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sábado, 29 de agosto de 2026

Silk Road Trader


É com grande contentamento que vemos novos géneros, ou menos habituais, a serem explorados no ZX Spectrum (é notório que a comunidade já se encontra um pouco saturada de tanta aventura de texto e jogo de plataformas, uma boa parte sem elementos distintivos uns dos outros). 

É então o caso de Silk Road Trader, que recria a Rota da Seda e coloca-nos na pele de um comerciante, que tem que gerir recursos e os seus animais, sobreviver nas perigosas estradas e ser hábil nas negociações. 

Podem aqui descarregar Silk Road Trader, um jogo que vamos explorar nos próximos dias. E não se esqueçam de deixar a merecida contribuição ao seu autor, até porque termos mais jogos "fora da caixa", como os que ele costuma desenvolver.

sábado, 4 de julho de 2026

President


Nome: President
Editora: Addictive Games
Autor: Kevin J.M. Toms
Ano de lançamento: 1987
Género: Estratégia
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48K
Descarga: Aqui

Quando se fala em Kevin Toms, há duas coisas que imediatamente nos vêm à memória: Football Manager e a sua fotografia com a famosa barba na capa desse mesmo jogo. Mas para nós, Kevin Toms é também sinónimo de um dos jogos, que a par de Formula One, mais jogámos no ZX Spectrum nos anos 80: President.

Também sabemos que existe muita gente que não conhece este jogo. Sendo de gestão / estratégia, um estilo que pode ser considerado como de nicho, não ajudou a que se tornasse mais conhecido. E convenhamos, as reviews nas revistas especializadas na altura também não foram as mais famosas ou mesmo justas. A Sinclair User deu-lhe 4 em 5, e a Your Sinclair 7 em 9. Parece-nos adequado. No entanto, a Crash deu-lhe uns míseros 29%, o que diz mais de quem analisou o jogo, do que do próprio jogo em si. O mesmo tipo de críticas tinha sido feito precisamente a Formula One, mostrando que não se deram ao trabalho sequer de explorar estes jogos em todas as suas vertentes. Mas isto pouco interessa agora, portanto vamos ver como President resistiu à passagem do tempo.

O jogo coloca-nos na pele de Presidente de uma país, numa história já antes vista em Dictator, do saudoso Don Priestley. E as semelhanças não se ficam apenas pela história, porque a própria dinâmica é muito semelhante. Simplesmente que, enquanto nem Dictator podemos acabar o jogo às mãos de uma revolução, em President tudo se desenrola em ciclos de 24 meses, sendo o período no qual quando decorrem as eleições. E tal como em Dictator, em cada mês (turno) existe um certo número de acções a realizar e estas são sempre as mesmas. Vejamos assim cada uma delas...

O nosso país tem crude, esse bem, não muito escasso, mas que tanta guerra (e poluição) provoca em todo o planeta. A par da indústria do armamento, é aquela que mais miséria humana e mortes provoca, e, como tal, é muito bem representada no único ecrã de Presidente que apresenta alguns gráficos. O nosso país é então representado através de uma grelha na qual podemos colocar as nossas peças ou recursos (uma por turno). Não só as culturas agrícolas (são de três tipos), como os oleodutos (necessita de poço, armazém e cisterna + rede de estradas), mas também os sistemas anti-aéreos e tanques de guerra. Por outro lado, o país vizinho, nosso inimigo, através dos seus tanques, tenta destruir o nosso armamento e infraestruturas. Eventualmente poderá haver raides aéreos e quando isso acontece, destroem todos os taques que cruzam o caminho, seja nosso ou do inimigo. Os tanques têm uma força de 1 a 10, que aumentam a cada turno que passa, desde que não sejam destruídos, claro. Se destruirmos tanques inimigos, a nossa popularidade aumenta 2%, no entanto, se perdermos tanques, decresce na mesma proporção.

Os recursos têm obviamente um custo e convém também não levar o país à bancarrota. Daí a importância de gerir muito bem os stocks de crude, mas também os recursos agrícolas. A estes últimos, já lá iremos.

As reservas de óleo são importantes, pois permite-nos vender os stocks no mercado e colocar a balança de pagamentos em terreno positivo, ou, tão ou mais importante, obter contratos de fornecimento com outros países, normalmente com condições mais vantajosos a nível financeiro. Mas também a nível da popularidade, pois sempre que cumprimos com os termos de fornecimento de um contrato, ganhamos mais 1% de popularidade (se o contrato for cancelado, perde-se 1%, uma vez que é a nossa imagem que está em jogo).

Segue-se outro dos elementos muito importantes do jogo: a saúde da população. Esta varia de acordo com a escassez ou abundância de alimentos (arroz, cereais e fruta - arroz é um cereal!!!!). E as necessidades alimentares da população estão directamente relacionadas com as infraestruturas petrolíferas existentes no terreno. É assim extremamente importante, antes mesmo de pensarmos em fazer dinheiro com o crude, satisfazer as necessidades alimentícias da população, doutra forma, a nossa popularidade começa irremediavelmente a descer. Estando a população bem alimentada e sem epidemias, a percentagem de popularidade sobe, havendo fome, ou doenças descontrolados e epidemias, naturalmente desce.

Por fim, podemos ainda negociar com ouro, comprando quando o valor está em baixo, vendendo quando está elevado. Podemos ir antecipando, e até manipulando, as flutuações de mercado, e ganharmos aqui dinheiro suficiente para conseguirmos ir mantendo o nosso país com superavit. Se a balança de pagamentos for positiva, ganhamos mais 1% de popularidade, se for negativa, perdemos 1%.

Entre cada decisão, é mostrada uma sondagem com a percentagem de votação em cada um dos três partidos existentes, o nosso, os moderados e os extremistas. E depois de cada turno, voltamos ao ponto de partida, passando por todas as decisões novamente.

