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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Bloodstone


Nome: Bloodstone
Editora: Red Triangle
Autor: Romancha, Jerri, DaRkHoRaCe
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 128 K
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Aqui

Kamran, o Furioso, o filho mais novo de Istvan Bassar, estava de pé nas margens da ilha de Eshvara. Os rumores eram verdadeiros: o Castelo da Pedra de Sangue não era um mito. Erguia-se por entre os ramos retorcidos da floresta em toda a sua majestade sombria, uma manifestação física de antigos pesadelos. As suas paredes escuras, estranguladas pela hera, pareciam quase vivas…

Era assim mesmo que o velho Istvan, Grão-Mestre dos Portadores da Luz e da Ordem dos Guardiões da Fenda, o descrevera. As memórias dos últimos momentos do seu pai inundaram a mente de Kamran. Nesse confronto fatal, quando a Escuridão quase os consumiu, Istvan conseguiu lançar um feitiço único sobre o seu filho. Agora, Kamran podia permanecer do lado da Luz, mesmo sem a sua alma - um preço terrível pela hipótese de continuar a luta.

Embora o seu coração já não bata e a sua alma repouse algures nas profundezas do éter primordial, a sua vontade permanece inabalável.

É desta forma heroica que nos é apresentado Bloodstone, o novo jogo de Romancha e que promete fazer ainda mais sucesso que El Bigotudo, que, recorde-se, obteve o segundo lugar no GOTY 2024, entre outras menções honrosas nas diversas categorias da cerimónia desse ano. Diríamos mesmo que Bloodstone é, até à data, o mais forte candidato a vencer o GOTY 2026. Veremos daqui a uns meses, pois até lá, muitas surpresas ainda poderão aparecer...

Mas vejamos de que se trata este jogo, que tem sido amplamente elogiado pela comunidade. Bloodstone é então uma aventura épica do género "metroidvania", sendo um digno sucessor de Castlevania: Spectral Interlude e The Sword of Ianna. Não contámos o número de ecrãs que compõem esta aventura, entre floresta, catacumbas e palácio / castelo, mas diríamos que se aproximam da centena e meia.

Independentemente da sua dimensão, o tempo de jogo útil rondará o dos outros dois jogos referidos, com novas zonas que se vão abrindo à medida que vamos recolhendo chaves, tarefas que nos são pedidas pelos Guardiões e que teremos que cumprir, única forma de obter objectos fundamentais para se completar a aventura (incluindo as chaves que abrem as portas e as runas que devem ser colocadas nos locais certos), muitos elementos escondidos nos cenários e que também ajudam no desenrolar da missão (é preciso tomar atenção a todos os adereços - experimentem dar-lhes uma estocada com a vossa arma, para ver o que acontece), entre inúmeras armadilhas e diferentes inimigos. Para terem a noção, para completarmos o jogo, deveremos ter estado não menos que oito horas a explorar tudo. E aparentemente ter-nos-á faltado ir a um local, embora tenhamos resolvido todos os puzzles.

Os inimigos são muitos e variados, cada qual com uma forma diferente de se lidar. Ao início, os nossos poderes ofensivos e defensivos são baixos, pelo que teremos que acertar inúmeras vezes nos adversários até estes serem destruídos. Isto confere também um certo elemento estratégico a este jogo, pois em determinadas zonas encontram-se inimigos mais poderosos e convém termos armas e defesas mais fortes quando os enfrentamos, sendo que é necessário delinear muito cuidadamente a rota a fazer. Ir prematuramente para certas zonas poderá ser suicídio. Mas à medida que vamos vencendo os inimigos, vamos adquirindo melhores capacidades.

Além disso, há que contar com inimigos que disparam (o nosso escudo defensivo não serve como bloqueio de alguns tipos de projecteis), outros que reaparecem uns segundos após serem eliminados, e ainda alguns especiais, como uma aranha gigante (ecrã acima) ou uma serpente marinha. Convém perceber de que modo se movimentam e quais as suas arma, por forma a se conseguir batê-los sem grandes perdas (a nossa energia é visível no ícone central na parte de baixo do ecrã). Lembrem-se, apenas temos uma vida... Mas além disso, no final do jogo surge um inimigo temível. Ou melhor, mais que um, pois toma diferentes formas. Nesse ponto, apenas os mais audazes e hábeis conseguirão chegar ao fim.

O método de combate, e também de salto, tem uma mecânica especial. Assim, como acontece na vida real, vamo-nos cansando. Se estivermos permanentemente aos saltos ou a dar estocadas com a nossa arma, vamos perdendo energia. Esta é medida de duas formas: no ícone inferior do lado esquerdo, existe uma espada que vai enchendo ou esvaziando à volta. Se estiver cheio, o poder da nossa arma é maior. Se estiver vazio, faz apenas cócegas aos adversários. A mesma coisa para o ícone que se encontra no canto inferior direito, quanto mais cheio, maior o salto. Se estiver vazio, não conseguimos dar grandes saltos, e isso pode ser a diferença entre conseguirmos escapar, ou não, a um inimigo. É fundamental temporizar muito bem estes dois elementos.

