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sábado, 22 de agosto de 2026

Next Point


Nome: Next Point
Editora: TechnoShed, Topo Siglo XXI
Autor: Víctor Morilla
Ano de lançamento: 2026
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Gamepad, mouse
Memória: Next
Número de jogadores: 2
Descarga: Em breve aqui

Tudo começou em 1990, quando Victor Morilla desenvolveu um jogo chamado Double Tennis que nunca chegou a ser lançado oficialmente (ver a história aqui). Felizmente que um .z80 sobreviveu e a partir daí, o seu criador conseguiu não só recuperar o jogo, como fazer diversas melhorias ao nível da jogabilidade e não só. Foi assim que surgiu a nova versão, lançada pela Team Siglo XXI em 2024. Fizemos a análise completa a este jogo aqui.

Um ano mais tarde, e aproveitando a embalagem, Victor desenvolveu um jogo de ténis para o Spectrum Next. E mesmo sendo apenas uma primeira versão do jogo, este já mostrava uma excelente jogabilidade e uma capacidade de entretenimento muito acima da média. Tanto que ganhou o prémio de melhor jogo de 2025 para o Spectrum Next, um galardão atribuído pela própria equipa que desenvolveu o computador, numa cerimónia realizada em Cantanhede (foi a primeira vez que foi atribuído o galardão para melhor jogo do Spectrum Next).

E agora, mais um ano passado, chega a versão final de Next Point, com muitas, mas mesmo muitas melhorias relativamente à primeira versão....

As diferenças começam logo no menu inicial, com um visual mais cuidado relativamente à primeira versão e várias opções à nossa escolha, nomeadamente poder-se seleccionar uma partida para um ou dois jogadores, ver uma demonstração com dois atletas a mostrarem os seus dotes num partida de ténis (é um belo screen saver, tal como o era Match Point há mais de 40 anos), definir o tipo de controlos e as teclas, ver os créditos, ou entrar-se num novo menu de opções.

Nesse novo menu de opções, é possível escolher o tipo de piso onde vamos jogar (e esta opção é muito relevante, como iremos ver mais à frente), a velocidade da bola, o número de sets para se vencer a partida, e até escolher se queremos ver a velocidade da bola em quilômetros ou milhas. É verdade, o jogo apresenta pormenores fabulosos, como permitir ver a velocidade a que a bola se desloca, com a indicação da mesma num placard electrónico no terreno de jogo. Não que tenhamos muito tempo para nos dedicarmos a estes pormenores, tal a velocidade das partidas.

Avançando-se para o jogo, se estivermos perante a versão digital de Next Point, existem nove jogadores contra os quais podemos efectuar uma partida. Esta versão é (também) distribuída juntamente com o Spectrum Next, para quem foi patrocinador do Kickstarter 3. No entanto, se adquirirem a versão física, que irá estar disponível mais à frente e inclui uma capa elaborada por Lorena Azpiri, têm acesso a 15 tenistas famosos, incluindo os Três Reis (Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic). Bem, os nomes dos personagens no jogo não são exactamente esses, mas é fácil perceber pela imagem e pela descrição quem são os tenistas presentes em Next Point.

Fica também a nota que inicialmente apenas estão disponíveis três tenista contra os quais podemos jogar. Mas à medida que vamos vencendo partidas, vamos desbloqueando novas caras. Femininas e masculinas, pois aqui não existe qualquer tipo de descriminação baseada no género.

Cada tenista tem características muito particulares, semelhantes às que apresentam (ou apresentavam na altura em que jogavam) na vida real. É muito importante ler bem o descritivo de cada um, pois a chave para o sucesso na partida começa ai mesmo. A estratégia para se derrotar a belíssima Gabriela Sabatini (tantos posters da Bravo que tínhamos dela a preencher as paredes do nosso quarto), é diferente da estratégia para se derrotar Rafa Nadal, que, não supreendentemente, é o tenista com melhores índices e, portanto, mais difícil de bater. 

É aqui que também entra em conta o terreno de jogo. Cada tenista tem o seu terreno preferido, sendo obviamente mais difícil de bater se for esse o terreno escolhido. Além disso, isso confere uma nova dimensão a Next Point, pois as partidas, consoante o terreno em que decorrem, são diferentes. A própria velocidade que a bola atinge é diferente, sendo necessário uma estratégia um pouco diferente para levar de vencida os adversários.

Os tenistas têm também outros pormenores deliciosos, não apenas quando vencem ou perdem as partidas, cada qual celebrando à sua maneira, mas também durante a própria partida. É assim possível, por exemplo, ouvir os gritinho de Maria Sharawowya, de cada vez que toca na bola. Ou ver a birra que faz quando perde o jogo. Ou mesmo sentir a dôr de cada vez que a bola de jogo toca nas outras bolas (as nossas, pois claro). 

Existem também três tipos de batidas na bola: "power shot", "slice" e "lob". Cada uma delas tem, como se esperaria, um efeito diferente no movimento que a bola vai fazer. Além disso, é possível dar diferentes efeitos à bola. Dominar todos os tipos de batida é fundamental para se poder conseguir vencer as partidas. E ao contrário daquilo que se esperaria, a curva de aprendizagem é imediata, pois tudo é muito intuitivo. Temos inclusive a possibilidade de ter três teclas para cada tipo de batida, se bem que preferimos ter apenas uma, jogando com várias teclas em simultâneo para se dar os efeitos e os diferentes tipos de batida. Tudo muito fácil, mesmo que pela descrição aparente alguma complexidade.