No final dos 24 meses, chega-se então ao climax, ou seja, as eleições. Nessa altura, consoante a nossa popularidade, vemos os votos a irem para o nosso partido ou para os partidos adversários. Ganhando a eleição, temos mais um ciclo de 24 meses para decidirmos o futuro do país. Doutra forma, o nosso mandato termina de forma inglória.

Vamos ser sinceros, o jogo tem algumas limitações. E já nem falamos das teclas (mal) escolhidas e sem possibilidade de serem redefinidas. Na fase do tabuleiro de jogo, os tanques são seleccionados sempre na mesma ordem, levando muitas vezes a que uma determinada unidade fique encravada entre tanques que apenas conseguiremos mover mais à frente. Os raides aéreos são injustos, na medida que eliminam amigos e inimigos. E as decisões a tomar acabam por ser um tanto ou quanto monótonas, pois existe pouca variabilidade.

No entanto, gostamos muito desse jogo, tanto que foi dos poucos que nunca deixámos de jogar até aos dias de hoje. É verdade que é um género que nos atrai bastante, mas a dinâmica encontra-se muito bem conseguida, e consegue-se fazer um ciclo de 24 meses em cerca de uma hora, sem regras ultra complexas ou grandes momentos mortos. Sabemos que não é um jogo para todos, mas mesmo quem não gosta do género, deve dar-lhe uma espreitadela. Pode ser que se surpreendam...

terça-feira, 16 de junho de 2026

War for the Ring


Ora aqui está um jogo à nossa medida e com uma história bem curiosa pelo meio. Assim, o seu autor, Lawlord, nos seus tempos de escola, desenvolveu um jogo inspirado em Tolkien e na trilogia do Senhor dos Anéis. Entretanto a cassete desvaneceu-se com o tempo, e com ela a única cópia do jogo. permanecendo apenas na memória do criador (do jogo). E foi com base nessas memórias que Lawlord recriou War for the Ring, tal como teria sido a versão original.

O jogo é um dois em um, pois conjuga a vertente estratégica (wargame), com a vertente de arcade, nomeadamente durante as batalhas. Não é pioneiro nesse aspecto, pois existiam vários jogos a misturar as duas vertentes, talvez o mais famoso, Theatre Europe.

A acção é passada, tal como se esperaria, na Middle Earth, ou não fosse baseada no universo de Tolkien. A vertente de arcada não é, de todo, a nossa predilecta, mas permite que quando dois exércitos se encontram, se possa lutar corpo a corpo, usando o escudo e atacando em tempo real, invadindo muralhas e as portas durante o cerco, ou apenas deixar que a superioridade numérica resolva a situação.

Também existem personagens reais (dos livros) como comandantes a liderar os exércitos, tendo cada um poderes únicos, as suas próprias missões e um impacto real nas tropas que comandam.

Por fim. as missões são baseadas nas história da lenda, tendo como personagens Gandalf e Balrog, o Rei Bruxo e os Nazgûl, os Barrow-downs e as suas Espadas, Erebor & Smaug, os Hobbits que despertam os Ents, o Portão Negro e muito mais.

O objectivo de War for the Ring é escolher os Povos Livres ou a Sombra (contra um amigo ou contra o computador, existindo quatro níveis de dificuldade). Os Povos Livres vencem o jogo se conseguirem levar o Anel até à Montanha da Perdição ou através da vitória militar, enquanto que a Sombra vence se destruir a Irmandade do Anel ou conquistando o Oeste. 

Toca então a marchar com os exércitos pela Middle Earth, recrutar tropas nas cidades, liderá-las com os comandantes e vencer as batalhas contra o inimigo.

Este é então um jogo por turnos, mesmo ao nosso gosto. É gratuito, podendo aqui ser descarregado. Nos próximos dias já iremos explorar devidamente War for the Ring.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Ayuntamiento Simulator


Peguem numa pitada de Elecciones Generales, uns pozinhos de Election e mais uns pirlimpimpins de Dictator e até de Sim City, e o que temos? Temos Ayuntamiento Simulator, o mais recente jogo a sair com a revista MicroHobby (número 225), desenvolvido ppor Gd49Games. E que belo jogo, mesmo à nossa medida, pois sempre adorámos estes desafios de estratégia e gestão de recursos.

O jogo coloca-nos na pele de um Presidente de Câmara de uma cidade com três grandes zonas, o Centro, a periferia e o polígono industrial. Em cada zona temos que ir construindo facilidades e atracções por forma a conseguir manter a população existente satisfeita e, se possível, captar novos habitantes (cada facilidade origina um aumento do número de habitantes). Quanto mais população, mais receitas com impostos, que podemos então aplicar em melhoramentos na cidade. Estão agora a ver a relação com Sim City, apesar  do jogo ser apenas em texto corrido, não é?

Cada facilidade tem um custo, quer de construção, quer de manutenção. E como um verdadeiro Presidente de Câmara, temos que obter os meios para conseguir fazer obra, de preferência sem levar a Câmara à falência. Existem várias formas de se obter dinheiro e o mais fácil é o de aumentar os impostos. Mas também podemos pedir dinheiro ao banco ou até obter fundos através da corrupção, alimentando uma caixa azul. Cada uma dessas opções tem os seus prós e contras, obviamente, mas a elas teremos que recorrer mais tarde ou mais cedo, se queremos voltar a ser eleitos. Não é preciso dizer que qualquer parecença com a realidade no que toca à caixa azul, pelo menos a do nosso país, é pura coincidência.

No final de cada turno é feito um pequeno resumo do mês no periódico, por vezes com ocorrências nefastas (desastres), e menos vezes ocorrências positivas (oportunidades).

Se conseguirmos chegar ao quadragésimo oitavo mês sem rebentar com as finanças da cidade ou sermos destituídos por manifesta incompetência, temos direito a participar nas eleições. Vencê-las, isso é já outra história...

