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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Bricks vs Fruits


Bricks vs Fruits saiu em 2021, mas aparentemente a comunidade não se tinha apercebido, até que o seu autor o anunciou muito recentemente em Spectrum Computing.

Numa capa de aparente simplicidade, o jogo permite inúmeras opções, como ter dois jogadores em simultâneo ou escolhermos o lado da barricada em que pretendemos jogar, e até podermos entrar num novo jogo escondido, depois de se terminar o nível 20. Tem ar de ser interessante, apenas nos parece que os controles são um pouco lentos, de resto será jogo para se passar algum tempo.

Poderão vir aqui descarregar Bricks vs Fruits.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Cyclus

Nome: Cyclus
Editora: NA
Autor: Miguetelo
Ano de lançamento: 2021
Género: Acção
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 / 128 K
Número de jogadores: 1

Miguetelo é um dos programadores da nova geração que  mais apreciamos. Apesar de pegar em motores estandardizados para desenvolver as suas ideias, os seus jogos têm sempre elementos diferenciadores, que muitas vezes apenas se encontram naqueles criados de raiz. E isso mesmo acontece com Cyclus, um grandioso desafio, em duas partes, completamente diferentes uma da outra, agradando assim a gregos e Troianos. Comecemos então pela primeira parte, composta por 35 níveis...

Assumimos o papel de uma humilde caracoleta com o nome de Cyclus, que após ser capturada para a mais fina degustação, decide mudar o seu destino. Para isso temos que o ajudar a voltar para casa, evitando os inúmeros obstáculos e inimigos que se encontram pelo caminho. Tudo começa quando Cyclus cai do cano, sendo necessário fazê-lo chegar ao cano de saída, para depois recomeçar o ciclo, num cenário um pouco mais difícil. 

A principal dificuldade reside mesmo no bicho, pois ao contrário do que apregoam, movimenta-se com uma ligeireza que nos vai colocar as antenas em pé. Isso porque está sempre em movimento, alheio a todos os perigos que se encontram pelo caminho, desde aranhas, cobras, tractores, picos, etc.. Ainda por cima não temos possibilidade de o controlar directamente. A única forma de o conduzir é colocando caixas no seu trajecto, bloqueando o acesso a alguns locais, colocando uma plataforma de segurança noutros, ou dirigindo-o na direcção mais correcta (isto é, evitando inimigos e obstáculos). As caixas também servem para bloquear o caminho dos inimigos. No entanto, surgem mais algumas dificuldades:

  • Para colocarmos as caixas, temos que mover uma mira, que ainda por cima não atravessa paredes (temos que a dirigir pelos caminhos desimpedidos). 
  • As caixas ao final de uns segundos desaparecem (há que colocá-las no timing exacto).
  • Existe um número limite de caixas que poderemos colocar em simultâneo, embora possamos fazer desaparecer as que estão colocadas, para abrirmos espaço para novas caixas (isso se tiverem reacções suficientemente rápidas para mover a mira).
  • Em algumas salas existem portas que apenas poderão ser abertas depois da criatura apanhar a chave (não é fácil dirigi-la até à chave).
  • As setas permitem escalar as paredes, pode ser útil. Ou não...
  • As retroescavadores são úteis para destruir paredes (mas também passa a ferro o caracol, se este tem a infelicidade de lhes tocar).
  • A partir de certa altura, além de termos que dirigir Cyclus, ainda temos que orientar um outro caracol, mas sem que se toquem um no outro. Dificuldades a dobrar...

Cyclus existe assim reacções muito rápidas e e uma forte estratégia, para se conseguir levar o bicho até à saída. E nunca, em jogo algum do ZX Spectrum, sentimos que a tecla de pausa fosse tão útil como aqui, quer na primeira, quer na segunda parte. De facto, esta função é fundamental para se conseguir delinear o caminho a fazer. Vamos ter que a usar a todo o momento, tanto como a tecla de disparo, isto se queremos chegar ao fim. 

Mas se por acaso não ficarmos satisfeitos como as coisas correm nesta primeira parte (duvidamos muito que isso aconteça), temos sempre a possibilidade de enfrentar um desafio diferente na segunda, carregada através de um ficheiro autónomo.

