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sábado, 3 de abril de 2021

Hero


Nome: Hero
Editora: NA
Autor: Libânio Guerreiro
Ano de lançamento: 1986
Género: Estratégia
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

Depois de termos partilhado com a comunidade SOS Naufrágio, está (quase) na hora de disponibilizarmos Hero, o segundo jogo (por ordem cronológica) desenvolvido por Libânio Guerreiro. E a evolução entre um jogo e outro é enorme, não obstante SOS e Hero partilharem a mesma mecânica e seguramente algumas rotinas. Mas enquanto o primeiro é uma típica aventura de texto, no entanto tendo algumas nuances que o fazem sobressair das restantes, Hero é um puro jogo de estratégia, à boa maneira de The Lords of Midnight, o clássico de 1984 de Mike Singleton, unanimemente considerado como um dos melhores jogos a aparecer para o Spectrum. Curiosamente, o programador confessou-nos que apenas experimentou LoM depois de ter desenvolvido Hero.

Mais uma vez o Libânio esmerou-se na apresentação do jogo. Inclui um ficheiro independente com as instruções, tal como acontecia com SOS Naufrágio, e é bom que sejam lidas, doutra forma podem escapar-nos detalhes importantes, não só ao nível das teclas que são utilizadas (11, sem contar com o "Load" e Save"), mas também sobre as várias formas de terminar a missão. E há várias formas de a completar a missão, algumas mais bélicas, outras mais "políticas" e de "lobby".


Depois de lidas as instruções, e ainda antes de se carregar o jogo, convém dar uma espreitadela ao belíssimo mapa que o Libânio disponibiliza. Mais uma vez nos traz à memória The Lords of Midnight, assim como o universo de Tolkien. Embora Hero tenha mais de 200 ecrãs, incluindo subterrâneos, as principais localizações e pontos de interesse estão espelhados nesse mapa. 

Consegue-se também visualizar quais as terras "amigáveis" e as pertencentes ao inimigo. Aliás, mais que uma espreitadela, é fundamental termos o mapa sempre presente enquanto jogamos, até porque periodicamente vão se desenrolando batalhas e outros acontecimentos importantes, sendo conveniente localizá-los neste enorme mundo. Pode ser a diferença entre conseguirmos escapar a um exército que se aproxima ou ficarmos encurralados na boca do lobo (que também os há neste jogo).


Mas vamos então tentar perceber a nossa missão. Já agora, Hero é o nome da personagem principal, e não é por acaso, pois é preciso ser um verdadeiro herói para se conseguir sobreviver por muito tempo neste mundo, quanto mais completar a missão com sucesso. Hero sucede ao seu pai, o Rei da Terra Verde. Entretanto, Grutol, o líder das trevas, toma conhecimento, não só da morte do pai de Hero, mas também de que os exércitos do Rei, como consequência, ficaram divididos e enfraquecidos. Avança então com um exército gigantesco para a capital Solking. O defunto Rei, já a prever isso, disse a Hero mesmo antes de morrer, que este tinha como missão unir os diferentes reinos e cumprir a Lenda da Coroa.

Segundo a Lenda, existe um determinado objecto, escondido por vários templos perdidos, que tem um poder incrível. Estes templos têm três portas, e cada uma delas abre-se de uma forma específica. Para abrir a primeira, é necessário um mago e o seu bastão, para a segunda, um trovão e o seu martelo, para a terceira, uma chave e o próprio Rei. Um tanto ou quanto enigmático, mas a ideia é mesmo essa. Depois do objecto ser encontrado, há que o colocar no local onde a chave foi recolhida, cumprindo-se a lenda. No entanto, se Hero tiver dotes de comandante, também pode vencer o inimigo pela força das armas. Mas repararam que dissemos que o exército das trevas era gigantesco, não repararam? Talvez não seja boa ideia atacá-lo assim que o avistamos, tal como ingenuamente fizemos nos primeiros desafios.


Depois de se ter interiorizado as instruções e as teclas que vão sendo utilizadas ao longo do jogo (já lá iremos), podemos então iniciar a duríssima missão que temos em mãos. Começamos no papel de Hero, perto da Capital de Solking, e rapidamente percebemos que o ecrã tem uma disposição muito semelhante a SOS Naufrágio. Na parte de cima, uma descrição do local nos encontramos, assim como possíveis objectos ou situações à vista (inimigos, por exemplo), e as diferentes saídas. Ao meio, os belíssimos cenários, desenhados no Art Studio e posteriormente incorporados no jogo, e na parte de baixo as acções que vamos realizando. Brilhante, a forma como Libânio conseguiu transportar a mecânica de uma aventura de texto, para um jogo de estratégia por turnos, como aqui acontece.

O jogo encontra-se também dividido em duas fases, uma primeira, durante o dia, na qual podemos ir realizando as acções, quer seja deslocarmos-nos entre os diversos locais, quer seja apanharmos objectos ou até atacar os inimigos. O número de acções é limitado e esgotado esse número, avança a noite. É nesta fase que o computador "processa" os dados e ficamos a saber o resultado de algumas acções, nomeadamente o resultado das batalhas com os exércitos inimigos, mas também com os outros seres que coexistem neste mundo, tais como gigantes e lobos.


Antes de entrarmos em combate, é conveniente conhecermos as nossas limitações, bem como as do inimigo. Para isso são muito úteis duas funcionalidades. A opção "L" - lista, permite dar-nos a conhecer os objectos que temos em nosso poder, bem como o número de guerreiros que comandamos e a nossa força. Quanto maior o nosso exército e a força, maiores as probabilidades de sermos bem sucedidos em combate. Por outro lado, a opção "R" - relatório, permite dar a conhecer o resultado das batalhas em que entramos, fundamental para delinearmos as acções futuras. Ou para chegarmos à conclusão que fomos inapelavelmente derrotados.

A tecla "T" - opções, é também fundamental, pois só assim é possível seleccionar-se aquilo que pretendemos fazer, seja apanhar os objectos que se encontram à disposição (a tecla "A" - ver algo, permite ver o que se encontra no nosso raio de acção), seja entrar em combate. É de todo conveniente apanhar viveres (alimentos, água, etc.), pois esses aumentam a nossa força, tal como as armas, que também vão sendo encontradas ao longo dos cenários. E descansar de vez em quando é necessário, nenhum exército consegue estar continuamente em movimento e em forma se não recuperar periodicamente um pouco das suas forças.

E já agora, as teclas "U" - Noite encerram a fase do dia (para se poder avançar, tem que se "fechar" a fase desta forma), a tecla "M" - Menu, permite escolher o personagem que conduzimos, e a tecla "V" - ver a vista, faz-nos regressar ao ecrã geral.