Um dos grandes defeitos dos jogos de ténis para o ZX Spectrum, do qual nem Match Point ficou imune, é a morosidade de cada partida. Isso não acontece em Next Point, pois mesmo podendo haver muitas trocas de bola no court, a velocidade é tão grande, que as partidas desenrolam-se de forma muito fluída e nada monótona. É assim possível vencer-se (ou perder) uma partida em 15 minutos, ou menos, contribuindo para uma experiência mais positiva.

Outro dos factores que também nos surpreendeu muito agradavelmente em Next Point foi o som. Poder-se-ia pensar que por estes lados não haveria nada de novo. Mas há, pois o som de uma partida é tal e qual como se estivéssemos a assistir a uma partida de ténis real. Claro que a voz sintetizada do árbitro para isso contribui, ou quando o público exulta com as jogadas primorosas, mas também aqui Victor mostra que não deixou nada ao acaso.

Next Point é assim um simulador de ténis de excelência. Victor realizou um trabalho fantástico, tendo dedicado muitos meses (anos?) a aprimorar o motor, para nos oferecer um dos melhores jogos de sempre para o Spectrum Next. É obrigatório obtê-lo, seja a versão digital, seja a versão física.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Tour de France


Já há muito tempo que o nosso amigo Domingues Silva, mentor da Avlisoft, uma marca com mais de 40 anos a lançar programas para o ZX Spectrum, que não nos agraciava com um dos seus trabalhos. Bem, na realidade já nos tinha dado mais coisas este ano, mas como estávamos habituados a ter novos programas num curto espaço de tempo, estes seis meses ou mais pareceram uma eternidade.

O seu novo jogo visa celebrar a modalidade do ciclismo, e, em particular, o Tour de France. Para isso criou uma pequena simulação que selecciona alguns corredores famosos, entre os quais o nosso praticamente conterrâneo João Almeida, mas também o Nelson Oliveira, e com recurso a dados, vai gerando os tempos na prova. Aliás, não resistimos a mostrar um ecrã no qual o João Almeida se encontra merecidamente em primeiro lugar, à frente dos sempre favoritos Vingegaard e Pogacar (este não participou no último Tour), e do birrento Evenepoel.

O programa está interessante, ainda mais para nós, que desde o surgimento do João Almeida, fazemos questão de acompanhar na televisão todas as suas provas (pelo menos as mais importantes).

Entretanto, o Zé Oliveira também pegou no jogo e criou uma nova versão, com algumas melhorias, nomeadamente maior rapidez, novo grafismo dos corredores, etc..

Podem vir aqui descarregar ambas as versões. Coloquem o emulador em velocidade 4X e divirtam-se!

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Night Train Deluxe


Jogo: Night Train Deluxe
Programadores: Undefined Crew
Género: Simulador
Origem: Rússia

A relatively realistic train dispatcher simulator with building capabilities. Build your own railway empire!

Provavelmente, dos programas que entraram na competição YRGB 2025, Night Train Deluxe era aquele que mais necessitava de instruções detalhadas, e foi precisamente o que os programadores optaram por não as deixar, não obstante um pequeno tutorial que se encontra dentro do próprio programa. Mas está longe de ser suficiente, e isso é consensual com todas as pessoas com as quais falámos sobre Night Train Deluxe, que não entenderam nada do programa. E é uma pena, pois parece ter muito potencial, ainda mais tendo em conta que haverá uma versão estendida e melhorada em breve, ou pelo menos está planeada, segundo os autores.

Por outro lado, fica a dúvida se Night Train Deluxe é mesmo um jogo, ou um simulador, que permite criar pistas que apenas têm como limite a nossa imaginação. Por aquilo que fomos experimentando, será o segundo caso, e pese embora os enormes méritos do programa, entrar numa competição de jogos, nos quais parâmetros como a jogabilidade, gráficos e som são avaliados, as hipóteses de ficar nos primeiros lugares são muito ténues. Pelo menos parte claramente em desvantagem.

Por outro lado, e mesmo com gráficos vectoriais e básicos, e som nulo, o programa destaca-se pela sua enorme originalidade. Em tempos havia uma editora especializada em lançar simuladores de linhas de comboios, a Ashley Greenup, com dezenas de títulos, alguns dos quais fomos preservando e disponibilizando pela comunidade, fazendo-nos Night Train Deluxe lembrar um pouco esses programas (os "Powerbox"). De fora da equação ficam os galardoados Southern Belle e Evening Star, pois esses eram de outro campeonato, e permitiam uma experiência completamente diferente, assemelhando-se muito mais a um verdadeiro jogo.

Assim, tendo em conta a parca experiência que tivemos com este programa, parece-nos que está razoavelmente implementado, com alguma lentidão e um menu com comandos mais ou menos intuitivos, mas a necessitar de ser refinado (talvez fique para uma próxima versão, pois pelo que sabemos, ainda estão muitas funcionalidades por serem implementadas). Night Train Deluxe é apenas destinado a um nicho muito específico, e talvez esses consigam usufruir do programa em todas as suas funcionalidades.

Pontos positivos: o mais original dos programas da competição.

Pontos negativos: não é um jogo, apenas uma demo, som nulo.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Double Tennis

 

Nome: Double Tennis
Editora: Team Siglo XXI
Autor: Víctor Morilla
Ano de lançamento: 2024
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48K
Número de jogadores: 2
Descarga: Aqui

A Team Siglo XXI está de regresso, e só não é uma completa surpresa este novo lançamento, porque já o tínhamos referido há algum tempo em Planeta Sinclair (ver aqui). De qualquer forma, este é daqueles jogos que não esperávamos ver alguma vez recuperados e a dar origem a uma nova versão para o ZX Spectrum. Em boa hora isso aconteceu, até porque corrige alguns dos problemas da versão de 1990, nomeadamente ao nível da jogabilidade. De resto, podem consultar aqui a entrevista com o seu autor, Victo Morilla, onde é desvendada a história deste jogo e muito mais.

