segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Transylvanian Castle 2: The Eye of Velnor


Nome: Transylvanian Castle 2: The Eye of Velnor
Editora: Filosoft
Autor: Fito, Siyei
Ano de lançamento: 2021
Género: Estratégia
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Ao contrário do que foi a percepção dos programadores acerca da nossa ideia de Transylvanian Castle, tínhamos gostado bastante do jogo, claramente inspirado em The Oracle's Cave e The Runes of Zendos, com uma temática semelhante aos RPG, mas também com um forte elemento estratégico. Foi programado em Basic, dai que tivesse as naturais limitações decorrentes desta linguagem de programação, mas a ideia era muito boa e foi implementada sem falhas. E o mesmo se passa com a sequela, tendo uma mecânica semelhante, com o bónus de uma muito maior profundidade (são nove níveis), e a mudança para 3D, aumentando substancialmente a sua atractividade (os olhos também comem). 

Em The Eye of Velnor é então retomada a história do Professor Van Helsin, documentada no manual que acompanha o jogo, com versão em português. Ficamos assim a saber que o professor não resistiu, tendo voltado ao castelo do Conde Drácula. Assim que entrou, um alçapão abriu-se, tendo sugado o professor para um labirinto sem fim. Para poder escapar do labirinto, e segundo um antigo caderno que lhe foi parar às mãos, tem que encontrar uma arma que derrota os guardiões dos poços (magos). Estes estão ao serviço de um ser mais poderoso, que apenas pode ser derrotado com um determinado objecto, o Eye of Velnor, que se encontra partido e disperso nos corredores dos oito poços que compõem este labirinto (o nono é onde se encontra o ser mais poderoso). Só depois de derrotado este ser, a paz pode chegar por fim à Transylvanian.


Deixamos também já um alerta para quem olha para os ecrãs e fica com receio da aparente complexidade do jogo. Apesar do ecrã estar dividido em vários sectores e haver muita informação a digerir, esta é extremamente simples. Assim, no canto superior esquerdo temos a panorâmica 3D dos labirintos, sendo possível ver-se os inimigos, assim como os objectos que podemos recolher. No canto oposto do lado direito, o mapa, que vai sendo revelado à medida que vamos palmilhando os corredores. No meio encontra-se um boneco, com seis pontos vitais com números. Cinco deles correspondem a equipamentos de segurança que tenhamos entretanto recolhido (quanto maio o número, maior a protecção), sendo que o sexto, representado por uma espada, indica o nível de latidade da arma que temos em nosso poder.

No meio, do lado esquerdo, o inventário com os elementos em nosso poder, sejam armas ou equipamentos de protecção (para se usar os mesmos, basta carregar no respectivo número, podendo depois ser descartados - pode provocar alguma confusão inicial este processo). Apenas podemos ter seis elementos em simultâneo, sendo que três deles não deverão ser descartados (não iremos dizer quais, terão que descobrir por vós). Os restantes "bolsos" devem ser reservados para as poções que vamos apanhando e que permitem restaurar parcialmente a energia (atenção, o máximo é 20, pelo que convém usar apenas em caso de necessidade). Do lado direito os factores mais importantes de todo o jogo e que definem a estratégia a seguir. Não dispensando a leitura do manual para perceber a relação entre estes elementos, mas em termos muito genéricos ficamos aqui a saber a nossa força de ataque e defesa, bem como a energia que ainda nos resta (quando esta se esgota, perdemos o jogo).

Finalmente, na parte inferior do ecrã é fornecida informação adicional, nomeadamente a potência dos elementos de protecção e ataque que vamos recolhendo, assim como informação sobre os nossos inimigos e ataques. Ficamos então a saber a sua força, qual o dano que lhes causamos quando os atacamos, assim como o dano que  nos causam, quando nos atacam. É importante não esquecer que quando entramos em confronto com um inimigo, os ataques são feitos à vez, podendo causar, ou não, mossa no outro.

Percebido o modo como tudo funciona, é tempo de iniciar a aventura. Caímos então no poço correspondente ao primeiro piso e a primeira tarefa é explorar todos os cantos, recolhendo todas as armas e elementos de protecção à disposição. Nesta fase não convém entrar-se logo em confronto, e é aqui que entra o factor da estratégia, mas também a própria intuição. Se enfrentarmos um inimigo e estivermos desarmado e sem qualquer elemento de protecção colocado, a possibilidade deste nos causar ferimentos de monta é grande. Deveremos seleccionar as batalhas nos momentos mais adqueados, tendo em conta a força do inimigo e os elementos recolhidos, sendo de todo conveniente explorar todos os cantos do labirinto. É possível passar para o nível seguinte, para isso matando o guardião (mago) - não esquecer de recolher a varinha mágica - mas quando passamos ao nível seguinte, já não podemos voltar atrás, se por acaso deixámos algum objecto importante por recolher, o mais provável é não se conseguir terminar a aventura.

Os inimigos têm características diferentes e nos primeiros níveis aparecem apenas os mais fracos, excepção para o guardião do nível, que necessita de ser eliminado com um ataque da varinha (reduz imediatamente 10, dos 12 pontos de força que possui), será conveniente o segundo ataque ser efectuado pela via normal, pois a varinha tem uso limitado e irá fazer falta nos níveis posteriores. Passo a passo vamos então eliminando os inimigos (ou isso, ou seremos nós a caber tal sorte), descendo os alçapões e aumentando o nível, até se chegar ao último, onde defrontamos o ser mais poderoso de todos. Ai há que ter em nosso poder o Eye of Velnor, única forma de o eliminar.


A progressão relativamente ao primeiro episódio é enorme. É preciso não esquecermos que estamos perante um jogo programado em Boriel, para 48K, não sendo possível equiparar-se em termos gráficos e sonoros aos jogos em ASM e que utilizem o chip AY. Mesmo assim, graças a Azimov, a equipa conseguiu introduzir música no menu inicial, sendo que durante o jogo aparecem pequenos efeitos, à semelhança do que já acontecia na prequela. Por outro lado, o jogo funciona "por turnos", pelo que rola à velocidade por nós pretendida. Não faz assim tanta diferença utilizar uma linguagem de programação menos evoluída (e rápida).

Transylvanian Castle 2: The Eye of Velnor é um dos primeiros jogo de 2021 e mete logo a fasquia muito alta. Pode-se mesmo dizer que é dos melhores jogos que apareceram nos últimos anos criados em Basic. Não só quem gosta do género irá adorar este desafio, mas também quem está mais virado para jogos de arcada, tem aqui a oportunidade perfeita para se iniciar nestas lides. É assim muito, muito recomendável, ficando muito próximo de obter o galardão de Mega Jogo.

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