Como certamente repararam, podemos escolher o personagem que controlamos. Inicialmente apenas Hero, mas após encetarmos contactos com os reinos amigos, é possível ganharmos reforços para a nossa causa. Passamos assim a ter outros chefes e exércitos à nossa disposição, aumentando a nossa força. Sozinho não vamos longe, pelo que encontrar os reinos amigos deverá estar no topo das nossas preocupações (estão assinalados no mapa).

E como também já deu para perceber, Hero é profundo e não é jogo para se completar nas primeiras vezes em que o carregamos. É necessário muita exploração, perceber muito bem como funciona este mundo, explorá-lo em todas as suas vertentes, e só então estaremos em condições de tentar vencer o exército das trevas. Além disso, tem muitas formas de se terminar e temos muitas dúvidas que exista mais algum jogo português com estas características. É inacreditável como um jogo destes passou completamente despercebido, excluindo ter sido capa do MicroSe7e. Seguramente merecia ter sido traduzido para inglês e ter sido lançado por uma das grande editoras britânicas. Mas mais incrível ainda é como nem em Portugal se tornou conhecido. Na nossa opinião, entra directamente para o top dos melhores jogos portugueses para o ZX Spectrum.

Para já fiquem apenas com um gostinho daquilo que perderam estes anos todos. Dentro de uma semana, e com a concordância do seu autor, vamos disponibilizar Hero por todo a comunidade. Esperemos que lhe seja dado agora o reconhecimento que faltou nos anos 80...

domingo, 28 de fevereiro de 2021

SOS Naufrágio

 

Nome: SOS Naufrágio
Editora: NA
Autor: Libânio Guerreiro
Ano de lançamento: 1986
Género: Aventura de texto
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 48 K
Número de jogadores: 1

É incrível como ao fim de 35 anos anos ainda andamos a encontrar autênticas pérolas criadas pelos programadores portugueses. Jogos e programas que não ficam a dever nada ao que se fazia lá fora, apenas não tiveram as mesmas oportunidades, muito também por força da exiguidade do mercado português, mas também pela ausência de uma lei anti-pirataria eficaz, que desmotivava os programadores de lançarem os seus programas no mercado nacional, pois tinham a consciência que rapidamente o seu trabalho era copiado, desrespeitando quaisquer direitos de autor e, por vezes, até profanando os próprios jogos, ora aparecendo incompletos nas lojas (manuais, nem vê-los), ou até alterando o nome do seu criador (deparámo-nos com isso quando encontrámos uma cópia de Keops, por exemplo - outra aventura de texto Portuguesa que ainda não foi disponibilizada).

Quanto a SOS Naufrágio, já tínhamos conhecimento da sua existência. Tinha sido capa do MicroSe7e número 37, de Dezembro de 1986 (no separador "Revistas" podem descarregar todos os suplementos). Nesse mesmo artigo era referido outro jogo de Libânio Guerreiro, que também já se encontra preservado. Felizmente o programador ainda tinha as cassetes consigo, enviou-nos, e conseguimos recuperá-los. Continua a faltar o último dos seus jogos, Viagem de Vasco da Gama à Índia. Mais tarde ou mais cedo iremos dar com ele, até porque, pelo menos na cidade de Lisboa, estava presente em algumas escolas na cadeira de História. De qualquer forma isso serão contas de outro rosário, o que aqui nos traz hoje é SOS Naufrágio.

A cassete está gravada dos dois lados. Num deles encontra-se um ficheiro independente apenas com as instruções e desde logo demonstra a apresentação muito cuidada com que o seu autor nos presenteou ao longo de todo o jogo. Ficamos assim a conhecer um pouco a sua história, mas também a lista de alguns comandos, e até algumas dicas (mais dicas encontram-se no artigo do MicroSe7e, não vamos ser desmancha-prazeres).


Encontramo-nos a bordo de um navio em mares tropicais. Mas abate-se uma terrível tempestade, o navio vai parar a mares desconhecidos, e está a afundar-se. Temos que sair rapidamente do navio ou arriscamo-nos a nele perecer. Mas uma coisa é conseguir escapar do navio, outra é sermos salvos. Para isso temos que encontrar as três peças de um receptor, dispostos em outras tantas ilhas recheadas de armadilhas e perigos. Depois de termos todas as peças, podemos contruir um rádio e emitir um S.O.S., esperando que algum navio próximo capte a mensagem e venha em nosso socorro. E a missão ainda não está terminada, pois ainda temos que encontrar um navio que tenha captado a mensagem e seja amigável. Isto porque estes mares desconhecidos estão infestados de tubarões... E de piratas...

Depois das instruções interiorizadas, é tempo de metermos mãos à obra e carregar o jogo. Assim que isso acontece, somos novamente presenteados com o bom-gosto do Libânio. Não só um segundo ecrã, dando o mote para a tarefa que vamos ter em mãos (e dando também algumas dicas importantes, não é por acaso que a Rosa dos Ventos se encontra na imagem), mas também com uma agradável música, uma adaptação muito bem conseguida de Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu), obra de 1917. Sendo uma típica aventura de texto sem gráficos, que por norma já não tem som, estes pequenos "mimos" dão um colorido diferente ao jogo, contribuindo para o tornar mais atractivo. E é um facto, a música fica mesmo na cabeça.


Avisamos desde já, SOS Naufrágio é enorme, com muitas dezenas de locais, muitos objectos para serem utilizados (atenção que existe um limite máximo de itens que podemos carregar) e muitos personagens ao longo do jogo. Traz-nos à memória Amazónia, jogo brasileiro lançado originalmente em 1985 e que teve uma fabulosa reedição em 2020. Quem sabe não possa vir a acontecer o mesmo a SOS Naufrágio, qualidade não lhe falta.

Além disso, o jogo é composto por várias fases, que se distinguem entre si. A primeira, a bordo do navio que se está a afundar, onde todos os minutos contam. Acordamos no nosso beliche, à vista apenas um armário, mas dentro dele um objecto que vai ser muito importante mais à frente. O navio não é muito grande, cerca de dezena e meia de locais, mas também inclui a tripulação, entre os quais um elemento que nos vai acompanhar no resto da aventura, um maníaco psicótico, e um capitão que não é mais que um empecilho. Para conseguirmos sair do navio não vamos necessitar de recolher todos os objectos que nele se encontram, mas se não os levarmos todos, mais à frente ficaremos encravados (dica: são quatro os objectos a serem recolhidos). 

Como o tempo é factor importante nesta fase (se demorarmos muito tempo a recolher os objectos e a sair, o navio afunda-se), aconselhamos numa primeira fase a explorar todos os cantos (tem três andares), mapear, e identificar o local onde os objectos se encontram. Estaremos então em condições de ir para o escaler de salvamento, isso se não tivermos o azar de encontrar o capitão pelo caminho, pois quando isso acontece, um objecto específico é-nos sonegado e escondido num qualquer ponto do navio. 