O que desde logo salta à vista em Double Tennis é a infinidade de opções e o seu realismo. De resto, este é mesmo o seu ponto mais forte, pois não só é possível jogar com (ou contra) os grandes jogadores de final dos anos 80, com o grande Ivan Lendl à cabeça, os Grand Slam (Wimbledon, Roland-Garros, EUA e Austrália), e até a Taça Davis, neste caso estando ao serviço do nosso país. E podemos jogar em singles, em pares (a mais divertida de todas as variantes), com ou contra o computador, ou na companhia de um humano. Além disso, é possível escolher o tipo de piso (relva, argila / terra batida ou cimento / piso duro), cada um deles com um comportamento diferente na bola, e a côr do terreno e até do border, podendo ser configurado à nossa medida, ou então usar as definições por defeito, isto é respeitando as características de cada torneio. Como podem ver, é inacreditável o número de variantes que o jogo tem, constituindo divertimento para muito, muito tempo.

Se ao nível das opções estamos falados, como se porta Double Tennis no terreno de jogo? Vamos ser sinceros, quando experimentámos a versão de 1990 há muito tempo, não nos cativou por ai além. Não que achássemos o jogo fraco, muito pelo contrário, mas porque não era fácil entrar num desafio e começar a dar alguma luta, respondendo às bolas do adversário, quanto mais ganhar pontos. Mas agora, ao testarmos esta nova versão, talvez porque também a jogabilidade efectivamente sofreu algumas melhorias, conseguimos ao final de algum tempo começar a dar luta e até a ganhar alguns sets. Para já ainda não conseguimos vencer nenhum torneio, até porque à medida que vamos passando os adversários, o nível destes vai subindo, e a estratégia que usámos para vencer o adversário anterior, não irá servir para o novo.

Claro que podemos tentar facilitar a missão, escolhendo o nível mais fácil (apenas para as partidas particulares), assim como a velocidade da bola. Aconselha-se de todo a começar com a velocidade mais lenta, só quando começarmos a dominar a forma de bater a bola e a posição ideal do nosso jogador para a rebater, é que nos podemos atrever a mudar para uma velocidade mais rápida. Doutra forma iremos andar literalmente aos papéis e a levar cabazadas de todo o tamanho.

Talvez o aspecto mais difícil do jogo, com excepção de encontrar a posição que permite rebater a bola, seja dominar os vários tipos de golpes possíveis. Senão vejamos aqueles que temos à disposição: drop shots, volleys, lobs e smashes. Percebermos o momento certo para aplicar determinado golpe, é a forma mais rápida de se conseguir ganhar o ponto. Assim, se no momento de batermos na bola, pressionarmos a tecla de direção no sentido da rede, faremos um serviço forte e que permite desde logo ganhar alguma vantagem face ao adversário (mas a probabilidade de falhar o golpe também é maior). Para se fazer um Drive / Backhand,  temos que acertar na bola quando esta estiver perto do jogador. Se estivermos a mover-nos em direção à rede nesse momento, daremos um golpe forte. Se estivermos a afastar-nos da rede, faremos um drop shot ou um lob, dependendo se estamos mais perto ou mais longe da mesma. Por fim, é possível fazer um smash, quando o nosso adversário fizer um balão. É altamente eficaz, mas de grande dificuldade técnica (a trazer à memória os smashes em Konami Ping Pong).

Com tanto golpe possível, os primeiros desafios estão condenados ao insucesso. Só começamos a usufruir verdadeiramente deste jogo quando começarmos a dominar os vários parâmetros dos golpes e da posição do jogador no terreno. E quando isso acontece (talvez ao final de meia hora a apanhar papéis), o jogo começa a entranhar e começamos a tirar todo o partido dele. Nesta altura, quem gosta do género, seguramente estará já viciado em Double Tennis.

Outros pontos que gostámos particularmente em Double Tennis, e no qual ganha pontos (sets) a quase toda a concorrência, são as animações e os gráficos, mais uma vez bastante realistas. Não é por acaso que temos o grande artista gráfico Borrocop a dar apoio nessa vertente, sendo sempre garantia de jogos muito atractivos graficamente. Além disso, graças a este nosso amigo, temos a possibilidade de o jogo estar traduzido para Português. Foi uma honra para nós tratar desta parte.

Assim, será que Double Tennis consegue destronar Match Point do pódio? Não nos atrevemos a dizer tanto, mas fica lá perto, e isso já é dizer muito deste jogo. Foi de facto uma pena Double Tennis não ter sido lançado oficialmente em 1990, pois estamos seguros que teria sido sucesso garantido, mesmo sabendo que as vendas de jogos nesse período já estavam a decair fortemente e as editoras em fase de desinvestimento no ZX Spectrum e a passar para os 16 bits. Talvez por isso nunca tenha tido a oportunidade que merecia, mas ainda vai muito a tempo. Experimentem...

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Mini Stocks


Nome: Mini Stocks
Editora: NA
Autor: Angelo Bagassi
Ano de lançamento: 1992
Género: Estratégia / Simulador
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 / 128K
Número de jogadores: 1
Link para descarga: Em breve

Não é todos os dias que fazemos reviews de jogos ou programas que ainda são MIAs ("Missing in "Action) e que não sejam Portugueses. Mas a história por trás de Mini Stocks atraiu-nos e resolvemos dar-lhe uma espreitadela. 

