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sexta-feira, 23 de março de 2018

Paradise Café - ZX Spectrum

Se perguntarem a toda uma geração, em Portugal, que cresceu nos anos 80, jogando o ZX Spectrum, qual o jogo português, mais marcante e emblemático do microcomputador, provavelmente mais de 99% dos inquiridos citarão o nome Paradise Café.

Quase um ilustre desconhecido, além-fronteiras, Paradise Café é mais do que um simples jogo. É um conjunto de críticas à sociedade portuguesa da época, transpostas para o mundo digital, culminando num dos mitos urbanos mais lendários do nosso país, do início dos anos 80.


Os portugueses viviam a sua primeira década, de liberdade, após a deposição do regime ditatorial do Estado Novo, que durou cerca de 41 anos. As mudanças inerentes de um governo autoritário, que tinha como um dos seus grandes lemas: "Deus, Pátria, Família", deram azo a um regime democrático propenso a extremos. Sendo Paradise Café fruto dessa nova irreverência social que acabou marcando, toda uma nova geração, que, pela primeira vez, pôde experimentar o tabu sexual, de uma forma digital e interactiva, nunca antes vivida, ou sequer imaginada pelos seus pais, no interior dos seus lares.

Criado em 1985, do que sabemos, por Damatta©, uma vez que o seu verdadeiro nome permanece um mistério, isto porque, ao longo de 32 anos, nunca ninguém assumiu a autoria da obra, dando origem a uma série de especulações, tais como: o autor morreu; emigrou para os Estados Unidos da América; pertence a uma família proeminente; ou que se tornou famoso e que não quer ser conotado com o jogo. Mesmo havendo um pedido público expresso na procura do autor, assegurando o seu anonimato, promovido e difundido desde há uns anos através do site Universo Spectrum, o que é certo é que até aos dias de hoje, nunca ninguém respondeu ao apelo.

Uma vez que na época não havia legislação, em Portugal, para jogos de computador, qualquer pessoa podia comercializá-los através de lojas da especialidade, de forma “pirata” e sem qualquer registo de venda comercial. A não ser que o próprio se acuse, é pouco provável que venhamos a conhecer o verdadeiro nome do autor, ou a história real por detrás da sua obra.


Mas o que é que Paradise Café, na sua génese, fez com que seja um jogo intemporal e inesquecível para toda uma geração? Essencialmente é um jogo de cariz sexual em que controlamos um personagem que deambula nas ruas, procurando sexo com prostitutas, de porta em porta, comprando e vendendo droga, em que podemos, também, cometer actos de violação a uma idosa e matar quem nos tenta roubar, caso estejamos armados. 

Em suma é um jogo de jogabilidade diminuta, mas com gráficos grandes e detalhados que acabam por lembrar os jogos do autor Don Priestley. Esta forma de grafismo, arcaica nos dias de hoje, mas que para a época era de um realismo impressionante, acabou por levar muitos pais a irem às lojas que vendiam o Paradise Café, pedir responsabilidades aos donos por terem vendido o jogo, aos seus filhos, numa época em que não havia uma lei que proibia a venda de jogos violentos ou com conteúdo sexual a menores.



Inicialmente o Paradise Café foi posto à venda, de forma camuflada, com uma simples capa genérica e seu nome, sem imagens ou algo que indiciasse a verdadeira natureza do jogo. Mas o passar da palavra e a conversa entre colegas de escola, tornaram o mesmo famoso, surgindo mais tarde, uma versão com capa a cores com a referência: interdito a menores de 18 anos, bem antes de qualquer sistema de classificação de conteúdo de jogos electrónicos ter sido implementado na Europa. Isto acabou por gerar mais controvérsia, já que os jogos eram retirados da prateleira, para gavetas, para evitar o burburinho dos pais no interior das lojas que não queriam que os filhos vissem a mesma. (Estes factos foram relatados, à minha pessoa, por um empresário, nos anos 90, que vendeu jogos de computador para várias lojas).


Mas, mesmo com toda esta polémica, o momento mais memorável e marcante, associado ao jogo, que todos falavam e ainda hoje é recordado, resume-se à condição quando o personagem fica sem dinheiro, e após recorrermos ao serviço de uma prostituta, a mesma quando exige pagamento, o boneco controlado pelo jogador responde: - não tenho dinheiro. Esta situação despoleta uma animação em que surge um matulão africano, nu, qual Kid Bengala, que sodomiza o nosso personagem como punição. Esse personagem é chamado de Reinaldo, e foi inspirado no seguinte mito urbano português: Nos primórdios dos anos 80 estoira o "boato Reinaldo", segundo o qual, Laura Diogo, das Doce (a primeira girls band portuguesa), teria sido hospitalizada após ter tido relações sexuais com o futebolista do Benfica, Maurício Zacarias Reinaldo Rodrigues Gomes, devido ao tamanho do seu membro. O grupo acabou mesmo por ter espectáculos cancelados e ver diminuídas as vendas do seu álbum "É Demais", que estava a caminho do disco de ouro. Mas como os boatos em Portugal são passageiros, e a memória das pessoas curta, o álbum recuperou nas vendas, acabando por ser platina. No que se refere a Reinado, a sua carreira nunca mais foi a mesma, porque após o boato, terminou contrato com Benfica, indo jogar para a época no, relativamente modesto, Boavista Futebol Clube.