Passada esta fase com sucesso, segue-se uma outra labiríntica. Estamos agora a bordo de um pequeno bote de salvamento, na companhia de Peter, em pleno mar alto. São mais de duas dezenas de locais, muitos deles a levarem ao mesmo sítio, dificultando a tarefa de quem pretende mapear. É fundamental fazê-lo, doutra forma arriscamo-nos andar às voltas, ou pior, a darmos de caras com os piratas, com as consequências que podem imaginar. Por outro lado, se conseguirmos acostar ao "Mar das Ilhas", podemos então passar a nova fase.

O Mar das Ilhas dá acesso às três ilhas onde vamos encontrar as peças para construir o rádio transmissor. Depois duma primeira fase essencialmente exploratória e onde corremos contra o tempo, de outra labiríntica, entramos numa fase onde o mais importante é a resolução de quebra-cabeças. Cada uma das ilhas tem características e inimigos únicos. Mas em todas sofremos a contrariedade de ficarmos sem barco de salvamento, tendo que arranjar forma de encontrar ou construir um novo. É também nesta fase que vamos necessitar dos objectos que encontrámos a bordo do navio. Esqueceram-se deles? Ups...
 

Só após todas as peças encontradas, chegamos à fase final onde temos então que encontrar o navio de salvamento. Mas até lá vamos perder muitas horas, onde nos vai acontecer com demasiada frequência o que se encontra no ecrã acima. Sim, o jogo é muito difícil, mais uma vez fazendo lembrar Amazónia, e só os mais aptos a sobreviver em condições extremas vão conseguir chegar ao fim. 

Por vezes parece-nos que o teclado é um pouco sensível demais, repetindo letras, mas também apenas experimentámos num emulador. Talvez na máquina real seja menos sensível, facilitando a tarefa, em especial na primeira fase (no navio), onde não convém que nos enganemos a teclar demasiadas vezes. Mas o Libânio também deu uma ajuda, pois é possível usar-se apenas as abreviaturas para executar as acções. A lista de abreviaturas é a seguinte: “ABR", "FEC", "APA", "MAT", "ATA", "EXA", "ENT", "SAI", "LAR", "DAR", "COM", "BEB", "PAR", "CHA", "CAV", "ESC", "DIZ", "LIG", "DES", "FAZ", "CON", "COM", "CHA", "RUM", "ALI", "MAR", "REV", "POR", "ARM", "FAC", "CAI", "COR", "LAN", "BUR", "CAP", "BOT", "DES", "JOH", "PET", "LOU", "CAN", "IND", "PIR", "BAN", "TUB", "LAD", "MAP", "GOR", "HIE", "LOB", "POL", "COB", "TRO", "ESP", "COL". É mais ou menos óbvio a função de cada uma, usem e abusem.

O que aqui leram abriu-vos o apetite para experimentarem o jogo? Esperamos bem que sim, pois o jogo vale realmente a pena ser explorado. Uma pena que tivesse passado praticamente despercebido na altura em que foi lançado, mas ainda vamos a tempo de lhe dar o destaque que merece. Para isso vão-se mantendo atentos, pois brevemente será disponibilizado no local do costume.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

À Conversa com Libânio Guerreiro


Para os mais distraídos, o museu LOAD ZX celebrou neste último fim de semana o seu 2º aniversário. Foram organizadas várias actividades ao longo do dia, como visitas guiadas, conversas, sessões de trabalho e até mesmo uma sessão de cinema.

Uma das conversas proporcionadas aos visitantes contou com a participação de Libânio Guerreiro, criador de jogos como S.O.S, Hero e A Viagem de Vasco da Gama à Índia. Curiosamente foi a sua primeira vinda ao museu. Uma sessão moderada pelo André Luna Leão, onde o Libânio teve a oportunidade de recordar a sua experiência no desenvolvimento destes jogos, partilhando essas e outras histórias com os visitantes.

Para quem não teve oportunidade de vir ao evento, não se preocupe… Hoje o museu vai partilhar esta sessão com todos.

Às 21h de Portugal vai ser lançado o vídeo relativo a esta conversa. Vamos estar online a comentar, juntem-se a nós!

sábado, 23 de abril de 2022

A Viagem de Vasco da Gama à Índia (MIA)


Depois de na semana passada termos disponibilizado a análise daquele que consideramos como o mais importante jogo português a ser desenvolvido para o ZX Spectrum, mesmo tendo saído numa fase já bastante tardia, e daí talvez ter passado despercebido à comunidade, vamos hoje disponibilizar o jogo ao público, com o consentimento do próprio autor, o Libânio Guerreiro. E fazemo-lo na melhor altura e no melhor local possível, no aniversário dos 40 anos do ZX Spectrum, num evento que está a ser realizado no Museu LOAD ZX Spectrum, em Cantanhede. 

Esta é a versão original que foi desenvolvida para o FDD da Timex e que nos foi enviada pelo próprio Libânio, sendo extraída a imagem do disco pelo Ricardo Reis. Para se poder jogar, é necessário a máquina real, ou então de um emulador como o Fuse, com algumas configurações muito específicas:

  1. Seleccionar o TC 2048 no menu "Machine"
  2. Selecionar o FDD3000 no menu "Options", "Selects ROMs" e "Peripheral ROMs" (necessitam de colocar o ROM específico do FDD3000 no Fuse)
  3. Ir ao Menu "Options", "Periherals" e "Disk" e seleccionar o "FDD3000 interface"
  4. Ir a "Media", "Disk", "FDD 3000", "Drive A", "Insert" e inserir o lado A de Vasco da Gama
  5. Fazer o"FDD3000 Reset" em "Machine"
  6. Fazer LOAD * "start"
  7. Quando carregarem o jogo (opção 3 do menu inicial), não esquecer de inserir o lado B de Vasco da Gama (tal como fizeram no passo 4)
  8. E pronto, têm o jogo a funcionar em toda a sua glória...
Devemos deixar desde já um alerta: quando chegarem ao Índico, irão perceber que algumas partes do mapa não estão a ser lidas correctamente, trazendo imagens erradas ao jogo. O original na disquete está assim mesmo, no entanto, continua bastante jogável. Entretanto, o Filipe Veiga e o Libânio estão a trabalhar versão que será lida pelos ZX Spectrum (modo 128K), corrigindo as imagens do original.

Assim, simbolicamente, o lançamento desta notícia é feita durante o grande evento do quadragésimo aniversário no Museu LOAD ZX Spectrum. Podem aqui vir descarregar o jogo, ficamos ansiosos para saber o que acham dele.

sábado, 3 de dezembro de 2022

LGW 22: "A Viagem de Vasco da Gama à Índia", com Libânio Guerreiro e André Luna Leão

 

Mais uma sessão da LGW, desta vez com o criador do "A Viagem de Vasco da Gama à Índia", o nosso amigo Libânio Guerreiro.

Uma conversa guiada pelo André Luna Leão sobre o jogo a cima mencionado e outros vários jogos desenvolvidos pelo Libânio, como o "SOS Naufrágio" e o "Hero".

