segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Programas de matemática


Outra das disquetes pertencentes ao espólio de Edmundo da Assunção incluía vários programas relacionados com a matemática e álgebra. Alguns deles ainda se encontram por preservar em modo .tzx, outros fomos encontrando em cassetes variadas que nos foram emprestando ao longo dos tempos.

De qualquer forma, deixamos agora o conteúdo na íntegra, para que possam aceder ao seu conteúdo. Mais tarde ou mais cedo iremos fazer a conversão e disponibilizar pela comunidade.

Poderão aqui aceder a mais esta disquete para o FDD.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ataque iminente de Laserbirds...


A origem dos assim chamados Ornitoides é desconhecida e os fatos são escassos. Ainda que haja relativo clamor popular a favor da nova espécie, sua numerosidade e toxicidade radioactiva tornam impossível a coexistência em nosso ambiente.

Embora pouco se saiba sobre eles, já descobrimos que são muito beligerantes. Possuem óptima memória, audição e adaptabilidade. Além da ofensiva por raios mortíferos, podem se tele-transportar a curtas distâncias e desenvolveram outras habilidades particulares nunca imaginadas.

Enquanto os especialistas os chamam de Ornitoides, nós passamos a chamá-los simplesmente de "Laserbirds".

Em breve pela Bitnamic Software...

The Curse of Trasmoz


Nome: The Curse of Trasmoz
Editora: Poly.Play
Autores: Javy Fernandez
Género: Plataformas
Ano de lançamento: 2020
Teclas: Não redefiníveis
Joystick:  NA
Memória: 48 / 128 K
Número de jogadores: 1

No século 13, a cidade de Trasmoz foi excomungada pelas suas práticas pagãs e os seus habitantes foram amaldiçoados para todo o sempre... A população foi dizimada até se tornar uma cidade fantasma, e as doenças e todos os tipos de maleitas nas crianças, animais e nas colheitas, fizeram deste, um lugar abandonado, deixado ao Deus, dará precisamente pela mão deste. Até agora ninguém se atreveu a aproximar-se de Trasmoz, pois fala-se que perigosas criaturas da noite, bruxas e mortos-vivos, protegem o local administrado pelo maléfico mágico Mutamin, servo imortal do Diabo e mestre do castelo inacessível e da respectiva torre de vigia. Mas hoje é a noite dos mortos e a está Lua cheia novamente. Chegou a hora, tal e qual como diz a profecia: Quando a lua cheia coroa a noite de todos os santos, um herói corajoso quebrará a maldição para sempre e irá santificará o lugar com o fogo das almas errantes, quando estas forem libertadas. Como já devem calcular, fomos o escolhido para cumprir com esta missão perigosa. O objectivo será libertar Trasmoz da maldição antes que o sol nasça. Seremos bem-sucedidos?

A introdução dá longo a entender que nos estamos a meter em trabalhos. Os cenários lúgubres desenrolam-se ao longo de três fases e 23 níveis diferentes. Em cada um deles teremos que obrigatoriamente eliminar os zombies verdes que patrulham as plataformas. para isso teremos que nos chegarmos a eles, movimento sempre perigoso, e a golpe de espada tirar-lhes o sorriso. Quando isso acontece, deixam um objecto para trás, que permite depois ir alumiar as tochas, normalmente em número igual aos inimigos. Só após termos todos as tochas a crepitarem, é que temos autorização para passar de nível.


Cada cenário encerra múltiplos perigos. Em primeiro lugar os restantes inimigos, na forma de esqueletos que nos tentam atingir com as armas ao seu dispor, ou outras monstruosidades. Curiosamente, se os conseguirmos eliminar, também deixam um objecto para trás, permitindo dar fogo a mais uma tocha. O problema é que normalmente estão em lugares inacessíveis, pelo que mais vale estarmos focados nos zombies com cara de abóbora.