Inspirado ou não no verdadeiro Reinaldo e sua "história", Damatta© pegou num “homónimo” e transportou-o para o Paradise Café, transformando este personagem na figura mais popular de sempre num jogo made in Portugal, pelo menos até aos dias de hoje. E mesmo que alguém diga que é uma mera coincidência, basta olhar para a capa a cores escolhida para o jogo, em que a utilização da modelo Penny Baker, Playmate da Playboy, em Janeiro de 1984, não é de todo aleatória, já que era muito parecida com a Miss Fotogenia portuguesa, em 1978, Laura Diogo.


Paradise Café, retrata o pior do lado humano e de uma sociedade. Mas também critica os medos e os podres de uma nação que, quase milenar, vivia uma nova era, onde drogas, criminalidade, prostituição e o escândalo dos famosos começavam a inundar cada vez mais os média, algo que não acontecia no passado. Não é de estranhar, com tudo o que foi dito, o porquê de nos dias de hoje o autor permanecer anónimo, mesmo que o jogo tenha sido, e ainda é, um marco em Portugal.

Se tivesse que pontuar o jogo, numa classificação de zero a cinco, daria o máximo de um. Um jogo pode tornar-se intemporal, mas isso não lhe confere, por si só, sinónimo de qualidade ou notas altas. E numa pequena apreciação de análise ao mesmo o grafismo é grande e detalhado mas distorcendo estranhamente, por vezes, nas animações. O som é inexistente e a jogabilidade é mínima, tornando o valor de repetição do jogo quase nulo a curto prazo.

Pode não ter sido uma obra-prima, em 1985, e muito menos nos dias de hoje, mas quem o vivenciou, na época, foi sem dúvida uma das experiências mais marcantes, e quase única, recordada para todo o sempre no velho e bom ZX Spectrum. 



Artigo por: Mário Viegas, para a Revista Espectro Nº1

domingo, 2 de março de 2025

Paradise Café (edição comemorativa do 40º aniversário)

Por esta é que não esperavam, não é? 

A Larvae Records, uma editora e promotora de eventos Portuense especializada em música alternativa, que tanto organiza um concerto de Samantha Fox, como de Holocausto Canibal ou Pestilence, e que também tem muita experiência no lançamento de cassetes (de música), aventurou-se a pegar em Paradise Café, o infame, mas tremendamente popular (e não só em Portugal) jogo de 1985, que ainda recentemente até teve uma versão melhorada e traduzida para Inglês (ver aqui). 

Foi assim feita uma versão física comemorativa dos 40 anos do jogo, que irá ter o simbólico número de catálogo 100, e que estava guardado para uma efeméride como esta. A cassete tem uma edição muito limitada (apenas 100 exemplares), pelo que estamos convencidos que rapidamente irá desaparecer, tornando-se depois objecto de coleccionadores. Por isso, quem quiser deitar as mãos a uma (cassete), terá que se despachar.

Conhecemos bem a Larvae Records e até temos algumas cassetes desta editora. A qualidade é sempre excelente, pelo que seguramente este produto vai ter uma qualidade muito acima da média, apenas equiparado aos lançamentos da Teknamic Software, de Filipe Veiga.

Com o que podem então contar?

PARADISE CAFÉ - QUADRAGÉSIMO ANIVERSÁRIO | 1985-2025

Unanimemente considerado o jogo português mais mediático (e mais polémico), agora com a merecida homenagem no ano da celebração do seu quadragésimo aniversário, numa edição verdadeiramente especial!

  • Tiragem ultra limitada e numerada.
  • Edição com capa J-Card de cinco painéis duplos + full print-tape.
  • Sinopses descritivas das diferentes personagens, teclas de controlo e missão a desempenhar.
  • Inclui cupão de download do jogo + tutorial de instalação (sendo possível carregar o jogo tradicionalmente através da cassete incluída ou a partir do ficheiro igualmente disponibilizado).

“Se há um jogo que simboliza a transgressão no ZX Spectrum, esse jogo é Paradise Café. Lançado em 1985, num Portugal ainda a descobrir a liberdade, tornou-se um mito urbano, uma peça de culto tão infame quanto inesquecível." - Filipe Veiga [Teknamic]

Créditos:

  • Programação - Damatta
  • Ilustrações - Miguel Jorge
  • Layout - Phobos Anomaly Design
  • Textos - Pedro Daniel

Este artigo encontra-se em pré-venda e começará a ser expedido ainda durante Março (2025).

Assim, quem quiser saber mais sobre este lançamento, apenas terá que aqui vir.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Paradise Café (2024 remake)


Paradise Café continua, quase 40 anos depois do seu lançamento, a ser motivo de conversa de jogadores e da comunidade, e não só no nosso pais. O Mário Viegas falou sobre este jogo em 2018 (ver aqui), e este post está regularmente em primeiro lugar do top semanal de Planeta Sinclair. Aliás, tem quase 10 vezes mais visitas que o post que se encontra em segundo lugar, o que diz bem do interesse que o jogo revela tanto tempo depois.

Vamos abster-nos de fazer grandes comentários do jogo, pois o Mário já o dissecou e também é público aquilo que, em termos pessoais, acho deste jogo. Também não vale a pena perguntarem-nos quem é o seu criador. No dia em que ele queira que se revele o nome, teremos todo o gosto em anunciá-lo por aqui. Mas até lá, fiquemo-nos apenas pelo nome pelo qual se tornou conhecido: Damatta.

O que aqui nos traz hoje é um remake do original de 1985. Não terá grandes mudanças estruturais ao nível da sua mecânica, mas foram corrigidos bugs (alguns críticos) e a velocidade e fluidez aumentou substancialmente, naquilo que era uma das maiores lacunas do original. Assim até dá mais prazer (sem qualquer duplo sentido) andar por esta rua interminável, repleta de portas que se abrem directamente para a tentação (por vezes apenas para dissabores, em especial se não temos documentos ou a arma).