Em nome do museu, pedimos desculpa pela fraca qualidade do áudio. É algo que vamos procurar resolver nos próximos eventos do tipo. Obrigado pela compreensão.

domingo, 17 de abril de 2022

A Viagem de Vasco da Gama à Índia


Nome: A Viagem de Vasco da Gama à Índia
Editora: NA
Autor: Libânio Guerreiro
Ano de lançamento: 1991
Género: Aventura de texto
Teclas: NA
Joystick: NA
Memória: 48 K (FDD)
Número de jogadores: 1

Se com SOS Naufrágio, uma pura aventura de texto tínhamos ficado muito bem impressionados, se com Hero, usando o mesmo motor, mas trazendo uma nova dimensão estratégica tínhamos ficado de queixo caído, e não apenas pelo belíssimo grafismo, que dizer de A Viagem de Vasco da Gama à Índia, que expande para um patamar inimaginável aquilo que Libânio Guerreiro tinha conseguido nos seus dois primeiros jogos? 

Não nos enganamos por muito se dissermos que este é o melhor jogo para o Spectrum desenvolvido apenas por portugueses, ainda para mais trazendo uma vertente educacional que o valoriza. Mas também não podemos deixar de fazer um reparo: como é que um jogo como este passa despercebido à comunidade? Como é que a comunidade continua a valorizar continuamente um jogo (não vamos dizer o seu nome), reduzindo a importância de tudo o resto que os nosso programadores fizeram? Talvez parte da resposta esteja na nossa mentalidade, o que é uma pena, pois quem ficou a perder em primeira instância foram os programadores nacionais, que não viram os seus trabalhos reconhecidos lá fora, mas também a própria comunidade portuguesa, que perdeu o privilégio de ter usufruído de jogos deste calibre, e que ainda por cima é vista de forma jocosa como os "saloios" que apenas fizeram um jogo caricato para exportação (e não, não nos referimos a Alien Evolution, Kraal ou Klimax, todos bastante interessantes).

Bem, depois de aliviarmos um pouco a irritação que tínhamos, vamos então falar um pouco deste que para nós é considerado como o melhor jogo alguma vez feito em Portugal, pelo menos para o ZX Spectrum. E nem o facto de ter sido desenvolvido para o sistema FDD da Timex lhe retira qualquer valor.  Doutra forma não poderia ter sido, já que A Viagem de Vasco da Gama à Índia ocupa os dois lados de uma disquete, estando no primeiro dos lados o motor do jogo, as instruções e uma pequena introdução, e no segundo lado da disquete uma boa parte das imagens. Estas são de enormíssima qualidade, qual delas a mais bonita, e são às dezenas. 

O próprio Libânio confessou-nos que foi enchendo a disquete até não ter mais memória, e que apenas parou, pois para o fim a que se destinava este jogo (a comunidade escolar e académica), não seria adequado usar várias disquetes. Mas não se preocupem, estamos a trabalhar para transformar o jogo em 128K, através da compressão das imagens, sem que estas percam qualidade, permitindo correr no Spectrum, sem recurso ao FDD. Esperemos ser bem sucedidos...

Já agora uma história curiosa: a disquete foi-nos enviada pelo próprio Libânio, tendo o Ricardo Reis conseguido fazer a sua preservação, num trabalho bastante moroso e complexo, pois tinha "bad sectors". Mas juntamente com esta disquete, vinha uma outra, contendo outra raridade, e essa sem erros. Os jogos SOS Naufrágio e Hero, versão FDD, lidos através de um menu comum, permitindo escolher as instruções ou jogo. Que luxo... 

A Viagem de Vasco da Gama à Índia foi então iniciado em 1989 e terminado em 1991 (visível no primeiro dos ecrãs de carregamento), tendo sido desenvolvido para a FCT/UNL, situada no Monte da Caparica. Inspirou-se no livro “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama”, das Publicações Europa-América, e se queremos cumprir a 100% com a missão que nos está destinada, é aconselhável ler-se a obra. Já iremos ver o porquê de ser necessário ler-se a obra para se atingir a pontuação máxima (se apenas se pretender terminar o jogo, basta ler as instruções que vêm com o mesmo).

A aventura decorre em 1497 e assumimos o papel de Vasco da Gama. Este encontra-se em Lisboa e está prestes a iniciar a célebre viagem histórica. Mas antes de empreender a viagem, tem de se assegurar que as naus que comanda estão devidamente apetrechadas. É possível iniciar a viagem sem ter todos os objetos, mas se não tivermos um astrolábio, um mapa ou presentes para oferecer aos outros povos, andaremos depois perdidos pelo mar (nesse caso mais vale recomeçar o jogo).


Portugal apenas surge praticamente de Lisboa para baixo, pelo que esta primeira parte da aventura não tem muitos locais a visitar. Não chegam a uma dezena e rapidamente se descobre  onde se encontram os objectos que temos que apanhar para apetrechar as naus. Também rapidamente vamos descobrir que Vasco da Gama, apesar de ser bom nadador, não se lhe dá muita saúde atirar-se ao mar assim por dá cá aquela palha. Há que monitorizar com alguma regularidade o seu estado físico, para isso digitando "relatorio", ou usando a tecla "7", uma das muitas utilizadas para atalhar comandos. 

O relatório não só vai dizer como se encontra Vasco da Gama, mas também o moral da tripulação, o número de homens que sobrevivem às agruras do mar, o número de dias passados desde que iniciou a aventura em Lisboa e o último acontecimento relevante. Caso Vasco da Gama se encontre enfermo, sempre pode comer ou beber das suas provisões, melhorando imediatamente o estado de saúde. Convém aqui fazer uma nota: há dois tipos de provisões, aquelas que são recolhidas por Vasco da Gama, e que são para seu uso pessoal, e as que são negociadas com os nativos ou pescadas no mar, que servem para abastecer as naus e a tripulação. Entender isso fará toda a diferença ao longo do jogo.


Naves apetrechadas, estamos então em condições de nos fazermos ao mar. Saímos de Lisboa e convém talvez puxar o mapa para nos orientarmos. Digitar "mapa" ou tecla "0" carrega a imagem com o mapa da zona onde nos encontramos. São seis diferentes (ver canto superior direito), e é através dele que vamos gizar a nossa estratégia. Sim, A Viagem de Vasco da Gama à Índia é muito mais que uma mera aventura de texto, pois, à semelhança do que acontece com Hero, existe uma forte componente estratégica. Senão vejamos nos próximos parágrafos tudo aquilo a que temos que estar com atenção, além da saúde de Vasco da Gama.

Não convém ir com as naus contra terra. Teremos que primeiro desembarcar para o batel, e só então podemos aceder a terra. De cada vez que as naves vão contra terra, sofrem danos, felizmente que estes poderão depois ser reparados em alguns portos ou nas margens dos rios.