Assim, a mecânica, não obstante a criatura continuar sempre em movimento, é completamente diferente. O objectivo é agora recolher todas as moedas, para isso fazendo deslizar a criatura entre as paredes, mas com possibilidade de pular entre os diferentes pontos do cenário, desde que estejam devidamente desimpedidos ou não estejam armadilhados. Além disso, move-se sempre adjacente às paredes, o que pode ser um pouco confuso ao início, mas que rapidamente acertamos o passo. 

Um dos maiores inimigos nesta segunda parte, além de todos os obstáculos e inimigos, é o tempo, pois este é limitado. Mais uma vez, tecla de pausa deve ser usada e abusada. Mas além disso, diferentes tipos de piso têm efeitos diferentes na caracoleta, e é preciso levar isso em conta. Se bem que esta segunda parte pareça mais fácil que a primeira, à medida que vamos avançando nos níveis, rapidamente tiramos isso da ideia (ainda com maior velocidade do que aquela a que Cyclus se movimenta):

Graficamente, o jogo tem muitas semelhanças com os anteriores deste autor. Sempre tremendamente coloridos, mas com cenários muito bem engendrados, potenciando ao máximo os quebra-cabeças que vai apresentando, em especial na primeira parte. E depois, o caracol é  majestoso, digníssimo representante da espécie, dando pena de ir parar ao prato de alguém (na parte que me toca, posso dormir tranquilo, nunca comi um caracol na vida). Até a música, na segunda parte da responsabilidade de Jimmy Devesa, é uma pequena maravilha...

Tivesse apenas o jogo a primeira parte, e já seria excelente. Tendo duas partes, ainda por cima completamente distintas, tornam-no num verdadeiro jogaço, a exigir muitas horas até se conseguir dominar a caracoleta e guiá-la para a liberdade. Cyclus foi assim uma das grandes surpresas de final de ano, num desafio simplesmente cativante e viciante...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Oil Panic


 Nome: Oil Panic
Editora: Menyiques Soft
Autor: Menyiques
Ano de lançamento: 2021
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Depois de Battle City, jogo que apresentava algumas lacunas, dissecadas na análise que fizemos aquando do lançamento do jogo, Menyiques traz-nos um novo desafio, e apesar de ser menos complexo que o primeiro, na nossa opinião está melhor implementado.

Oil Panic não será estranho para quem está familiarizado com as populares Game & Watch, da Nintendo. Assim, o jogo recria a versão que saiu em 1982, na altura introduzindo pela primeira vez o ecrã duplo. O jogo é passado num posto de combustíveis com três andares. No piso superior, um cano tem uma fuga e vai pingando gotas de óleo. Nós assumimos o papel do trabalhador que tem que recolher as gotas com um balde, despejando-o antes que transborde, num tambor que é carregado por um outro funcionário no piso de baixo, e que se vai movimentando entre a esquerda e a direita. 

Se deixarmos alguma das gotas de óleo por apanhar, ou se o balde transbordar (suporta apenas três gotas de óleo), temos uma mancha no currículo. Se isso acontecer três vezes, o jogo termina. Por outro lado, se em vez de despejarmos o óleo no tambor, carregado pelo tal funcionário que se vai deslocando no piso de baixo, e o vertermos por cima dos clientes que se encontram no piso térreo, temos também uma penalização. Se isso acontecer três vezes, mais uma vez perdemos o jogo. Na prática, podemos deixar o óleo por apanhar ou despejar no local errado, duas vezes para cada uma das situações, antes do jogo terminar.  

De cada vez que apanhamos uma gota de óleo, e também quando despejamos o óleo no tambor, a pontuação aumenta (recebemos mais pontos se despejarmos três gotas de uma só vez). À medida que vamos avançando, a velocidade a que o óleo cai também aumenta. E quando ultrapassamos uma determinada pontuação (por volta dos 465 pontos), a velocidade do nosso funcionário também aumenta, na prática tornando-se praticamente incontrolável (rapidamente perdemos o jogo quando isso acontece, pois com tamanha rapidez, não se consegue levar o funcionário para o ponto pretendido).

Assim, embora esta versão não seja uma conversão exacta da Game & Watch da Nintendo, até à fase em que a velocidade do funcionário aumenta abruptamente, o jogo é bastante divertido. Merece assim que se passe algum tempo com ele, e embora não seja uma versão perfeita (pelas razões já apontadas), vale a pena vir aqui descarregar e dar uma pequena contribuição ao seu autor.