O programa incluí agora um novo Random Number Generator e, por isso mesmo, foram desbloqueados alguns diálogos. Torna-se assim um pouco mais imprevisível e menos limitado, melhorando a sua jogabilidade. 

Graficamente também teve algumas melhorias, e aquele flicker irritante desapareceu, mantendo-se o colour clash, mas isto já é uma imagem de marca do ZX Spectrum, não sendo portanto problema.

Já ao nível de som, foi introduzida uma melodia AY, o que quer dizer que Paradise Café corre agora no 48K ou no 128K. Caso prefiram o silêncio tal como foi concebido em 1985, basta corrê-lo no modo 48K. Mas para uma nova experiência sensorial (mais uma vez, sem duplo sentido), experimentem-no jogar em todo o seu esplendor na versão com mais memória.

E quem foi o responsável por isto? Nada mais, nada menos, que TheShich. Talvez se lembrem dele, pois foi o responsável por esta obra-prima, Tetris Championship Edition, onde demonstra toda a sua mestria ao nível da programação. E fez um excelente trabalho, permitindo a todos os que não dominam a língua Portuguesa a apreciarem este jogo, por muito errado ou imoral que seja o seu conceito. 

Poderão vir aqui descarregar a nova versão de Paradise Café. Façam-na por vossa conta e risco...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Mitos do ZX Spectrum - Parte 1

A cada nova notícia relacionada com o ZX Spectrum publicada em fóruns, páginas de facebook ou de jornais surge, inevitavelmente, uma grande quantidade de comentários nostálgicos repletos de memórias de experiências pessoais.

Essas histórias da juventude, já pouco nítidas e algo distorcidas pelo passar dos anos, associam-se ao choque tecnológico em comparação com a actualidade, levando muitas vezes a exageros e até a ideias completamente erradas que transformam a agradável experiência de jogar num Spectrum num verdadeiro terror.

Para evitar a propagação de mitos que sabemos estarem completamente errados e que acabam por inadvertidamente afastar tanto os nostálgicos como as novas gerações do mundo Sinclair, pensámos em compilar uma lista de inverdades que são propagadas por toda a internet pela comunidade portuguesa.

Iremos corrigir estas afirmações apresentando factos que as desmentem e tentaremos explicar porque, na nossa ideia, surgiram na época.

Mito nº 1

"Claro que o Paradise Café não era o único jogo  à escolha mas tinha aquela graça por ser o primeiro e único jogo Português do ZX Spectrum"

Fonte: https://fnintendo.net/xenforo/index.php?threads/spectrum-paradise-caf%C3%A9.1477/page-2

Para começar, sabemos já que os primeiros jogos da década de 80 surgiram para o ZX81, antes ainda do lançamento do Spectrum.
Falamos de Bala, Laser e Galo de José Oliveira que até nem foram os únicos a ser desenvolvidos em território nacional para este computador...


Quanto ao caso do Spectrum, o primeiro registo de que dispomos referencia José Oliveira (o mesmo do ZX81) que criou J.I.M. (Jogo de Inteligência Memórica) logo em 1983.
Também sabemos que o Paradise Café não é o único, algo que tem sido provado todas as semanas por este blogue. Criaram-se centenas de jogos em Portugal para a máquina de Clive Sinclair, muitos deles ainda por descobrir. Já temos na nossa lista bem mais de cem, sem contar com as numerosas edições originais lançadas pela Astor Software.

Mito nº 2

"Nada era mais frustrante do que estar meia hora à espera do carregamento do jogo e depois não dava…"

Fonte: https://pplware.sapo.pt/jogos/load-a-era-do-48k/

Este deverá ser o mito mais comum do Spectrum. Frequentemente nos fóruns encontram-se utilizadores que afirmam ter passado horas a ver os jogos carregar, que se referem aos "tempos de espera intermináveis", falam dos jogos que levavam mais de meia hora ou até uma hora para carregar, o que não podia ser mais falso.


Um jogo de Spectrum, dependendo da complexidade pode demorar, em média, entre 5 a 10 minutos a completar o loading. Por vezes, realmente, devido à má qualidade da gravação, era necessário carregar várias vezes, mas numa situação normal nunca ultrapassaria o tempo que indicámos. Excepção seja feita para as compilações de jogos em cassetes de 60 minutos, principalmente caseiras, apesar de também existirem algumas lojas que as fizessem, em que por vezes para chegar ao jogo desejado era preciso passar por muitos outros jogos.
Para quem tinha leitor de cassetes com contador esta tarefa era facilitada, pois bastava assinalar o ponto onde começava o jogo e a cada nova sessão avançar diretamente até aí, mas se não tivessem essa possibilidade, aí sim teriam de esperar pelo carregamento de todos os jogos até ao desejado.

Talvez por aqui se explique a ideia errada que muitos têm acerca dos tempos de loading, mas tendo acesso a um jogo legítimo facilmente se poderia confirmar a falta de veracidade desta afirmação.

Mito nº3

"Por vezes não carregava à primeira, nem à segunda, mas quando carregava era uma alegria."

Fonte: https://alqueidao.com/2018/02/25/coisas-que-ja-nao-se-usam/

Outro tema comum nas discussões nostálgicas é a memória de que as cassetes não carregavam facilmente, sendo preciso várias tentativas até conseguir alcançar o tão desejado jogo. Isto acontecia realmente na altura pois eram edições piratas e ainda na actualidade acontece com mais frequência tendo em conta a degradação das cassetes, um meio já por si frágil, muito mais ainda numa cassete com 30 anos ou mais...