O jogo é muito interessante, mas convém antes ler o manual de seis páginas que o acompanha. Para já existe apenas versão em Castelhano, mas estamos convictos que mais tarde ou mais cedo irá aparecer a versão em Inglês. 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Darkish Room


E assim de repente, surge mais uma bela surpresa para o ZX Spectrum: A Darkish Room, a conversão de  A Dark Room, de Michael Townsend, num jogo no qual não se notam minimamente as limitações do computador.

O responsável por este jogo, que vamos explorar durante o fim-de-semana, foi Nate Taylor. Deixamos apenas duas sugestões que irão melhorar ainda mais A Darkish Room. A primeira, mesmo o jogo sendo bastante intuitivo, será fornecer um pequeno manual com algumas dicas básicas e as teclas a utilizar. A segunda será a possibilidade de termos uma fonte alternativa (ou caracteres maiores), pois nem sempre as teclas indicadas no lado esquerdo do ecrã são visíveis.

Podem vir aqui descarregar este interessante desafio e dar uma pequena contribuição ao seu autor, que bem a merece.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Venture 48K


Hoje é dia de jogos novos, e temos mais um, desta feita desenvolvido por Jason.

Venture 48K é um típico D&D, mas muito atractivo e simples. Parece-nos que foi desenvolvido com o MK1, no entanto, como não está assinalado, não temos a certeza. Independentemente disso, é mais um jogo que vai ser do agrado de todos aqueles que gostam de usar as células cinzentas e que pretendem algo mais que um simples arcade.

Podem aqui descarregar o jogo e dar uma pequena contribuição ao seu autor.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Tower 48 e Torment: Act 1


Estamos fora durante uns dias, mas não quisemos deixar de assinalar o lançamento de Tower 48 e Torment: Act 1, dois jogos completamente diferentes um do outro, mas vindos do mesmo autor: Haabb001.

O primeiro deles mete-nos a gerir um arranha-céus, e parece-nos bastante interessante. Tem um manual de 32 páginas para ler, pelo que pode revelar alguma complexidade.

O segundo dos jogos, Torment, é uma pura aventura de texto.

Serão jogos para analisar para a semana, mas entretanto podem aqui descarregar Tower 48 e aqui Torment.

sábado, 18 de abril de 2026

Elecciones Generales

 

Nome: Elecciones Generales
Editora: Juegos & Estrategia
Autor: Paco Martin (Francisco Martin), M.A. Hijosa
Ano de lançamento: 1986
Género: Estratégia
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Número de jogadores: 1
Memória:  48K
Link para descarga: Aqui

Quando éramos adolescentes, tínhamos uma apetência especial para jogos de estratégia e gestão, não sendo por acaso que foi essa a via académica que depois escolhemos e a carreira que abraçámos. E dentro desse género, um dos que mais jogámos, foi Elecciones Generales, embora nunca o tenhamos conseguido vencer. Aliás, ainda hoje em dia não conseguimos ganhar a eleição, não obstante as inúmeras tentativas que já fizemos. E a avaliar por aquilo que vimos na internet, não conhecemos quem o tenha feito. Mas já se sabe, os Espanhóis sempre fizeram os jogos extremamente difíceis...

Curioso que este jogo tenha feito parte de um magazine Espanhol, contemplando uma cassete com um jogo de estratégia e uma revista em formato papel, contendo as instruções do jogo. Este foi o primeiro número, e que saibamos, o único que contém um jogo original. Os números seguintes apresentam jogos de estratégia bem conhecidos, mas previamente lançados no mercado.

Em Elecciones Generales somos então convidados a fundar um partido político e a concorrer contra os pesos pesados, o PSOE, o AP e CDS. E percebe-se assim que seja tão difícil a um novo partido chegar e vencer as eleições, pois, como vamos vendo ao longo do jogo, esses três tubarões da política têm na mão os Media, vangloriando todos os seus feitos e actividades, por mais pequenas que sejam, enquanto que sobre o nosso partido, os Media apenas têm más notícias para dar. Além disso, o azar persegue-nos, como podem ver no ecrã abaixo, no qual são apresentadas as notícias após o fim de cada turno.

O jogo decorre em duas partes. A primeira a fase pré-eleitoral, a segunda já na fase de campanha eleitoral. E as opções disponíveis em cada fase, que decorrem por turnos, são diferentes, muito embora a mecânica seja muito parecida. Aliás, quem estiver habituado a jogos como Dictator ou President (mais tarde ou mais cedo também iremos fazer uma review deste jogo, que é um dos nossos preferidos), vai sentir-se como peixe na água.

Na primeira parte, as opções disponíveis são a contratação de delegados, a criação de sedes, financiamento, sondagem de opinião, fundar periódico e espionagem política. Podemos optar por ficar inactivos, mas isso é pouco aconselhado a não ser que o dinheiro já se tenha esgotado, e sem dinheiro não há palhaço, como se costuma dizer (e palhaços é aquilo que mais se aplica aos políticos)...

A contratação de um delegado deverá ser o primeiro passo, pois sem este, não se pode criar as sedes. Convém é ter o cuidado de que, assim que a sede esteja criada, fazê-lo deslocar para outra região, doutra forma, a probabilidade dele fugir com o dinheiro do partido é enorme (é mesmo uma inevitabilidade). 

Fundar periódico permite-nos ter um jornal a divulgar a nossa propaganda, no entanto, nem assim os Media em geral irão estar a nosso favor.

Financiamento subterrâneo é inevitável e há que o fazer nos momentos certos. No entanto, é preciso ter em conta que se descoberto, irá provocar um escândalo nacional e retirar-nos votos. Tal como se formos apanhados a fazer espionagem política...

Por fim, a sondagem de opinião permite-nos saber o estado das coisas em qualquer região ou a nível nacional, permitindo-nos canalizar recursos para as cidades nas quais queremos aumentar o eleitorado.

Toda a acção se desenrola através de um sistema de menus e submenus, alguns com ilustrações, como a de cima, que mostra o mapa de Espanha, incluindo as ilhas.