Mas as plataformas também constituem um problema, pois essas estão colocadas de forma a não facilitarem a vida ao nosso herói. Normalmente para se chegar até aos zombies ou às tochas, teremos que evitar uma série de inimigos, e por vezes até cair no vazio, para ir aparecer no topo do ecrã, muitas vezes em local indesejado, isto é, em cima de inimigos (pelo menos até se conseguir ganhar prática nesta passagem). Além disso, quando os zombies estão em plataformas diminutas, e como o nosso herói apenas maneja a espada quando está assente em poiso seguro, só com alguma prática se consegue cair no ponto desejado (sabendo que os zombies estão em movimento), e rapidamente desembainhar a espada para eliminar o inimigo.

Finalmente, o último obstáculo: o tempo. Cada nível tem um tempo limite para se passar, se se tiver em conta que os primeiros segundos são destinados a estudar-se o cenário, rapidamente chegamos à conclusão que não fomos particularmente abonados com esse factor. Mas também aqui, a prática e uma boa memória permitem que se consiga rapidamente seleccionar o caminho mais indicado para se chegar aos pontos de interesse, que é como quem diz, os zombies, e as tochas (por esta ordem).


Apesar de ter 23 níveis, o jogo não é propriamente longo, e ao final de algumas tentativas consegue-se chegar ao fim. E também não seria possível acrescentar mais níveis, pois o jogo, nos moldes em que está criado, ocupa a memória do 48K na totalidade. Já agora, na versão 128K consegue-se ouvir a bonita melodia criada por Beyker, e este é daqueles jogos que realmente necessita de uma música de acompanhamento.

Os gráficos são bastante coloridos, e embora não sendo extraordinários, são apoiados por cenários engraçados e que contribuem para a atmosfera sinistra. São convidativos os suficiente para que tenhamos a curiosidade de ver o que se encontra mais além, até porque realmente é uma missão do "além".

O sistema de colisão é generoso, e isso faz com que o nível de dificuldade seja um pouco menor. Existe mesmo um nível no castelo (imagem acima), em que conseguimos eliminar os inimigos apoiados numa plataforma diferente da nossa. Propositado, ou não, torna mais fácil a tarefa de ir depois recolher o objecto que permite alumiar a tocha.

The Curse of Trasmoz é assim um platformer eficaz e que tem o condão de nos entreter durante umas boas horas e de mesmo, após finalizado, a ele voltarmos de vez em quando. Tem aquele toque de "vamos tentar mais uma vez", e no fundo é isso que define os bons jogos.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Envios do ZX Spectrum NEXT a pleno vapor!

A comunidade em torno do ZX Spectrum Next está ao rubro com dezenas de posts de backers felizes por receberem as suas unidades, que estão a ser fotografadas e partilhadas nas redes sociais, pelos seus orgulhosos donos! E o grupo oficial do ZX Next também está a ter um aumento de actividade, com uma onda renovada de interesse e curiosidade.

Foto de Andy Lovelace

Não há dúvida de que com o início das entregas, muitas dúvidas e inseguranças em relação ao projecto já se dissiparam. Vozes anteriormente críticas e dissonantes, hoje reconhecem que é um esforço sério, que também restabelece a confiança da comunidade, perdida por conta de um outro projecto que fracassou miseravelmente.

Seja como for, as novidades sucedem-se a uma velocidade estonteante, ironicamente em contraste com a longa espera deste últimos anos! Pois eis que Henrique Olifiers publica mais um update no Kickstarter!

As unidades do modelo base já foram enviadas, e as referentes ao modelo plus serão enviadas de uma vez, durante a próxima semana. Logo de seguida, a equipa irá concentrar-se nos "pesos-pesados", ou seja, nos modelos accelerated que também correspondem à fatia maior de backers.

Também ficamos a saber que à medida que as unidades estão a chegar às casas dos backers, foram reportadas algumas ocorrências a nível estético referentes a leves arranhões na parte traseira de onde se ligam os cabos, e que vão ser analisados junto com o fabricante de plásticos.

Mas mais relevante é a confirmação oficial (escrito pelo próprio Henrique, se mais dúvidas houvessem) de que vamos ter um segundo Kickstarter, ou seja, uma nova campanha de financiamento outro lote. Quem perdeu a primeira campanha, tem aqui a grande chance de não perder o comboio outra vez, sem ter que se desgraçar com os preços salgados de algumas unidades que já começaram a aparecer no eBay.

