quinta-feira, 2 de abril de 2020

Papyrus


Nome: Papyrus
Editora: NA
Autor: F. J. Urbaneja
Género: Plataformas
Ano de lançamento: 2020
Teclas: Não redefiníveis
Joystick: Não
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Aparentemente vindo da mesma equipa responsável por UFO, foi lançado praticamente ao mesmo tempo Papyrus, um jogo substancialmente substancialmente diferente do primeiro. Aliás, a primeira imagem que nos vem à memória é o infame Abu Simbel Profanation, um dos jogos mais difíceis e injustos a aparecer para o Spectrum, e responsável por arrancar os cabelos de frustração de muito adolescente nos anos 80. Felizmente que Papyrus não tem o mesmo nível de dificuldade, doutra forma os actualmente quarentões que ficaram sem cabelo à conta de Profanation, eram bem capazes de tomar medidas mais drásticas, quem sabe até desterrarem-se para o Egipto.

Neste jogo assumimos a pele de Wayne Coleman, um explorador e aventureiro à la Indiana Jones, e que tem que recolher os nove papiros que se encontram por diversas salas de uma pirâmide. Mas claro que esta pirâmide encontra-se bem preservada no tempo, e pelo meio vamos encontrar vivinhos da Silva todo o tipo de seres e aberrações, desde as já previsíveis múmias, fantasmas, e até uns seres com uns pequenos cornichos, semelhantes a um viking de uma série de animação e BD bem conhecida. Sim, ir para as antigas pirâmides tem sempre destas coisas estranhas...


Mas os responsáveis pela construção da pirâmide deixaram também uma série de obstáculos que temos que contornar (olhando para a imagem de cima, rapidamente se percebe o que queremos dizer), e embora não seja labiríntica, o que é uma pena, até porque o Arcade Game Designer ainda permitiria em termos de memória mais algumas salas, mas alguns destes obstáculos não são nada fáceis de serem ultrapassados, pelo menos sem as habituais ajudas de quem joga nos emuladores (e que nos serve de muleta para chegar ao fim numa boa parte dos jogos).

Apesar do jogo ser também substancialmente diferente de UFO, pois este passa-se numa base espacial e Papyrus nas pirâmides do Antigo Egipto, nota-se que houve aqui trabalho aproveitado entre ambos, sem que isso constitua qualquer tipo de crítica da nossa parte. Mais uma vez a jogabilidade é interessante, sendo que Papyrus sofre praticamente dos mesmos problemas de UFO, o mais gritante a longevidade, ou falta dela, para sermos mais precisos. Não sendo o jogo particularmente longo (não deverá chegar aos 30 ecrãs), qualquer pessoa minimamente habilidosa com os dedos consegue chegar ao fim após meia dúzia de tentativas. E com nove vidas iniciais concedidas, que nos parece demasiado, e um sistema de colisão de alguma forma benevolente, o nível de dificuldade não é propriamente muito desafiador.


No entanto os gráficos são em Papyrus mais agradáveis, quer seja pela temática, quer seja por um bom uso das cores, incentivando a levar a aventura até ao fim. Os cenários são sem dúvida mais imaginativos que os de UFO, embora este até tenha aparecido depois. Não deixa de criar à mesma a sensação que tudo foi feito um pouco à pressa, e que algum cuidado relativamente a alguns pormenores, poderiam elevar o nível do jogo. Um pormenor que se nota imediatamente é a falta de uma melodia, quer no menu inicial, mas principalmente no desenrolar da acção.

Parece-nos assim que esta equipa ainda está a dar os primeiros passos no Spectrum, e que poderá no futuro a vir a apresentar alguns jogos com mais substrato. Para já, estas mini-aventuras têm o condão de nos divertir por alguns momentos, mesmo que a elas não se volte nos tempos mais próximos. E tal como UFO, é totalmente gratuito, por isso não havendo qualquer motivo para nos queixarmos.

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