A explicação mais óbvia é a de que como na época não havia leis que regulamentassem o mercado dos videojogos, as lojas de jogos piratas multiplicavam-se por todo o país e tendo em conta a gigantesca diferença de preços, tornava-se completamente inviável investir na importação e venda de jogos originais em território nacional. Assim, as cassetes eram copiadas muitas vezes "na hora" usando aparelhagens com duplo deck de cassetes, de um modo muito amador, com todas as limitações que isso implica, já para não falar de que com o uso, as cassetes originais - os masters - iam progressivamente perdendo qualidade e as cópias idem. Deste modo não era de admirar que fosse necessário carregar várias vezes, limpar o leitor, ajustar o azimute, até conseguir carregar o jogo com sucesso, algo que com uma cassete genuína, uma edição original de qualidade, nunca (ou muito dificilmente) aconteceria.

Concluímos por agora a primeira parte dos Mitos do Zx Spectrum, prometendo para breve, assim que tenhamos mais material, publicar a segunda parte.

Apenas pedimos que deixem nos comentários outros mitos ou dúvidas que têm em relação ao Spectrum e que pretendam esclarecer (por favor nada muito técnico, pois por agora ainda não temos ninguém na nossa equipa que as saiba responder) e que partilhem este artigo de modo a esclarecer a comunidade e acabar com a propagação destes mitos que agora sabemos estarem errados.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Sex on First Date (versão 2021)


O imparável Sebastian volta à carga com mais uma colaboração, já que os seus projetos (e da Team Moritz) estão temporariamente parados por razões pessoais. Como o "bichinho" do Spectrum não o larga, ele não resistiu em dar uma nova vida a um jogo do Gabriele Amore de 2015. Nesta nova versão, temos a adição de três músicas deste vosso escriba, todas elas temas antigos que ou nunca foram usados ou tiveram pouca exposição, tendo sido retrabalhados especificamente para este jogo.

Com este mini-jogo, concorrente do comp.sys.sinclair Crap Games Competition, Gabriele venceu a competição levando para casa o prémio de melhor jogo, o que seria bom sinal, não fosse nesta competição o objetivo tentar criar o pior jogo possível.

Aqui controlamos Stickman, que seduzido por Helen Blond, se deixa levar pelos seus encantos até que ambos se envolvem. Como indica o screen inicial, este é um "Sex Education Game", ou seja, aqui o objetivo é gerirmos a resistência do nosso herói ao passar por três níveis / posições - Missionary, Girl on Top e Shower Sex - sem acabarmos antes da nossa parceira. O ideal será que ambos consigam alcançar o orgasmo em sincronia, mas não será tarefa fácil...


Caso nos movamos muito lentamente, não chegamos a lado nenhum e a situação "não aquece nem arrefece" e se formos demasiado rápidos, aí será a nossa companheira a ficar insatisfeita... 

Infelizmente é demasiado fácil descuidarmo-nos e "sermos egoístas", como nos diz o jogo, porque se não mantivermos a velocidade necessária ao chegar ao ponto certo (quando testarem o jogo vão compreender melhor), é Game Over na certa.

Como disse o Lee Spons na sua análise ao jogo em 2015, por isso este deveria antes chamar-se Simulador Avançado de "Desculpa, mas isto não me costuma acontecer"...

A cada nova posição, mais excitado fica o nosso herói e mais difícil é conseguir o equilíbrio entre manter a nossa parceira no ponto sem lá chegarmos demasiado cedo, tornando-se o jogo cada vez mais frustrante ao avançarmos de nível em nível. Não será um desafio fácil, requerendo numerosas tentativas para chegar ao final, mas os autores esperam que com as novas adições já compense mais o esforço.


Destacamos o tema pouco comum em jogos de Spectrum e a abordagem mais correta ao mesmo (longe já vai - felizmente - a era dos Paradise Cafés e Sex Crimes), a história e os gráficos divertidos programados em código de máquina, para além do original tipo de letra.

Não será um jogo para todos já que, se não forem muito pacientes, a frustração poderá facilmente levar a teclados partidos (lembram-se do Decathlon?, é algo do género mas usando o teclado) e mesmo a normal atividade do jogo poderá ser perigosa para os vossos Speccys, aconselhando o Planeta Sinclair à utilização de alternativas mais seguras.

Como ser o "Rei do Sexo" (objetivo final desta nossa "aventura") não é tarefa para todos e, pelo que vimos online, poucos foram os que chegaram ao final do jogo, o especialista residente deste blogue decidiu entrar em ação. Este vosso escriba decidiu então fazer um vídeo (que podem ver logo no início do post) para que todos os jogadores menos capazes nesta arte do amor possam ver o que vos espera no final.

Em conclusão, se o Paradise Café já não tem para vós nada de novo, cometer um Sex Crime não é coisa que vos passe pela cabeça e visitar a Paprika House é coisa que ficou lá atrás nos vossos tempos de juventude, agora têm uma alternativa sex positive em que o objetivo (educativo!) é aprender a agradar a vossa parceira.

Nesta análise não daremos qualquer nota: primeiro por haver aqui um claro conflito de interesses, em segundo lugar por este não ser um novo lançamento e em terceiro lugar porque a simplicidade e rapidez com que se completa esta nova produção de Amore não dão para que esta seja comparável a outras produções que temos analisado por aqui nos últimos tempos.