Deixamos previamente algumas notas. Em primeiro lugar, a versão que testámos deriva de uma disquete lida através do MGT Plus D. O conteúdo da disquete parecia ter alguns dados em falta, mas conseguimos criar um .z80 funcional. Assim, esta versão que analisámos pode não reflectir exactamente as versões que em breve irão estar disponíveis na Spectrum Computing. O próprio Steven Brown tem esta raríssima edição em cassete, que entretanto já preservou (neste momento ainda não a vimos), e poderá ter algumas funcionalidades diferentes, pelo menos no acesso à base de dados que faz parte do jogo.

Em segundo lugar, a cassete com o programa com esta simulação da Bolsa de Valores apenas foi vendida por correio, numa altura em que o ZX Spectrum já definhava. Assim, muito poucas cópias deverão ter sobrevivido, aumentando o carácter de preciosidade deste programa agora recuperado.

Por fim, o seu autor vendia e distribuía o programa de acordo com o computador do comprador. Quer isso dizer que existem várias versões. A que testámos foi a versão para o Sinclair +2, não funcionando nos outros modelos. Também esta é mais uma razão para aguardarmos ansiosamente para ver a versão preservada por Steven Brown.

Mini Stocks reflecte exactamente o dia-a-dia das sessões das Bolsas de Valores. Avisa-se já que quem não tiver gosto por esta temática, não irá apreciar devidamente o programa. Irá achá-lo lento (sem dúvida que é, talvez um pouco mais lento do que seria aconselhável), e monótono (isto é apenas uma questão de perspectiva). No entanto, os amantes do género, irão adorar o jogo. Curioso ainda que já este ano tivemos um novo programa a simular a Bolsa (ver aqui), prova de que este tema desperta interesse junto da comunidade.

A nossa gestão na compra e venda de stocks é toda feita essencialmente através de três menus. Talvez se pudesse colocar tudo num único menu, diminuindo o tempo a seleccionar opções, mas iria quase de certeza estragar a harmonia estética do conjunto, e este é um dos seus pontos fortes.  Sim, porque graficamente, e apesar do programa conter maioritariamente texto, à semelhança de programas do género (gestão), contém alguns ecrãs bem conseguidos e a tornar o programa bastante atractivo, pelo menos mais do que aquilo a que estamos habituados, em especial os que apareceram com esta temática no período 1982-1985 (existem vários). 

Em termos de opções possíveis de serem seleccionadas, são as esperadas num programa com estas características. Assim, podemos comprar e vender acções, consultar o nosso portfolio, ver a evolução do mercado, ter acesso a novidades sobre as empresas, ver as empresas que mais subiram e desceram durante a sessão, assim como um resumo da nossa semana na bolsa, com os ganhos (ou perdas), ligar ao nosso agente (broker), que nos dá úteis conselhos, ligar ao banco a pedir ou reembolsar o dinheiro emprestado, além de gravar os dados e recomeçar o jogo. Existe ainda uma tecla que permite correr as cortinas na janela do menu (letra "B"), mas não percebemos bem para que serve isso, além da vertente estética.

A primeira opção passa mesmo por ligar ao banco e conseguir-se fundos para depois investir na bolsa. É que começamos como pés-rapados, só após ganharmos algum em acções podemos devolver o dinheiro ao banco e começar a investir com fundos próprios. O objectivo, como já se esperava, é ganhar dinheiro. Afinal de contas, ninguém quer perder dinheiro, muito menos ter o triste fim de todos aqueles do famoso crash da bolsa de 1929, a célebre Quinta-Feira Negra.

Assim, este é um jogo para se perder algum tempo e explorar todas as hipóteses (uma pena não termos as instruções). A jogabilidade poderia ser um pouco melhor, é verdade, mas é preciso ver que estamos perante um programador, possivelmente auto-didacta da programação em BASIC, num período em que o ZX Spectrum já estava mais que ultrapassado. Só por isso, o seu esforço é imensamente valorizado.

domingo, 7 de maio de 2023

Speccy Soccer

 

Em tempos a Voxel Tower apresentou um jogo extremamente inovador, mesmo não estando totalmente afinado em termos de jogabilidade. Referimo-nos a Space Racing, que desde logo mostrou que estávamos perante uma equipa muito competente e com potencial para dar-nos muitas alegrias. Pois esse dia chegou.

Assim, Speccy Soccer foi apresentado com pompa e circunstância no programa do nosso amigo El Spectrumero Javi Ortiz e que pode aqui ser visionado (na realidade ainda está a ser apresentado, com a presença do próprio programador). Claro que ainda não nos podemos prenunciar sobre o jogo, pois não o experimentámos a fundo, mas daquilo que fomos vendo no Twitter, neste programa, e numa primeira partida, parece-nos que tem potencial para fazer as delícias de todos aqueles que ansiavam por um puro jogo de futebol.

Inacreditável é a quantidade de opções que temos ao dispor:

  • 120 equipas
  • Faltas, penalties, lançamentos laterais, cantos, passes, dribles, cortes, cabeceamentos
  • Cartões amarelos e vermelhos, expulsões, lesões
  • Árbitro, substituições, repetições
  • 4 jogadores em simultâneo
  • 3 níveis de dificuldade
  • 5 tipos de campo, com influência na mecânica de jogo
  • Diferentes sistemas tácticos
  • Estatísticas completas
  • Taça Speccy 
  • E muito mais...

Nos final dos anos 80 houve uma autêntica febre, com dezenas de jogos de futebol a serem lançados. Na nossa opinião, o trono ainda pertence a Match Day 2 e não nos atrevemos a dizer que será Speccy Soccer a destroná-lo, mas que é uma enorme lufada de ar fresco, lá isso é. E como podem ver pela quantidade de opções, há aqui jogo para muitos meses, com diversão garantida...

