Nome: Next Point
Editora: TechnoShed, Topo Siglo XXI
Autor: Víctor Morilla
Ano de lançamento: 2026
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Gamepad, mouse
Memória: Next
Número de jogadores: 2
Descarga: Em breve aqui
Tudo começou em 1990, quando Victor Morilla desenvolveu um jogo chamado Double Tennis que nunca chegou a ser lançado oficialmente (ver a história aqui). Felizmente que um .z80 sobreviveu e a partir daí, o seu criador conseguiu não só recuperar o jogo, como fazer diversas melhorias ao nível da jogabilidade e não só. Foi assim que surgiu a nova versão, lançada pela Team Siglo XXI em 2024. Fizemos a análise completa a este jogo aqui.
Um ano mais tarde, e aproveitando a embalagem, Victor desenvolveu um jogo de ténis para o Spectrum Next. E mesmo sendo apenas uma primeira versão do jogo, este já mostrava uma excelente jogabilidade e uma capacidade de entretenimento muito acima da média. Tanto que ganhou o prémio de melhor jogo de 2025 para o Spectrum Next, um galardão atribuído pela própria equipa que desenvolveu o computador, numa cerimónia realizada em Cantanhede (foi a primeira vez que foi atribuído o galardão para melhor jogo do Spectrum Next).
E agora, mais um ano passado, chega a versão final de Next Point, com muitas, mas mesmo muitas melhorias relativamente à primeira versão....
As diferenças começam logo no menu inicial, com um visual mais cuidado relativamente à primeira versão e várias opções à nossa escolha, nomeadamente poder-se seleccionar uma partida para um ou dois jogadores, ver uma demonstração com dois atletas a mostrarem os seus dotes num partida de ténis (é um belo screen saver, tal como o era Match Point há mais de 40 anos), definir o tipo de controlos e as teclas, ver os créditos, ou entrar-se num novo menu de opções.
Nesse novo menu de opções, é possível escolher o tipo de piso onde vamos jogar (e esta opção é muito relevante, como iremos ver mais à frente), a velocidade da bola, o número de sets para se vencer a partida, e até escolher se queremos ver a velocidade da bola em quilômetros ou milhas. É verdade, o jogo apresenta pormenores fabulosos, como permitir ver a velocidade a que a bola se desloca, com a indicação da mesma num placard electrónico no terreno de jogo. Não que tenhamos muito tempo para nos dedicarmos a estes pormenores, tal a velocidade das partidas.
Avançando-se para o jogo, se estivermos perante a versão digital de Next Point, existem nove jogadores contra os quais podemos efectuar uma partida. Esta versão é (também) distribuída juntamente com o Spectrum Next, para quem foi patrocinador do Kickstarter 3. No entanto, se adquirirem a versão física, que irá estar disponível mais à frente e inclui uma capa elaborada por Lorena Azpiri, têm acesso a 15 tenistas famosos, incluindo os Três Reis (Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic). Bem, os nomes dos personagens no jogo não são exactamente esses, mas é fácil perceber pela imagem e pela descrição quem são os tenistas presentes em Next Point.
Fica também a nota que inicialmente apenas estão disponíveis três tenista contra os quais podemos jogar. Mas à medida que vamos vencendo partidas, vamos desbloqueando novas caras. Femininas e masculinas, pois aqui não existe qualquer tipo de descriminação baseada no género.
Cada tenista tem características muito particulares, semelhantes às que apresentam (ou apresentavam na altura em que jogavam) na vida real. É muito importante ler bem o descritivo de cada um, pois a chave para o sucesso na partida começa ai mesmo. A estratégia para se derrotar a belíssima Gabriela Sabatini (tantos posters da Bravo que tínhamos dela a preencher as paredes do nosso quarto), é diferente da estratégia para se derrotar Rafa Nadal, que, não supreendentemente, é o tenista com melhores índices e, portanto, mais difícil de bater.
É aqui que também entra em conta o terreno de jogo. Cada tenista tem o seu terreno preferido, sendo obviamente mais difícil de bater se for esse o terreno escolhido. Além disso, isso confere uma nova dimensão a Next Point, pois as partidas, consoante o terreno em que decorrem, são diferentes. A própria velocidade que a bola atinge é diferente, sendo necessário uma estratégia um pouco diferente para levar de vencida os adversários.
Os tenistas têm também outros pormenores deliciosos, não apenas quando vencem ou perdem as partidas, cada qual celebrando à sua maneira, mas também durante a própria partida. É assim possível, por exemplo, ouvir os gritinho de Maria Sharawowya, de cada vez que toca na bola. Ou ver a birra que faz quando perde o jogo. Ou mesmo sentir a dôr de cada vez que a bola de jogo toca nas outras bolas (as nossas, pois claro).
Existem também três tipos de batidas na bola: "power shot", "slice" e "lob". Cada uma delas tem, como se esperaria, um efeito diferente no movimento que a bola vai fazer. Além disso, é possível dar diferentes efeitos à bola. Dominar todos os tipos de batida é fundamental para se poder conseguir vencer as partidas. E ao contrário daquilo que se esperaria, a curva de aprendizagem é imediata, pois tudo é muito intuitivo. Temos inclusive a possibilidade de ter três teclas para cada tipo de batida, se bem que preferimos ter apenas uma, jogando com várias teclas em simultâneo para se dar os efeitos e os diferentes tipos de batida. Tudo muito fácil, mesmo que pela descrição aparente alguma complexidade.
Um dos grandes defeitos dos jogos de ténis para o ZX Spectrum, do qual nem Match Point ficou imune, é a morosidade de cada partida. Isso não acontece em Next Point, pois mesmo podendo haver muitas trocas de bola no court, a velocidade é tão grande, que as partidas desenrolam-se de forma muito fluída e nada monótona. É assim possível vencer-se (ou perder) uma partida em 15 minutos, ou menos, contribuindo para uma experiência mais positiva.
Outro dos factores que também nos surpreendeu muito agradavelmente em Next Point foi o som. Poder-se-ia pensar que por estes lados não haveria nada de novo. Mas há, pois o som de uma partida é tal e qual como se estivéssemos a assistir a uma partida de ténis real. Claro que a voz sintetizada do árbitro para isso contribui, ou quando o público exulta com as jogadas primorosas, mas também aqui Victor mostra que não deixou nada ao acaso.
Next Point é assim um simulador de ténis de excelência. Victor realizou um trabalho fantástico, tendo dedicado muitos meses (anos?) a aprimorar o motor, para nos oferecer um dos melhores jogos de sempre para o Spectrum Next. É obrigatório obtê-lo, seja a versão digital, seja a versão física.





Sem comentários:
Enviar um comentário