Podem experimentar este novo (ou antes renovado) lançamento através deste link.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Paradise Café Deluxe (versão Espanhola)


De facto Paradise Café é um verdadeiro fenómeno mundial, extravasando em muito a cena Portuguesa. Já tínhamos a versão Portuguesa de 1985, a versão comemorativa dos 40 anos, a versão Inglesa com melhoramentos, todas já disponibilizadas em Planeta Sinclair. Pois agora temos a versão Espanhola com melhoramentos (Deluxe version), mais uma vez desenvolvida mais uma vez por theshich, com tradução de Isaias. Os nossos vizinhos já podem agora apreciar o jogo em toda a sua glória...

Poderão aqui descarregar esta nova versão.

sábado, 22 de março de 2025

Paradise Café (2025 remake)


Paradise Café está mesmo em "alta" e continua a ter um interesse incrível por parte da comunidade. Depois de ter feito a bonita idade de 40 anos, do lançamento físico, e de uma versão traduzida (e melhorada) para Inglês (ver aqui), surge agora a versão melhorada, mas em Português.

As melhorias são imensas, logo a começar com a fluidez da acção e a música. No fundo, aquilo que Theshish já tinha feito na versão Inglesa. Mas há mais...

Poderão vir aqui descarregar esta nova versão, o nosso agradecimento ao fiel leitor "anõnimo", por nos ter alertado para este lançamento.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

500.000 visitantes


500.000 visitantes!!! Vou ser sincero, quando criei o blogue em 2016, estava completamente fora das minhas cogitações imaginar o sucesso que viria a ter uns anos mais tarde. Tudo começou com menos de 200 visitantes mensais e neste momento andamos na casa das 20 mil visualizações, alguns meses a ultrapassar este valor. E o número continua a crescer, o que é algo incrível, pois estamos a falar de uma plataforma "obsoleta" e de artigos escritos em português. Mas a realidade é que actualmente, o público estrangeiro é a grande maioria.

Para quem gosta de estatísticas, é sem surpresa que dizemos, para mal dos nossos pecados, que o post do Paradise Café é o mais visto de sempre, e por grande margem (obrigado Mário Viegas, contribuíste para os pesadelos diários que eu tenho com o Reinaldo e companhia)...

Posts mais vistos de sempre:

  1. Paradise Café - ZX Spectrum
  2. Topo Mix Game
  3. Em Busca do Mortadela
  4. Formula One (2020 MOD)
  5. PDF's da Fusion Retro Books gratuitos durante algum tempo
  6. Casanova / Pizza e Pasta
  7. Viagem ao Centro da Terra (Versão Estendida)
  8. Tiki Taca acabou de sair
  9. Preview: Lords of Midnight
  10. R.A.M.
  11. Astro Blaster
  12. Nextoid!
  13. Lorna
  14. Play for Peace (MIA)
  15. Mad Mix 2: No Castelo dos Fantasmas
  16. Votação do melhor jogo do concurso ZX-Dev Conversions
  17. The World War Simulator: Part II
  18. Novo update do Spectrum Next
  19. Sondagem ZX-Dev Conversions: resultado final da votação dos leitores de Planeta Sinclair
  20. Almanaque 2019 de Planeta Sinclair

Quanto aos países de origem dos nossos visitantes:

  1. Portugal - 25%
  2. Estados Unidos - 13%
  3. Espanha - 12%
  4. Reino Unido - 10%
  5. Brasil - 6%
  6. Rússia - 4%
  7. Alemanha - 3%
  8. França - 1%
  9. Ucrânia - 1%
  10. Itália - 1%
  11. Países Baixos - 1%
  12. República Checa - 1%
  13. Polónia - 1%
  14. Japão - 1%
  15. Dinamarca - 1%

sábado, 27 de outubro de 2018

Sex Crime


Nome: Sex Crime
Editora: Omycron Software
Autor: Paulo Jacob, Miguel França
Ano de lançamento: 1985
Género: Acção
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Sex Crime é um jogo estilo arcade com uma premissa algo bizarra que, aproveitando o alvoroço gerado pelo Paradise Café procurou apanhar também algum do público que demonstrou interesse nesse jogo. Fê-lo aproveitando as temáticas que mais deram que falar na altura - o sexo e a violência, sendo o objectivo principal do jogo violar mulheres, sem se ser apanhado. Também, de modo semelhante ao Paradise Café, aposta no humor, apesar de um pouco básico, para apelar ao público e aposto que terá por isso mesmo sido um sucesso junto das camadas mais jovens.

Decidi abordar este jogo, por ser dos poucos que tenho em formato físico, numa cassete pirata da época, vendida pela loja Helgo Computadores da Pontinha e por ter um tema algo incomum no nosso panorama nacional e, diria até, internacional.


A história, bem... não existe. Neste jogo controlamos um homem de bigode (o típico macho tuga) que deverá percorrer um prédio, entrando nos vários apartamentos, violando tantas mulheres quanto possível dentro de um limite de tempo. Devemos ter o cuidado de não ser apanhados pelo guarda que nos mata imediatamente com um tiro nos "tomates" (palavra do jogo) e de não cair no poço do elevador, os dois principais perigos.

Podemos utilizar esse mesmo elevador para navegar por entre os pisos, mas como também o polícia o poderá usar, temos de gerir com cuidado esse recurso. Caso nos vejamos encurralados, podemos também saltar da varanda para o piso inferior para escapar.


Tem como pontos positivos desenhos simples, cómicos e coloridos, apesar de as personagens serem transparentes, e as pequenas músicas que acompanham o jogo. Outro pormenor engraçado é o "attract mode" do jogo, que tal como nos clássicos jogos arcade, enquanto estamos no menu, nos mostra um pouco de gameplay e algumas animações com efeitos sonoros muito chamativos. Tem uma boa jogabilidade e daria um bom jogo estilo arcade não fosse o tema e alguns defeitos, sendo o maior o reduzido tempo que temos disponível.

