Nome: Jetpac RX
Editora: NA
Autor: Allan Turvey
Ano de lançamento: 1983 / 2020
Género: Shoot'em'up
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston
Memória: 48 / 128 K
Número de jogadores: 1
Sempre demonstrámos a admiração que tínhamos por Jetpac, clássico de 1983 da Ultimate Play the Game, que inclusive votámos como o oitavo melhor jogo de sempre para o Spectrum (ver
aqui). Apesar de ser um
shoot'em'up muito simples (e a correr em 16K), tem uma jogabilidade excepcional e é cativante como poucos. É daqueles jogos que voltamos constantemente a carregar, e por coincidência, ou talvez não, ainda no dia anterior a esta
review ser escrita, fizemos campeonato de Jetpac aqui por casa, utilizando para tal o Spectrum Next. Há coisas que ficam para sempre...
Não vamos estar a descrever em pormenor Jetpac. O jogo é bem conhecido de todos, pelo que apenas deixamos os conceitos básicos. O astronauta que controlamos é deixado à deriva num planeta hostil e tem que recolher os pedaços de nave e posteriormente o combustível, que permite fazer com que a nave levante vôo e nos leve para o nível seguinte. Para o evitar, dezenas de inimigos de oito diferentes tipos vão deambulando pelo planeta, alguns em padrões regulares, e por isso mais fáceis de serem evitados, outros com padrões aleatórios, aumentando a imprevisibilidade, outros ainda que nos perseguem. Existem quatro naves diferentes (U1 a U4), ao longo de 16 níveis, voltando-se então ao primeiro. O jogo original não é particularmente difícil, pelo que após algum treino consegue-se completar todos os níveis, entrando-se então na luta pelo recorde de pontos.
Allan Turvey resolveu então recriar Jetpack. Não estamos perante um
remake puro e duro, até porque por razões legais não seria possível. Antes um
patch que é colocado na ROM original do jogo, transformando-o radicalmente, mas com isso torneando quais problemas legais que pudessem existir. É bom que esta questão fique bem clarificada, não vá alguém pensar que o autor está a violar direitos de autor. Vamos então focar-nos nas principais diferenças de Jetpac RX relativamente ao original de 1983.

A primeira é visível assim que se inicia o carregamento do jogo. O ecrã de carregamento, da autoria de Craig Howard, tem agora um aspecto mais polido e moderno, com um novo logo. Ao fundo, em vez das montanhas, vê-se o espaço sideral e alguns planetas, num efeito magnífico. O feixe laser e os resíduos do
jetpac estão agora mais realistas. Ao lado o ecrã de carregamento original, contrastando com o da versão RX em cima.
Mas algumas novas funcionalidades foram adicionadas, sendo uma das mais relevantes a da inclusão de um tempo limite para se terminar cada nível. Na realidade não é um tempo limite, mas sim um depósito de oxigénio que vai sendo gasto à medida que o tempo vai passando. A principal consequência é que evita que alguém fique infinitamente num determinado nível, impulsionando a pontuação. Aliás, no original existem pontos onde se pode estacionar o astronauta, e disparando continuamente, nunca é atingido pelos inimigos. Isto não se passa aqui, pois é necessário rapidamente irmos apanhando as células de combustível, expondo-nos ao risco. Alguns dos inimigos também estão mais rápidos e perigosos, (felizmente) aumentando o nível de dificuldade e por consequência o nível de interesse do jogo.
Outra funcionalidade muito interessante: "hover". Carregando na tecla respectiva, o astronauta paira no ar. Confessamos que não a utilizámos assim tanto, talvez porque estivéssemos formatados para a mecânica do jogo original, mas sem dúvida que abre a porta para a utilização de novas estratégias durante o jogo. No original esta opção existia, mas não era praticamente utilizada, pois as teclas que a activavam, eram tudo menos funcionais.
Também existem
add-ons adicionais. Assim, se recolhermos as letras E-X-T-R-A, é-nos concedida uma vida adicional. Mas outros bónus podemos conseguir, bastando para isso apanhar o laser, a bomba ou a cruz. Gostamos particularmente da bomba, que faz explodir todos os inimigos em simultâneo, mas o escudo também é bastante útil para quem aprecia uma boa matança sem grandes preocupações de ser atingido. Por outromlado, se o tanque de oxigénio estiver já num nível muito baixo, é possível enchê-lo através de
add-ons. E já agora, é conveniente eliminar o máximo de inimigos possíveis, pois isso aumenta a frequência do aparecimento destes bónus.
Ao nível dos cenários, e além da óbvia melhoria gráfica, com
sprites com maior definição, as plataformas e a própria posição inicial da nave são agora colocadas de forma aleatória. Quer isso dizer que a melhor estratégia para cada nível é agora diferenciada, estando dependente da disposição dos elementos, além do inimigo com que nos deparamos, obviamente. É assim adicionado mais um elemento de imprevisibilidade ao jogo.
Por fim, outro dos elementos que o programador incluiu: teclas redefiníveis. A Ultimate tinha o irritante hábito de colocar teclas completamente desadequadas e sem possibilidade de serem alteradas. Isso não se passava com Jetpac, cujas teclas até conseguiam agradar a Gregos e Troianos, mas em jogos posteriores, muito ficaram arruinados devido a uma péssima escolha de teclas. De qualquer forma, existe agora a possibilidade de se escolher as teclas, funcionalidade sempre fundamental em qualquer jogo.
Assim, as modificações em Jetpac RX foram tantas, que quase se pode dizer que estamos perante um novo jogo. A fluidez do original foi totalmente mantida, mas a nova roupagem trouxe-lhe novos motivos de interesse. Em breve irá também sair a versão 128K de Jetpac RX, incluindo diferentes melodias e outras novidades. Vão-se então mantendo actualizados acerca dos trabalhos de Allan Turvey, podendo
aqui ser consultada a sua página, e podem
aqui descarregar o jogo.