Quanto a críticas, apenas uma: Sporting de Lisboa não existe, é Sporting Clube de Portugal. Mas é apenas um pormenor que facilmente se perdoa.

Podem vir aqui descarregar Speccy Soccer. O jogo é gratuito, mas uma pequena doação é muito justa. 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Emilio Butragueño ¡Fútbol!


Nome: Emilio Butragueño ¡Fútbol!
Editora: Topo Siglo XXI
Autor: Equipa Animagic, Ricardo Cancho, J. Manuel Lazo, Alfonso Borro
Ano de lançamento: 1988 / 2021
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 48 K
Número de jogadores: 2

Emilio Butragueno, ou El Buitre, como ficou conhecido nos meios desportivos, é um dos mais famosos futebolistas espanhóis de todos os tempos, pelo menos para os adeptos do Real Madrid (seguramente, se perguntarem ao adeptos do Barcelona, dir-nos-ão que não o conhecem). Com uma carreira impar ao nível do Real Madrid, mas também da "La Roja", não é de estranhar que no auge da sua fama tenha dado origem a um jogo para o Spectrum (até deu origem a dois). Foi lançado em 1988, e pelo menos em Espanha e Portugal teve ampla projecção, uma vez que o mercado britânico estava saturado de jogos de futebol de todos os géneros, passando relativamente despercebido. Além disso, em comparação com Match Day II, sem dúvida o melhor jogo de futebol a aparecer para o ZX Spectrum, ficava uns bons furos abaixo (mas nesse aspecto, qualquer outro jogo do género ficava).

Agora, aproveitando o relançamento dos antigos jogos da Topo Soft, Borrocop e restante equipa resolveram voltar a fazer uma edição física de Emilio Butragueño ¡Fútbol!. E como não poda deixar de ser, fomos convidados para traduzir o jogo para português, o que fizemos com todo o gosto.

A panorâmica do jogo é do tipo "birds eye view", quer isso dizer que a acção é vista de cima. Por um lado, os jogos ganham em rapidez, uma vez que graficamente não é necessário ser-se tão exigente. Mas por outro, perde-se em jogabilidade, e isto é uma característica comum a todos, que nunca os conseguiu aproximar daquilo que Ritman conseguiu com Match Day 2 (com perspectiva diferente). Claro que há adeptos dos dois lados, mas sem dúvida que preferimos a abordagem deste último. Mas vamos então ver como Emilio Butragueño ¡Fútbol! se porta comparativamente aos mil e um outros jogos do género.  

Carregado o jogo, depois de apresentados os dois ecrãs de carregamento da praxe destes relançamentos, vamos ter ao menu inicial. Alguns jogos de futebol, para disfarçar os parcos conteúdo, ou pior, fraca jogabilidade (não vale a pena sequer falar de um célebre título da US Gold), colocam inúmeras opções. Desde modos de campeonato e taça, possibilidade de configurar os equipamentos, o tempo de jogo, a estratégia, até à própria mecânica do jogo (remates acrobáticos, por exemplo), tudo vale para aumentar a atractividade. Isso não se passa com Emilio Butragueño ¡Fútbol!, pois as opções são escassas. Podemos apenas definir as teclas ou seleccionar o Kempston, e o modo de 1 ou 2 jogadores. Sim, jogo de futebol que não permita a possibilidade de ter dois jogadores em simultâneo, nem vale a pena carregar.

Sente-se a falta de algumas opções básicas, nomeadamente a pausa para intervalo e correspondente mudança de campo. Apenas temos a possibilidade de fazer uma partida de 15 minutos, não havendo intervalo, querendo isso dizer que não existe mudança de campo, havendo sempre alguém que ataca para cima todo o jogo, e outra pessoa para baixo, conferindo uma clara vantagem para um dos jogadores. Esta será talvez a maior lacuna, não só tornando-o pouco realista, mas influenciando mesmo a sua jogabilidade.

Outra lacuna está relacionada com os próprios objectivos. Não existe possibilidade de se mudar o nível de dificuldade ou de escolher diferentes equipas. Assim, no modo de 1 jogador, tudo se resume a vencer a equipa adversária. Quando isso acontece, e até nem é muito difícil, perde-se a motivação para fazer novos jogos. Portanto, Emilio Butragueño ¡Fútbol! está definitivamente vocacionado para o modo de 2 jogadores, conseguindo-se então tirar partido daquilo em que é mais forte: a sua jogabilidade.

É neste aspecto que ganha relativamente à maior parte da concorrência, nomeadamente aos que utilizam o mesmo tipo de mecânica, incluindo Kick Off, talvez o mais conhecido deles todos. Os jogadores, mesmo vistos de cima têm uma definição muito clara, distinguindo-se claramente os elementos das duas equipas. A bola agarra-se ao pé do jogador, permitindo fazer dribles e até jogadas um pouco mais complexas, para isso também ajudando o mapa que se encontra no canto inferior direito. Este mostra os dois jogadores que estão a ser controlados, assim como a parte do campo em que se encontram. Uma pena não se conseguir ver os restantes jogadores, tornando um pouco mais eficaz esta ferramenta. No entanto, ao fim de algum tempo, já sabemos exactamente em que parte do campo se encontram os restantes jogadores da equipa. Emilio Butragueño faz parte da equipa, sendo sempre, como se esperava, o avançado centro.

As restantes opções incluem carrinhos, que são a melhor forma de se conseguir roubar a bola ao adversário, mas atenção, pois também podem originar faltas, sendo que a segunda feita pelo jogador dá direito a um cartão amarelo, e a terceira à expulsão. 