Mas há que manter a tripulação com o moral em alta, e já agora viva, de preferência. Sabemos bem o que acontece a quem anda no mar muito tempo sem fruta e legumes frescos, não é? O escorbuto é fatal e a única forma de aplacar a doença, é ingerindo esses alimentos. Para os obter, negociar presentes com os nativos que vamos encontrando. 

Para ver as provisões disponíveis em cada uma das quatro naus, digitamos "inventario" ou tecla "8", e temos acesso ao inventário de cada navio. É-nos então indicado o número de homens que fazem parte da tripulação, a quantidade de alimentos, entre os quais a fruta, e, igualmente importante, a quantidade disponível de água. Existem mil e uma maneiras de Vasco da Gama e a tripulação morrerem, ou de as naus afundarem, mas a mais inglória será deixá-los morrer à sede. Para se obter água, há que encontrar os agueiros (as ilhas normalmente têm, mas também algumas partes da costa, nomeadamente junto a rios), e "fazer aguada", o termo usado na época. Não esquecer é de antes desembarcar a tripulação, não se espere que Vasco da Gama carregue às costas os barris com o precioso líquido.

Digitando "vista" ou a tecla "5", temos o panorama geral que encontramos, enquanto que "ver" ou tecla "6", dá informação um pouco mais pormenorizada, tal e qual como acontece em Hero. É fundamental irmos rodando as várias opções, doutra forma poderão escapar-nos elementos importantes do cenário (como a água ou os peixes, por exemplo).

Finalmente, para completar a lista de comandos, além dos quatro pontos cardeais, também acessíveis através das teclas "1" a "4", a tecla "M" assinala os últimos comandos digitados, muito útil para quando nos encontramos perdidos no batel, sem saber o local onde se encontram as naus (atenção que muito tempo no batel provoca queimaduras solares), o "pause", fundamental para quando estamos a pensar na estratégia a seguir e não se quer ver o tempo passar e as provisões terminarem rapidamente, "symbol shift" + "R" para repetir o último comando, e o habitual "load"/"save".

Agora que já tivemos um lamiré daquilo que vamos encontrar e das necessidades básicas das personagens, estamos prontos a começar a viagem. Depois de sairmos de Lisboa, temos que contornar a costa africana, passar o Cabo da Boa Esperança e entrar no Índico, desembarcando em vários pontos do continente e ilhas para recolher víveres e colocar padrões, sobrevivendo aos encontros com outros povos. 

Padrões... Pois, ainda não tínhamos falado nisso. Mas já tínhamos dito que era aconselhável ler a obra na qual o jogo se baseia, e isso porque ao longo da viagem temos a possibilidade de colocar padrões. Estes podem ser colocados em qualquer local da costa, no entanto, a ideia é recriar a viagem de Vasco da Gama e para obtermos a pontuação máxima em termos de rigor histórico, temos que saber quais os locais onde os devemos colocar. Se não tivermos paciência para fazer um pouco de pesquisa, podemos à mesma ter êxito, mas o índice referido será baixo (ou nulo).

Chegando à Índia, temos que estabelecer uma rota de comércio com o líder local, encontrar as especiarias preciosas e, se conseguirmos sobreviver a todas as contrariedades, incluindo piratas e o encarceramento, podemos voltar finalmente a Portugal com as naus sobreviventes carregadas. Enfrentando novamente todos os perigos, evidentemente... 

É utilizada a mesma mecânica dos dois jogos anteriores, aproveitando algumas rotinas. Assim, quem experimentou SOS Náufrago e Hero, irá notar as semelhanças entre eles. No entanto, este jogo é ainda mais complexo e longo. Não só temos que explorar todos os locais, recolhendo os objetos necessários, como temos mais uma vez uma forte componente estratégica, com elementos como a negociação com os outros povos, assim como a atividades bélicas.  

Não se lendo a obra atrás aconselhada, conhecer um pouco (ou bastante) da história de Portugal, nomeadamente da época dos Descobrimentos, é fundamental para se avançar nesta épica aventura. Não é por acaso que o jogo foi introduzido nas escolas através do projeto Minerva, que através do Ministério da Educação, e tendo vigorado entre 1985 e 1994, introduziu as Tecnologias de Informação e Comunicação (vulgarmente conhecidas por TIC), nas escolas do ensino básico e secundário. Curiosamente, o seu mentor e coordenador, o professor António Dias Figueiredo, discursou na palestra de inauguração da exposição LOAD "" que deu origem ao Museu LOAD ZX Spectrum.

No entanto, aquilo que poderemos dizer é todo esse esforço é largamente compensado com o prazer que se retira desta Viagem. Os desafios são imensos e complexos, mas altamente recompensadores quando se chega ao fim, os gráficos são esplendorosos, como têm oportunidade de ver nos ecrãs que aqui deixamos. Serão necessários muitos dias para se conseguir chegar à Índia, e ainda mais para fazer o caminho de volta. Consegue-se imaginar melhor forma de aprender um pouco sobre a História de Portugal?

A Viagem de Vasco da Gama à Índia é um jogo mais que obrigatório. É o elo que nos faltava para nos reconciliarmos com os jogos feitos em Portugal para o Spectrum. É a forma de dizer aos estrangeiros que somos tão bons ou melhores que eles a criar aventuras épicas para esse computador. É um crime não o experimentarmos. Quem sabe, Libânio, com quem temos estado em contacto, venha a ter agora o reconhecimento que lhe seria devido, desenferruje os seus conhecimentos de programação, e crie uma nova aventura. Da nossa parte, tudo faremos para que isso aconteça. Aguardem por novidades em breve...

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Remaster ao vivo de Hero no Gênesis

No sábado passado o André Leão foi o convidado especial de mais uma live com o Renato Degiovani (autor da aventura Amazônia e pioneiro dos videojogos brasileiros), na qual nos mostrou o gameplay de Hero, o jogo de aventura e estratégia do Libânio Guerreiro de 1986, e o qual a dupla Planeta Sinclair e Museu LOAD ZX Spectrum preservou recentemente.

O que era para ter sido apenas uma meia hora de jogatana em directo, acabou por estender-se por duas horas bastante divertidas, com o André a tentar fugir do exércitos de Grutol (o antagonista de Hero) e na demanda pelos lendários subterrâneos do jogo!

E a cereja no topo do bolo foi a presença no chat do próprio Libânio que nos guiou através do jogo com um extenso rol de dicas (que um dos nossos leitores, o Paulo Carmo anotou neste blogue). Já se passaram mais de 30 anos desde que o jogo foi programado, e é fantástico observar que o autor ainda tenha presente até hoje, a memória de tantos detalhes da sua criação.


Toda esta dinâmica entusiasmou o Renato, de tal modo que vai dedicar a próxima live (outra vez) ao Hero, mas com uma abordagem mais técnica. Ele irá reproduzir, em directo, o Hero no Gênesis (a ferramenta autoral de criação de aventuras) trazendo-o para uma plataforma moderna, num passo a passo de como adaptar uma mecânica de turnos ao potencial das aventuras modernas, mas mantendo a alma do jogo intacta.

