o Halloween. Pelo menos aqui por Portugal está tempo de Verão, e quem for à praia, não se irá arrepender...

The Rubber-Keyed Wonder: The Sinclair ZX Spectrum Story!


Temos novidades sobre The Rubber-Keyed Wonder: The Sinclair ZX Spectrum Story!

A campanha do livro está na fase final mas tem ainda um objetivo: tentar chegar às 110.000 libras. Se for atingido, haverá um novo capítulo dedicado ao Museu LOAD ZX e a alguns tesouros do seu arquivo!

Neste capítulo adicional vamos explicar porque é que o primeiro museu do mundo dedicado ao ZX Spectrum abriu em Portugal e revelar algumas histórias menos conhecidas que temos vindo a preservar.

Vamos viajar pela história da Timex, de Dundee a Portugal e mesmo à Argentina, explorar alguns artigos especiais do nosso arquivo, incluindo documentos pessoais de Sir Clive Sinclair que em Maio de 2026 a sua família confiou ao nosso museu para preservação digital. Entre estes documentos, uma apresentação de 1984 com previsões sobre o futuro da tecnologia móvel; mas também documentação sobre a bicicleta eléctrica em que Sir Clive estava a trabalhar em 2021, aquando do seu falecimento e cujo protótipo está hoje à guarda do Museu LOAD ZX.

Um capítulo não chega para contar tudo o que existe no nosso arquivo, mas será uma pequena janela para algumas destas histórias e para o trabalho de preservação que fazemos no museu. E quem sabe, o embrião de algo maior a lançar no futuro.

Podem apoiar o projecto aqui.

Interzone


Depois de Magenta Sky e Welcome 2 the Machine, Radical Reflux traz-nos o terceiro episódio da série u_nvrz, desta vez com o título Interzone. Logo pelo nome, traz-nos à memória a série literária de William Burroughs, ou mesmo o filme Naked Lunch, um dos nossos preferidos e baseado numa obra do referido autor. Ainda antes de jogar já prevíamos estar perante algo muito fora da caixa.

E se os dois primeiros capítulos já nos tinham apresentado um universo bastante peculiar, a verdade é que esta nova aventura representa uma mudança significativa na forma de jogar. Esqueçam a dinâmica dos antecessores: agora temos pela frente um mundo aberto, de grandes dimensões, onde a exploração e a superação de diversos desafios são fundamentais para descobrir o que realmente se esconde por detrás do misterioso projecto u_nvrz.

A história retoma então as aventuras de Clark, que, depois de escapar ao cativeiro da u_corp, descobre alguns segredos inquietantes. De regresso junto dos rebeldes, fica a saber que o enigmático Master se esconde num antigo mundo virtual abandonado. Cabe-nos, por isso, partir à sua procura, aventurando-nos pela Interzone e tentando desvendar toda a verdade. É uma continuação que aprofunda o universo criado nos episódios anteriores, mantendo o ambiente misterioso que caracteriza a série, e já a dar o mote para o próximo episódio. Sim, não acreditamos que isto se fique por aqui...

Uma das grandes novidades está precisamente na liberdade de exploração, pois podemos caminhar livremente por este "open world", como o próprio programador o define. A aposta é assim numa experiência bastante diferente, com um mundo mais vasto e inúmeros obstáculos pelo caminho, desde a fauna, a flora, até às condições climatéricas. Vê-se assim uma mudança de abordagem ,que dá uma nova vida à série e que demonstra a vontade de Radical Reflux em não se limitar a repetir fórmulas já utilizadas. 

Pelo contrário, num mundo onde a IA começa a ser norma, o programador inova, cria um jogo diferente daquilo a que estamos habituados e surpreende-nos pela positiva. Bem, na realidade já tínhamos gostado bastante do episódio anterior, onde Radical Reflux demonstrava já, não só o seu potencial ao nível da programação, mas também a criatividade e a competência para fazer um jogo absorvente e que puxa o jogador. No fundo, conseguia colocar alma no jogo, algo que infelizmente (ou felizmente) não se consegue ver nos jogos criados exclusivamente com IA.