Assim, Emilio Butragueño ¡Fútbol! compete muito bem com os restantes jogos de futebol existentes para o Spectrum (na opção de 2 jogadores), excepção feita à trilogia Match Day, que continua imbatível até agora (e duvida-se que alguma vez seja superada). Arranje-se um companheiro humano e é garantia de diversão. Se não o conhecem, é uma boa oportunidade para virem agora colmatar essa lacuna. Para quem já o conhece e gosta do género, não perde nada em vir agora aqui descarregar esta nova versão em português.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Saiu homenagem a John Conway: 16K Life


John Conway foi um ilustre matemático, embora tenha sido mais conhecido como o criador do famoso autómato celular: "Game of Life", jogo de simulação que teve, não uma, mas muitas implementações, uma delas na cassete Horizons que vinha com o ZX Spectrum. E isso não impediu que passado pouco tempo da sua morte, lhe tenha sido feito um singelo tributo por parte de um fã do seu trabalho. Surge assim 16K Life, da autoria de MonkZy, contemplando uma série de novidades.

É então uma boa oportunidade para voltar a esta simulação da vida, podendo o "jogo" aqui ser descarregado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Vegas Slot


Da Turquia chegou-nos um pequeno e despretensioso simulador de slot machines. Sem som ou qualquer outro extra, mas também a mais não ambicionava o seu autor, Fuat Kenan Çakır.

Podem apostar de cinco a vinte e cinco créditos, em múltiplos de cinco, para isso utilizando as teclas "1" a "5". Mais outra para para parar a máquina ("Space") e "Enter" para a colocar em movimento, e mais não precisam de saber. Se se sentirem com sorte, podem carregar o programa aqui. É garantia que tirando o tempo que irão despender a fazer as apostas, mais não irão perder...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Advanced Election Simulator


E que tal um jogo em que perdem sempre? É isso que podem contar em Advanced Election Simulator (ou Elector, como preferirem), o mais recente programa a concurso no Crap Games Competition 2018.

A competição andava meio parada e ultimamente até praticamente nos tínhamos esquecido delas. Mas o blogue russo Pixel Perfeito não se esqueceu, e relembrou-nos que a competição ainda mexe.

Como seria de se esperar de um programa com o nome Advanced e Simulator no nome (private joke da Your Sinclair), pouco têm que fazer e estão ingloriamente condenados ao insucesso. Começam por escolher um partido que concorre às eleições turcas contra o partido no governo, os conservadores. Podem escolher os nacionalistas, os republicanos, os patrióticos e as minorias, todos agora com novos nomes jocosos. Depois podem escolher entre sete opções para tentar ganhar eleitorado, seguindo-se a votação. Mas dê por onde der, o partido no poder ganha sempre. Qualquer parecença com a realidade é mera coincidência...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Jonah Barrington's Squash


Nome: Jonah Barrington's Squash
Editora: New Generation Software
Autor:  Malcolm E. Evans
Ano de lançamento: 1985
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Não
Número de jogadores: 2 (simultâneo)

Jonah Barrington é uma personagem desconhecida em Portugal, mas consta que foi um dos maiores jogadores de squash de todos os tempos. Acreditamos, embora nunca o tenhamos visto jogar.

E Jonah Barrington's Squash é para este desporto, aquilo que Match Point foi para o ténis. As semelhanças para este último são muitas, a começar nos gráficos, passando pelo sistema de jogo, e até pelo som. O que não quer dizer que seja negativo, pois Match Point continua a ser o jogo de referência de ténis.

No entanto, no nível de dificuldade é aqui extremamente elevado. Se quiserem ganhar um jogo ao Spectrum terão que suar muito, nem que seja dos dedos, e mesmo no grau de dificuldade mais fácil (existem quatro níveis). Já ao jogarem contra outro parceiro humano, o divertimento dobra, até porque aqui teremos finalmente uma hipótese de fazer um brilharete.


Cada partida vai até aos 9 pontos e temos hipóteses de jogar à melhor de 1, 3 ou 5 partidas. Pena é que, ao contrário de Match Point, não tenhamos aqui a opção para jogar torneios. Só por isso, e também pelo grau de dificuldade extremo, Jonah Barrington's Squash não leva a pontuação máxima.

domingo, 15 de janeiro de 2017

ATF


Nome: ATF
Editora: Digital Integration
Autor: Ian Beynon, Kevin J. Bezant
Ano de lançamento: 1988
Género: Simulador
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Interface Two
Número de jogadores: 2 (em simultâneo)

Desde já fica aqui um aviso, ATF (Advanced Tactical Fighter) não é um jogo para principiantes. Não porque seja demasiado complexo ou até porque implique ler um manual com centenas de páginas como acontece com alguns simuladores de voo, mas porque são 21 teclas que temos que estar de olho. E apenas tendo duas mãos, a não ser que joguem com um parceiro, é complicado ter capacidade de reacção atempada, ainda por cima quando estamos perante um jogo extremamente rápido.

Mas ATF tem todos os predicados que fazem as delícias dos amantes de simuladores de voo. E uma novidade que pode fazer com que os mais virados para os jogos de arcada se interessem também por ATF: ao contrário da maioria dos restantes simuladores no mercado em que temos a vista através do cockpit do avião, aqui vemos o nosso avião à nossa frente, favorecendo a rapidez e fluidez da acção. Aliás, momentos mortos é o que ATF não tem.