O nível de pormenorização de Bloodstone é algo inacreditável. Tudo foi pensado para que o jogador pudesse usufruir ao máximo da aventura, não faltando sequer um manual a fazer lembrar um pergaminho, contendo toda a informação que é necessário para se avançar na missão. Ao contrário de El Bigotudo, que era bastante enigmático e as instruções, propositadamente, não eram uma ajuda por aí além, em Bloodstone tudo é muito mais intuitivo. E quando não o é, os Guardiões e as restantes personagens que foram colocadas para nos ajudar, vão dando dicas importantes através dos diálogos que vão tendo connosco e que convém ler com toda a atenção (o conceito aproxima-se ao de Castlevania).

O manual refere igualmente todos os objectos que podem ser encontrados. Estes, depois de obtidos, são visíveis no ícone inferior direito. De qualquer forma, não é necessário estarmos preocupados com o que cada um representa, pois se estivermos na sua posse, nos locais indicados eles são imediatamente utilizados.

Os cenários e as animações criadas são um verdadeiro espanto, e que já seriam uma maravilha, se os ecrãs tivessem apenas fundos estáticos. Mas com fundos dinâmicos, os gráficos ganham uma vida e uma dimensão como nunca antes vimos no ZX Spectrum. Atente-se, por exemplo, no restolhar das folhas, sempre que as pisamos, no vento que vai trazendo pólenes quando caminhamos na floresta (ao início andávamos a fugir do pólen, até percebermos que era inócuo), ou até mesmo nos detritos que vão caindo das paredes do castelo, por vezes confundindo-se com pedras que também caem, mas que nesse caso fazem mossa no nosso personagem.

A música é outra pequena maravilha. Esta vai variando ao longo da zona em que nos encontramos, criando uma ambientação fenomenal. E até tem uma espécie de "Easter Egg", pois apesar do jogo ser para 128K, experimentem a carregar no modo 48K. Nada ficou ao acaso, a equipa de Bloodstone pensou mesmo em tudo.

Vamos ser sinceros, adoramos os jogos da Zosya, especialmente as suas aventuras, repletas de gráficos e animações também fabulosas. Neste aspecto, equiparam-se a Bloodstone. Mas a jogabilidade desta aventura é ainda maior. Desde The Sword of Ianna que não nos sentíamos tão envolvidos num jogo, como em Bloodstone. Bloodstone não é apenas um dos melhores, ou mesmo o melhor jogo deste ano. É um dos melhores de sempre do ZX Spectrum. Não podíamos ser mais claros, daí que a nossa nota apenas possa ser a que se encontra em baixo.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Bloodstone


Já saiu aquele que certamente era um dos lançamentos mais aguardados do ano, e que também será um dos candidatos a GOTY. 

O seu criador é Romancha e o seu portfolio fala por si, ou não tivesse sido El Bigotudo um dos grandes jogos de 2024, com grandes resultados no GOTY desse ano, além de White Jaguar, outro jogo amplamente elogiado e galardoado em vários certames.

Estamos com muita curiosidade acerca deste novo lançamento e contamos fazer uma análise mais alargada assim que nos seja possível.

Podem vir aqui descarregar esta aventura, que promete ser épica. O seu custo é de 5 euros e dá direito à versão digital mais melhorias futuras que existam.

sábado, 13 de abril de 2024

El Bigotudo


Nome: El Bigotudo
Editora: Red Triangle
Autor: Romancha, Jerri, MmcM, Shadow Maker, Oscar Martin Garcia
Ano de lançamento: 2024
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 128 K
Número de jogadores: 1
Descarga: Aqui

Quem andava com saudades dos jogos vindos do outro lado da cortina de ferro, tem agora motivos para deliciar-se com o novo trabalho de Romancha (White Jaguar) e companhia. E vamos ser sinceros, é o melhor jogo que vemos em muitos, muitos meses (talvez anos). Atrevemo-nos a dizer que supera mesmo Seraphima, Wonderful Dizzy ou Marsmare: Alienation, três dos melhores jogos que saíram nos últimos tempos. E falamos nesses três, porque duma forma ou doutra, têm semelhanças com El Bigotudo. Se por acaso são daqueles que dizem que tudo o que se faz hoje em dia não chega aos calcanhares dos anos 80 (nesse caso não sabem o que têm vindo a perder), poderemos referir mais dois jogos que também vêm à memória: Dan Dare e V, este último pelos muitos quebra-cabeças que vão encontrar durante esta aventura.

Da história do jogo já aqui falámos, além de que a página dos criadores tem a história e as instruções com maior detalhe, devidamente acompanhados de um curto, mas magnífico manual. Quando o folheamos pela primeira vez, ficamos quase na mesma. Isso não se deve a uma falha da equipa programadora, que desenvolveu um jogo magnífico e depois já não teve tempo (ou dinheiro) para elaborar um manual detalhado. Não, isso é totalmente propositado, pois a ideia é irmos explorando o jogo e desvendando os seus muitos segredos, dando o manual apenas algumas pistas. E só depois de muito explorarmos os corredores desta base alienígena, começamos a apreender na totalidade os esquemas que constam no manual. Ou talvez não, pois alguns são quase tão indecifráveis como os códigos de V ou Captain Blood.