Será mesmo esse o principal problema, já que como temos apenas pouco mais de 20 segundos de tempo de jogo, torna-se muito difícil explorá-lo devidamente, além disso este é bastante curto e limitado. Não existem vários níveis para explorar ou cenários e só existe um método para se obter pontuação.

Infelizmente não conhecemos mais jogos dos mesmos autores, o que é pena, pois demonstram ter capacidade para fazer muito mais e melhor, ficando Sex Crime para a história, fundamentalmente pela sua temática. Ainda assim, para quem o quiser experimentar está preservado há alguns anos e podem encontrá-lo na página do World of Spectrum e da Spectrum Computing.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Uma breve história dos videojogos portugueses: o início


Há cerca de uma semana tínhamos sido contactados por J. B. Martins, autor do canal Cineblog, para darmos informação sobre um jogo específico do Spectrum. Gostámos logo da primeira abordagem, a conversa foi-se desenvolvendo, e apenas uma semana depois é lançada a primeira parte de "Uma breve história dos videojogos portugueses". O seu autor fez um excelente trabalho de pesquisa, tendo ainda aproveitado algumas dicas nossas, e o resultado é simplesmente brilhante.

É também inevitável que Paradise Café apareça, dado a notoriedade que teve (e ainda hoje tem) no panorama português do Spectrum. Mas J. B. Martins mostra que esse jogo é uma ínfima parte de tudo aquilo que foi feito em Portugal, e que infelizmente, de forma consciente ou não, é esquecido pela maior parte daqueles que abordam esta temática.

Assim, temos que dar os parabéns ao J. B. Martins por ter feito um trabalho honesto, factual, sem puxar aquilo que seria mais fácil e vendável (Paradise Café e Sex Crime). No fundo identificamo-nos plenamente com o conteúdo deste vídeo, que desde já convidamos os nossos leitores a verem. E aproveitem a embalagem e vejam os restantes vídeos do canal Cineblog, sempre interessantes, quer gostem ou não de cinema.

Aguardamos agora com expectativa a segunda parte, que obviamente iremos também divulgar.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Bastidores da produção de Paradise Café 40 Anos e Retro Parla


Ontem marcou a estreia da Larvae Records na produção da sua primeira edição para o ZX Spectrum, num cenário já bem conhecido para a Teknamic. Estivemos na Edisco para acompanhar de perto o processo de fabrico desta edição muito especial para os portugueses.

Entre o barulho da impressão e algumas conversas sobre o panorama português da cena retro, foram impressas 150 cassetes, que seguiram depois para duplicação.

Entretanto, tivemos acesso privilegiado ao primeiro teste de sempre desta nova edição.

E as surpresas não ficam por aqui! A Larvae Records cedeu generosamente 15 unidades para serem adquiridas no espaço da Teknamic no Retro Parla, que acontece já no próximo fim de semana (15 e 16 de março) em Madrid. Embora o Paradise Café não faça parte do catálogo da Teknamic, esta faz questão de apoiar e dar visibilidade a produções lusas no estrangeiro, independentemente da editora ou do título.

Os nossos vizinhos espanhóis terão assim o privilégio de ver, em primeira mão, os primeiros exemplares desta belíssima cassete – e apostamos que vão desaparecer num instante!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Encontrado o criador de Paradise Café e em breve sai a sequela


Temos uma notícia bombástica para dar. Assim, depois de muito procurarmos, finalmente identificámos o programador do mais famoso jogo Português de todos os tempos, o Paradise Café. Na realidade já o sabíamos há algum tempo, mas apenas agora pudemos dar a notícia, até porque haverá mais novidades

Neste momento temos estado em consulta com um advogado, pois embora tenha passado muito tempo desde que o jogo saiu originalmente, ainda poderá dar origem a alguns problemas legais. No entanto, estamos convictos que em breve o poderemos apresentar à comunidade. 

E já que estamos com a mão na massa, mesmo ainda não tendo o ok quanto à parte legal, o seu criador acedeu a fazer a sequela. Tem inclusive versão física, que vai ser vendida ao preço de 10 euros + portes. Estamos para já nos testes finais, mas fiquem atentos para mais novidades em breve...

Nota: a edição vai ser bastante limitada, mas quem estiver interessado em fazer a pré-reserva, basta dizer "eu quero" na caixa de mensagens.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Versão alternativa de Paradise Café


Hoje disponibilizamos uma curiosidade, a versão alternativa de Paradise Café que encontrámos numa das cassetes que Octávio Neves nos emprestou. Além de um ecrã de carregamento diferente, tem também a inclusão das instruções, uma das pechas do original.

Assim, se ainda não estão fartos deste jogo, poderão aqui vir experimentar esta versão...

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Talismã: mistério por resolver


Na história da cena portuguesa do Spectrum continua a haver alguns mistérios por resolver. O mais mediático será o de se saber quem de facto foi o responsável por Paradise Café. Algumas pistas indicam que se pode tratar de um professor de Braga. No entanto ainda estamos muito longe de resolver este enigma.

No entanto, o que nos traz aqui hoje tem haver com outro jogo português que permaneceu "perdido" durante largos anos, até recentemente termos obtido uma cópia e conseguir recuperar digitalmente as duas primeiras partes deste jogo, conforme anunciámos com pompa e circunstância aqui. Talismã foi inclusive o primeiro jogo português a ser registado na SPA, há mais de trinta anos.

Segundo as revistas da época, o jogo era composto por quatro partes. isto mesmo se pode ver na review que saiu na Capital a 18 de Abril de 1987 (ver parte assinalada a vermelho). E reparem no pormenor dos screenshots: os dois apresentados dizem respeito apenas à primeira parte do jogo.


