quinta-feira, 1 de abril de 2021

Danterrifik III: the Dark Age of Grotesque

 

Nome: Danterrifik III: the Dark Age of Grotesque
Editora: Toku Soft
Autor: David Gracia
Ano de lançamento: 2021
Género: Plataformas
Teclas: Redefiníveis
Joystick: Kempston, Sinclair
Memória: 48 / 128 K
Número de jogadores: 1

Existe um apetência para as séries de horror originarem autênticas sagas. Quem não se lembra de Nightmare on Elm Street? Ou Friday the 13th? Ou mais recente SAW? O mesmo se aplica aos mundo dos 8 bits, não sendo assim de admirar que a mais terrorífica saga para o Spectrum, Danterrifik, tenha agora chegado ao terceiro episódio. E o seu autor já estaria a trabalhar na continuação, embora vá agora fazer uma licença sabática. Esperemos que por pouco tempo, pois a evolução tem sido bastante visível.

Os dois primeiros episódios tinham todos os condimentos para se tornarem clássicos. Falharam por um triz e atrevemo-nos a dizer que o principal problema estará no excessivo grau de dificuldade que levava muita gente a não passar dos primeiros níveis e a não verem algumas das (boas) novidades que o seu criador tinha colocado em níveis mais avançados. Lembramo-nos assim de repente daqueles no qual controlamos simultaneamente dois personagens, algo muito pouco visto no Spectrum. Sejamos claros, o nível de dificuldade neste terceiro episódio continua altíssimo, simplesmente encontra-se agora um pouco mais calibrado, aumentando há medida que vamos avançando nos ecrãs. Por outro lado, enquanto que nos dois primeiros episódios os níveis eram independentes uns dos outros (à la Manic Miner), em Danterrifik III os ecrãs estão ligados uns aos outros, dando uma maior sensação de progressão.


Neste novo lançamento, o que se sente é a falta de todo o material adicional que David Gracia, um artista por natureza, oferecia à comunidade. Talvez não tenha havido tempo. Ou talvez fique para o próximo episódio. Mas isso não evitou que criasse uma pequena história aterrorizante, enquadrada com o próprio ambiente do jogo e dos cenários, que estão agora melhores que nunca, embora por vezes exista tanta coisa ao mesmo tempo no ecrã, que se confunda um pouco com os elementos de fundo. É a única razão por que não leva nota máxima nessa vertente, ao contrário da música que é genial. Mr. Rancio já nos habituou a esperar o melhor, e podemos dizer que não nos desiludiu um pouco. A par de Beyker, será talvez o supra sumo dos músicos para o Spectrum vindos daqui do lado. Mas vamos então à história. Desde já se avisa, é apenas para maiores de 18 anos, pois contém conteúdos explícitos...   

La vida no perdona la debilidad.
Dan deberá pagar por todos sus actos impunes.
Dantemonium será su lugar de acogida como castigo.

Estas são as palavras do sumo sacerdote da Igreja Católica Alemã. Dan vai ter que enfrentar todos os tipos de tortura física e mental. A única opção para sair vivo é escapar da Catedral de Dantemonium, onde residem todos os tipos de monstruosidades e seres desprezíveis que pagam por actos passados e que entretanto foram presos para se penitenciarem pelos seus hediondos instintos assassinos. Poderá Dan recuperar a sua identidade e descobrir o que lhe aconteceu? Porque foi trancado numa igreja alemã chamada Dantemonium? É isso que temos que ir desvendando ao longo deste aterrorizador jogo.


Além dos gráficos e do ambiente criado à volta da saga, outra das coisas que muito apreciamos é a forma como David consegue ao longo do jogo ir variando algumas das mecânicas e do próprio ambiente, sem sair da temática geral. Sendo um jogo corrido, com ligação entre ecrãs, não se espere voltar a controlar dois Dan's em simultâneo, tal como nos episódios anteriores. Não vamos encontrar nada tão radical. O que vamos encontrar é cenários muito diferentes de nível para nível, com grande variedade de inimigos e de obstáculos, convidando sempre a persistir para ver se a redenção se encontra no ecrã seguinte. Mas também não será de estranhar que perca as 50 vidas (o contador de vidas anda de dois em dois) num único ecrã, como nos aconteceu no nível de cima. Infelizmente não conseguimos passar desse e ver as maldades que se seguem. Pressentimos que já não deveríamos estar muito longe do fim, dado que o nível de dificuldade chegou a um extremo comparável ao dos dois primeiros episódios.

Assim, quem gostou de Danterrifik I e II, de certeza que irá gostar ainda mais deste. A jogabilidade é melhor, o nível de dificuldade é mais progressivo e um pouco menos penalizador, se é que lhe podemos chamar isso. Aliás, o nível de dificuldade em Danterrifik não é defeito, é feitio, e é já uma característica desta saga, que apela à máxima destreza e paciência por parte dos jogadores. Estamos para ver é quem consegue terminar sem "batotas"...

Aguardemos agora pela quarta parte (não temos dúvidas que mais cedo, ou mais tarde, irá sair e, quem sabe, chegar a Mega Jogo). O caminho também parece já estar traçado, portanto não contem com maiores facilidades. Não é jogo para "meninos", como aliás o bem visível "PARENTAL ADVISORY:   EXPLICIT CONTENT" o dá a entender. Se quiserem algo mais aprazível e acolhedor, isto é, para "imberbes", aconselhamos as aventura de Postman Pat...

2 comentários:

  1. Thank you very much for the analysis, I really liked it. The fourth episode follows its development, even though I am outside of social networks.

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