Assim, depois de passarmos pelo mapa inicial onde visualizamos os alvos a abater e de rearmarmos o nosso avião com a habitual metralhadora, dois tipos de mísseis (ar-ar e ar-terra) e combustível, estamos aptos a levantar voo. Basta acelerar o avião e subir que imediatamente estamos no ar. O pior vem depois, pois hordas de inimigos aproximam-se e passamos o tempo a tentar abatê-los ou a desviarmo-nos. E este talvez seja o único ponto fraco deste jogo, é que os cenários e as missões são todas muito semelhantes e ao final de algum tempo sentimos falta de alguma variedade.


De resto estamos perante um jogo extremamente bem implementado (não é à toa que demorou 1 ano a ser programado), com gráficos e som bastante aceitáveis, e que mantém o nosso interesse por muito e muito tempo.

Uma curiosidade, este simulador coloca-nos aos comandos de um Lockheed YF-22A que não estava ainda em serviço em 1988, pelo que a Digital Integration optou por não especular muito sobre as características do avião, levando a que o jogo tivesse (felizmente) uma vertente mais de arcada.

Uma vez que as teclas não se encontram disponíveis no World of Spectrum nem em algum site que tenhamos pesquisado, aqui ficam as 21 que vão necessitar de memorizar:
. 5 a 8  - direcção
. 0 ou space - Tiro
. Q e A - aumentar e diminuir velocidade
. U - trem de aterragem
. L - aterragem automática
. T - seguir o terreno
. Sym shift - linhas de terreno
. J - desactivar sinal de radar
. C - computador de bordo
. D - seleccionar dados de bases aliadas ou inimigas
. E - seleccionar categoria da base de dados
. F - avançar
. R - recuar
. G - encontrar alvo mais próximo
. Enter - trancar base de dados
. M - lançar míssil
. N - Seleccionar míssil

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Magic Johnson's Basketball


Nome: Magic Johnson's Basketball
Editora: Dro Soft
Autor: New Frontier
Ano de lançamento: 1990
Género: Simulador
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Interface Two
Número de jogadores: 2 (em simultâneo)

Utilizar personagens famosas para patrocinarem jogos foi estratégia muito utilizada por algumas editoras, não só para os tornarem mais vendáveis, mas muitas vezes para disfarçar a má qualidade dos programas. Investia-se tanto a pagar ao "patrocinador", que depois não havia verba para pagar aos programadores e na implementação dos jogos. E foi exactamente o que aqui aconteceu. Além disso, custa a entender como é que Magic Johnson aceitou que a sua cabeça (e é mesmo da cabeça que estamos a falar), fizesse aqui a sua aparição. É surreal ver aparecer uma cabeça no ecrã a dar ordem para o jogo iniciar e terminar.

Quanto ao jogo, estamos aqui perante um simulador de basquetebol com apenas 2 jogadores de campo por equipa. Muito semelhante a Fernando Martin Basket Master, que apareceu 3 anos antes e que era imensamente superior em todos os aspectos. A começar pela jogabilidade, que aqui é praticamente nula. Além de custar a perceber quem detém a bola, já que os equipamentos são iguais, é praticamente impossível fazer-se qualquer jogada, uma vez que os comandos respondem muito lentamente (quando respondem) e passamos praticamente todo o tempo a carregar intensamente na tecla de disparo para tentar passar ou atirar a bola ao cesto.


Depois, a lentidão deste jogo é exasperante. Em vez de atletas parecem mais lesmas, tal a velocidade, ou falta dela, e que consegue tirar qualquer pitada de divertimento que ainda restasse.

A única coisa que se aproveita ainda são os gráficos, já que som não existe, mas nem isso contribuí para tornar este jogo minimamente apelativo. Se querem um 2 para 2 em basquetebol, fiquem-se por Fernando Martin Basquet Master, ou se querem algo que vos simule de forma realista este desporto (com 5 jogadores por equipa, tácticas variadas, etc.), escolham, aquele que ainda hoje é o melhor simulador do género para o Spectrum (apesar da sua idade), World Series Basketball.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Footballer of the Year


Nome: Footballer of the Year
Editora: Gremlin Graphics Software
Autor: Greg A. Holmes, Peter M. Harrap, Chris Kerry, Steve Kerry
Ano de lançamento: 1986
Género: Simulador
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Interface Two
Número de jogadores: 1

De vez em quando aparecem jogos como este Footballer of the Year. Programas com uma série de erros óbvios (tão óbvios que dá ideia de que foi feito à pressa), com pouca ou nenhuma diversidade, mas que nos dão um gozo danado e que dificilmente o largamos. E já agora, este jogo seguramente também serviu de inspiração para ZX Striker, do português Valdir, e que já aqui foi analisado.

O objectivo é apenas um: ganhar o galardão de jogador do ano. Para que isso aconteça, temos que marcar golos, muitos golos. E para que se possa marcar golos, temos que ir comprando as fichas que dão direito a tentarmos meter a bola na baliza.

Começamos o jogo seleccionando o clube onde queremos jogar, a nossa nacionalidade (importante, pois também participamos em jogos internacionais quando formos seleccionados, e a divisão onde queremos jogar. Podemos escolher da quarta divisão inglesa, até à primeira, mas poderemos também optar por uma super liga. E aqui começam os erros básicos. O nosso país está representado apenas por dois clubes, o Benifica (???) e o Lisbon (???). Presume-se que queiram dizer Benfica e Sporting, mas para quem se propõe a criar um jogo de futebol, deveria pelo menos estudar um pouco melhor o assunto.

Depois de todas as configurações base definidas, temos acesso a um menu inicial, onde poderemos ver o nosso nível, a nossa classificação (mais um erro de programação, pois a classificação é feita de forma quase errática), comprar a nossa transferência para outro clube (e por vezes somos transferidos sem que possamos sequer recusar, mesmo que seja para um escalão inferior), aceder a uma espécie de lotaria que nos pode dar ou retirar mais dinheiro e fichas de jogo e, finalmente, aceder à partida.


