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domingo, 25 de março de 2018

Viagem ao Centro da Terra (Versão Estendida)


Nome: Viagem ao Centro da terra (Versão Estendida)
Editora: Topo Siglo XXI
Autor: Alfonso Fernández Borro (Borrocop), Manuel Ferreira Moreno, Sergio Vaquer Montes
Ano de lançamento: 2007/2018
Género: Aventura
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 128K
Número de jogadores: 1

Planeta Sinclair tem o privilégio do lançamento exclusivo de Viagem ao Centro da Terra (versão estendida), agora numa versão traduzida para português por nós, e com a correcção de alguns bugs relativamente à versão prévia. A versão original deste jogo (Viaje al Centro de la Tierra) saiu em 1989, via Topo Soft. Na altura apenas com três níveis e na língua castelhana. Posteriormente, em 2007 saiu a versão alargada, contemplando os quarto e quintos níveis que apareciam na versão de 16 bits, mas que por falta de tempo nunca tinham sido contemplados na versão para o Spectrum. Destaque ainda para a belíssima capa da autoria de Alfonso Azpiri, que se fosse vivo teria certamente orgulho neste lançamento.


Surge agora em Planeta Sinclair a versão portuguesa em primeira mão, fruto da parceria com Borrocop e que tão bons resultados tem dado (esperem por mais novidades ao longo de 2018). 

Para quem não conhece Viagem ao Centro da terra, é baseada na obra de Julio Verne com o mesmo nome, um livro obrigatório em qualquer biblioteca. E os vários níveis do jogo seguem de perto alguns dos episódios da obra. 

Assim, o primeiro nível desenrola-se na casa do Professor Otto Lidenbrock, logo após a descoberta do manuscrito escrito em código rúnico pelo antigo alquimista islandês do século XVI, Arne Saknussemm, desvendando que quem desça a cratera do vulcão Sneffels (na Islândia) antes do início de Julho, consegue atingir o centro da Terra, percurso efectuado pelo próprio Saknussemm.

É-nos então apresentado o mapa invertido (completo) da Islândia logo de início e a nossa tarefa é reconstruir o mesmo, à semelhança dos puzzles tipo mosaico. Quando iniciamos a tarefa, as peças do mosaico estão todas fora de ordem e temos, com a ajuda de uma caneta, de as deslocar para a posição correta. Mas a tarefa não é fácil, pois existe um tempo limite para completarmos o puzzle, medido por uma ampulheta no lado direito. 

Este nível serve apenas de aperitivo para as dificuldades que se seguem, e após completarem o mesmo, é-vos dada a password para acederem ao nível seguinte.


O segundo nível é o mais longo de todos, e o mais difícil, mas no nosso entender é também o mais interessante. Aqui já assumimos o papel de cada uma das três personagens do jogo, o Professor Otto Lidenbrock, o seu sobrinho, Axel, e Grauben, a namorada de Axel e afilhada do professor. Cada um deles tem características especiais e vão influir na estratégia delineada para completar esta segunda parte.

Começam os três juntos no início da gruta, sendo o objectivo o de chegar ao mar (quem leu o livro sabe do que falamos). E a primeira tarefa é mesmo decidir qual dos personagens enviamos em primeiro lugar. A rapariga encontra-se desarmada, mas carrega o precioso líquido (água), que permite curar as suas e as feridas dos outros. Os restantes têm as armas que eliminam os bicharocos. Seja qual for a decisão, é melhor ir mantendo-os não muito afastados uns dos outros. É que perigos não faltam na gruta, desde aranhas gigantes, morcegos, geysers, piso que se abate nos nossos pés, etc., etc.. Os gráficos são divinais, como é apanágio nos jogos espanhóis, e contém pormenores deliciosos, como por exemplo poderem ligar e desligar a lanterna, escurecendo o cenário, ou o vosso percurso ir sendo assinalado no mapa do canto inferior esquerdo.


Se nos conseguirmos orientar no verdadeiro labirinto que é a gruta (vamos ter que suar muito e fazer muitas tentativas até encontrar o mar), ser-nos-á dada a password que permite aceder ao terceiro nível.

A terceira parte é passada na selva. Os personagens que conseguiram terminar com vida a aventura na gruta, são aqueles que iniciam agora este nível (a password fornecida reflecte isso mesmo). Também aqui poderemos escolher com qual dos personagens desejamos iniciar a missão. A rapariga continua desarmada, pelo que logicamente não deverá ser a primeira a seguir marcha, sendo que o professor ou o seu sobrinho deverão antes limpar o caminho.

Armados com uma pequena lança (o professor e Axel), vão tentar chegar à praia. A selva encerra mais uma vez muitos perigos, não só os animais pré-históricos que a povoam, mas também os pântanos, que retardam o nosso passo, ficando os nossos personagens mais vulneráveis aos restantes perigos.  Cada um dos animais tem uma estratégia de ataque diferente. Assim, o stegosauruses tenta atingir-vos com a cauda (temos que o evitar, não vale a pena atacá-lo). O terrorsaurus é um afilhado do T-Rex, perigosíssimo, como seria de esperar, e convém manter uma distância segura do mesmo antes de o atacar. O smilodon é o antepassado do tigre dentes de sabre, salta sobre nós, e apenas poderá ser morto quando está em pleno voo. Finalmente, o pterodactyls é um lagarto voador que nos tenta dar bicadas e teremos que nos baixar para os evitar.