Novo KS já é uma certeza!

Portanto, a quem estiver interessado em adquirir um ZX Spectrum Next bastará ter um pouco mais de paciência!

Ajustamento Polinomial


Ajustamento Polinomial foi o programa que até agora mais trabalho nos deu a preservar. Normalmente os programas da Astor são extremamente dificeis de se conseguir criar um .wav convertível para tzx. Poderá ter algum esquema de protecção que nos esteja a escapar, mas regra geral são necessárias muitas tentativas para conseguirmos ser bem-sucedidos. No caso presente foram muitos dias a tentar criar um ficheiro de áudio que fosse depois passível de ser convertido. Experimentámos com um Phillips, dois Sony (TCM-818 e TCM-919), um Sanyo, um Timex 2020, um de marca branca e até com os datacorders dos +2. E apenas conseguimos obter sucesso, e relativo, com o Sanyo.

Conseguimos assim criar um ficheiro .wav (que partilhamos), uma imagem em .z80 e um .tzx. O problema é que apenas conseguimos ler o .tzx no Fuse, nos restantes emuladores o ficheiro dá erro, o que não deixa de ser estranho. E mais estranho ainda é que o programa entra sem qualquer problema em todos os leitores.

Problemas à parte, esta cassete veio ainda do lote que adquirimos e que pertencia ao espólio de Eurico da Fonseca (temos ainda mais alguns para partilhar), podendo aqui ser descarregado. Se conseguirem criar um .tzx que seja lido em todos os emuladores, agradecemos que nos enviem.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Techno Olesya em desenvolvimento

Gold Coin alertou-nos para mais um grande jogo em perspectiva:Техно Олеся. Ou Techno Olesya, numa tradução livre do Google.

Pelo que já se consegue perceber do pequeno trailer disponibilizado, vai ser seguramente um dos lançamentos mais aguardados do ano. Para 128K, apenas, como começa a ser normal nos blockbusters mais recentes. Mas isso não vai impedir ninguém de o experimentar...

Não se conhece ainda grandes detalhes, mas assim que for anunciado, iremos dar o destaque devido.

A Capital: Pokes & Dicas - 08 de Abril de 1988

A Reprise de Marsport e os mapas do Alexandre Aleluia são os grandes destaques da edição desta semana.



Os jogos analisados são excelentes, mas para públicos muito específicos, já que a sua qualidade técnica não é abrangente a todo tipo de jogadores.


Suplemento disponível na nossa Dropbox.

Mapa de Nave

Realmente Nave provocou um grande burburinho na comunidade, bastando ver a quantidade de fóruns estrangeiros que partilhou o jogo. Além disso, fizemos um repto a Pavero: o de fazer o mapa do jogo.

Pavero tem uma página fundamental para os gamers do Spectrum, tendo arranjado uma forma eficaz de rapidamente criar os tão desejados mapas dos jogos. E tendo Nave quase 130 ecrãs, com elevadores e tele-transportadores a ligar vários pontos, a tarefa não se afigurava fácil. Ainda começámos a fazer à maneira old school, isto é, com papel, borracha e lápis, mas tivemos que desistir. Felizmente que Pavero tomou esta tarefa em mãos e foi bem-sucedido, pois temos agora oportunidade de chegar ao fim do jogo (corre também um vídeo no You Tube com alguém que já o terminou).

Poderão vir aqui descarregar o mapa de Nave em toda a sua glória...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Saiu Firesnake


Kerl, que já tinha sido personagem no divertido Paracaidista Kerl!, colocou um jogo na competição BASIC 2020. Desta vez um clone de Snake, mas com algumas novidades, logo a começar com um ecrã de carregamento da responsabilidade de Azimov (o criador de Paracaidista Kerl!). Quanto ao jogo, são apenas cinco níveis, mas garante-se que não é fácil e que exige reflexos ultra-rápidos...

Poderão vir aqui descarregar o jogo.