Finda a primeira fase, que decorre ao longo de 16 semanas (turnos), temos a possibilidade de gravar o ficheiro de dados, que depois será carregado na segunda parte. Quando esta começa, temos então outras opções, como seja, venda de sedes ou do periódico (significado óbvio e que permite angariar algum dinheiro para ser gasto em comícios), financiamento, sondagem de opinião, espionagem política (iguais à fase 1), e a realização de entrevistas.

As entrevistas permitem fornecer-nos informação útil para os comícios eleitorais, dando algumas temáticas nas quais o eleitorado tem uma opinião favorável ou desfavorável. Podemos assim moldar os comícios à vontade do freguês, dizendo-lhes apenas aquilo que gostam. Se é verdadeiro ou falso, isso pouco importa, pois assumimos que o eleitorado é manobrável e pouco inteligente.

Durante os comícios as questões vão-nos sendo apresentadas e temos que indicar se somos a favor ou contra. O eleitorado vai reagindo favoravelmente, desfavoravelmente, ou apenas neutro, sendo o resultado medido através de um termómetro. Os comícios, tal como seria de esperar, são a acção mais importante da segunda fase e aquela que vai definir o sentido de voto dos eleitores e os melhores ou piores resultados do nosso partido.

No final de cada turno, surge novamente o rescaldo da semana, com a já (nessa altura) odiada apresentadora de TV a elogiar amplamente os outros partidos e a arrasar o nosso. 

No final desta segunda fase, que decorre ao longo de sete semanas, são apresentados os resultados eleitorais, quer em número de votantes, quer em número de palhaços... deputados... E os resultados são normalmente aqueles que se esperam, num processo que à partida se encontra inquinado. No fundo, este jogo representa muito bem o processo eleitoral em países como Espanha e Portugal, cujas diferenças são muito pequenas.

Deixamos então algumas dicas para quem se atrever a defrontar os tubarões:

  • Delegados são parasitas, é colocá-los numa cidade, fundar a sede, e correr con eles o mais rápido possível.
  • Privilegiar as grandes regiões como Madrid ou Barcelona, pois é ai que se vai definir a eleição.
  • Utilizar todos os financiamentos, mas devidamente espaçados. E começar pelos maiores.
  • Na segunda fase, vender o periódico para se conseguir dinheiro. 
  • O foco na segunda fase são os comícios. Fazer primeiro entrevistas, para saber as temáticas a favor e contra do eleitorado. Um mau comício é um tiro no pé.
  • Não desmoralizar, o jogo é tendencialmente a favor dos partidos do sistema, funcionando como uma sátira política. Se conseguirmos ser o primeiro em número de votos, já pode ser considerado uma vitória.
Elecciones Generales é então um jogo fundamental para todos os aficionados da estratégia e gestão. E embora estando em Castelhano, o que não é um problema para nós, Portugueses, mas mesmo quem não domine a língua, as opções são bastante intuitivas e permite que se perceba minimamente o que se está a fazer. De qualquer forma, este é daqueles jogos que mereciam ser traduzidos para Inglês. Talvez por ser um género mais de nicho, e o jogo ter passado despercebido nos restantes países que não Espanha e Portugal, nunca nenhuma editora Inglesa lhe tenha querido pegar (provavelmente nem nunca o conheceram).

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Football Manager Revisited: International Edition

Não, não é mentira de 1 de Abril, até porque logo de manhã já tínhamos deixado uma brincadeirazinha e não iríamos repetir a dose. Kevin Toms, "the guy with the beard", responsável por Football Manager (1982), Football Manager 2 (1988) ou Football Manager: World Cup Edition (1990) - Football Manager 3 não foi desenvolvido por si - está de volta. E claro, não poderia faltar a sua cara nesta nova edição, tal como acontecia nos jogos que lançava nos anos 80.

Somos fãs confessos de Kevin Toms, não só do seu franchise de Football Manager, que jogámos até à exaustão, mas também de Software Star e, especialmente, President, um dos jogos que mais tempo dedicámos nos anos 80, e mesmo muito depois de o ZX Spectrum ter tido o seu ocaso. Aliás, este jogo foi mesmo um dos responsáveis por termos voltado a este computador em 2003. Assim, qualquer trabalho que tenha a sua chancela, é garantia que lhe iremos dedicar o máximo de atenção.

Por outro lado, este novo jogo é baseado na versão criada por Glen Anderson, que desde 2012, usando a estrutura original de Football Manager, a cada ano que passa adiciona novas funcionalidades, além de actualizar equipas, campeonatos, etc.. Não falta sequer o campeonato Português, com os clubes que participam nas duas principais ligas nacionais, um editor de campeonatos e dois manuais de instruções com mais de 50 páginas. Se não conhecem, vale a pena virem aqui descarregar o jogo nas suas várias versões.

Quanto a esta nova versão, a International Edition, surge em ano de Mundial. Não poderia assim aparecer em melhor altura, pois temos oportunidade de pegar nas 48 equipas que participam no campeonato que decorre daqui a umas semanas e tentar levar a nossa equipa a ganhar e levar para casa a tão ambicionada taça (visível no ecrã final, se vencermos o torneio). Além das 48 equipas que participam no campeonato, o jogo inclui também mais de 1.000 jogadores, com os nomes correctos. Isto é, quando pegam na selecção de Portugal, por exemplo, vão lá ver as nossas estrelas mais cintilantes, como podem observar no ecrã acima).

O primeiro passo será escolher a equipa que queremos treinar e escolher os jogadores que vamos levar para o Mundial. Se não quisermos ter este trabalho, o computador fá-lo-á por nós.

De seguida escolhemos o nível de dificuldade, de beginner a genius. como o original, a côr do equipamento e estamos prontos para aceitar, ou não, um primeiro jogo de preparação para o Mundial. Aceitando, temos acesso à equipa, podendo mudar jogadores, escolher o capitão, a táctica e o compromisso ao jogo, entre outras opções. Quem conhece o original, não vai aqui sentir qualquer dificuldade.

