quinta-feira, 16 de abril de 2020

Ninjakul in the AUIC Temple


Nome: Ninjakul in the AUIC Temple
Editora: Pat Morita Team
Autor: Antonio J. Pérez, Igor Errazkin, McKlain
Ano de lançamento: 2018
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 128 K
Número de jogadores: 1

Este Ninjakul já tem dois anos, pelo que não se pode considerar como um retrocesso relativamente aos últimos jogos de Antonio Pérez, nomeadamente o brilhante Black & White, que não nos cansamos de elogiar. Mas de facto, está longe do brilhantismo desse, em parte desculpável, porque este trabalho pretendia ser apenas uma pequena aventura para a RetroMadrid 2018, mesmo tendo uma edição física muito exclusiva, vendida apenas nessa feira, sendo finalmente dois anos depois libertado com distribuição digital.

Diz-nos a história que os ninjas da tribo Chun-go tomaram o templo de Associação de Usuários de Informática Clássica, ficando com todo o dinheiro dos associados para depois gastarem em álcool e senhoras de boas virtudes. Não admira assim que os arrogantes holandeses pensem que o pessoal do Sul gasta o dinheiro "deles" nestas frivolidades. Seja como for, ainda recentemente o nosso Primeiro-Ministro lhes deu troco, em nome dos países do Sul, situação que terá dado tanto gozo aos portugueses, como aos espanhóis. De qualquer forma, esta história não poderia ser mais actual, e pela sua originalidade e bom-humor, merece logo um ponto na classificação final.

Afortunadamente aparece Ninkakul (ou seja, nós), que está disposto a enfrentar todos os ninjas dessa tribo, recuperando o dinheiro, para que a associação o possa gastar em álcool e mulh... Queremos dizer em material retro na feira de Madrid, para efeitos académicos e de investigação, obviamente.


O jogo decorre em dois locais, correspondentes aos dois únicos níveis. O primeiro é passado no exterior do templo, incluindo os subterrâneos e as nuvens. Temos que encontrar os mealheiros em forma de porquinho, formato típico dos anos 70 e 80. Apenas se consegue entrar nos subterrâneos por um alçapão que abre depois de ser recolher os mealheiros que se encontram nos níveis superiores. E se a tarefa já era difícil na primeira parte do nível, com os Ninjaball e os Ninja-copter a fazerem das suas, mais complicado se torna no piso inferior, onde temos que lidar com  os Ninja Mole, sempre estrategicamente colocados de modo a causarem-nos mossa.

Além dos obstáculos naturais com que o nosso ninja se depara, implicando estar sempre aos saltos, os inimigos disparam constantemente contra ele. Assim, momentos de pausa não existem, andando Ninjakul num corropio constante à cata dos mealheiros, ao mesmo tempo tentando evitar os inimigos e os seus disparos. Não é fácil, até porque as munições não abundam, e a energia também se esgota num ápice.

Depois de recolhidos todos os objectos no primeiro nível, abre-se a entrada do templo. Surgem agora novos inimigos, como o traiçoeiro Chino Cudeiro e o temível Fogo Fatuo. Embora os cenários sejam substancialmente diferentes, a mecânica de jogo é exactamente igual, incluindo a racionalização de recursos, tão em voga nos últimos tempos. Isto é, se desatamos a disparar a torto e direito, rapidamente ficamos sem munições e com poucas possibilidades de chegarmos ao fim. E também rapidamente se termina o nível, chegando ao final do jogo em pouco mais de 10 minutos (avisámos que era uma mini-aventura).


Infelizmente a história é mesmo o melhor desta aventura, que não é mais que o típico platformer criado com recurso ao MK2, contemplando os habituais saltos irreais e som irritante (verdade seja dita, a música está bem concebida). A sequela, Ninjakul 2: The Last Ninja, lançada em 2019, é infinitamente melhor, e já agora, muito mais longa.

Se entendermos este primeiro episódio da saga como uma pequena brincadeira, então as nossas expectativas não serão defraudadas. No entanto, tendo o jogo só agora aparecido para o público em geral, e tendo então esta equipa lançado jogos de grande nível, e já nem estamos a falar de Gimmick! Yumetaro Odyssey do mesmo autor, outro dos grandes jogos de 2018, então não podemos deixar de nos sentir um pouco decepcionados. A equipa já provou que é capaz de bem melhor, e seguramente que o irá demonstrar com o demake de Toki (TokiMal), recentemente anunciado aqui.

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