Esquinas


Nome: Esquinas
Editora: NA
Autor: Manuel Martínez
Ano de lançamento: 2020
Género: Puzzle
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Por vezes, no meio da maior simplicidade, surgem autênticas surpresas, daquelas que nos agarram e que não descansamos enquanto não resolvemos o desafio. Foi o que aconteceu com Esquinas, jogo criado por Manuel Martinez para a competição Basic 2020, com gráficos do mais básico possível, som, idem, idem, aspas, aspas, um conceito longe de ser original, mas que no entanto é cativante como poucos.

O desafio é muito simples:ao longo de sete níveis (a única pecha do jogo, pois termina-se rápido, demasiado rápido, até), teremos que fazer sequências com três símbolos iguais, quer na horizontal, quer na vertical ou ainda na diagonal. De cada vez que isso acontece, as peças são eliminadas da mesa, concedendo pontos e abrindo espaço para novas peças. Estas aparecem às três de cada vez (na coluna à direita), sendo que apenas surgem após conseguirmos tirar as três que entraram no momento anterior. 

É também possível duplicar ou até triplicar os pontos de cada jogada, bastando para isso eliminar mais que as três peças de cada vez. A importância da pontuação não se resume a tentarmos bater recordes, uma vez que a passagem dos níveis dá-se precisamente quando se atinge determinada pontuação. Desta forma, assim que começemos a dominar o conceito do jogo, será importante pensar-se, não apenas na jogada imediata, mas também as futuras, permitindo potenciar a pontuação. 


O jogo acaba quando não existem mais jogadas para serem feitas, e isso acontece quando preenchemos todos os campos e já não temos possibilidade de trocar as peças da coluna da direita. De início temos possibilidade de fazer 30 trocas, isto é, mandar fora as que se encontram na coluna à direita, trocando por novas peças, esperando que a sorte do jogo mude. Será a única ajuda que temos ao longo do desafio.

Um dos pontos fortes do jogo, além da estratégia a ele associado, escondida por baixo de tamanha simplicidade, é o nível crescente de dificuldade. Assim, o primeiro nível é facílimo, pois as peças apenas têm uma dimensão e são de três tipos, permitindo ir sempre eliminando linhas (uma espécie de jogo do galo). Mas à medida que se vai avançando no jogo, o número de dimensões aumenta, assim como o número de símbolos, complicando em muito a tarefa para se obter as sequências certas. A páginas tantas temos o tabuleiro tão preenchido que apenas nos resta ir trocando peças, isso se ainda tivermos essa possibilidade. Mas com um pouco de persistência, mais cedo ou mais tarde consegue-se terminar este excelente jogo, sério candidato a vencer a competição criada por Radastan.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

MicroSe7e n.º 38


O número 38 do suplemento MicroSe7e dá espaço a outras plataformas, apresentando logo na capa o MSX, computador que passou despercebido em Portugal, mas que foi rei no Brasil.

Curioso também ver Moutinho Pereira na capa, este que foi um dos autores de Talismã, a par de José Antunes, o mais mediático.

Interessante ainda a comparação que fazem entre os diversos modelos do Spectrum e da Timex, ao qual não falta o preço de mercado de cada um.

Podem descarregar aqui o suplemento, cortesia do Museu LOAD ZX Spectrum, Cantanhede, Portugal.

Submarinos (MIA)


Submarinos não tem grande história, provavelmente um type-in ou um dos muitos jogos que apareceram nas revistas espanholas, e que entretanto foi traduzido para a nossa língua. Suspeita-se que faça também parte de alguma das muitas cassetes lançadas pela Edições Latinas.

Poderão aqui descarregar Submarinos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Rui Tito ao vivo e a cores em Cantanhede


Mais um evento a decorrer em Cantanhede, este já no próximo dia 23 de Fevereiro, e com um convidado de peso: nada menos, nada mais, que Rui Tito, ilustre criador de Alien Evolution, a meias com Marco Paulo Carrasco, e que ainda recentemente passou pelo Museu da Pedra.

Evento a não perder, e vamos marcar presença, pois claro...

