sábado, 26 de setembro de 2026

RoboCop 3


 Nome: RoboCop 3
Editora: Ocean Software
Autor: Dominic Wood, Hugh Binns, Tony Williams, Jeroen Tel
Ano de lançamento: 1992
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick:  Kempston
Memória: 128K
Número de jogadores: 1
Download: Aqui

Depois de um agradável primeiro episódio da saga Robocop, a capitalizar com o lançamento do filme (o jogo esteve dois anos no top de vendas), e de uma sequela, que para nós é o melhor jogo da trilogia, é lançado já no final da primeira era comercial do ZX Spectrum o último episódio da série. Digamos que as expectativas não eram as melhores, não obstante ser desenvolvido pela insuspeita editora Mancuniana Ocean Software. A cena do ZX Spectrum estava em declínio acentuado, a Crash já nem sequer existia, a Your Sinclair levava a cabo uma campanha para salvar o ZX Spectrum (e que ainda deu origem a um ou dois jogos de boa qualidade), e os jogadores no geral já se tinham transferido para os 16 bits. Apenas os (muito) mais jovens continuavam no ZX Spectrum, visto como um computador menor e obsoleto (a história demonstrou mais tarde que não era bem assim), e os pais não estavam predispostos a comprar para os seus filhos jogos tão violentos como Robocop 3. Não é assim de admirar, portanto, que as vendas tenham sido muito modestas. Também por essa razão, Robocop 3 é visto como o Santo Graal dos jogos do ZX Spectrum e atinge actualmente valores exorbitantes no mercado retro, muitas vezes acima das 500 libras.

Com este enquadramento desfavorável à partida, a qualidade do jogo obviamente que se ressentiu. Não existia muito dinheiro para apostar em grandes produções, pelo que Robocop 3 acabou por ser um produto menor, quase uma reciclagem dos episódios anteriores, muito mais curto, descaracterizado, sem qualquer chama ou ponta de emoção. Se estivéssemos perante uma demo hi-tech, podia ser que ainda se safasse, como um jogo completo, ainda por cima com um preço muito acima da classe budget, a decepção deverá ter sido muito grande para os poucos incautos que o adquiriram na altura. Em parte, foram ao engano, pois as reviews da Your Sinclair e da Sinclair User foram bastante favoráveis. Mas nessa altura o padrão de qualidade dos jogos em geral já era baixo, além disso, a Ocean deveria ser das poucas publishers que ainda anunciavam nas revistas. Perdoa-se o pecado, portanto...


Robocop 3 é bastante curto, como se disse. São apenas cinco insipientes níveis, e nem o facto de apenas se ter uma vida, impede que se termine o jogo ao final de algumas tentativas. De cada vez que somos atingidos por um tiro ou por um inimigo, perde-se um pouco de energia (medido através de uma barra de eficiência), mas como entre níveis se pode recuperar dos danos que foram infligidos (se tivermos apanhado tokens suficientes), normalmente o nosso meio robô - meio humano, começa cada nível com carga máxima.

O primeiro dos níveis, e o único que tem alguma variedade em relação aos restantes, é um exercício de tiro ao alvo, fazendo lembrar Prohibition. Os inimigos, numa primeira fase, vão aparecendo nas janelas dos dois blocos de edifícios ou nos descampados que os medeiam. Mais à frente surgem inimigos a caminhar e que nos atiram com algo semelhante a cocktails Molotov. Em qualquer dos casos, há que os abater o mais rápido possível, assim como aos petardos que nos atiram. Tudo muito visto e o facto de ser tudo a preto e branco, ainda torna o exercício mais maçador. Não começou bem...

O segundo nível é o mais parecido com os anteriores episódios da saga. Caminhamos horizontalmente numa fábrica, onde vão aparecendo ninjas (???) e mais uns meliantes, que têm que ser rapidamente abatidos. Tanques de ácido, ou algo que o valha, são obstáculos a saltar, sendo que se cairmos num desses tanques, é morte imediata. Talvez por ser o mais semelhante aos episódios anteriores, e também porque tem um certo elemento de plataformas, é o menos monótono de todos.

Os níveis 3 e 4 são praticamente iguais. Estamos então munidos de um jet pac (desconhecemos se isso aparece em algum dos filmes - apenas vimos o primeiro, que não deixou grandes recordações), e primeiro da direita para a esquerda, depois da esquerda para a direita, temos que ir avançando até encontrar os big bosses, nomeadamente um tanque e um robô. Tudo muito gasto e sem qualquer ponta de adictividade.


Finalmente, e para acabar mal, o quinto e último nível é mesmo o pior de todos. Num bloco com quatro andares, temos que ir subindo, eliminando mais ninjas e outro robô, até o jogo terminar sem qualquer brilho ou algo que prendesse a atenção por mais que uns minutos. Chega-se ao final do jogo e quem o comprou na altura de forma oficial pensa: foi para isso que pagámos 12 libras (15, se for a versão em disquete)?

Graficamente é tudo tão ou mais monótono que o próprio jogo. Os cenários são todos a preto e branco, e muito embora os movimentos do Robocop e restantes personagens até estejam bem conseguidos, apenas conseguem provocar sonolência ao fim de alguns minutos. Sonolência essa que nem sequer é quebrada pela música que acompanha o jogo. Nem isso o salva, infelizmente.

Robocop 3 é então assim representativo de uma época na qual existia um claro desinvestimento da indústria dos videojogos no ZX Spectrum. Se alguém queria jogos de acção pura, ia procurá-los nos 16 bits, que estavam então em grande força. Para o ZX Spectrum safavam-se as editoras budget (como a Codemasters), ou especializadas em produtos infantis, do qual a série Fun School, pelo sucesso que obteve na altura, é um bom exemplo. Muito longe estávamos de imaginar que 30 anos depois, este género voltaria em força para este pequeno (em termos de memória) computador...

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