quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

R-Stalker


Nome: R-Stalker
Editora: NA
Autor: Andrey Efimov
Ano de lançamento: 2019
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

R-Stalker remete-nos imediatamente para os anos 80, quando a Mastertronic e outras editoras especializadas em budget games, colocavam no mercado jogos que se sabiam à partida que não iriam fazer grande história e que na maior parte das vezes não passavam da mediania (há excepções, como Amaurote ou a saga de Magic Knight). Quem os comprava também já sabia à partida o que ia encontrar, mas também não se podia ser muito exigente, já que o custo era sempre baixo, por vezes até inferior ao que cobravam em Portugal por uma cópia pirata do mesmo jogo. E é exactamente isto que vamos encontrar em R-Stalker, uma pequena aventura mediana, despretensiosa, que revela várias lacunas (e já lá iremos), mas que por outro lado consegue entreter e levar-nos até ao fim. O programador, embora não domine inteiramente a técnica de programação, sabe como fazer um jogo divertido, e muitas vezes isso é o mais importante.

A história é também muito simples. Controlamos um robô, R-Stalker, que necessita em cada um dos cinco níveis do jogo, ligar a máquina que o tele-transportará para outras partes, incluindo uma nave e a Lua. Para isso necessita de montar a placa de navegação, que se encontra partida e espalhada por diversos pontos dos cenários. Tem também que activar as fontes energéticas do tele-transportador, doutra forma ficará apeado. Para o evitar, diversos robôs patrulham os corredores, disparando assim que detectam R-Stalker. Além disso, algumas paredes têm lasers integrados que vão disparando cadenciadamente.


Vamos primeiro às lacunas. Assim, aquela que afecta mais a jogabilidade, é o próprio sistema de movimentação do robô. Não é possível saltar na diagonal, apenas saltar, e depois já no ar, movermo-nos na direcção pretendida. Em situações de stress, que são frequentes, não se consegue atempadamente executar a acção pretendida.

Outro dos problemas detectados será certamente um bug: por vezes o nosso robô desaparece. Além disso, toda a acção revela lentidão e pouca fluidez, incluindo a passagem de um ecrã para outro, o que não é de estranhar, pois parte do jogo encontra-se em Basic compilado (experimentem a carregar na opção de sair do jogo no menu inicial, para verem o que acontece).

Por fim, e aqui parece-nos mais um problema estrutural, os inimigos requerem vários disparos certeiros para serem eliminados, e alguns são mesmo invencíveis. isso exige uma forma um pouco estranha de os ultrapassar, sendo necessário entrar no ecrã, disparar imediatamente, sair do ecrã antes que o disparo inimigo nos atinja, e repetir o processo até o inimigo ser eliminado. Ou então, nos robôs invencíveis, tentar saltar para cima deles por forma a não sermos atingidos pelos disparos e conseguir chegar aos pontos pretendidos. Não é a forma mais airosa de resolver a questão, pensamos nós.


Visto os pontos fracos deste jogo,poder-se-ia pensar que estávamos perante um jogo fraquinho. Mas isso não acontece porque o programador conseguiu, no meio das limitações toda, construir um desafio interessante. Os cenários são atractivos, e os gráficos, não sendo brilhantes, cumprem eficazmente com os objectivos, convidando sempre a tentar avançar para ver que perigos se escondem no ecrã seguinte. Além disso, existe um sistema de passwords que permite começarmos imediatamente no nível pretendido.

Assim, se estivéssemos nos anos 80, este seria um jogo a obter uma pontuação mediana por parte das revistas da época. E é precisamente isso que iremos dar, valorizando o trabalho de Andrey Efimov, que não se limitou a pegar num dos habituais motores de criação de jogos (La Churrera, AGD), que até seriam adequados para um desafio com estas características, antes desenhando e programando R- Stalker desde as fundações, apresentando assim um trabalho muito meritório para a Yandex Retro Games Battle 2019

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