sábado, 4 de julho de 2026

President


Nome: President
Editora: Addictive Games
Autor: Kevin J.M. Toms
Ano de lançamento: 1987
Género: Estratégia
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48K
Descarga: Aqui

Quando se fala em Kevin Toms, há duas coisas que imediatamente nos vêm à memória: Football Manager e a sua fotografia com a famosa barba na capa desse mesmo jogo. Mas para nós, Kevin Toms é também sinónimo de um dos jogos, que a par de Formula One, mais jogámos no ZX Spectrum nos anos 80: President.

Também sabemos que existe muita gente que não conhece este jogo. Sendo de gestão / estratégia, um estilo que pode ser considerado como de nicho, não ajudou a que se tornasse mais conhecido. E convenhamos, as reviews nas revistas especializadas na altura também não foram as mais famosas ou mesmo justas. A Sinclair User deu-lhe 4 em 5, e a Your Sinclair 7 em 9. Parece-nos adequado. No entanto, a Crash deu-lhe uns míseros 29%, o que diz mais de quem analisou o jogo, do que do próprio jogo em si. O mesmo tipo de críticas tinha sido feito precisamente a Formula One, mostrando que não se deram ao trabalho sequer de explorar estes jogos em todas as suas vertentes. Mas isto pouco interessa agora, portanto vamos ver como President resistiu à passagem do tempo.

O jogo coloca-nos na pele de Presidente de uma país, numa história já antes vista em Dictator, do saudoso Don Priestley. E as semelhanças não se ficam apenas pela história, porque a própria dinâmica é muito semelhante. Simplesmente que, enquanto nem Dictator podemos acabar o jogo às mãos de uma revolução, em President tudo se desenrola em ciclos de 24 meses, sendo o período no qual quando decorrem as eleições. E tal como em Dictator, em cada mês (turno) existe um certo número de acções a realizar e estas são sempre as mesmas. Vejamos assim cada uma delas...

O nosso país tem crude, esse bem, não muito escasso, mas que tanta guerra (e poluição) provoca em todo o planeta. A par da indústria do armamento, é aquela que mais miséria humana e mortes provoca, e, como tal, é muito bem representada no único ecrã de Presidente que apresenta alguns gráficos. O nosso país é então representado através de uma grelha na qual podemos colocar as nossas peças ou recursos (uma por turno). Não só as culturas agrícolas (são de três tipos), como os oleodutos (necessita de poço, armazém e cisterna + rede de estradas), mas também os sistemas anti-aéreos e tanques de guerra. Por outro lado, o país vizinho, nosso inimigo, através dos seus tanques, tenta destruir o nosso armamento e infraestruturas. Eventualmente poderá haver raides aéreos e quando isso acontece, destroem todos os taques que cruzam o caminho, seja nosso ou do inimigo. Os tanques têm uma força de 1 a 10, que aumentam a cada turno que passa, desde que não sejam destruídos, claro. Se destruirmos tanques inimigos, a nossa popularidade aumenta 2%, no entanto, se perdermos tanques, decresce na mesma proporção.

Os recursos têm obviamente um custo e convém também não levar o país à bancarrota. Daí a importância de gerir muito bem os stocks de crude, mas também os recursos agrícolas. A estes últimos, já lá iremos.

As reservas de óleo são importantes, pois permite-nos vender os stocks no mercado e colocar a balança de pagamentos em terreno positivo, ou, tão ou mais importante, obter contratos de fornecimento com outros países, normalmente com condições mais vantajosos a nível financeiro. Mas também a nível da popularidade, pois sempre que cumprimos com os termos de fornecimento de um contrato, ganhamos mais 1% de popularidade (se o contrato for cancelado, perde-se 1%, uma vez que é a nossa imagem que está em jogo).

Segue-se outro dos elementos muito importantes do jogo: a saúde da população. Esta varia de acordo com a escassez ou abundância de alimentos (arroz, cereais e fruta - arroz é um cereal!!!!). E as necessidades alimentares da população estão directamente relacionadas com as infraestruturas petrolíferas existentes no terreno. É assim extremamente importante, antes mesmo de pensarmos em fazer dinheiro com o crude, satisfazer as necessidades alimentícias da população, doutra forma, a nossa popularidade começa irremediavelmente a descer. Estando a população bem alimentada e sem epidemias, a percentagem de popularidade sobe, havendo fome, ou doenças descontrolados e epidemias, naturalmente desce.

Por fim, podemos ainda negociar com ouro, comprando quando o valor está em baixo, vendendo quando está elevado. Podemos ir antecipando, e até manipulando, as flutuações de mercado, e ganharmos aqui dinheiro suficiente para conseguirmos ir mantendo o nosso país com superavit. Se a balança de pagamentos for positiva, ganhamos mais 1% de popularidade, se for negativa, perdemos 1%.

Entre cada decisão, é mostrada uma sondagem com a percentagem de votação em cada um dos três partidos existentes, o nosso, os moderados e os extremistas. E depois de cada turno, voltamos ao ponto de partida, passando por todas as decisões novamente.

No final dos 24 meses, chega-se então ao climax, ou seja, as eleições. Nessa altura, consoante a nossa popularidade, vemos os votos a irem para o nosso partido ou para os partidos adversários. Ganhando a eleição, temos mais um ciclo de 24 meses para decidirmos o futuro do país. Doutra forma, o nosso mandato termina de forma inglória.

Vamos ser sinceros, o jogo tem algumas limitações. E já nem falamos das teclas (mal) escolhidas e sem possibilidade de serem redefinidas. Na fase do tabuleiro de jogo, os tanques são seleccionados sempre na mesma ordem, levando muitas vezes a que uma determinada unidade fique encravada entre tanques que apenas conseguiremos mover mais à frente. Os raides aéreos são injustos, na medida que eliminam amigos e inimigos. E as decisões a tomar acabam por ser um tanto ou quanto monótonas, pois existe pouca variabilidade.

No entanto, gostamos muito desse jogo, tanto que foi dos poucos que nunca deixámos de jogar até aos dias de hoje. É verdade que é um género que nos atrai bastante, mas a dinâmica encontra-se muito bem conseguida, e consegue-se fazer um ciclo de 24 meses em cerca de uma hora, sem regras ultra complexas ou grandes momentos mortos. Sabemos que não é um jogo para todos, mas mesmo quem não gosta do género, deve dar-lhe uma espreitadela. Pode ser que se surpreendam...

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