Também aqui os gráficos são maravilhosos, com sprites bastante grandes e muito bem definidos, mesmo sendo monocromáticos. Contem depois com os habituais pormenores deliciosos, como o chão a tremer quando matamos um terrorsaurus. E ao contrário dos restantes níveis, não nos é concedida uma password de acesso à fase seguinte, podendo começarmos o jogo logo no nível quatro.

Chegamos então à terra das tartarugas, e nesta etapa temos que alcançar o porto que nos vai permitir subir o vulcão Stromboli. Mas para lá chegarmos teremos que evitar as muitas tartarugas que impedem o caminho. Não só as vivas, cujo toque é fatal, mas também as carcaças das tartarugas mortas, que nos impedem a passagem e implica termos que passar por trilhos mais perigosos. Não sendo um nível muito longo, é difícil q.b. para nos manter ocupados durante algum tempo. Também aqui, o número de personagens que chegam em segurança ao porto, serão os mesmos a começarem o nível seguinte, acessível através da password.


No quinto e último nível é recriado o fim da aventura de Júlio Verne, quando os personagens são expelidos pelo vulcão na Sicília. Começamos na base do vulcão em cima de uma jangada, e vamos subindo ao longo do cone ao ritmo da própria subida da água. Qualquer toque da jangada nas paredes, um dos seus ocupantes morre (dai que o número de personagens com que acabámos o nível anterior seja aqui muito importante).

Mas se a subida começa de forma lenta, gradualmente a velocidade vai aumentando, até se tornar frenética. Assim, apenas aqueles que possuem reflexos muito rápidos conseguirão chegar ao final e completar esta aventura.


Uma das grandes vantagens deste jogo é a sua diversidade. Cada nível, por si só, poderia dar um jogo autónomo. Juntando as cinco partes, consegue-se agradar à grande maioria dos jogadores, sendo este um bom exemplo de como o sistema multiload poderá também ter as suas vantagens. Lembramo-nos de muitos jogos onde se tentou colocar esta diversidade ao longo dos diferentes níveis, e o resultado era, muitas vezes, um conjunto de mini-jogos fracos e sem ligação entre si. 

Por outro lado, a nível gráfico faz lembrar muitos dos jogos espanhóis do final dos anos 80, início dos 90, mas sem os habituais problemas, isso é, fraca jogabilidade e um demasiado alto grau de dificuldade, muitas vezes a roçar o impossível. O que aqui é encontramos é difícil, mas suficientemente motivador para tentar levar a aventura até ao fim. Estamos assim, sem dúvida alguma, perante um dos melhores jogos feitos por nuestros hermanos para o Spectrum.

Viagem ao Centro da terra (Versão Estendida) é gratuito, podendo a edição digital ser aqui obtida. No entanto, os coleccionadores também poderão vir a obter a versão física (será lançado daqui a uns meses), e arriscamo-nos a dizer que este seria um jogo perfeito para ser lançado em cartridge (tal como o foi The Sword of Ianna).

domingo, 5 de fevereiro de 2017

BeTiled!


Nome: BeTiled!
Editora: Computer Emuzone
Autor: The Mojon Twins, Kendroock, AugustoRuiz, Metalbrain, Tony Brazil
Ano de lançamento: 2007
Género: Puzzle
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Kempston, Interface Two
Número de jogadores: 1

Quando pensávamos que os puzzles tipo Tetris já tinham dado tudo o que tinham para dar, aparece um jogo que baralha as peças e apresenta um novo produto. E é literalmente o que se passa com BeTiled!, que surge num período em que os jogos para o Spectrum estavam a ter novo impulso, com a febre do revivalismo a regressar em força.

A história pouco interessa para o caso, embora até tenham arranjado um argumento original: assumimos a pele de um cientista que descobriu a forma de extrair energia dos cristais, e agora temos que os estabilizar. Basicamente, o que temos que fazer é emparelhar as peças por forma a obtermos filas de 3 ou mais peças da mesma cor. Quando isso acontece, as peças desaparecem, obtendo-se mais peças no tabuleiro e permitindo fazer mais combinações.

O jogo tem 24 níveis, e a sua dificuldade vai aumentando, uma vez que para passar de nível temos que libertar um número mínimo de peças de cada cor, e, naturalmente que para os níveis mais elevados, esse número aumenta substancialmente (convém tomar atenção ao número de peças que já fizemos desaparecer que se encontra por baixo do tabuleiro). E para cumprirmos com a nossa tarefa temos um tempo limite, sempre demasiado curto.


Por vezes aparecem peças especiais que ora nos ajudam (caso do relógio, por exemplo), outras vezes prejudicam-nos (cuidado com a peça que inverte os comandos), e outras vezes tem um comportamento imprevisível (peças que baralham todas o tabuleiro, por exemplo).

A par disso tudo, o jogo é frenético, a exigir reflexos e pensamento ultra rápido, única forma de irmos conseguindo passar de nível. Os gráficos e o som são muito agradáveis, contribuindo para um jogo que nos vai deixar agarrado ao ecrã durante muito tempo.