sábado, 9 de maio de 2026

Blindwalker


Ariel Endaraues já se tornou um nome prestigiado na cena do ZX Spectrum, não só pelo extremo cuidado que coloca em todos os seus jogos, mas também porque apesar de usar os motores standard de criação de jogos (como é o caso do MPAGD), faz sempre questão de colocar mecânicas e pormenores diferentes daquilo que é habitual nos trabalhos criados com esses motores. Aliás, essa é mesmo um das suas características e, talvez por isso, os seus jogos são sempre muito apreciados e lembrados pela comunidade.

Também é verdade que nem sempre adorámos os jogos de Ariel, no entanto, dois deles em particular, Vampire Vengeance e The Last Escape, encheram-nos as medidas e não foi por acaso que considerámos que tinham o estatuto de Mega Jogo. E Blindwalker concorre agora para entrar nessa galeria de jogos restrita de Ariel que nos enche completamente as medidas, muito embora o jogo esteja muito mais próximo de Yokai Monk, dos que dos dois primeiros.

Pronto, já perceberam que gostámos muito de Blindwalker, tanto que fizemos questão de o levar até ao fim, algo que hoje em dia já não conseguimos fazer com a regularidade de antes (o tempo tornou-se um bem muito escasso). Mas Blindwalker merece que se completem os 35 níveis de inteligentes quebra-cabeças que Ariel preparou de forma tão zelosa.

Mas além das sua implementação de excelência, a originalidade também atinge uma bitola muito elevada neste jogo. Aliás, que saibamos, é a primeira vez que é criado um jogo em que temos que guiar um cego, pelo menos para o ZX Spectrum. Já tivemos jogos em que tivemos que guiar sonâmbulos, mas assumir o papel de um cão-guia, nisso Blindwalker será certamente pioneiro.

E tudo acontece porque numa noite de tempestade, Matt e o seu fiel cão-guia Rocky, refugiaram-se numa velha mansão. Mas assim que entram, a porta fecha-se, e rapidamente percebem que não estão sozinhos. O objectivo é então conduzir Matt para a porta de saída, contando com a ajuda dos seu canito.

Aqui reside a originalidade deste jogo, pois não controlamos Matt, mas sim Rocky. Sendo cego, Matt não consegue ver os obstáculos, muitos deles mortais, nem as aberrações fantasmagóricas que povoam a mansão. Por isso fica muito quieto no seu canto e só comeca a andar quando o seu fiel companheiro dá um toque com a pata no chão, mas para que possa ouvir a chamada, têm os dois personagens que estar em plataformas ao mesmo nível, dificultando a tarefa. Matt sabe então que o caminho é seguro e avança, completamente alheio ao que possa encontrar pela frente. Tendo cada sala da mansão inúmeras plataformas, tem que se delinear muito bem o caminho a fazer, para que Matt avance sem ir contra obstáculos ou inimigos.

Dito assim, a missão parece muito fácil, não é? Pois estão a ver mal a coisa, pior ainda do que Matt. Cada obstáculo tem uma forma específica de ser ultrapassado. Por exemplo, os espigões apenas desaparecem se um dos personagens, ou algum objecto, o estiver a calcar. As guilhotinas apenas param quando se toca num interruptor, que as bloqueiam durante uns escassos segundos, os suficientes para que Matt, Rocky, ou ambos possam passar por elas de forma segura. O pior é quando além disso tem que se evitar simultaneamente os fantasmas, que percorrem caminhos pré-definidos. E os trampolins permitem saltar para plataformas mais elevadas, no entanto, de permeio estão os fantasmas, e há assim que temporizar os momentos em que se indica a Matt para avançar.

Estas são apenas algumas das maldades que Ariel contemplou em Blindwalker. Acrescente-se o facto de apesar de Rocky poder saltar sobre os obtáculos, Matt não o pode. Caminha sempre a direito e não pára, a não ser que algum obstáculo ou a parede interrompa a sua marcha. Esta é mesmo a principal dificuldade, pois temos que estar com atenção a todos os perigos, mas ao próprio Matt, e muitas vezes temos que o fazer andar para trás e para a frente, num curto espaço, até ser o timing ideal para que possa avançar na direcção certa sem perigo. 

Blindwalker é assim bastante difícil, mas Ariel, sabendo isso, e não existindo um sistema de passwords (que até poderia ser útil), concedeu-nos vidas infinitas. É assim possível tentar completar os níveis vezes sem conta. E é isso mesmo que acontece, pois geralmente, as primeiras tentativas são para perceber como se movimentam os inimigos e como se ultrapassam os obstáculos.

O jogo tem outro pormenor engraçado. Assim, a música é da responsabilidade de Daniel Isoba, personagem também muito bem conhecido da cena. Poderão identificar as várias músicas que compõem o jogo, mas uma delas ficou-nos logo no ouvido: Quizás, o bolero Cubano que se tornou muito familiar para quem jogava initerruptamente Samantha Fox Strip Poker. Não que o tivéssemos alguma jogado, mas ouvimos falar...

Blindwalker é então um jogo seguro, garantia de bons momentos, e que só um cego não o vê. Podem vir aqui descarregá-lo e dar um justo prémio ao seu criador. Além disso, porque não, antes de o experimentarem, verem o mestre Javi Ortiz a dominá-lo? É muito fácil, basta virem aqui ver o seu directo, que, além disso, lançou este jogo em primeira mão.

1 comentário:

  1. André, te agradezco el tiempo y la dedicacion en hacer la review tan rápido. Como dices, no es un mega juego, pero parece que a la gente le cayeron simpáticos los personajes y la mecánica. Abrazo

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