Outro dos pontos altos é a componente sonora, com música hipnótica da autoria do sempre competente Alone Coder, que volta a demonstrar o seu talento e contribui decisivamente para a atmosfera do jogo. E há ainda uma pequena surpresa para quem descarregar o lançamento: um comic em PDF, intitulado Road to INTERZONE, que nos dá a conhecer alguns dos acontecimentos que antecedem este terceiro episódio. Um mimo que ajuda a contextualizar a aventura e que merece ser lido antes de começarmos a jogar.

Desenvolvido com o MPAGD, Interzone está disponível em versões para 48K (sem música) e 128K (com música). E apesar de ainda termos tido um pequeno cheirinho do jogo, este de certeza que iremos levar até ao fim. O nosso conselho é fazerem o mesmo, para isso bastando vir aqui descarregar Interzone, não se esquecendo de deixarem a vossa contribuição a este prometedor (e real) programador.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

The Curse of Dusarlyn

Depois de há mais de seis meses a Retroworks, através de El Spectrumero Javi Ortiz ter dado um lamiré daquilo que iria lançar nos meses seguintes (ver aqui), e há pouco tempo ter lançado o fantástico Shadows of Belial, eis que regressa com The Curse of Dusarlyn, um dos títulos que tem vindo a preparar nos últimos tempos (na realidade, desde 2020, quando o seu autor começou o  desenvolvimento). 

O jogo é da autoria de José Juan Ródenas, mais conhecido por Sejuan, e leva-nos para um universo de fantasia medieval, onde nem tudo é o que parece e onde a exploração é fundamental para conseguirmos avançar. Ao contrário dos jogos em que basta avançar e eliminar tudo o que aparece pelo caminho, neste jogo é necessário prestar muita atenção a tudo o que se passa à nossa volta. 

A história tem muito conteúdo, tal como é habitual nos trabalhos da Retroworks. Assim, o reino de Dusarlyn caiu há muito nas mãos de Pithá, lar da temível Guilda dos Necromantes. Mas a história ainda está longe de terminar. Vamos então acompanhar Wëanor, príncipe de Kotheras, e Fynar, um feiticeiro que passou toda a vida entre os muros da guilda, dedicado às artes negras. Pelo meio, temos uma misteriosa esfera, a Kishá, cujo poder mantém os três reinos sob o domínio dos necromantes.

A aventura leva-nos então a explorar o reino e a descobrir o que realmente aconteceu, alternando periodicamente entre os dois protagonistas, personagens verdadeiramente antagonistas. E atenção, pois as acções de um terão consequências directas para o outro. Cabe-nos desvendar os segredos do passado, conhecer a lenda de Vaderetro e perceber se será possível quebrar o domínio da Kishá. 

Os diálogos com as personagens que vamos encontrando revelam pistas essenciais para se descobrir como ultrapassar certos obstáculos e resolver os quebra-cabeças. Há assim que ler com atenção os textos e tentar perceber o que nos dizem, sendo isso tão importante como explorar cada recanto. Existe, portanto, uma dinâmica um pouco diferente de outras aventuras, pois obriga-nos a pensar antes de agir. É uma abordagem que poderá agradar particularmente a quem gosta de aventuras em que a progressão não depende apenas da destreza com os dedos, mas também da capacidade de relacionar informações e descobrir o que fazer a seguir, isto é, usar as nossas celulazinhas cinzentas, como o nosso amigo Poirot costumava dizer (e como nós costumamos citar).

José Juan Ródenas não é, de resto, um estreante nestas andanças. O programador esteve ligado a Vade Retro, outra aventura da Retroworks para o Spectrum. A experiência acumulada e o tempo dedicado ao desenvolvimento de The Curse of Dusarlyn, assim como aquilo que já vimos, nomeadamente neste novo directo de Javi Ortiz (ver aqui), deixam boas razões pensarmos que vamos estar perante mais um excelente jogo. As primeiras impressões são excelentes, e estas raramente nos enganam...

The Curse of Dusarlyn é então mais uma demonstração de que a Retroworks continua a apostar em produções originais para o ZX Spectrum, e também uma lufada de ar fresco, agora que 90% das produções utilizam IA, e uma boa parte dessas, são apenas lixo. Não é aqui o caso, pelo que vos convidamos a virem aqui descarregar The Curse of Dusarlyn. Quanto a nós, iremos na próxima semana jogá-lo intensamente, para já ainda ficámos com um pequeno aperitivo...