Poderão assistir neste Sábado 8/5 às 18h em Portugal (14h no Brasil)!

sábado, 6 de março de 2021

SOS Naufrágio (MIA)

 

E conforme tínhamos prometido numa sessão em conjunto com o Museu LOAD ZX Spectrum (ver aqui o directo), hoje disponibilizamos à comunidade o primeiro dos jogos de Libânio Guerreiro: SOS Naufrágio. Também já devem ter lido a review, portanto sabem que o jogo é mesmo bom. E difícil... Não esperem terminá-lo nas primeiras tentativas. Aliás, se nas primeiras tentativas conseguirem sair do navio que está a naufragar, já se podem dar por contentes. Depois abre-se um enorme mundo à nossa frente, recheado de perigos e aventuras. 

Também sabem que ainda se encontra um jogo do Libânio por recuperar: A Viagem de Vasco da Gama à Índia. Contamos convosco para nos ajudar a encontrar este jogo. Uma nota: originalmente apareceu em disquetes para o FDD, com distribuição nas escolas para a disciplina de história.

Sem mais demoras, venham aqui descarregar SOS Naufrágio.

sábado, 10 de abril de 2021

HERO (MIA)


Depois de na semana passada termos feito a análise detalhada de HERO, está na altura de partilharmos este maravilhoso jogo com a comunidade. Em 1986 apareceu na capa de MicroSe7e, mas desde ai que se lhe perdeu o rasto. Até conseguirmos entrar em contacto com o Libânio Guerreiro, que por um golpe de sorte ainda tinha a cassete consigo. Dai até a recuperarmos, foi um passo.

Para que a história fique totalmente documentada, disponibilizamos as três versões que conseguimos recuperar. Na realidade, serão apenas duas. A v1 foi a versão inicial criada por Libânio, que depois fez algumas melhorias, dando origem a uma v2, que contempla um bloco de dados com as duas versões, e a uma v3, esta sim, a final. Assim, se querem jogar a versão com melhorias, será a v3 que deverão carregar. Tem também dois ficheiros com instruções, embora neste caso nos pareçam iguais.

Mas sem mais delongas, venham aqui descarregar uma das maiores pérolas da programação portuguesa...   

sábado, 1 de maio de 2021

Gameplay do Hero no Gênesis com André Leão

Não percam hoje a live do projecto Gênesis, a cargo de Renato Degiovani (pioneiro da indústria brasileira de jogos e autor da famosa aventura Amazônia) com um convidado e tema muito especiais! Nem mais nem menos, que o André Leão que irá falar sobre (e também jogar) o Hero, jogo de estratégia e aventura do Libânio Guerreiro que foi recentemente preservado através da dupla Planeta Sinclair e Museu Load ZX Spectrum

Será mais uma grande oportunidade para conhecer este jogo luso, além de falar sobre mecânicas experimentais usadas em jogos nos primeiros anos da Informática. Hoje às 18 horas em Portugal, 14 horas no Brasil! A fazer crêr pela primeira participação do André nas lives sobre o Gênesis (ferramenta autoral moderna de criação de aventuras) será mais uma agradável conversa para passar a tarde no 1º de Maio!

sábado, 2 de outubro de 2021

Fanzine número 4


O fanzine número 4, de Setembro de 2021, já está à disposição de todos os visitantes do Museu LOAD ZX Spectrum. Assim, quem visitar o museu, não se esqueça de na recepção perguntar pelo fanzine, sendo mais uma cortesia de Planeta Sinclair / Museu LOAD ZX Spectrum e Câmara Municipal de Cantanhede, que fazem questão de tornar este museu como único no mundo. 

Quanto a este número, o destaque vai para o Libânio Guerreiro, com uma review de A Viagem de Vasco Da Gama à Índia, muito provavelmente o melhor jogo português de sempre. Que nota terá tido? Para isso tem que ir buscar o fanzine (gratuito).

Mas também Agente Azul, de Jaime Grilo e José Silva está em destaque, assim como um artigo sobre os primeiros jogos portugueses a aparecer para os computadores da marca Sinclair e outro sobre a revista espanhola CAAD.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

The Ring of the Inka: Sir Clive Edition


Devido à falta de tempo, infelizmente não seguimos conveniente competições como a CSSCGC (The comp.sys.sinclair Crap Games Competition 2021 - 25th edition!). E por vezes, os jogos que entram na competição, de "crap" não têm nada. Veja-se o caso de Mirror Mirror, por exemplo. Ou mais recentemente, The Ring of the Inka, um jogo desenvolvido em 2018 para a competição que estava em vigor na altura, mas que por várias razões não obteve a projecção desejada, algumas relativas à própria competição, mas também porque o jogo estava destinado às microdrives e não era fácil de aceder.

Mais recentemente, no final de 2021, o seu autor resolveu uma série de bugs, criou uma versão inteiramente funcional, e partilhou com a comunidade a Sir Clive Edition, agora acessível facilmente através dos emuladores usuais.

Ainda só explorámos superficialmente o jogo, mas parece ser brutal. E enorme, com dezenas de localizações e imagens, um parser que nos parece também ser bastante funcional, pese embora alguma (natural) lentidão. Fez-nos lembrar um pouco SOS Naufrágio, do Libânio Guerreiro.

É assim um jogo a explorar assim que o tempo nos permita, embora não possamos prometer uma análise mais detalhada (o tempo não estica). De qualquer forma, podem aqui vir descarregar o jogo.

E já agora, se não acreditam que um "crap" game pode ter tantos locais, observem o mapa...

domingo, 24 de abril de 2022

Hero e SOS Naufrágio ver 1.2 para FDD


Depois de ontem termos partilhado A Viagem de Vasco da Gama à Índia, hoje disponibilizamos pela comunidade o conteúdo da segunda disquete que o Libânio Guerreiro nos emprestou.

A disquete inclui a versão 1.2 dos jogos Hero e SOS Naufrágio, cuja versão para o ZX Spectrum já foi partilhada. Estamos perante três dos melhores jogos portugueses para o ZX Spectrum, pelo que foi um verdadeiro achado.

Poderão aqui descarregar o conteúdo da disquete. Para carregarem o jogo (no Fuse, por exemplo), basta seguir as instruções que deixámos ontem para o Vasco da Gama.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Primeiro episódio da nova temporada da Retro_Gamers


E já está disponível o primeiro episódio da nova temporada da Retro_Gamers. Além da apresentação do meu livro "Os Programadores Portugueses", são disponibilizadas várias entrevistas com elementos da comunidade, em estúdio temos o Libânio Guerreiro (autor de SOS Naufrágio, Hero e A Viagem de Vasco da Gama à Índia), é feito um resumo do evento de celebração dos 40 anos do ZX Spectrum em Cantanhede, entre outras preciosidades. 

