Nome: Fred
Editora: Investronica
Autor: Carlos Granados Martinez, Paco Menendez, Fernando Rada Briega, Juan Delcan
Ano de lançamento: 1984
Género: Labirinto
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 48K
Descarga: Aqui
Quando pensamos nos primeiros jogos desenvolvidos pelos nossos vizinhos Espanhóis, dois nomes vêm à memória: La Pulga e Fred. Confessamos que o primeiro nunca nos encantou, talvez tenhamos que o voltar a experimentar, provavelmente mais de 40 anos depois de o termos jogado pela última vez, mas o segundo traz-nos gratas memórias e é um jogo que amiúde carregamos. É que apesar da sua simplicidade, Fred é cativante. E completamente viciante...
A história, tal como o jogo, é extremamente simples. Assumimos o papel de um explorador que se encontra na base de uma labiríntica pirâmide (quadrada) de 32 de altura, por 32 de largura (na prática é 30 X 30, devido às paredes), e temos que conseguir encontrar a saída, levando connosco o máximo de tesouros possíveis que encontramos. A saída encontra-se no topo da pirâmide. No entanto, encontrar o caminho que leva até à escapatória, não é fácil, pois existem imensos becos sem saída. Se imaginarem aqueles quebra-cabeças que se encontravam nas páginas dos jornais nos anos 80 e 90, com um labirinto no qual tínhamos que ir traçando o caminho até se chegar à saída, estão muito perto do conceito de Fred, que transporta o labirinto horizontal, para um labirinto em altura. E repleto de inimigos...
Para ajudar na nossa missão, temos uma pistola carregada com seis balas, que permite eliminar alguns (mas nem todos) inimigos. As balas esgotam-se rapidamente, tal a quantidade de inimigos existentes a partir do nível dois, existindo assim várias recargas nas pirâmides.
Por outro lado, o contacto com os inimigos retira uma porção de energia. Começamos com 15 porções, e embora pareça muito, rapidamente as verão desaparecer. Felizmente que existem algumas poções que permitem recuperar, cada uma delas, duas porções de energia.
Mas falemos dos inimigos. O mais vulgar é o rato, animal rasteiro, impossível de ser eliminado com a pistola, apenas sendo possível de evitar, saltando quando ele se aproxima, num exercício de precisão e timing. Os fantasmas são temíveis, pois sendo entidades incorpóreas, atravessam as paredes. Nunca se sabe para onde vão, e também não se pode matar algo que já se encontra morto, não é? Os camaleões descem e sobem as paredes. Por vezes vão trocando de parede de um lado para o outro, sendo necessário alguma sorte para os conseguir evitar (geralmente passando para o outro lado da parede e esperando que ele se mantenha no seu caminho). As múmias têm o irritante hábito de caírem pelos buracos, sendo praticamente impossível evitá-la quando estamos no processo de subida ou descida nas cordas, embora essas possam ser eliminados com a pistola quando não estamos agarrados às cordas. Os restantes, múmias, morcegos e esqueletos, têm graus de inteligência diferente e podem ser eliminados com um tiro.
É também possível encontrar-se um mapa, mas este, além de difícil visualização, só mostra uma pequena parte do labirinto. Além disso, se perdemos muito tempo a olhar para o mapa, o mais provável e sermos abalroado por algum inimigo. É de pouca ajuda, portanto...
Sabemos que os Espanhóis sempre fizeram os seus jogos extremamente difíceis. E Fred, à semelhança de muitos outros com essa origem, faz-lhes jus, e ainda por cima tem situações injustas durante o jogo, como quando somos encurralados por inimigos, sem possibilidade de escapatória, ou quando chegamos ao topo da pirâmide e não existe saída. Mas também tem aquele toque de génio que faz com que de cada vez que perdemos, tentamos novamente, na ténue esperança de conseguir ir um pouco mais longe.
Existem seis níveis, correspondendo a seis diferentes pirâmides e cujos determinados parâmetros vão mudando ao longo dos jogos (não só a posição dos inimigos, mas também a porta de saída). Temos assim a sensação que os cenários são aleatórios, embora isso não seja inteiramente verdade. E se conseguirmos encontrar a saída do último nível, o sexto, em vez de termos uma mensagem congratulatória, temos a possibilidade de continuar, definindo o número de inimigos, obstáculos e balas que queremos para o nível seguinte.
Fred cria também uma tensão constante no jogador. Quando estamos a usar as cordas, não se pode disparar contra os inimigos que as utilizam. Isto confere também um elemento estratégico ao jogo, pois temos que escolher o momento mais adequado para se utilizar as cordas. No entanto, quando estamos rodeados de inimigos, temos que tomar as decisões em micro segundos, criando sobressaltos constantes no jogador, mas de forma alguma frustrando-o. Muito pelo contrário, mesmo quando morremos, imediatamente queremos voltar a explorar a pirâmide.
Finalmente, a nível gráfico e sonoro, sendo o jogo de 1984, obviamente que não se pode pedir grandes milagres. O som é minimalista, mas os gráficos são interessantes, com sprites claros e de boas dimensões, resultando numa diminuição da área visível disponível da pirâmide, mas mais uma vez contribuindo para o clima de tensão constante no jogador.
Assim, embora Fred não seja considerado como um clássico para todo o universo do Spectrum, a sua reputação é merecidamente muito alta em Espanha e também em Portugal, sendo considerado um dos melhores jogos da época para o ZX Spectrum. Além disso, é daqueles jogos que não envelhece com o tempo, e mantém actualmente toda a atractividade que tinha em meados da década de 80. Se não conhecem o jogo (como é possível???), aconselhamos a experimentá-lo. Façam-no é por vossa conta e risco, pois é um autêntico vício.




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