Depois de há mais de seis meses a Retroworks, através de El Spectrumero Javi Ortiz ter dado um lamiré daquilo que iria lançar nos meses seguintes (ver aqui), e há pouco tempo ter lançado o fantástico Shadows of Belial, eis que regressa com The Curse of Dusarlyn, um dos títulos que tem vindo a preparar nos últimos tempos (na realidade, desde 2020, quando o seu autor começou o desenvolvimento).
O jogo é da autoria de José Juan Ródenas, mais conhecido por Sejuan, e leva-nos para um universo de fantasia medieval, onde nem tudo é o que parece e onde a exploração é fundamental para conseguirmos avançar. Ao contrário dos jogos em que basta avançar e eliminar tudo o que aparece pelo caminho, neste jogo é necessário prestar muita atenção a tudo o que se passa à nossa volta.
A história tem muito conteúdo, tal como é habitual nos trabalhos da Retroworks. Assim, o reino de Dusarlyn caiu há muito nas mãos de Pithá, lar da temível Guilda dos Necromantes. Mas a história ainda está longe de terminar. Vamos então acompanhar Wëanor, príncipe de Kotheras, e Fynar, um feiticeiro que passou toda a vida entre os muros da guilda, dedicado às artes negras. Pelo meio, temos uma misteriosa esfera, a Kishá, cujo poder mantém os três reinos sob o domínio dos necromantes.
A aventura leva-nos então a explorar o reino e a descobrir o que realmente aconteceu, alternando periodicamente entre os dois protagonistas, personagens verdadeiramente antagonistas. E atenção, pois as acções de um terão consequências directas para o outro. Cabe-nos desvendar os segredos do passado, conhecer a lenda de Vaderetro e perceber se será possível quebrar o domínio da Kishá.
Os diálogos com as personagens que vamos encontrando revelam pistas essenciais para se descobrir como ultrapassar certos obstáculos e resolver os quebra-cabeças. Há assim que ler com atenção os textos e tentar perceber o que nos dizem, sendo isso tão importante como explorar cada recanto. Existe, portanto, uma dinâmica um pouco diferente de outras aventuras, pois obriga-nos a pensar antes de agir. É uma abordagem que poderá agradar particularmente a quem gosta de aventuras em que a progressão não depende apenas da destreza com os dedos, mas também da capacidade de relacionar informações e descobrir o que fazer a seguir, isto é, usar as nossas celulazinhas cinzentas, como o nosso amigo Poirot costumava dizer (e como nós costumamos citar).
José Juan Ródenas não é, de resto, um estreante nestas andanças. O programador esteve ligado a Vade Retro, outra aventura da Retroworks para o Spectrum. A experiência acumulada e o tempo dedicado ao desenvolvimento de The Curse of Dusarlyn, assim como aquilo que já vimos, nomeadamente neste novo directo de Javi Ortiz (ver aqui), deixam boas razões pensarmos que vamos estar perante mais um excelente jogo. As primeiras impressões são excelentes, e estas raramente nos enganam...
The Curse of Dusarlyn é então mais uma demonstração de que a Retroworks continua a apostar em produções originais para o ZX Spectrum, e também uma lufada de ar fresco, agora que 90% das produções utilizam IA, e uma boa parte dessas, são apenas lixo. Não é aqui o caso, pelo que vos convidamos a virem aqui descarregar The Curse of Dusarlyn. Quanto a nós, iremos na próxima semana jogá-lo intensamente, para já ainda ficámos com um pequeno aperitivo...



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