Outro pormenor que nos chamou desde logo a atenção foi o loading screen. Tendo o jogo sido criado em 1987, porquê a referência a 1990? Será que o loading screen (pelo menos o que acompanha o jogo) apenas foi criado efectivamente em 1990, sendo a versão que Daniel Lima analisou para a Capital, em 1987, uma versão inacabada, composta apenas pela primeira parte? Analisando o próprio texto da review, tudo leva a crer nisso.

Em Setembro de 1990 surge um exclusivo do Talismã na revista Computer Magazine (número 10). Também aqui são referidos quatro partes (ou níveis). No entanto, o próprio autor do artigo refere que apenas teve acesso às duas primeiras partes, sendo a análise toda baseada nisso. Poderão comprovar nas partes assinaladas a vermelho.


Não é assim de estranhar que o próprio artigo apenas apresente screenshots dessas duas partes, como podem ver na foto seguinte.


Ao longo do artigo também é referido pelo seu autor que conseguiu o jogo através da Softmail, especializada em colocar no mercado jogos "piratas", como era prática habitual na altura no nosso país. Mas não deixa de ser interessante que referem que incluso vinha um manual, o qual nunca tivemos acesso, mas que pelos vistos existe.

Mas qual a razão por apenas em 1990 aparecer este artigo. Será que a primeira parte foi lançada em 1987 (ainda sem loading screen), tendo a segunda parte aparecido mais tarde, em 1990, o que até se conjuga com o ecrã de carregamento? É uma forte possibilidade, na nossa opinião.

Outro facto que nos leva a essa conclusão está relacionado com o facto do jogo ter dois autores. O primeiro, o jornalista José Antunes, era conhecido por fazer as reviews no suplemento Som e Imagem do Diário de Notícias. Já o segundo, também jornalista, é bastante menos mediático. Qual terá sido o contributo de cada um para Talismã? Será que um foi responsável (ou teve uma contribuição maior) na primeira parte, e outro na segunda?

Tendo nós analisado ao pormenor as duas partes do jogo, passando longos dias de volta dele até o terminar, a sensação que temos é que a primeira parte foi feita de forma muito profissional, com diálogos e desafios muito interessantes. Já a segunda parte parece ter sido feita à pressa, os próprios diálogos parecem ter sido feitos por uma outra pessoa, sendo o estilo e o cuidado com a escrita muito diferentes da primeira parte, para pior, refira-se. Veja-se o exemplo seguinte, sendo o ecrã da esquerda referente à primeira parte, e o da direita referente à segunda.


Acresce ainda um pormenor. Quando tentámos entrar em contacto com um dos seus criadores, José Antunes (não temos o contacto de Moutinho Pereira), apenas obtivemos silêncio relativamente a este jogo. Não deixa de ser estranho, também, pois a nosso ver, pelo menos a primeira parte está muito bem conseguida e seria um orgulho para qualquer pessoa falar sobre a sua criação.

Tudo isto leva-nos a especular um pouco e a colocar algumas questões:
  • Será que em 1987 apareceu uma primeira parte de Talismã, sem ecrã de carregamento, e que foi enviada para a Capital e eventualmente outros jornais?
  • Terá a segunda parte apenas sido concluída em 1990, tendo também nessa altura sido criado o ecrã de carregamento, entrando então o jogo no circuito comercial? Note-se que em 1990 o Spectrum já estava a entrar no seu ocaso e os lançamentos pouca exposição tinham, não sendo sequer comercialmente interessantes, podendo inviabilizar a continuação do jogo.
  • Terão a primeira parte e segundas parte tido autores, ou pelo menos maiores contribuidores, diferentes?
  • E a questão mais importante: será que as terceiras e quartas partes, que estavam previstas inicialmente pelos seu(s) autor(es), nunca foram concluídas (ou sequer começadas), daí não as encontrarmos em lado algum? 
Estas são questões que gostaríamos de ver respondidas (mais até do que saber quem foi o criador de Paradise Café). Não iremos descansar enquanto não descobrirmos a história por trás deste jogo, ou, quem sabe, encontrar as terceiras e quartas partes, se estas realmente existirem...

Nota: este post reflecte a visão pessoal de um dos colaboradores de Planeta Sinclair, André Leão, assumindo a responsabilidade pelas ideias aqui avançadas.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Como reconhecer uma cassete pirata?

Assistimos ultimamente a alguma confusão em sites estrangeiros de venda de jogos, que descrevem jogos pirata como sendo "edições originais portuguesas", sites de classificados como o olx ou até ebay, onde os vendedores os colocam a preços elevados por serem "originais", enganando alguns coleccionadores pelo caminho. Decidimos que seria altura de fazer um guia que pudesse ajudar qualquer pessoa a identificar se os jogos que têm ou planeiam comprar/vender são originais.
Em seguida colocamos algumas fotos para demonstrar o aspecto destas edições, explicando como as podem identificar facilmente.


Na primeira foto, temos alguns piratas do início dos anos 90, com capa a cores muito semelhante à original, mas que frequentemente traziam inscrições na capa, tais como "cassete de computador" ou "instruções em português". Se puderem examinar directamente a capa, podem verificar que a qualidade da imagem não é muito boa e que também muitas vezes são apagados os códigos de barras e/ou os logótipos dos editores (segunda foto).