7. R-Type


50. Nether Earth
49. Ranarama
48. Alien 8
47. Equinox
46. Lords of Midnight
45. Midnight Resistance
44. Saboteur
43. Highway Encounter
42. Fairlight
41. Starstrike II
40. Thunderbirds
39. Rebelstar
38. Castle Master
37. Atic Atac
36. Johnny Reb II
35. Bobsleigh
34. Terramex
33. Cybernoid II: the Revenge
32. Xeno
31. Dan Dare: Pilot of the Future
30. Mad Mix Game
29. Los Amores de Brunilda
28. Jet Set Willy
27. La Abadia del Crimen
26. Auf Wiedersehen Monty
25. Sim City
24. Football Manager
23. Formula One
22. Crystal Kingdom Dizzy 
21. Academy
20. Target Renegade
19. Operation Wolf
18. Where Time Stood Still
17. Bomb Jack 
16. Starquake
15. Spy vs Spy
14. Frankie Goes to Hollywood
13. Pang
12. Manic Miner
11. Quazatron
10. Chuckie Egg
9. Tetris
8. Jetpac
7. R-Type
6. ?
5. ?
4. ?
3. ?
2. ?
1. ?

Mapas de João Cruz e uma revelação

Desde Outubro de 2018 que o Planeta Sinclair tem vindo a publicar, semanalmente, as digitalizações da parte referente à informática no suplemento do jornal "A Capital". Tem sido uma viagem nostálgica para muitos, e de descoberta para outros que nunca tiveram contacto com este jornal. Foi o meu caso, sendo um nortenho e tendo morado num lugar onde este jornal não tinha expressão. E como nunca é tarde para recuperar o tempo perdido, tenho aguardado todas as sextas-feiras por um "novo" suplemento, o qual leio quase como se ainda me encontrasse na segunda metade da década de 80. No entanto, numa dessas ocasiões, a expectativa deu lugar à surpresa: pois vi algo num suplemento de "A Capital" que me era extremamente familiar - mas sobre isso falarei mais adiante.

Não é de surpreender a razão do sucesso deste suplemento: fosse sobre música, cinema ou televisão, os artigos eram bem escritos e apreciados pelos leitores. A parte de informática, a qual em determinado período, esteve à responsabilidade do saudoso Eurico da Fonseca, acompanhava as tendências no cenário português - e hoje ainda é um manancial de informação para quem se interessa por retro-computação. 

Quanto à secção relacionada aos videojogos, além das novidades e reviews, esta teve uma comunidade de leitores que dinamizou o espaço, com as suas contribuições, fossem os famosos pokes, dicas e carregadores, ou então, listagens de rotinas e até jogos simples. Mas o que realmente chamava a atenção eram os mapas de jogos desenhados à mão, enviados pelos jovens leitores que expressavam a sua criatividade através do lápis.

Para mim tem sido um regalo apreciar as criações de quem à época, era criança ou jovem, que com maior ou menor esmero, tentava reproduzir o "universo" de um qualquer jogo na folha de papel. Reparei, no entanto, que havia um leitor que se destacava pela qualidade e criatividade dos seus desenhos. Este jovem foi o João Paulo Neto da Cruz, de 18 anos, e que contribuiu com alguns dos mapas mais interessantes e minuciosos que pude encontrar nestes suplementos.

A primeira contribuição do João Cruz foi na edição de 1987/04/24 (ver aqui) com um minucioso mapa de Druid, além de um quadro com dicas e pokes para o jogo Aliens que incluía uma ilustração remetendo para o respectivo filme. Podemos apreciar todas as contribuições com maior detalhe, clicando nas imagens que se seguirem.



Eu voltei a encontrar o traço do João na edição de 1987/08/27 (ver aqui) com um mapa incrivelmente detalhado do jogo Into The Eagles Nest, onde é evidente o esmero em cada pormenor.


Se dúvidas houvesse quanto à imaginação fértil do João, nesta mesma edição ficamos a conhecer uma sua criação, o "Capital Army", temível exército de caçadores de dicas do jornal "A Capital". Não há dúvida que é uma forma muito criativa de apresentar dicas!