De seguida, e caso não dispensemos esta parte, aparecem os highligts do jogo, tal e qual como aparecia no original de 1982, embora com uns retoque a nível gráfico. Vemos assim uma equipa a atacar, outra a defender, e, por vezes, a bola a entrar na baliza. Confessamos que o sentimento nostálgico nesta parte é enorme, pois passámos horas e horas a olhar para esta animação e a torcer para que a nossa equipa marcasse golo. 

Aconselhamos a escolherem esta opção com os higlights, pois têm assim possibilidade de intervir a meio do jogo, quer a nível de substituições, quer a nível de táctica e da mensagem que enviamos para dentro de campo.

Acabando o jogo, é apresentada alguma informação relevante do mesmo (golos, cartões, etc.). Já não temos aquele longo tempo de espera dos resultados e da classificação, como acontecia no original. Mas é natural, pois o código apresenta agora muitas optimizações, mesmo sendo em BASIC.

Quanto ao menu principal, tem também muitas funcionalidades a que já estamos habituados: selecção da equipa assinalando as características dos jogadores (nível, energia, cartões, jogos realizados, golos marcados, fase do treino e mais uma série de indicadores que não constavam no original), jogadores lesionados, resultados, classificação, treino, etc. Existem algumas novidades, mas continua a ser tudo muito intuitivo.

Feito isto tudo, estamos então aptos para chegar à final do Campeonato do Mundo. Para isso, além de ter que terminar a fase de grupos em posição qualificável, seguem-se mais quatro jogos até se poder chegar à final. A grande vantagem é que com sete níveis de dificuldade, é possível até ao mais aselha ganhar a Copa...

O jogo vai ter uma edição física em breve via Midnight Brew. Esta vai conter muito material de interesse, fazendo jus a esta edição. Mas também é possível acederem à versão digital, para isso apenas necessitam de aqui virem (não se esqueçam de deixar a vossa contribuição).

Mantenham-se também atentos, pois em breve teremos muito boas novidades de Kevin Toms...

segunda-feira, 23 de março de 2026

La Batalla de las Matemáticas


O que acontece quando se junta um jogo de estratégia (vulgo "wargame"), com a matemática? O resultado é La Batalla de las Matemáticas. 

O jogo tem um carácter educativo, pois se acertarmos no resultado, temos permissão para avançar as nossas unidades (a azul). Não sabemos é se será assim tão educativo juntar isso, com batalhas e combates, mesmo que virtuais. De qualquer forma, é altamente original e vale a pena dar uma espreitadela.

Poderão descarregar aqui este jogo desenvolvido por Gamerd49.

terça-feira, 17 de março de 2026

Shiftex


Não se deixem enganar pela confusão que é o ecrã de carregamento de Shiftex, pois o jogo é bem melhor do que aquilo que se poderia pensar apenas olhando para essa imagem inicial. E num estilo que não é assim tão comum aparecer no ZX Spectrum.

O objectivo é chegar à porta de saída ao longo de 29 níveis. Para isso temos que escapar aos muitos inimigos que o tentam impedir. Alguns são perfeitamente estúpidos, mas à medida que vamos avançando nos níveis, a sua IA vai aumentando e colocando-nos em maiores dificuldades.

Segundo o seu autor, e acreditamos, o jogo é inteiramente desenvolvido em BASIC, o que o torna mais meritório. Isso nota-se na velocidade, mas em jogos por turnos, a sua importância é relativa.

Poderão vir aqui descarregar esta auspiciosa estreia de Anatolii no ZX Spectrum e dar uma pequena contribuição ao seu autor.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Planet Survival


Planet Survival é um jogo de gestão de recursos, aparentemente com um conceito muito simples, mas a exigir muito uso das células cinzentas.

O objectivo é conseguir escapar do planeta ode nos despenhámos. Para isso necessitamos de 10 galões de combustível, obtidos a partir da mineração. Mas a mineração exige tempo e, consequentemente, o uso de oxigênio, água e comida. Há então que encontrar o equilíbrio entre todos os elementos para conseguirmos cumprir com a missão.

Podem vir aqui descarregar este invulgar e interessante jogo, criado em 2018 e que entrou na competição CGC, agora disponibilizado ao público no itch.io.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Full Spectrum Defence


Nome: Full Spectrum Defence
Editora: Bitmap Soft
Autor: Tom Potter, J Olney, K McGrorty
Ano de lançamento: 2026
Género: Estratégia
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Número de jogadores: 1
Memória:  128K
Link para descarga: Em breve

Quando Tom Potter lança um novo jogo, sabemos desde logo uma coisa: vai ser inovador ou apresentar elementos pouco habituais. E é mesmo isso que se passa com Full Spectrum Defence, apesar de termos visto um ou outro jogo no ZX Spectrum com um conceito semelhante. No entanto, a maior parte dos jogos do género "Tower Defence", como por exemplo Kingdom Rush ou Defence Grid, destinam-se aos PCs e computadores mais modernos, onde o uso do rato, ao invés do teclado, potencia a forma de controlo e dinâmica da acção. 

Expliquemos então o conceito deste género de jogos conhecidos por "Tower Defence". Assim, o objetivo é defender o nosso território de vagas de inimigos, impedindo-o de chegar às saídas. Isso acontece colocando estruturas defensivas (as torres) ao longo dos caminhos por onde os inimigos transitam. As estruturas são geralmente bastante variadas, cada uma com características diferentes e mais ou menos apropriadas para inimigos específicos. Essas vão disparando automaticamente com uma certa cadência, fazendo depois uma pausa de alguns segundos antes de voltarem a disparar, e como os inimigos são muitos e também variados, isto significa normalmente construir uma variedade de estruturas diferentes que servem para bloquear ou atacar os diferentes inimigos, no entanto, cada torre tem um determinado custo, pelo que é necessário fazer-se uma gestão muito eficaz dos recursos. Não só é fundamental colocar as torres nos locais mais propícios a fazer estragos nos inimigos que surgem, como é preciso definir o tipo de torre que se pretende. Uma gestão menos eficaz dos recursos, condena a missão ao insucesso.