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Rescaldo do LGW 2022

 

Finalmente tive tempo de parar um pouco para escrever, pois desde a passada Quinta que os elementos do Planeta Sinclair têm estado no Lisboa Games Week em Lisboa. Fomos convidados pelo João Diogo Ramos e pelo Museu LOAD ZX e foi com enorme satisfação que fomos fazendo alguns eventos e ajudando naquilo que era necessário.

Atividades foram imensas, seria ingrato destacar alguma delas. Mas fica aqui uma pequena síntese daquilo que se passou ao longo destes quatro dias. Existem vídeos de tudo e seguramente que o Museu LOAD ZX os irá disponibilizar nos próximos temos. Afinal de contas, já temos saudades dos serões a ver e comentar os vídeos do Museu.

Sessões que apresentámos no LGW:

5ª Feira

  • “O ZX Spectrum em 2022”, com João Diogo Ramos, André Luna Leão, Filipe Veiga e Marco Fresco 
  • "Introdução à programação no Spectrum", com Filipe Veiga
  • "Introdução ao funcionamento (hardware) do ZX Spectrum, com Paula Silva

6ª Feira

  • "Sir Clive Sinclair e o ZX Spectrum", com João Diogo Ramos
  • "Introdução à programação no Spectrum", com Filipe Veiga
  • "Gráficos no ZX Spectrum", com Rui Martins 

Sábado

  • “O papel de Portugal no ZX Spectrum nos anos 80/90”, com João Diogo Ramos, André Luna Leão, Hugo Pinto, Rui Morgado / TIMEX
  • "A Viagem de Vasco da Gama (Projecto Minerva)", com João Diogo Ramos, André Luna Leão e Libânio Guerreiro
  • "Demoscene ZX Spectrum", com Filipe Cruz

Domingo

  • "Apresentação do livro Os Programadores Portugueses”, com João Diogo Ramos e André Luna Leão
  • "A importância do ZX Spectrum no gaming do séc XXI", com André Luna Leão e Marco Fresco
  • Entrevista de Cristiana Reis (Advance) a João Diogo Ramos 

Como se pode ver, foram dias sempre muito preenchidos de manhã à noite. A agitação foi imensa, com um corropio de pessoas a passarem pelo stand, algumas delas famosas, casos do Diogo Morgado ou do Jorge Gabriel, que até teve direito a dedicatória no livro "Os Programadores Portugueses".

Foi também interessante ver a resposta da comunidade. Assim, a Bitnamic e a Espectro, além do livro já referido, estavam na montra do stand. Mesmo quem não conhecia, interessava-se pelos conteúdos, e foram feitas algumas vendas, sempre importante para manter estes projectos vivos.

Outra coisa que gostaríamos de destacar: os mais novos ficaram cativados pelos jogos do ZX Spectrum. Estavam três computadores com jogos, e fosse o Ms Pacman, Bomb Jack, Jetpac ou Chuckie Egg, o joystick não teve descanso (sim, a garrotada privilegia esse suporte, o teclado fica para os velhadas como nós)...

Mas também há aspectos a melhorar. Assim, o primeiro deles, a ventilação (ou falta dela) e o espaço demasiado condensado. As pessoas amontoavam-se e o barulho era imenso, muitas vezes prejudicando as atividades que decorriam no museu.

Em segundo lugar, a zona de restauração. Demasiado caro, ainda mais tendo em conta o público-alvo a que se destina, falta de opções vegan (pelo menos sem ser fast food), e uma qualidade que deixa um pouco a desejar.

No entanto, no global o evento foi muito positivo e subscrevemos na totalidade as opiniões do João Mateus e a visão do Marco Fresco nos vídeos seguintes, que vos convidamos a ver, e a quem desde já agradecemos a gentileza das referências.


sábado, 23 de outubro de 2021

24 Horas (MIA)

Em 1988, dois adolescentes, um do Norte do país (Nuno Silva), outro da região de Lisboa (Nuno Leitão), fundam um clube especializado em aventuras de texto, um género que sempre constituiu um nicho no panorama do ZX Spectrum, mas que ao longo dos anos foi ganhando muitos adeptos. Chamaram-lhe Clube Nacional de Aventura.

As primeiras aventuras  a aparecerem em Portugal, em 1984, da autoria de João Paulo Fragoso, passaram praticamente desconhecidas junto da comunidade portuguesa, e só mais recentemente duas delas foram preservadas (O Segredo dos Templários e o Globo da Luz). Aliás, apenas duas aventuras de texto se tornaram verdadeiramente conhecidas em Portugal, Mad’in Ca$cais, muito por força da temática incomum, e Talismã, que teve ampla divulgação nos media da época. Muitas outras aventuras, algumas de grande qualidade, infelizmente não tiveram essa exposição e só recentemente estamos a encontrar verdadeiros tesouros (os jogos de Libânio Guerreiro serão o caso mais evidente).

Entretanto, foram desenvolvidos motores para criação de aventuras de texto (GAC, PAW, The Quill), que acabaram por chegar às lojas portuguesas. Por serem muito intuitivos, permitiram que os programadores amadores nacionais com poucos conhecimentos de Asssembly, e mesmo sem o manual de instruções (que raramente era fornecido pelas lojas no nosso país), pudessem aventurar-se no género. A partir de 1988, é notório o aparecimento de inúmeras aventuras de texto criadas por esses programadores. Apesar de as cassetes não surgirem à venda nas lojas, os seus autores enviavam os respetivos trabalhos para a imprensa da altura (A Capital, Correio da Manhã, etc.), na esperança de que alguém editasse os jogos e os colocasse no mercado. Embora as tentativas não tenham sido inteiramente bem-sucedidas, pelo menos permitiu-nos tomar conhecimento de muito do que foi feito nos finais dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado.

O Clube Nacional de Aventura tinha como objetivo o intercâmbio de jogos, soluções, mapas e ideias entre os seus membros, mas também tinha como finalidade o desenvolvimento de novas aventuras. O primeiro lançamento foi 24 Horas, que Nuno Miguel Leitão (um dos fundadores do clube, na altura com apenas 16 anos) desenvolveu com o software The Quill e que saiu em meados de 1988. O jogo é baseado na conhecida série Dempsey & Makepeace, que na altura passava na RTP, colocando-nos no papel de Dempsey, que tem que salvar a sua parceira, raptada por terroristas. Apesar de ter apenas texto, a aventura mostra-se já bastante consistente, ainda mais tendo em conta a tenra idade do seu programador.

A acção é passada em três zonas distintas. A primeira, no hotel, onde acordamos tal como viemos ao mundo (atenção a isso), temos que encontrar o carro e conseguir guiá-lo (fica a dica). Se conseguirmos passar esta fase, a acção passa depois para a rua, onde não falta sequer a esquadra de polícia. Por fim, se tudo correr bem, vamos encontrar a discoteca onde Makepeace se encontra aprisionada. Mas atenção, além desta ser um pouco labiríntica, os objectos que recolheram (ou não perderam) anteriormente, vão influenciar o sucesso do resgate.