Uma nova contribuição do João alegrou a edição de 1987/11/27 (ver aqui) com um mapa bem catita do jogo Aftershock e onde é apresentado mais um caçador de dicas, um robot que integra o "Capital Army". De notar numa simpática cabeça que lança um apelo aos aventureiros portugueses para que partilhem as suas produções (feitas no GAC ou por qualquer outro meio). Sem dúvida que o interesse do João ia além dos jogos estrangeiros.


Já o quadro de dicas aparece com uma ilustração em que se vê um trio de soldados do "Capital Army" (no qual a simpática cabeça também faz parte) a enfrentar alienígenas de garras e tentáculos retorcidos, numa cena recorrente no imaginário do João Cruz. É, sem dúvida, o destaque desta edição do suplemento!


Finalmente, a última contribuição que achei até ao momento é da edição de 1987/12/31 (ver aqui) e relembrando que o Planeta Sinclair ainda não terminou a publicação de todos suplementos. Ao contrário das contribuições anteriores, o João inova com um quadro que preenche por completo a área do "Espaço de aventura" onde apresenta dicas de jogos de aventura, bem como de outros géneros. Destaque para um magnífico desenho do que parece ser uma sala de controlo com respectiva maquinaria, e onde reencontramos a simpática cabeça que finalmente tem um nome: "Big Fat Joe", sendo descrito pelo João como o "personagem mais endiabrado de Capital Army", tendo inclusive acabado de destruir um robot só para trazer as dicas da semana.


Estes desenhos cativaram-me não só pelo traço, bem como pelo imaginário envolvente, pois era o que eu gostava quando mais pequeno: robots, aliens, cenários ao estilo mad-max, etc. Mas sentia que havia algo mais que me fazia prestar maior atenção a estes desenhos. Logo no início deste post referi que certo dia vi algo familiar...

Foi ao olhar para o "Big Fat Joe" que senti um baque, uma sensação de dejá-vú, algo me dizia que já tinha visto este desenho antes! Mas como seria possível se nunca na minha casa se leu "A Capital"! E foi num instante que logo veio a certeza! Claro! Eu já conhecia o traço do João Cruz! Melhor ainda, sabia quem ele era! Corri para uma estante, tirei uma pasta com velhos recortes e encontrei este desenho!


Estava esclarecido o mistério, o leitor que fazia aquelas excelentes contribuições para "A Capital" era o mesmo João Cruz que fora responsável, durante muitos anos, pela secção Micromania do JND - suplemento de Domingo do Jornal de Notícias e que, por acaso, o Planeta Sinclair já referiu aqui! O desenho é inequívoco, vemos a simpática cabeça que, se a memória não me engana, era conhecida pela alcunha de "Bola-de-Queijo", e fazia parte de um pelotão de mercenários, também denominados por JN Troopers

Este pelotão seria o congénere do "Capital Army" e teve uma tira de banda desenhada, publicada no topo da primeira página da Micromania. Do que me consigo lembrar da história dessa tira, os JN Troopers vão investigar um salão de jogos abandonado, quando sofrem uma emboscada de alienígenas, os quais curiosamente partilham uma estética muito semelhante aos que encontramos nos desenhos João no "A Capital". 

Tenho apenas três tirinhas que se apresentam abaixo, mas que servem para se ter uma ideia do quão criativo o João foi!




Os exemplares mais antigos que tenho da Micromania são de 1988. Não faço ideia, mas ainda assim arrisco a especular que as contribuições do João Cruz poderão ter sido determinantes para ser convidado pelo JN para escrever sobre videojogos. Não há dúvida que talento não lhe faltava - a Micromania resistiu até 1992!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Versão digital de The Hollow Earth Hypothesis


Vida difícil para quem já tem o Next, pois todos aqueles jogos que estavam em carteira à espera que o computador fosse lançado, começam agora a sair. O mais recente é The Hollow Earth Hypothesis, de Lampros Potamianos, responsável por Nextoid!, primeiro jogo a aparecer para o Spectrum Next há quase dois anos. Se bem se recordam, fomos responsáveis por alguns dos níveis, e se ainda não experimentaram, ainda vão a tempo, pois é gratuito.

