segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Angelita, Battle Mocita


Nome: Angelita, Battle Mocita
Editora: NA
Autor: Nekokape
Ano de lançamento: 2020
Género: Plataformas
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
memória: 48 K 
Número de jogadores: 1

No ano de 2126 a AVE chega à Extremadura (Espanha) e as grandes corporações abandonaram a capital para recolocarem as indústrias em locais mais baratos. Passaram-se 134 anos desde a gloriosa primeira viagem e os cyborgs da região gozam de grande fama, no entanto existe um problema, apenas alguns poderão regressar. Entretanto, um grupo de piratas informáticos encontram indícios de corrupção e de subornos, na forma de disquetes, cassetes antigas e outros formatos obsoletos, tudo o que tenha algum valor serve. E como se fosse pouco, aparece uma personagem, Angelita, que tem que encontrar 15 parafusos amarelos, para isso infiltrando-se no castelo de Villa Parda, única forma de conseguir comprar novas asas e voltar a voar. Perceberam alguma coisa? Nós também não...

Esta é a história louca imaginada por Nekokape, que deu origem a Angelita, Battle Mocita, o último dos jogos a entrarem no Concurso MK1 con Retromaniac. Não conseguiu posição de relevo, mas dado a elevada qualidade da maior parte das propostas que entraram nesta competição, não quer dizer que o jogo seja mau. De modo algum, e mesmo estando-se perante um jogo desenvolvido com o motor La Churrera, apresenta argumentos suficientes para nos fazer passar uns bons momentos.


Curiosamente, quando iniciámos o jogo, estávamos longe de imaginar que iriamos encontrar grandes surpresas por aqui. Parecia-nos apenas mais um típico jogo de plataformas à medida de muitos outros criados com o MK1, no qual se passa 90% do tempo a saltar sobre inimigos e os restantes a recolher objectos. É isto que acontece logo nos primeiros ecrãs, com o agravante dos gráficos serem apenas medianos e o som do costume neste tipo de jogos, apenas havendo uma melodia inicial longe de ser brilhante.

Ok, pensámos nós, propusemo-nos a fazer uma análise detalhada, por isso vamos até ao fim com o jogo. Vamos avançando e a certa altura deparamo-nos com uma sala na qual as plataformas se encontram num ponto inacessível. Olá, o que é isto? Está-nos a escapar alguma coisa? Esquecemo-nos de recolher alguma das chaves que permitem o acesso a novas salas? Sim, além dos parafusos amarelos, há que recolher chaves que desbloqueiam o caminho. Mas não era nada disso, simplesmente fomos ter a uma das várias salas nas quais existe um pequeno quebra-cabeças para resolver (como a do ecrã em cima, na qual angelita, que até parece estar a coçar a cabeça em modo pensamento, se questiona como fazer para chegar ao parafuso amarelo?). A resposta é mais ou menos óbvia e depois de resolvermos o primeiro dos puzzles, rapidamente deslindamos os seguintes. Isto é, se tivermos destreza de dedos...


Como qualquer jogo de plataformas que se preze, é fundamental termos a habilidade suficiente para saltar em espaços muito curtos, assim como fazê-lo no timing ideal. Não chega ao ponto de exigir perfeição ao nível do pixel (pixel perfect, como é vulgarmente conhecido), até porque o sistema de colisão é relativamente generoso, mas existem alguns pontos que vamos perder várias das 99 vidas com que começamos o jogo até conseguirmos ultrapassar o obstáculo ou o inimigo. E se olham para as 99 vidas com espanto, quiçá pensando que tamanha generosidade do programador proporciona uma missão que se completa com uma perna às costas, até porque o jogo não é particularmente longo, desenganem-se. Por vezes, quando somos abalroados por um inimigo, este cola-se a nós e enquanto andamos no jogo do empurra, as vidas vão diminuindo a uma velocidade vertiginosa.

Assim, Angelita vai crescendo em nós à medida que vamos avançando nas salas, e aquilo que parecia um jogo condenado à obscuridade, consegue de uma forma simples destacar-se da concorrência. Não é uma obra-prima, mas também não o pretendia ser, no entanto é divertido e cativa-nos até conseguirmos fazer com que a Angelita ganhe asas (e não é preciso beber Red Bull).

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