Em Full Spectrum Defence existem seis tipos de torres e perceber os danos que provocam em cada um dos inimigos é fulcral, assim como perceber que tipos e que quantidade de inimigos vão aparecendo em cada nível. Isso quer dizer que geralmente, as primeiras tentativas em cada nível, destinam-se a tentar definir o tipo e o local onde vamos colocar as torres, por forma a fazer mais mossa nos inimigos. Felizmente que Full Spectrum Defence permite reiniciar o nível o número de vezes que quisermos, pelo que não temos que ter receio de não cumprimos com a missão às primeiras tentativas. Não existem assim mortes prematuras.

A primeira torre, a "gun", é geralmente uma das quem mais mais. É aquela que provoca grandes estragos nos "flyer", pelo que é bom não desprezar este tipo de estrutura. O nível de dano que provoca a aos inimigos, somando-se cada um deles, é de 10.

A torre "zap" é particularmente eficaz para os "armor". No entanto, é ineficaz para os "flyer". O nível de dano acumulado é de 6, bastante inferior ao da torre "Gun". Geralmente, nos níveis mais avançados, é importante colocar-se uma torre deste género, mas nos primeiros níveis é dispensável.

A torre "fry" é particularmente eficaz para os "bugs". Tem um acumulado destrutivo de 9 e é importante colocar-se uma nos níveis mais avançados.

A torre "saw" é uma das nossas preferidas, e que usamos com bastante regularidade. Indicada para dar cabo dos "bots", tem um poder destrutivo de 10. Chegamos a colocar duas nos níveis mais avançados.

Temos depois duas torres especiais, a primeira delas, "ice", muito importante, pois congela os inimigos durante alguns segundos, permitindo aumentar o dano infligido pelas torres, que têm assim mais hipóteses de atingir as vagas de inimigos. No entanto, os "flyer" são imunes a esta estrutura, assim como à segunda torre especial, a "bam", que lança uma bomba que cai aleatoriamente no raio de ação da torre, mas que tem um poder destrutivo bastante alto sobre todos os inimigos. Geralmente é fundamental ter uma nos níveis 8, 9 e 10.

Cada torre tem um determinado custo, e à medida que vamos avançando nos níveis, podemos fazer melhorias, aumentando o poder de fogo e a destruição causada por essas estruturas. Geralmente tentamos fazer o "upgrade" das torres, mesmo antes de aumentarmos o seu número (cada nível tem um limite máximo de estruturas que podem ser colocadas). Além disso, convém guardar dinheiro para as munições, pois as torres sem munições de nada valem, e estas têm que ser recarregadas de vez em quando (quando a torre se encontra prestes a ficar sem munições, começa a piscar).

Por fim, existe ainda uma capacidade extra: é possível disparar um míssil que provoca um poder destrutivo bastante grande ao redor do seu local de impacto. É fundamental utilizar quando o número de inimigos é demasiado grande ou quando um deles está prestes a chegar à porta de saída. Depois de utilizado, temos que esperar alguns minutos até poder voltar a ser utilizado, pelo que é fundamental escolher-se os momentos próprios para fazer o disparo. Este míssil pode também ter melhorias, aumentando o seu poder destrutivo.

Convém ainda saber o seguinte: as torres fazem o rastreio do terreno, iniciando no canto superior esquerdo para o canto inferior direito. É bom ter isso em conta, pois alguns inimigos são mais rápidos que outros e podem fugir por entre os pingos da chuva, isto é, não serem captados pelas torres.

No menu no canto inferior direito temos ainda informação na qual temos que estar bastante atentos. Não só indica o dinheiro disponível para se gastar (à medida que os inimigos vão surgindo, o dinheiro vai aumentando), o número de insectos que ainda podem chegar à saída sem a missão terminar prematuramente (esse número, consoante o nível de dificuldade que tenhamos escolhido, vai diminuindo), o tempo que já passou até se poder fazer novo disparo do míssil (quando atinge 100, está operacional), o número de vagas inimigas até se cumprir o nível e o número de estruturas que ainda é possível colocar-se no terreno de jogo.

Explicados os principais pontos que permitem perceber a dinâmica de Full Spectrum Defence, veremos então como se porta ao nível da sua jogabilidade. E aquilo que podemos assegurar é que neste aspecto está bastante bom. E note-se, apesar do jogo ter sido criado com recurso ao MPAGD, este género é tudo menos habitual em trabalhos desenvolvidos com esse motor, mais utilizado para jogos de plataformas.

A acção é frenética, pois além de termos que estar sempre atentos aos inimigos que vão surgindo, bem como à criação das estruturas, estas têm que ser mantidas em termos de munições, exigindo sempre um movimento constante do nosso cursor para nos apercebermos onde a próxima crise vai acontecer. Se alguma crítica temos a fazer neste aspecto, é o facto de nem sempre conseguirmos ser rápidos o suficiente para escolhermos a opção que pretendemos. Mas verdade seja dita, também não estamos a ver nenhum sistema de menus melhor do que aquele que Tom Potter desenhou, e uma coisa é certa, não vamos ter um minuto para descansar, sendo a função "pause" fundamental para conseguirmos estudar o terreno de jogo e respirar um pouco, especialmente assim que um novo nível é iniciado.

Os gráficos são meramente funcionais, mas também não se esperaria um grafismo muito elaborado. Nem seria necessário, e apenas interessa perceber o género de insectos e de estruturas que estão no terreno, de resto a acção é tão rápida que nem temos tempo para apreciar os cenários.