Entretanto, o autor de 24 Horas começou a trabalhar numa nova aventura, João Ratão no Sec. XXI, no entanto, nunca chegou a terminá-la. 

Poderão aqui descarregar então a bomba prometida. Set tiverem dúvidas, dêem-nos um toque. E entretanto, se alguém tiver a aventura seguinte do Clube Nacional de Aventura, Avenida Dom Rodrigo da Cunha, por favor faça-nos chegar, para fazermos a devida preservação digital e disponibilizar pela comunidade.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

25 MIA's mais procurados

 

Durante o directo de ontem (ver aqui), foi feito um repto para indicar quais os jogos e programas que mais procuramos de momento. Há uns anos, muito antes de tomarmos conhecimento de muitas pérolas que entretanto preservámos, Talismã, Elifoot e Play for Peace estavam no topo das prioridade. O primeiro já foi recuperado, embora não tenhamos autorização para o disponibilizar pela comunidade, o segundo continua perdido, mas o terceiro não só foi recuperado, como disponibilizado por todos. 

Então aqui está uma lista dos 25+, por ordem cronológica (faltam muitos da Astor, ainda, mas não os colocámos na lista). Já sabem, se de alguma forma tiveram ou ainda têm contacto com algum destes nomes, por favor, dêem-nos uma palavrinha...

  1. Megatron (1984 - Marco & Tito)
  2. Moon Defenders (1984 - Marco & Tito)
  3. Mr. Gulp (1984 - Marco & Tito)
  4. Patinhas (1984 - António Bastos)
  5. Rallye de Portugal (1985 - José Manuel Prates) (nota: falta o tzx com loading screen)
  6. Futebol 86 (1986 - Abel Antunes)
  7. Keops (1986 - Carlos Barroqueiro)
  8. Keops (1986 - Pedro Coragem)
  9. Keops (1986 - Alexandre Rodrigues) (nota: falta a versão final)
  10. Poker Alho (1986/1987 - Paula Silva e Luís Santos) (nota: MOD de Animated Strip Poker)
  11. Elifoot (1987 - André Elias)
  12. Scissor's Riddle (1987 - José Antunes)
  13. City Connection (1988 - Manuel Lemos) (nota: falta tzx e a versão 128K)
  14. CNA: 24 horas (1988 - Nuno Miguel Leitão)
  15. Avenida Dom Rodrigo da Cunha (1988 - David Fernando Varela Santos)
  16. Chikki Static (1990 - Rui Mendes e António Ricardo)
  17. Em Busca de uma Nova Terra (1990 - Ricardo Perdigão)
  18. Em Busca do Polo Sul (1990 - Hugo Miguel e Rui Ferraz)
  19. Encruzilhada do Terror (1990 - Nuno Cabral)
  20. Gravidade 0 (1990 - Rui Mendes e António Ricardo)
  21. Pacboy (1990 - Hugo Miguel e Rui Ferraz)
  22. Sábio, o (1990 - Nuno Miguel)
  23. Tron (1991 - Pedro Damásio)
  24. Viagem de Vasco da Gama à Índia, a (1991 - Libânio Guerreiro)
  25. Carlos Lopes em Busca dos Ténis Perdidos (Meados anos 80 - Paulo Sousa)

domingo, 30 de outubro de 2022

Dois Anos de Museu

Além da sessão com o Libânio Guerreiro, que foi partilhada na passada Quinta-feira, também houve uma conversa entre o João Diogo Ramos e o André Luna Leão a recordar os principais marcos do museu neste último ano.

Uma conversa informal e sem um grande guião definido, que serviu não só para recordar esses momentos, como também para discutir as perspetivas para o futuro. Tal como para a outra sessão, o vídeo será partilhado no canal de Youtube do museu.

Apareçam hoje, Domingo, dia 30 de Outubro, às 21h de Portugal, para a estreia deste novo vídeo. Juntem-se a nós, estaremos online a comentar e a responder a questões que possam surgir. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

MicroSe7e n.º 37


Depois de na semana passada termos disponibilizado o MicroSe7e número 36, desvendando parte do mistério de Corridas de Caracóis, desta vez temos mais algumas surpresas. Assim, na capa está um trio de programadores que foi responsável pelo menos por dois jogos, HERO e SOS. Ambos são desconhecidos do público e permanecem como MIA's. Chegámos a conseguir contactar com o principal autor dos jogos, Libânio Guerreiro, que ainda respondeu ao nosso email dizendo que iria procurar os jogos na arrecadação. Mas depois disse não tivemos mais notícias, apesar de termos voltado a tentar o contacto. Seria realmente uma pena se estes dois jogos se perdessem, até porque muito provavelmente, se entrou no circuito comercial, foi de forma muito limitada. Fizemos o que podíamos...

Podem descarregar aqui o suplemento, cortesia do Museu LOAD ZX Spectrum, Cantanhede, Portugal.

domingo, 16 de outubro de 2022

Festa de Aniversário do Museu LOAD ZX Spectrum


O museu celebra amanhã, Segunda dia 17, dois anos desde que abriu portas no espaço actual e já enquanto Museu LOAD ZX Spectrum (na sequência da exposição temporária que vinha de 2019 no Museu da Pedra). 

Visto estarmos numa fase bastante atarefada com a preparação da presença na Lisboa Games Week, vamos conjugar trabalho com a celebração... Ao longo do dia iremos ter actividades a decorrer em várias frentes visto que temos já a presença confirmada de André Luna Leão, João Encarnado, Álvaro Lopes, Hugo Pinto e Paula Silva, por exemplo. Qualquer um dos presentes terá todo o gosto em interagir com a comunidade. 

Em termos da celebração, temos a grande novidade de irmos finalmente abrir a nova sala multiusos que tem vindo a ser preparada (e que já foi possível ver minimamente no vídeo da TIMEX Portugal em Setembro). É um significativo crescimento ao espaço do nosso museu e irá acontecer pelas 14h00, sendo esse o arranque dos trabalhos.

O João e o André farão uma breve síntese do mais relevante que se passou neste último ano pelas 14h30 aproximadamente. De seguida, aproveitando que vamos ter um convidado muito especial connosco - nada mais do que o Libânio Guerreiro - vamos aproveitar para o entrevistar pelas 15h00.

Por fim, teremos duas visitas guiadas às 16h e 17h (o resto do tempo, o museu pode ser visitado como de costume). E terminaremos com um visionamento para quem quiser do Micro-Men pelas 18h00. Fica só a nota que não temos muitos lugares sentados e será mais para ensaio até que ponto a sala pode pontualmente ser usada para esse efeito. 

Iremos tentar transmitir alguns momentos online, mas claro que nada bate a presença física. 

Apareçam!