domingo, 5 de janeiro de 2020

Valley of Rains


Nome: Valley of Rains
Editora: NA
Autor: ZOSYA entertainment
Ano de lançamento: 2019
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 K /128 K
Número de jogadores: 1

Quase que apostávamos que esta era a review que aguardavam com maior expectativa, para ver se partilhávamos do sentimento geral, que considera Valley of Rains como o jogo do ano, ou se por outro lado, encontrávamos algum defeito. Quanto ao primeiro, saberemos nos próximos dias, e se algum defeito encontrámos neste jogo, apenas um pequeno bug que faz com que por vezes os comandos não funcionem, ficando a nossa lindíssima princesa bloqueada. E quando chegamos ao ponto em que o maior defeito que encontramos é um pequeno bug inócuo, estamos conversados relativamente à qualidade de Valley of Rains.

Mas comecemos do início, precisamente pela introdução, que conta a história desta aventura, acompanhada de uma belíssima melodia da autoria de Tiurula (que nos fez lembrar Painkiller, dos Nocomment, na parte do refrão). Aliás, o jogo é acompanhado por um CD com a banda sonora, que ficará disponível em breve, criando o ambiente perfeito para este desafio (poderão vir aqui descarregar as faixas, e bem vale a pena). Também rapidamente irão perceber que as semelhanças com Savage, jogo lançado pela Firebird em 1988, são muitas. Isso mesmo é reconhecido pelos autores de Valley of Rains, que o criaram como uma singela homenagem a Savage.


Não sendo a história muito esclarecedora, isso pouco interessa, pois assim que damos início à batalha, numa floresta que é tudo menos encantada, rapidamente percebemos que temos quer ter dedo leve no gatilho. Bicharocos estranhos vêm desde logo ao nosso encontro (de pouco serve ficarmos parados), e se nos tocam, roubam-nos um pouco de energia. Aliás, cada um dos oito níveis tem um tempo limite para se terminar, pelo que a ordem é correr como se não houvesse amanhã. Mesmo sendo os cenários e gráficos esplendorosos, quase que apetecendo fazer pausas constantes para os admirar, não há tempo a perder.

São também muitos os power-ups disponíveis ao longo do jogo, desde armas mais mortíferas,  escudos defensivos, até aos sempre fundamentais tempo e energia extra. Aliás, com tanto inimigo e obstáculo pelo meio, fazer uma tirada limpa é tarefa impossível, apenas temos possibilidade de minimizar os estragos. Dai que as flores que aparecem pelo caminho, e que repõem um pouco de energia, devam ser sempre colhidas.

Mas Valley of Rains também tem elementos de aventura. Assim, para se conseguir passar para o nível seguinte, geralmente existe um objecto a recolher. Pode ser uma chave, pode ser uma alavanca que depois permite rodar as estátuas (nível 4), ou uma outra coisa qualquer, importante é estar com atenção aos elementos do cenário, pois por vezes parece ficarmos bloqueados, mas isso acontece porque não recolhemos algo que era necessária ou não efectuámos alguma tarefa obrigatória. Atenção sempre em níveis máximos, portanto.


Já dissemos que os gráficos são do melhor que se viu no Spectrum (e não estamos a exagerar), mas gostámos particularmente dos pântanos no nível 3, com os reflexos na água e o efeito de paralaxe a criar um ambiente difícil de imaginar no Spectrum. Parece inacreditável como se conseguiu colocar tanta coisa em tão pouca memória. Se não acreditam, experimentem a contar o número de diferentes inimigos que vão encontrar ao longo da aventura. O segredo está na animação char-based 8x8, que permitiu poupanças fundamentais ao nível da memória.

Poder-se-ia também pensar que os programadores colocaram as fichas todas na vertente visual e sonora, em detrimento da jogabilidade. No fundo era o principal problema de muitos programas espanhóis de final dos anos 80 e início dos 90, que apresentavam jogos com gráficos grandes e muito bonitos, mas descuravam a parte da jogabilidade. Além disso, o nível de dificuldade era sempre demasiado elevado (para não dizer impossível), provocando muitas vezes frustração e levando as pessoas a abandonar o desafio. Nada disso acontece em Valley of Rains, cujo nível de dificuldade está ajustado. Para terem uma ideia, na primeira vez que jogámos, conseguimos chegar ao nível 4. Mais umas tentativas e conseguimos chegar ao nível 7, onde as abelhas assassinas, que seguem um padrão difícil de se atingir, deram cabo de nós. Com um pouco de insistência lá chegámos ao covil da Besta, que parece saída do filme Aliens. Só depois de se derrotar o monstro final se tem acesso a uma excelente animação, congratulando-nos pela nossa habilidade.


Com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo no ecrã, poder-se-ia também pensar que iríamos perder o controlo da acção, no fundo um dos defeitos de Chibi Akuma's. Os gráficos e cenários também eram fascinantes, mas limitavamo-nos a disparar a torto e direito para tudo o que se mexesse. Isso não acontece em Valley of Rains. Obviamente que o disparar constante é, mais que aconselhável, imperativo. Mas teremos que definir aquilo que queremos atingir, muitas vezes sendo mais importante correr, mesmo lavando com os inimigos em cima, do que tentando eliminar tudo o que se mexa. No fundo aqui sentimos que controlamos a nossa personagem e o decurso da acção, algo que não acontecia no outro jogo.

Por outro lado, poderão vir os críticos dizer: ah, e tal, é monótono. Não, o jogo não é monótono, poderão é não gostar do género, mas isso é algo completamente diferente. Também se pode achar que Laser Squad é aborrecido, mas seguramente será por alguém que não aprecia o género, a qualidade do jogo não poderá nunca ser colocada em causa. Isso mesmo se passa aqui, o jogo é excelente, ponto. Goste-se ou não dele, pode-se até achar que é uma mera cópia de Savage, embora um pouco mais rápida, mas não se poderá apontar é falta de qualidade a Valley of Reins. Quem o fizer não estará seguramente a ser honesto.


Este jogo é então um espectáculo visual imenso e não é por acaso que venceu a competição Yandex Retro Games Battle 2019, quer na vertente da votação do júri, quer na vertente da votação popular. Inteiramente justo, e se Drift! e Just a Gal nos tinham deixado com um sentimento um pouco agridoce, Savage, perdão, Valley of Rains da mesma editora, deixou-nos completamente estarrecidos.

O nosso conselho é que descarreguem Valley of Rains, poderemos garantir que não se irão arrepender. E depois comprem a caixa, possivelmente acompanhada com o CD, e voltem a jogar Valley of Rains!

6 comentários:

  1. André the game has joystick features :) you wrote joystick não at the beginning of your article...

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  2. a blind copy of savage with different graphics and more bored than oroginal takes 10?

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  3. byevoltor
    Ele ganhou o pódio.

    Tir Na Nog, sabotador, popeye, etc ... Você deve deixar uma medalha para este grande jogo.

    Ótimo em todos os sentidos.

    O zx spectrum não estava morto, estava festejando.

    Feliz 2020 para todo o planeta Sinclair.

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    1. Muito obrigado por seguires tão fielmente o Planeta Sinclair, mesmo sendo em português. Abraço e um excelente 2020 ☺

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