Quanto a The Hollow Earth Hypothesis, não é gratuito, a versão digital tem um custo de 8,99 usd, e a versão física só mais à frente irá sair. Mas a demo encontra-se no pacote que a equipa do Next recentemente disponibilizou, permitindo experimentarem o jogo antes de o comprar. Já a versão completa é obviamente maior e possui 80 ecrãs recheados de armadilhas e inimigos, bem ao gosto dos platformers.

Têm aqui todos os detalhes deste novo jogo.

El Caballero y la Muerte



Nome: El Caballero y la Muerte
Editora: Sequentia Soft
Autores: Fran Kapilla e Ruber Eaglenest
Género: Aventura de texto
Ano de lançamento: 2020
Teclas: Não redefiníveis
Joystick:  NA
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Da Sequentia Soft, autores de jogos como Peplum ou El Mosquetero de la Reina, chega-nos mais uma aventura de texto ao estilo das Aventuras Fantásticas (ou "choose your own adventure" no original). Já falamos um pouco dela aqui na nossa preview, mas chegou agora a altura de lhe fazer uma verdadeira análise.

Foi criada por ocasião da Global Game Jam 2020 e utiliza o interessante engine MuCho de Jari Komppa. O enredo que nos apresentam é essencialmente uma versão reduzida do argumento d'O Sétimo Selo, a obra-prima cinematográfica de Ingmar Bergman, com um ambiente bem conseguido, mas uma interactividade limitada e pouco entusiasmante.


Se a nível de textos temos uma narrativa bastante fiel à do filme e até com alguns momentos novos que encaixariam totalmente na obra original, infelizmente as opções que nos são dadas não parecem alterar muito o resultado neste nossa "aventura". Se dispuséssemos as várias opções de diálogo num esquema com ligações entre si, veríamos que apenas uma opção nos dará para avançar directamente para a próxima cena, servindo as outras de meras diversões, pequenos momentos, que sendo finalizadas nos levam a retornar ao enredo principal sem que este se altere de qualquer modo.


Também é uma experiência bastante curta, o que compreendemos, pois foi o resultado da GameJam que já referimos, uma competição de criação de jogos em 48 horas. Tendo isto em conta até é um resultado bastante impressionante, já que a parte gráfica foi bem cuidada na maioria dos screens e sabemos que não é possível converter directamente os ecrãs do filme original e manter uma qualidade aceitável sem alguma edição de imagem.


Infelizmente não há muito mais que possamos adiantar, mas assinalamos que gostámos de ver uma aposta em enredos mais complexos, fora das típicas aventuras de texto de fantasia e ficção científica e uma homenagem a um clássico da Sétima Arte. Uma experiência curta, mas bem conseguida que nos aguça a curiosidade para a segunda parte e nos deixa a expectativa de que possamos ter mais opções no futuro que "fujam" um pouco ao que já conhecemos do filme original. Só assim conseguiremos verdadeiramente "entrar" na história e não meramente assistir ao que nos parece uma "projecção de slides".

Usar o dBASE II no Spectrum


Já alguma vez tinham imaginado que poderiam usar o dBASE II no vosso Spectrum ou Timex? Pois isso é agora possível, graças ao lote de disquetes que adquirimos a Edmundo da Assunção, ao Ricardo Reis que criou a imagem dessas disquetes, e ao João Encarnado, que conseguiu corrigir a que agora disponibilizamos, que continha alguns bad sectors.

Para se poder ler esta disquete são necessários procedimentos específicos, uma vez que é destinada ao CP/M e não ao TOS. Assim, o que têm que fazer:
  1. Inserir o Monitor Emulator (versão Abril) na drive A e correr o mesmo, fazendo LOAD * "start" (já disponibilizado o mês passado)
  2. Inserir na drive A o CP/M e fazer o "FDD3000 Reset" (menu "Machine do Fuse")
  3. Inserir o ficheiro anexo do dBASE II na drive B
  4. Digitar b: para mudar para a drive B 
  5. Digitar dbase
  6. Digitar a data pretendida (DD/MM/AA)
Terão então o dBASE II a correr no vosso computador.