É importante também a inclusão de um sistema de códigos, pois existem 40 níveis (10 por cada grau de dificuldade), doutra forma teríamos que repetir os mesmos níveis sempre que voltássemos a carregar o jogo.

Full Spectrum Defence é então obrigatório para quem gosta de jogos de estratégia, mas também para quem aprecia um pouco de acção e dedo rápido no teclado. Irá estar em breve disponível digitalmente, mas também irá haver versão física através da Bitmap Soft. Mas como ainda poderá faltar alguns dias, porque não experimentarem os jogos anteriores de Tom Potter, agora disponíveis gratuitamente no itch.io: S.C.I.O.N. e Knightmare? Para isso basta aqui virem.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Gold Rush '94 -The Run for Bronze


Em 1994, a Suécia protagonizou uma das maiores sensações do futebol mundial, ao obter o terceiro lugar no Campeonato do Mundo. Apenas nos lembramos de algo semelhante quando a Dinamarca e a Grécia venceram, em momentos diferentes, venceram o Campeonato Europeu de Futebol, um deles de tão más recordações para todos os Portugueses. Pois agora, 2L8, permite-nos recrear essa caminhada da Suécia, quem sabe desta vez obtendo a medalha de ouro. 

O jogo é muito simples, trazendo à memória o velhinho Football Manager. Mas tal como este último, são estes jogos mais simples e rápidos (em 15 minutos completa-se um campeonato), que cativam aqueles que não são treinadores tão experientes (para os mais experientes, recomenda-se o Football Director, Double, ou Track Suit Manager, neste último caso, se quiserem tomar conta de uma selecção).

Depois de Manager de Futebol 2025, temos mais um desafio a incentivar todos os treinadores de bancada a virem para o tabuleiro do jogo. E é preciso não esquecer que o próprio Football Manager, todos os anos tem uma actualização.

Podem aqui descarregar Gold Rush '94. A única lacuna que apontamos é a pouco confortável selecção de teclas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Imperio de Akero


Imperio de Akero é a nova entrada no Concurso BASIC 2025. E desta vez estamos perante um jogo de estratégia e com alguma complexidade, o que nem é assim tão vulgar em jogos desenvolvidos através de BASIC puro.

Será jogo para experimentarmos quando regressarmos de férias (em breve vamos ficar sem wifi), mas até lá podem descarregar aqui este jogo criado por Borislav.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Racetrack Riches


Racetrack Riches foi desenvolvido por um programador que faz jus ao nome que utiliza: Bedroom Coder. Pois é mesmo de "Bedroom Coders" que se trata e vale a pena ler a história deste jogo que o autor deixa na sua página.

Também sabemos que os Britânicos adoram apostas, e depois de experimentarmos este jogo em BASIC, a vontade que nos dá é entrar no mundo das apostas. É extremamente simples, mas cativante, não faltando sequer a música de Manic Miner. Mesmo esta corrida de cavalos não vencendo os caracóis (ver aqui), não deixa de ser um vencedor, independentemente do resultado das nossas apostas serem mais ou menos ajuizadas.

Apenas uma nota, mas que revela o desconhecimento que temos deste mundo das apostas nos cavalos. Quando se vence a aposta, além de multiplicar o valor da aposta pela probabilidade, ainda se adiciona o próprio valor apostado. É mesmo assim?

Podem vir aqui descarregar o jogo e dar uma pequena contribuição ao seu autor, por esta aposta certeira...

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

SibCity


Jogo: Sibcity
Programadores: Andrew771
Género: Estratégia
Origem: Rússia

You are called to lead Tobolsk — the first city in Siberia, founded by Russians in 1587 at the confluence of the great Tobol and Irtysh rivers. It was here that the first stone church and the only kremlin east of the Urals appeared. Until the 20th century, it was the center of the Siberian Governorate, which once stretched from the Urals to the Pacific Ocean. Your task is to restore the city’s former glory and turn it into a modern metropolis. Build housing, infrastructure, transportation, and industry, and the population will grow, bringing wealth and prosperity to the city!

De todas as entradas na competição YRGB 2025, Sibcity foi de longe a que mais nos surpreendeu. De facto, ver novamente Sim City recreado no ZX Spectrum era algo que nos parecia como altamente improvável. Mas isso aconteceu, e talvez com o programador mais adequado para um jogo com estas características, ou não fosse Andrew771 o autor do motor Euphoria 2D, que permite desenvolver jogos de estratégia como este SibCity.

Além disso, este autor gosta, e bem, de dar um cunho mais pessoal aos seus jogos, introduzindo sempre elementos históricos relevantes, como aconteceu em Russian Railway Magnate, por exemplo. O mesmo acontece em SibCity, no qual tomamos as rédeas da gestão de uma cidade Siberiana (daí o título do jogo), levando a prosperar, ou a definhar, conforme a nossa arte para o ofício. É que isto de ser um bom Governante não é para todos, como está o nosso mundo recheado de infelizes exemplos.

A mecânica desenrola-se ao longo de um enorme mapa da região, que já vem com algumas infraestruturas básicas e uma população de meros 928 habitantes. A partir daqui podemos (e devemos) ir construindo as novas infraestruturas, subdivididas em cinco temas: habitação, infraestruturas públicas, transportes, indústria e recreação. Cada um destes temas tem depois uma panóplia grande de construções que podem ser escolhidas e que vão permitir captar mais população para a cidade. É fundamental encontrar-se um equilíbrio saudável em termos de emprego, ambientais, turismo, transportes, etc., doutra forma a população começa a fugir e, com ela, os seus muito importantes impostos. No final de cada ano, temos acesso a algumas estatísticas base, entre as quais as migrações da população e o resultado económico.

