
Nome: The Road to Hell
Editora:
Autor: Rogerio Biondi
Ano de lançamento: 2026
Género: Aventura de texto
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 128 K (ZX Spectrum +3)
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Aqui
Rogerio Biondi não é um mero programador. Não, Rogerio Biondi é um verdadeiro contador de histórias. Senão vejamos como começa a sua narrativa, no excelente manual que acompanha o lançamento de Road to Hell, e que vem acompanhado de gravuras magníficas.
Existe um lugar, no coração das montanhas da Bolívia, onde o asfalto se rende ao barro e o barro se rende ao abismo. Os antigos a chamavam de Camino de los Yungas. O mundo a apelidou de Estrada da Morte.
Três metros e meio de largura. Mil e duzentos metros de queda. Uma única falha do motorista, uma única curva mal calculada, e o veículo desaparece nas nuvens que dormem lá em baixo. Centenas de cruzes marcam o asfalto. Algumas com nomes. Outras apenas com flores. Outras... Bem... Já não há mais ninguém para visitar.
Quando a neblina desce, ela não desce sozinha. Os caminhoneiros contam que ouvem motores de ônibus que já se foram. Que veem passageiros parados na curva onde caiu o autocarro de 1983. Que, em certas noites, alguém bate na janela do carona pedindo para entrar. E todo mundo na Bolívia sabe: não se dá carona na Estrada da Morte.
Os Yungas. Onde a montanha sussurra. Onde Supay caminha. Onde Pachamama se lembra dos seus mortos.
É para essa estrada que você partirá esta noite.
Os leitores que me perdoem o tom mais pessoal desta review, bem como a fotografia acima, mas isso porque o Road to Hell, não é mais que o Death Road na Bolívia, a famosa Estrada da Morte, um caminho que fiz de bicicleta há mais de 10 anos, no qual comprovei muito daquilo que se passa nesta aventura. Na foto em cima ainda estava a começar a aventura, daí o meu ar limpinho e descansado. Quando terminei, tinha passado por temperaturas extremas, abaixo de zero e acima de 30, estava extenuado, e com lama por todo o lado. Tendo passado por essa experiência inesquecível, podem imaginar como fiquei feliz quando o Rogerio me perguntou se queria ser beta tester do seu novo jogo, que prontamente aceitei, claro.
Mas além do local onde o jogo decorre, o desafio tem também outros atractivos que não dispenso, pois esta é uma aventura de mistério, que poderia muito bem ser verdade, tendo em conta tudo aquilo que rodeia os Andes. Assim, Clara, a nossa esposa, morreu há 11 semanas em circunstâncias muito estranhas. Supostamente por afogamento, mas existe um suspeito que se encontra do outro lado dos Yungas e, na falta de voluntários, teremos que ser nós a ir entregar a intimação para o levar a julgamento. Teremos assim que fazer a Estrada da Morte! Coragem, eu já a fiz, vocês também a podem muito bem fazer, nem que seja desta forma...
Paralelamente a todo o ambiente que rodeia o jogo, este tem também muitas coisas que não é assim tão vulgar vermos neste género. A complexidade é bastante grande, não tanto pelo número de locais (pouco mais de duas dezenas e meia), muito menos por ser labiríntico (que não é, na realidade o caminho é sempre em frente, isto é, a descer), mas pelo número de situações e caminhos alternativos que nos podem levar a sete finais diferentes. Ok, nem todos são bons, na realidade apenas dois deles levam a um final feliz.
Uma das situações invulgares está relacionada com a própria mecânica do jogo. Assim, o caminho faz-se sempre a descer, conforme dissemos. Mas de carro. Ou seja, temos que entrar no carro, meter a viatura em movimento, desviarmo-nos dos perigos, e chegarmos à paragem seguinte. Saindo do carro, podemos examinar alguns locais, realizar algumas acções, que vão contribuir para, não só podermos avançar na história, mas também para definir o nosso nível de sanidade, luto e físico, e que tem depois impacto directo na forma como algumas coisas aparecem ou acontecem. Percebem agora porque dissemos que apesar de ser uma aventura bastante directa, é também tremendamente complexa.
Existem também dois caminhos, apesar de ser sempre a descer. Podemos ir pela esquerda, ou pela direita, podendo nos pontos de paragem ir para um ou para outro local. No final da descida iremos ter ao mesmo ponto, mas teremos passado por situações diferentes, teremos recolhido objectos diferentes, levando então a finais diferentes. Mas, no geral, as situações a ultrapassar são bastante intuitivas e são dadas dicas suficientes nos locais de paragem. Apesar da já referida complexidade, o jogo não é difícil. Portanto, iniciantes nas aventuras de texto, nada receiem desta Estrada da Morte.
Deixamos ainda algumas dicas, importantes para quem pega no carro e não o sabe conduzir:
- Obstáculos no caminho (pedra, buraco, etc.), é travar (b)
- Sinais de presença humana (vulto, faróis, etc.), é desviar (r)
- Sinais atmosféricos (névoa, perfume, etc.), é acelerar (a)
- Só reagir quando é necessário, pois custa sanidade
- Reacção errada pode levar à morte, em caso de dúvida, rezar
- Mas o rezar só funciona com sanidade acima de 5, abaixo disso, é pior


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