A terceira foto mostra piratas da mesma era, em que nada é escrito na capa da cassete e a qualidade das imagens não é muito má, por isso o conselho que posso dar é que verifiquem quais os jogos que foram editados originalmente em formato double jewel case. Se pesquisarem um pouco, verão que nenhum destes títulos saiu neste formato ou pelo menos com esta capa. Podem também verificar pelas barras pretas ou brancas em volta da capa original, indicando que esta foi redimensionada.



As cassetes da quarta foto são claramente piratas, mas decidi incluí-las para dar algum contexto histórico da distribuição de jogos em Portugal na época. Nas lojas era comum haver uma lista de jogos disponíveis que seria dada ao cliente e após a escolha, pedir-lhe-iam que voltasse algum tempo mais tarde, para lhes dar tempo de gravar a cassete. Pegavam então numa cassete nova, gravavam o jogo a partir do original e adicionavam uma capa com o logótipo da loja ou um desenho relacionado com jogos ou computadores, que a identificava e servia como publicidade, mostrando de onde vinha o jogo. Algumas lojas fotocopiavam apenas a capa do jogo original, podendo ser visualizado na quinta foto.


Os originais:

A Astor Software foi uma editora de software e jogos sediada em Lisboa que nunca funcionou de modo legal, pois não havia na altura qualquer legislação que protegesse os direitos dos autores de software. Deste modo, na sua loja vendiam jogos piratas lado a lado com as suas próprias edições, que podemos considerar originais, já que os jogos eram licenciados diretamente dos autores, fazendo na época o mais próximo possível daquilo que atualmente chamamos uma edição original. Estiveram inclusivamente envolvidos na promoção de um concurso nacional de software de modo a encontrar novos autores para a sua "editora".

Houve também alguns casos pontuais curiosos, como algumas edições da Texto Editora, Triudus ou o famoso caso do Paradise Café, um jogo pornográfico de autor desconhecido, que apareceu nas lojas com diferentes capas, distribuído por "piratas profissionais".



Algumas lojas distribuíram software de gestão e contabilidade original, títulos educativos e até jogos que compravam directamente aos autores (como podem ver na foto anterior), mas de um modo muito amador e usando capas de loja, vendo os seus produtos frequentemente ser "roubados" e distribuídos por outras lojas.

Em conclusão, se procurarem uma edição original (que não seja portuguesa) e todos estes métodos falharem, verifiquem a própria cassete. As cassetes em Portugal tinham apenas um autocolante com o nome do jogo, ou o nome do jogo escrito na cassete a marcador, mas não conhecemos nenhum pirata que se desse ao trabalho de fazer "screen printing" (impressão na cassete).

Se procuram originais portugueses, isso será mais difícil de avaliar, por têm de ver as situações caso a caso e saber um pouco mais sobre a história dos videojogos em Portugal.

Esperamos que este pequeno guia tenha ajudado algumas pessoas a aprender mais sobre a nossa cena nos anos 80 e que finalmente esclareça o público do que são as cassetes piratas, acabando com toda a confusão em volta deste assunto.

How to recognize a pirated tape?

After witnessing some confusion on online sites selling pirated games as if they were “original portuguese releases”, classified sites where sellers put them at high prices because they are “original” or even showing up on ebay tricking some foreign collectors, we thought it would be useful to write a guide that could help anyone to identify if the games they have or are planning to buy/sell are original.

Next we will show some pictures to demonstrate the look of these pirated editions, explaining how you can easily identify them.

 

On the first picture are some pirates from the early 90's, with a cover very similar to the original but which often had something written on the inlay, like "cassete de computador" (computer tape) or "instruções em português" (instructions in portuguese). If you can examine closely, you can notice that the quality of the image is not so good and that often the code bars and/or the publisher’s logos are erased (second photo).


The third picture shows pirates from the same era as before but this time there is nothing written on them and quality of the cover is quite good, so the only hint I can give you is to be careful and check which games were released in double jewelcases, if you look carefully, you'll see that all of these never were released in a single case like these (or with this art). You can also tell by the white or black bars surrounding the original cover, that it was reduced in size.


The tapes in the fourth picture are noticeably fake, but I think I should show them also for a little bit of context on the distribution of games in Portugal at the time.On stores, there would usually be a list of games that was given to the client to choose from, after that choice, they would  be told to come back some time later, to give them time to copy the game. Then the pirate would take a blank tape, record the game from the master (original) and add a cover with the store's logo ou some drawing related to videogames/computers that also worked as kind of an advertisement, showing where the game came from. Some stores also copied the original game’s cover, but we didn’t include a picture of these tapes because those can be identified easily.


Finally, the originals:

Astor Software was a publisher of videogames and all kinds of software in Portugal that never was legalized because there were no laws back then protecting the software copyright. So, aside from selling pirated tapes, they also sold originals that they licensed from the original portuguese developers, doing at the time the closest that we had to what is now considered an original release. There was even a national software contest at one time to find more authors for their "publisher".

There were also some curious cases, like some editions from Texto Editora, Triudus or the famous case of Paradise Café, a porn game of unknown origin that started to show up in stores with different covers (mine is the most popular) distributed by "professional pirates".


Some stores also distributed original productivity software, educational titles and even games that they bought from developers (last picture) but distributed them in a very amateurish manner and had their games stolen often only to be sold in another store nearby.

In conclusion, if you are looking for an original release (that is not portuguese), always check the tape. Tapes in portugal always had stickers with the title or the name of the game written in marker, we don't know of any pirate that screen printed the tapes.

If you're looking for portuguese originals, well that will be more difficult to recognize, because you have to evaluate case to case and know a little bit more about the history of videogames in Portugal.

We hope this small guide helped some people learning more about our scene in the 80's and to finally clerly reveal what are pirates, hoping to end with all the confusion around this issue.