SibCity é bastante imersivo e serão necessários muitos dias para se conseguir preencher toda a região de uma forma equilibrada e sustentada. No entanto, comparativamente com Sim City (é inevitável fazer as devidas comparações), sentimos a falta principalmente de três coisas: eventos, que permitem quebrar a monotonia da accão, animações (por exemplo, vermos a forma como os edifícios se encontram povoados), e o som. Não fosse estes pormenores, e Sib City poderia ombrear com o seu irmão mais velho...

Pontos positivos: complexidade e originalidade, referências históricas, sistema de menus, jogo altamente imersivo, longevidade.

Pontos menos positivos: "Enter" para aceitar opções e "Space" para recusar é contra-intuitivo, ausência de som, eventos e animações.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Generals


Jogo: Generals
Programadores: Makurin Boris Vasilievich
Género: Estratégia
Origem: Rússia

"Generals" is a strategy game for 1–2 players. The goal is to capture all the Cities on the map. The player must explore the map, discover Cities, Mines, and Factories, capture them, build armies, wage war, and prove that they are the best General. To start the mission, press the "L" key.

Depois de Attack, Generals é o segundo jogo de Makurin Boris Vasilievich a participar na competição YRGB 2025. E sem conhecermos o processo de desenvolvimento deste jogo, diríamos que Attack terá sido criado em primeiro lugar, tendo depois sido aproveitado o motor para desenvolver Generals. Isto porque este último jogo é mais complexo e, com uma IA que nos parece mais refinada, constituindo um melhor desafio para os estrategistas, tendo assim bastante mais motivos de interesse e uma maior longevidade.

Aconselhamos a começarem pelo nível mais fácil, pois é através desse que vão apreender os conceitos do jogo. Se começam pelo nível mais difícil, sem antes terem "experiência de combate", podem contar com uma tareia das antigas.

Deixamos ainda algumas dicas, até porque as instruções, apesar de estarem no próprio jogo, não são inteiramente claras. Assim, em primeiro lugar deve-se criar unidades de infantaria de nível 1, isto é, perfeitamente dispensáveis. Com elas começam por explorar os recantos mais próximos da base. Se o mapa for favorável, até se poderá ter logo acesso a fábricas e minas, fundamental para se conseguir ir aumentando o esforço de guerra. Só se deverá começar a atacar o inimigo quando já tivermos unidades com nível mais elevado (o máximo é o 9), sabendo que estas demoram sempre mais tempo a serem criadas. Além disso, é fundamental obter-se as restantes unidades de combate, aviões, jipes, mísseis, etc.

Outra dica importante: quem ataca em primeiro lugar, tem vantagem. Não esquecer que a tecla "F" permite disparar, obtendo-se assim algumas vantagens em termos de batalha. De resto, é ir experimentando todas as opções, ajustando-as ao nosso nível de estrategista.  

Generals muito dificilmente irá ganhar a competição. No entanto, este é mais um daqueles jogos que para nós foi um prazer explorar. Não é todos os dias que temos wargames, e este, apesar de simples, está muito bem feito. Gostaríamos agora de ver mais jogos do género criado com esse motor e, quem sabe, ter missões com vários ecrãs.

Pontos positivos: Simplicidade, originalidade, capacidades adictivivas e viciantes, bom nível de IA, permite dois jogadores em simultâneo

Pontos menos positivos: Faltam animações, alguma lentidão

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Attack


Jogo: Attack (Ataka!)
Programadores: Makurin Boris Vasilievich
Género: Estratégia
Origem: Rússia

"Attack" is a tactical game for 1–2 players. Two armies — yellow and red — face off. The goal is to capture the enemy Headquarters or destroy their entire army. Players can collect weapon crates, plant mines, and use them to influence the course of the battle. Press 'R' key after victory for continue.

Além da grande qualidade dos jogos que concorreram ao YRGB 2025, outro dos aspectos que mais valorizámos nesta edição é a originalidade da maioria das propostas. Independentemente da linguagem com que os jogos foram criados, e em Attack até parece ser inteira ou maioritariamente em BASIC, os programadores esforçaram-se por criar desafios diferentes, como foi aqui o caso.

Apesar de parecer complexo, o jogo é bastante simples. Tudo se desenrola num único ecrã, simulando um jogo de tabuleiro. Existem dois exércitos, compostos por cinco tipo de unidades: soldados, tanques, aviões, canhões e mísseis. O que basicamente as distingue é o número de casas que se podem mover, excepto o canhão, que também pode disparar numa distância de três casas. Qualquer uma das unidades, quando entra em contacto com outra unidade inimiga, destrói-a, independentemente das suas características. E aqui reside um dos pontos menos favoráveis do jogo, pois basta um pouco de matemática e contar o número de casas, para se conseguir eliminar os exércitos inimigos, até porque a IA do inimigo não é particularmente elevada.

O menu inicial apresenta várias opções, embora uma ou outra seja um pouco confusa e não se perceba imediatamente qual o seu efeito no desenrolar da batalha. Aliás, as instruções no ecrã do jogo referem que para se vencer a batalha, basta eliminar os exércitos inimigos ou capturar a base adversária, mas isso não é verdade, pois mesmo depois de se eliminar todas as unidades inimigas, o jogo continua até colocarmos uma das nossas unidades na base inimiga. Seria aconselhável um maior cuidado e maior detalhe nas instruções, até porque os jogos de estratégia, nomeadamente aqueles que se desenrolam por turnos, como é aqui o caso, têm um público-alvo muito específico, familiarizado com as opções habituais neste género de jogo, mas o restante público, por vezes não interioriza imediatamente as mecânicas de funcionamento.

Após se vencer o adversário, surge uma imagem congratulatória, sendo que depois, poucos motivos existem para se jogar contra o computador. O passo seguinte será arranjar um parceiro com quem fazer as batalhas e acreditamos que aqui o desafio será bastante mais interessante.

Pontos positivos: originalidade, 2 jogadores em simultâneo, género menos habitual, simplicidade

Pontos menos positivos: informações pouco detalhadas, IA pouco evoluída, faltam animações, alguma lentidão