O cuidado dos programadores neste lançamento estende-se à intro, a qual temos possibilidade de ver assim que carregamos El Bigotudo. Dá logo um cheirinho daquilo que vamos encontrar e apresenta-nos o herói desta aventura, um beberrão inveterado, que entorna cervejas e whisky, como as pessoas normais bebem água. Mas apesar disso, é valente, e mesmo tendo sido metido à força pelos alienígenas na sua base, vai fazer de tudo para regressar a casa. A propósito, o jogo tem vários finais e mesmo depois de o terminarmos, as surpresas não cessam...

Mas comecemos do início. Acordamos então na base alienígena, composta por cinco níveis ligados por um elevador, que além de servir de transporte, é também um local muito útil para nos escondermos dos robôs que patrulham os corredores. Há-os de várias formas e feitios, alguns são apenas zombies, que não ofereceriam perigo por ai além, não fossem aos magotes. Temos sempre a possibilidade de nos disfarçarmos de zombi, para isso vestindo a máscara que um indigente troca connosco, se lhe oferecemos o que ele pede. Esses são fáceis de identificar, normalmente estão encostados a um canto, com ar de quem estiveram a fazer companhia ao nosso herói nos copos. Além disso, normalmente pedem objectos a condizer, como tabaco ou facas. Mas dão-nos sempre algo muito útil em troca.

Mais chatinhos são os robôs, que periodicamente e se sentem a nossa presença, disparam. Além de serem de maiores dimensões que os zombies, e por isso mais difíceis de serem ultrapassados com um salto, patrulham normalmente pontos que têm armadilhas nas quais podemos cair, duplicando o perigo. Mas nada que três tiros bem dados não resolva, pressupondo que encontramos a arma e as balas.

Nos pisos inferiores existem ainda os guardiões robotizados, que disparam assim que entramos no seu raio de acção. Para esses, temos que estudar muito bem o caminho que fazem, por forma a evitá-los (a nossa arma nada pode contra eles).

Junta-se a este rol de monstruosidades, seres viscosos que se agarram aos tectos e caem quando menos se espera, engenheiros informáticos (no último andar) que deveremos saltar (não convém desperdiçar balas com estes), e ainda robôs com periscópio que se encontram no satélite, ao qual podemos aceder se encontrarmos um capacete e conseguirmos activar o elevador.

Poder-se-ia pensar que os inimigos e os muitos obstáculos que povoam os corredores são o nosso principal problema. Longe disso, pois ao final de algum tempo, já sabemos como contornar todos os perigos. O principal problema está nos muitos quebra-cabeças que vamos encontrando ao longo da aventura. E se para alguns, são dadas pistas ou até são problemas bem conhecidos das pessoas, como o da primeira imagem, no qual temos que conseguir dividir o liquido entre dois contentores, outros são menos óbvios, nomeadamente o do gerador de quantum, responsável por activar ou desactivar certas partes da base. Neste caso, só com a experiência e muitas tentativas conseguiremos perceber como aquilo funciona (e já agora, qual a sua utilidade).

Outra dificuldade, pelo menos até encontrarmos a forma de a resolver, tornando-se depois uma boa ajuda, são os inúmeros atalhos que se encontram na base. Alguns são óbvios, pelo menos depois de os conseguirmos desvendar. Mas outros estão bem escondidos, e só por tentativa e erro é que damos com eles. Um conselho: experimentem tudo em todos os locais. Por vezes poderão ficar surpreendidos com as portas de cavalo que vão encontrar. Deixamos também uma nota: é possível ficar-se bloqueado no jogo, entrando por um atalho e indo parar a uma sala sem retorno, e onde todas as portas se encontram bloqueadas (no painel de controle no nível 3 tínhamos bloqueado precisamente as portas). Mas é apenas um pequeno pormenor.

A par de uma jogabilidade fantástica e de quebra cabeças extremamente inteligentes, e que nos irão tomar muitas horas até os conseguirmos resolver, os cenários são também magníficos. A profusão de cores é assombrosa, não existindo nem um pouco de color clash, no entanto, não se perdendo a sensação que estamos perante um jogo do ZX Spectrum. Graficamente, como no resto, atinge a excelência, e o som alinha pelo mesmo diapasão. A equipa programadora não descurou um único pormenor e por vezes paramos e limitamo-nos a ficar apenas a ver, deslumbrados, os cenários que se desenrolam à nossa frente.

El Bigotudo é uma obra-prima do ZX Spectrum, entrando directamente para a restrita galeria dos melhores jogos de sempre. É totalmente absorvente e viciante, e podemos garantir que quem o experimentar, não vai descansar enquanto não chegar ao fim. Sem dúvida alguma, é o jogo do ano até agora, e só não arriscamos a dizer que vai ser o principal candidato ao GOTY, porque até final do ano vamos ter algumas surpresas bem saborosas e que ainda estão no segredo dos deuses (a nossa boca é um túmulo).

O jogo tem um custo de 3 euros. O que podemos dizer é que é uma pechincha. Há muito tempo que não dávamos por tão bem empregue dinheiro com um jogo...