terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Savage Princess


Nome: Savage Princess
Editora: Kevin McGrorty
Autor: Bitmap Soft
Ano de lançamento: 2020
Género: Plataformas
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Savage Princess demorou a ser desenfornado. De facto, o seu autor, Kevin McGrorty, há quase três anos que vinha mostrando no Twitter, com alguma regularidade, o desenvolvimento deste jogo. O que fomos vendo parecia enquadrar-se no típico plataformer criado através do Arcade Game Designer, mais precisamente o AGDx. E é o que de facto acontece, para o bem e para o mal. Assim, contém todos os ingredientes típicos do género de plataformas, com muitos obstáculos e inimigos para contornar, uma boa jogabilidade, no entanto pecando em algo que também já é habitual: a longevidade. Como se sabe, este tipo de motores são muito úteis para quem não sendo um programador experiente, possa de forma muito intuitiva e facilitada desenvolver as suas ideias, transformando-as em jogos atractivos. Por outro lado, a memória que o motor ocupa, obriga-os a fazer autênticos milagres para conseguir fazer o desafio durar. É o que se passa em Savage Princess. Mas vamos primeiro à história...

Reza esta que a Princesa Ava acorda com uma ressaca monumental, dores de cabeça, e com a sensação que foi novamente deixada no antro dos bebedolas, isto é, a taberna local. “Aquele bárbaro ainda me deve uma jola”, pensa ela, lembrando-se da luta que teve o resultado que se vê. Sim, ela é Princesa, mas das que usam calças e arrotam ao sabor do sumo de cevada. Lentamente começa a aperceber-se da situação em que se encontra. Não está no antro dos bebedolas que habitualmente frequenta, mas sim numa masmorra. Quer então isso dizer que foi sequestrada, raptada sem dó nem piedade e sem sequer ter oportunidade de uma última "pint". Indignada, liberta-se das algemas e jura punir aqueles que tentaram deixá-la sem pinga. De sangue e não só...


Começa assim a desafortunada aventura desta ébria Princesa, precisamente no momento em que se solta das algemas e cai com toda a souplesse no chão. A partir daqui vai deparar-se com uma masmorra recheada de perigos e cenários lúgubres e sinistros. Estes são bastante vistosos, sendo talvez o motivo de maior interesse de Savage Princess. Nem o facto de haver color clash com fartura lhe retira atractividade. Aliás, já antes o dissemos, jogo do Spectrum sem esta característica é a mesma coisa que um jardim sem flores.

A maior parte dos obstáculos têm que ser contornados, isto numa primeira fase, mas a certa altura a princesa dá de caras com arqueiros. Não se podendo desviar deles, até porque estes se encontram barricados em pontos estratégicos, há que saltar por entre as setas. Mais à frente, depois de encontrar o escudo e a espada, vai poder lidar com eles doutra forma, vigando-se adequadamente. Se repararam no ecrã, no canto inferior esquerdo existem cinco objectos assinalados. Além do escudo e da espada, que têm a utilidade mais óbvia, também se encontram duas chaves e uma bota. Só com a bota se consegue ter um maior poder de salto, alcançando lugares antes inatingíveis. As chaves permitem o acesso a salas que doutra forma estariam vedadas. Assim, para se conseguir chegar à sala final onde se encontra o dragão, pelos vistos o responsável pelo rapto da Princesa seca-adegas, é necessário estarmos munidos destes itens.


Savage Princess não é particularmente longo. Terá talvez duas dezenas e meias de ecrãs, valendo-se do facto da aventura se passar numa masmorra, labiríntica, como seria de esperar, obrigando o jogador a um trabalho de exploração e mapeamento que aumenta a longevidade. Na sala final do dragão, quem lá chegar deverá ainda perceber de que forma o pode eliminar (vamos abster-nos aqui de o dizer, terão que o descobrir por vós). No entanto, depois da masmorra ter sido desbravada (e mapeada), em cerca de 15 minutos consegue terminar-se a missão, o que convenhamos, não é muito.

A favor de Savage Princess, os cenários tremendamente imaginativos, que ao longo dos últimos três anos foram sendo devidamente retocados e que atraem de imediato o jogador. É assim um bom exemplo daquilo que se consegue fazer com o AGD, e não sendo um jogo memorável, é divertido q.b. para se passar uma tarde agradável. Quem o quiser fazer, poderá aqui adquirir a versão física, em troca, além da cassete, tem direito ainda à versão digital do jogo.

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