Deixamos aqui o ficheiro original na pasta, assim como o ficheiro recuperado pelo João Encarnado, já com algumas correcções.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

The Curse of Trasmoz disponibilizado digitalmente


aqui tínhamos anunciado The Curse of Trasmoz, aquando do seu lançamento físico. E agora, os seus autores, disponibilizaram o jogo em formato digital, permitindo aqueles que não querem despender um valor elevado numa cassete, obter apenas o ficheiro digital.

O desafio não é muito longo, mas há que negociar mais de 20 ecrãs e quatro tipos de inimigos num jogo de plataformas que tem na componente gráfica um dos seus trunfos. Nos próximos tempos iremos analisá-lo em pormenor, para depois apresentarmos uma review detalhada.

Entretanto poderão aqui descarregar The Curse of Trasmoz. Pode ser gratuito, mas uma contribuição ajuda a que mais jogos sejam criados.

 

Saiu Una Luz en la Nieve


Depois de El Caballero y la Muerte, Frank Kapilla e a sua Sequentia Soft, lançam mais uma aventura gráfica nos mesmos moldes. Una Luz en la Nieve é inspirado no conto de Christian Andersen, A Vendedora de Fósforos, daí que tal como em El Caballero y la Murte, inspirado no "Sétimo Selo", também aqui estamos perante algo muito mais semelhante a um conto ilustrado, do que um jogo, na verdadeira acepção da palavra.

Assim, ao longo da narrativa teremos que ir escolhendo as opções certas, que levam ao final feliz. É tempo, então, para ir recuperar o conto, se queremos chegar ao fim de forma mais rápida...

Quem quiser Una Luz en la Nieve, e enquanto não é lançada a versão física, pode vir aqui descarregar o jogo (tem um custo de 2 usd).

Galaxia 20


Nome: Galaxia 20
Editora: NA
Autor: AsteroideZX
Ano de lançamento: 2020
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Galaxia 20 é basicamente War Stars, mas com nova roupagem e com duas ou três nuances novas, fazendo parte do Curso de Basic de AsteroideZX (que não nos cansamos de elogiar). E embora os objectivos e o desenvolvimento do jogo sejam iguais, optámos à mesma pro fazer uma análise detalhada. Assim, em vez das aranhas da versão original (Arácnidos), ou dos ninjas de War Stars, temos agora que combater um enxame de abelhas gigantes. Hum... Talvez fosse melhor serem vespas, dado o contributo que as abelhas têm para a manutenção do equilíbrio do ecossistema do nosso Planeta. Mas adiante, sejam então abelhas gigantes...

As abelhas vão aparecendo no cimo do ecrã, e, se viram War Stars, sabem o que há a fazer: disparar. De cada vez que se dispara, se existir um insecto nessa fiada, é eliminado. No entanto, nas restantes continuam a aparecer e a descer. Se chegarem ao patamar do solo, é o final do jogo. É também necessário algum cuidado a disparar, pois enquanto a bala estiver em movimento, não se pode voltar a disparar. Precisão no gatilho é então fundamental para se avançar.


Uma das novidades é que o jogo tem um fim (se o terminarem irão ouvir a bonita melodia). Assim, a cada 1.000 pontos, é concedido um bónus de 100. Aos 2.000 pontos é-se galardoado com uma medalha. E ao fim de três medalhas, tem-se então direito à homenagem final. Mas não se pense que o exercício é fácil, pois as abelhas descem a uma velocidade diabólica, a maior parte das vezes mais rápidas que a nossa capacidade de reacção.

Outra das novidades importantes é que o jogo tem dois modos. Aliás, na realidade são dois jogos, um em Basic puro, necessariamente lento (se é que se pode dizer isto do jogo), outro em Basic compilado, acelerando e muito a acção. Aconselhamos a que se comece com a versão lenta.

E finalmente, a terceira e última mudança relevante: o visual do jogo. Agora já não se está perante o ecrã típico de uma Game & Watch, como em War Stars. O cenário é o de uma máquina de arcada, ao qual nem sequer falta o "insert coin" no início de cada jogo.

Assim, Galaxia 20 mostra aquilo que de bom se consegue fazer em Basic, e para isso, nada como termos um tutor como AsteroideZX.