Para acedermos à partida temos que ter fichas de jogo disponíveis. Tendo-as, poderemos então escolher participar (ou não). E fazemo-lo com base na importância do jogo, mas também no número de oportunidades que teremos para marcar golo, que varia entre 1 e 3. Ao início aconselha-se apenas a escolher partidas que confiram pelo menos duas oportunidades de golo.

Ao entrarmos numa partida, esta começa logo com uma situação de remate à baliza (pode também ser um penalti). Teremos que muito rapidamente posicionar a bola e fazer o remate, tentando que o guarda-redes não a segure. Só marcando golos ajudamos o nosso clube a subir de divisão e a aumentarmos o nosso nível, que nos possibilitará mais à frente, quando estivermos nas primeiras divisões, concorrer ao galardão de futebolista do ano.

Assim, o jogo pouco mais tem do que isto que aqui referimos. A diversidade é muito pouca e rapidamente entramos no esquema da marcação de golos. Mas mais dificilmente o largamos, pois Footballer of the Year é simplesmente aditivo e viciante.

sábado, 2 de julho de 2016

F-16 Combat Pilot


Nome: F-16 Combat Pilot
Editora: Digital Integration
Autor: Les Doughty, Lee Burns
Ano de lançamento: 1991
Género: Simulador
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Interface Two
Número de jogadores: 1

Em primeiro lugar devemos avisar que este não é um jogo para qualquer pessoa. Para entrarmos minimamente no esquema, teremos obrigatoriamente que ler o manual com 100 páginas e ter muitas horas de voo antes de nos podermos aventurar pelas missões disponíveis. Além disso temos mais de 20 teclas para memorizar. Assim, quem não estiver na disposição de perder este tempo inicial, mais vale nem sequer carregar o programa e ir para um Afterburner, bastante mais simples, mas também menos compensador. Dito isso, podemos então avançar para a análise de F-16 Combat Pilot.

A Digital Integration é especializada em simuladores, tendo no seu portfolio várias pérolas. F-16 foi a última delas para o Spectrum e demorou nada mais, nada menos, que 9 anos a ser desenvolvida. E valeu bem a pena a espera, pois este é mesmo o supra sumo do género.

Assim que nos iniciamos nesta aventura, será conveniente criarmos o nosso log, e ir gravando os dados do jogo, pois irão ser precisos mais à frente se quisermos desbloquear a última missão. Depois, poderemos inciarmo-nos no  modo de treino para tomarmos o gosto à coisa, e, já agora, para não destruirmos muitos caças e não ficarmos com um currículo indesejável e que depois poderia vir a fechar algumas portas.


Depois de já termos umas boas horas de voo, poderemos então experimentar as missões. São 6 à nossa escolha, e apenas se lamenta não estar disponível para o Spectrum a missão Gladiator que colocaria 2 jogadores em confronto. Mas as que estão disponíveis já dão pano para mangas, a saber:
  • Scramble - perseguição no ar 
  • Hammerblow - eliminar alvos militares em terra
  • Deepstrike - eliminar alvos vitais em terra
  • Tankbuster - batalha aérea e em terra
  • Watchtower - missões de reconhecimento
Só depois de sermos bem sucedidos nestas 5 missões temos currículo e autorização para avançar para a última missão, Operation Conquest. Aqui, em vez de assumirmos o comando de um caça de forma individualizada, participamos nas missões em modo de esquadrão. O jogo de equipa é fundamental e temos que antecipar aquilo que os nossos colegas de voo irão fazer.

Mas também em termos de armamento a complexidade é imensa. Cada uma das armas ao nosso dispor tem uma função específica e também aqui teremos muito que aprender e experimentar, se queremos ser bem-sucedidos nas missões em que participamos.


Logicamente que dada a complexidade do jogo, são muito poucos os que se vão aventurar por aqui, e ainda menos aqueles que vão conseguir colocar o avião no ar (que até é relativamente simples). Mas para os mais persistentes, podemos dizer que vale a pena todo o trabalho, pois não conhecemos para o Spectrum um simulador tão realista como este.

sábado, 16 de abril de 2016

Flight Simulation


Nome: Flight Simulation
Editora: Sinclair Research
Autor: Psion Software
Ano de lançamento: 1982
Género: Simulador
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Número de jogadores: 1

Em 1982, nos primórdios do Spectrum, apareceu um programa que superou as expectativas de todos aqueles que pensavam que o computador apenas servia para fazer uns joguitos de arcada. Assim, a Sinclair Research conseguiu recrear quase na perfeição (para a altura) o funcionamento de um Boeing.

Tal como é habitual nos simuladores, este não é um jogo para toda a gente. Antes de se começar a jogar, tem que se ler um manual e memorizar quase o teclado inteiro para conseguirmos manter-nos no ar. Só depois estaremos aptos a pegar nos comandos do avião, e, mais importante, aprender a descolar e aterrar (altura crítica em que acontecem a maior parte dos acidentes).


Olhando agora para o jogo, o tempo não foi muito simpático para ele. Os comandos são lentos, os gráficos básicos, o som inexistente e apenas existem 3 cenários, tendo sido posteriormente criado jogos muito mais evoluídos para esta plataforma. Flight Simulation está um pouco para os simuladores, como o Football Manager está para os jogos de gestão desportiva. No entanto, ninguém lhe tira o mérito de ser um dos primeiros simuladores do Spectrum e de ter elevado a fasquia da programação para patamares antes não imaginados. E ainda se consegue passar umas horas bem agradáveis a tentar aterrar este avião.